Basset Hound
O investigador de pernas curtas que nunca esquece um cheiro
Origem: Grã-Bretanha, desenvolvido a partir de antigos bassets franceses
Ele parece ter acordado cansado de uma vida que ainda nem começou. Os olhos caídos, as orelhas que quase varrem o chão e o corpo comprido criaram a imagem de um cão preguiçoso, melancólico e satisfeito em ocupar o sofá. Mas essa aparência conta apenas metade da história. O Basset Hound foi construído para seguir uma pista durante horas.
Uma história selecionada para uma função.
Ele parece ter acordado cansado de uma vida que ainda nem começou.
Os olhos caídos, as orelhas que quase varrem o chão e o corpo comprido criaram a imagem de um cão preguiçoso, melancólico e satisfeito em ocupar o sofá. Mas essa aparência conta apenas metade da história.
O Basset Hound foi construído para seguir uma pista durante horas. Seu ritmo é moderado, mas sua persistência é extraordinária. Quando o nariz encontra um cheiro importante, a expressão sonolenta desaparece, o corpo pesado começa a avançar e o mundo passa a ser organizado por uma lógica que só ele consegue perceber.
Dentro de casa, costuma ser afetuoso, sociável e cheio de humor. Do lado de fora, transforma-se em um rastreador independente, capaz de ignorar chamados, atravessar caminhos e continuar investigando muito depois de o tutor ter decidido que o passeio já deveria ter terminado.
História e origem
A história do Basset Hound começou na França, mas sua forma moderna foi consolidada na Grã-Bretanha.
A palavra francesa basset deriva de bas, que significa baixo. Durante séculos, o termo foi utilizado para identificar diferentes tipos de cães de caça com pernas curtas, e não uma única raça claramente definida.
Esses cães apresentavam uma vantagem prática: podiam seguir animais por vegetação fechada sem desenvolver a velocidade dos grandes sabujos. O caçador conseguia acompanhá-los a pé, ouvindo a matilha e observando o deslocamento da presa com maior facilidade.
A tradição relaciona os primeiros bassets aos cães mantidos por monges na França medieval, especialmente aos antigos sabujos associados à Abadia de Saint-Hubert. A documentação não permite reconstruir uma genealogia perfeita desde aquele período, mas a FCI reconhece a origem francesa medieval do tipo e afirma que a raça moderna foi aperfeiçoada na Grã-Bretanha. FCI
O Basset precisava realizar um trabalho específico.
Sua função incluía:
- localizar o cheiro de uma lebre ou outro pequeno animal;
- manter o focinho próximo ao solo;
- atravessar arbustos e vegetação pesada;
- seguir a pista por longas distâncias;
- utilizar a voz para indicar sua posição;
- trabalhar em grupo;
- avançar lentamente o suficiente para ser acompanhado a pé;
- persistir mesmo quando a trilha se tornava difícil.
A velocidade moderada não representava deficiência. Era uma característica desejada.
Um cão muito rápido poderia afastar a presa ou desaparecer do alcance do caçador. O Basset mantinha uma perseguição constante, organizada e sonora, permitindo que pessoas sem cavalos participassem da caça.
Durante o século XIX, criadores britânicos começaram a importar bassets franceses e a organizar a criação da raça.
Em 1866, o conde de Tournon presenteou Lord Galway com um casal de cães. Em 1874, Sir Everett Millais adquiriu na França um exemplar chamado Model, posteriormente apresentado em Wolverhampton em 1875. A criação britânica incorporou outros cães provenientes principalmente dos canis do conde Le Couteulx de Canteleu, e o Kennel Club reconheceu classes próprias para a raça em 1880. American Kennel Club
Os primeiros cães britânicos eram mais leves e possuíam pernas proporcionalmente maiores do que muitos exemplares modernos.
No final do século XIX, preocupações com parentesco e uniformidade levaram alguns criadores a experimentar cruzamentos. Sir Everett Millais utilizou o Bloodhound para reforçar características relacionadas à cabeça, às orelhas, à pele e à capacidade olfativa.
A influência do Bloodhound ajudou a consolidar:
- cabeça mais volumosa;
- orelhas longas e baixas;
- pele mais flexível;
- focinho profundo;
- expressão séria;
- grande capacidade de rastreamento.
O Basset Hound não se transformou simplesmente em um Bloodhound baixo. A raça manteve proporções próprias, estrutura dos membros e um ritmo adequado à caça de pequenos animais, mas passou a exibir uma semelhança facial mais evidente com o grande rastreador britânico. American Kennel Club
A raça chegou aos Estados Unidos ainda no século XIX.
Em 1883, Lord Aylesford levou dois exemplares para seu rancho no Texas, onde seriam utilizados na caça de coelhos. Outro casal foi enviado para Nova Jersey. Em 1884, um cão chamado Nemours tornou-se um dos primeiros Basset Hounds apresentados em uma exposição norte-americana, participando do Westminster Kennel Club Dog Show. American Kennel Club
O Basset Hound Club of America foi fundado em 1933. A entidade passou a incentivar criação responsável, provas de campo, rastreamento, exposições e preservação das características funcionais da raça. Basset Hound Club of America
Ao longo do século XX, o Basset Hound tornou-se cada vez mais conhecido como cão de companhia.
Sua aparência incomum ajudou a transformá-lo em personagem de:
- propagandas;
- desenhos;
- programas de televisão;
- fotografias;
- campanhas publicitárias;
- mascotes comerciais.
Essa popularidade criou uma imagem de palhaço preguiçoso, mas também afastou parte do público de sua verdadeira identidade.
O Basset Hound não foi desenvolvido para ficar imóvel. É um sabujo de trabalho, capaz de seguir pistas por distâncias extraordinárias e de conservar energia durante uma perseguição longa.
A FCI descreve um cão forte, ativo, persistente e capaz de grande resistência. Seu temperamento deve ser tranquilo, afetuoso, não agressivo e nunca excessivamente tímido. FCI
Atualmente, a raça pode participar de:
- provas de campo;
- rastreamento;
- scent work;
- mantrailing;
- busca de objetos;
- obediência;
- rally;
- atividades recreativas;
- exposições;
- vida familiar.
O cenário mudou, mas o instinto permanece.
Mesmo um Basset que nunca viu uma lebre continua preparado para analisar calçadas, jardins, corredores e quintais como se cada cheiro pudesse revelar uma história importante.
Ficha rápida completa
Aparência e características físicas
O Basset Hound é um sabujo de pernas curtas, corpo longo e grande substância.
Sua baixa altura pode enganar. Um adulto possui peso e ossatura comparáveis aos de cães muito mais altos.
Ele não deve parecer frágil, leve ou semelhante a um cão decorativo. Também não deve ser tão pesado, profundo ou coberto por pele que perca a capacidade de se movimentar.
O padrão da FCI enfatiza repetidamente que a raça é funcional. Deve existir espaço suficiente entre o peito e o solo para permitir deslocamento livre em diferentes terrenos. A movimentação precisa ser suave, poderosa e sem esforço.
A altura oficial varia entre 33 e 38 centímetros.
O peso não é fixado internacionalmente, mas muitos adultos pesam entre 20 e 34 quilos. Alguns machos robustos podem aproximar-se da parte superior dessa faixa, enquanto fêmeas menores podem permanecer mais leves.
O peso precisa ser avaliado junto com:
- altura;
- ossatura;
- musculatura;
- cintura;
- condição corporal;
- facilidade de movimento.
Um Basset pesado por estrutura não é automaticamente obeso. Entretanto, a grande ossatura não deve ser utilizada para justificar excesso de gordura.
A cabeça é grande, alongada e proporcional ao corpo.
O crânio possui formato abobadado, com osso occipital evidente. A largura é moderada na região da testa e diminui gradualmente em direção ao focinho.
A linha superior do focinho deve permanecer quase paralela à linha do crânio. Essa construção cria o perfil longo e nobre característico da raça.
A pele da cabeça é flexível.
Pequenas rugas podem aparecer sobre a testa e ao lado dos olhos quando o cão abaixa a cabeça. O padrão da FCI permite rugas discretas, mas não exige excesso.
A pele não deve formar dobras tão pesadas que:
- cubram os olhos;
- provoquem irritação;
- retenham umidade;
- dificultem a visão;
- prejudiquem a movimentação;
- causem infecções.
A preocupação com exageros é importante. O Royal Kennel Club inclui o Basset Hound na categoria mais elevada de acompanhamento de características conformacionais e orienta juízes a observar excesso de pele, dermatites nas dobras, pálpebras inadequadas, obesidade e falta de distância entre o peito e o solo. Royal Kennel Club
O focinho é profundo, forte e relativamente largo.
Não deve afinar de maneira pontuda. Os lábios superiores são pendentes e cobrem consideravelmente os inferiores.
Essa anatomia pode produzir saliva, principalmente depois de beber água, comer ou farejar intensamente.
O nariz é grande, com narinas amplas. Normalmente é preto, mas pode ser marrom ou cor de fígado em cães de pelagem clara.
O olfato do Basset Hound está entre os mais desenvolvidos do universo canino. Suas orelhas, pele flexível e posição baixa ajudam a movimentar e manter partículas de odor próximas ao focinho enquanto o cão avança. American Kennel Club
Os olhos possuem formato de losango e expressão calma e séria.
São normalmente castanho-escuros, embora tonalidades intermediárias possam ocorrer em cães claros.
Não devem ser excessivamente salientes nem profundamente escondidos. As pálpebras precisam permanecer em contato funcional com o olho.
A aparência caída pode expor discretamente a conjuntiva, mas vermelhidão constante, secreção, irritação ou pálpebras muito viradas para dentro ou para fora não devem ser confundidas com tipicidade.
As orelhas são longas, estreitas, finas e aveludadas.
Possuem inserção baixa, imediatamente abaixo da linha dos olhos, e enrolam-se discretamente para dentro.
Segundo o padrão da FCI, devem ultrapassar apenas ligeiramente a extremidade de um focinho de comprimento correto. Orelhas excessivamente longas não são desejáveis e aparecem entre os pontos de preocupação monitorados pelo Royal Kennel Club.
O pescoço é forte, relativamente comprido e arqueado.
Pode apresentar barbela evidente, mas não exagerada.
O dorso é largo, firme e nivelado. A região lombar pode apresentar uma curvatura discreta, mas não deve afundar nem arquear excessivamente.
O peito é profundo e desenvolvido, com esterno proeminente. As costelas são longas, arredondadas e estendem-se para trás.
Apesar da profundidade, deve existir distância funcional entre o peito e o chão. Um corpo que praticamente se arrasta prejudica o movimento e representa exagero, não qualidade.
As pernas dianteiras são curtas, poderosas e possuem grande ossatura.
A parte superior dos antebraços inclina-se discretamente para dentro, acompanhando o formato do peito. Os pés podem apontar ligeiramente para fora, desde que o peso permaneça distribuído corretamente e o cão fique firme.
Não devem existir:
- pernas cedendo;
- articulações dobradas para frente;
- pés incapazes de apoiar-se por completo;
- membros encostando-se durante o movimento;
- dor;
- dificuldade para caminhar;
- deformidade extrema.
A FCI permite alguma pele enrugada nas pernas, mas afirma claramente que ela nunca deve ser excessiva.
Os pés são grandes, compactos e protegidos por almofadas espessas.
O peso precisa ser sustentado de maneira uniforme pelos dedos.
As pernas traseiras possuem musculatura desenvolvida e aparência arredondada quando observadas por trás.
Os joelhos são bem angulados, os jarretes ficam baixos e devem apontar corretamente, sem desviar para dentro ou para fora.
O Basset Hound correto movimenta-se de forma surpreendentemente fluida.
A passada dianteira alcança bem à frente, enquanto os membros posteriores produzem impulso. Os dedos não devem arrastar, e as articulações não podem permanecer rígidas.
A cauda é longa, forte na base e afina em direção à ponta.
Durante o movimento, costuma ser conduzida elevada em forma de sabre. Não deve enrolar-se sobre o dorso.
Essa posição também ajudava o caçador a localizar o cão entre vegetações altas.
A pele corporal é flexível e elástica, mas não deve apresentar exageros.
A pelagem é curta, lisa, rente e suficientemente densa para oferecer proteção.
Não existem franjas, fios compridos ou cobertura lanosa.
As cores mais conhecidas são:
- tricolor preto, branco e castanho;
- limão e branco;
- vermelho e branco;
- castanho e branco.
A FCI aceita qualquer cor reconhecida de sabujo. A cor possui importância secundária em comparação com saúde, temperamento, estrutura e movimentação.
Tutor indicado
- procura um cão afetuoso e sociável;
- possui crianças respeitosas;
- deseja um animal geralmente amigável com outros cães;
- aprecia caminhadas de ritmo moderado;
- gosta de atividades de faro;
- consegue controlar rigorosamente a alimentação;
- utiliza reforço positivo;
- aceita uma personalidade independente;
- consegue manter portas e portões seguros;
- oferece companhia durante boa parte do dia;
- aceita latidos e uivos ocasionais;
- possui paciência para o treinamento;
- consegue cuidar das orelhas, olhos e dobras;
- oferece pisos com boa aderência;
- reduz saltos e escadas;
- aprecia cães bem-humorados;
- consegue transportar ou ajudar um cão pesado em emergências;
- valoriza criação sem exageros físicos.
Tutor não indicado
- deseja um cão pequeno e leve para carregar;
- procura obediência automática;
- deixa o cão solto em locais sem cerca;
- não tolera latidos, uivos ou saliva;
- não consegue controlar o peso;
- passa longos períodos fora de casa;
- possui muitas escadas sem possibilidade de manejo;
- deseja um parceiro para corridas intensas;
- mantém coelhos ou pequenos animais soltos;
- não pretende cuidar das orelhas;
- utiliza punições físicas;
- deixa alimentos e lixo acessíveis;
- não aceita pelos sobre móveis;
- deseja um cão de guarda;
- não possui paciência para passeios com farejamento;
- procura uma raça sem riscos conformacionais;
- não consegue pagar por exames preventivos;
- escolhe o cão apenas pela aparência melancólica.
Em resumo
O Basset Hound parece ter sido construído por alguém que reuniu partes incompatíveis.
Um corpo pesado sobre pernas curtas. Orelhas enormes. Pele flexível. Olhos que parecem cansados mesmo quando o cão acabou de acordar.
Mas cada uma dessas características surgiu em torno de uma função.
O corpo baixo mantinha o focinho próximo do solo. As orelhas movimentavam odores. A pele ajudava a conservar partículas ao redor da cabeça. O ritmo moderado permitia que caçadores acompanhassem a perseguição a pé.
Ele nunca precisou ser rápido.
Precisava continuar.
Essa persistência permanece dentro da casa moderna.
O Basset pode demorar para obedecer, recusar-se a abandonar um cheiro e negociar cada movimento. Isso não significa falta de inteligência. Significa que sua mente foi construída para valorizar a própria avaliação.
Com a família, costuma ser gentil, engraçado e profundamente sociável. Pode conviver muito bem com crianças, cães e até gatos conhecidos.
Entretanto, exige cuidados que sua expressão tranquila não revela.
O peso precisa ser controlado. A coluna deve ser protegida. Orelhas, olhos, dobras e patas precisam de acompanhamento. Criadores responsáveis devem realizar testes genéticos e evitar exageros capazes de transformar uma característica de trabalho em fonte de dor.
O Basset Hound não é um pequeno cão preguiçoso.
É um grande sabujo comprimido em uma estrutura baixa.
Quando encontra uma pista, aquela expressão resignada ganha outra vida. O nariz toca o chão, a cauda se levanta e o antigo caçador começa a avançar como se o mundo inteiro tivesse sido reduzido a uma única pergunta:
“Quem passou por aqui?”
Avaliação editorial de compatibilidade
Fontes e links de verificação
- FCI Standard No
- Basset Hound History: Where the Breed Originated
- Home | Basset Hound Club of America
- Basset Hound - Category 3 | Breed Watch | Royal Kennel Club
- Facts About the Basset Hound That You May Not Know
- Hound Group Health Testing Requirements – American Kennel Club
- Possible Genetic Link to Intervertebral Disc Disease in Short-Legged Dogs | Basset Hound Club of America
- Genetic Testing & Diseases | Basset Hound Club of America
- Understanding Lafora Disease and Genetic Testing in Basset Hounds | Basset Hound Club of America
- Basset Hound | Breeds A to Z | The Kennel Club
- Basset Hound Dog Breed Information
Como essa raça tende a viver com pessoas.
O Basset Hound é afetuoso, sociável, calmo e persistente.
Sua expressão séria pode sugerir tristeza, mas muitos exemplares possuem comportamento bem-humorado e uma grande capacidade de transformar situações comuns em pequenos espetáculos domésticos.
Quando percebe que determinado comportamento faz a família rir, pode repeti-lo.
A raça costuma formar vínculos fortes com os moradores e prefere permanecer próxima do grupo.
Pode seguir pessoas pelos cômodos, deitar junto aos pés, procurar o sofá e acompanhar silenciosamente a rotina.
Essa proximidade tem relação com o antigo instinto de matilha.
O Basset foi desenvolvido para trabalhar junto de outros cães e pode sentir dificuldade quando permanece isolado durante longos períodos. O AKC destaca sua natureza social e a possibilidade de sofrimento por solidão. American Kennel Club
A tranquilidade dentro de casa não significa obediência automática.
O Basset Hound é inteligente, mas possui inteligência independente.
Ele foi selecionado para continuar seguindo uma pista mesmo quando o caçador estava distante. Um cão que abandonasse o cheiro a cada distração não teria sucesso.
Esse comportamento moderno aparece quando ele:
- ignora um chamado;
- permanece deitado apesar do comando;
- insiste em seguir determinada direção;
- retorna várias vezes ao mesmo cheiro;
- demora a executar algo que já conhece;
- negocia por recompensas;
- parece avaliar se vale a pena cooperar.
A reputação de teimosia nasce dessa autonomia.
Em muitos casos, o cão compreendeu perfeitamente o pedido. Apenas está comparando a proposta humana com aquilo que o ambiente oferece.
O treinamento funciona melhor quando o tutor utiliza:
- alimentos;
- elogios;
- oportunidade para farejar;
- acesso a locais;
- sessões curtas;
- regras consistentes;
- prevenção de erros.
Confrontos e punições físicas raramente produzem bons resultados.
O Basset pode tornar-se ainda mais resistente, afastar-se ou simplesmente esperar que a situação desagradável termine.
A voz é outra característica importante.
O padrão oficial descreve um latido ou uivo profundo e melodioso. Durante a caça, essa vocalização permitia acompanhar a matilha mesmo quando os cães desapareciam sob a vegetação. FCI
Dentro de casa, o Basset pode vocalizar quando:
- alguém chega;
- encontra um cheiro;
- vê outro animal;
- quer companhia;
- fica sozinho;
- espera alimento;
- percebe o início de um passeio;
- deseja atenção;
- acompanha sons de outros cães.
O latido é grave e pode atravessar paredes com facilidade.
Isso precisa ser considerado por quem vive em apartamento ou condomínio.
O Basset Hound não costuma ser um bom cão de proteção.
Pode avisar sobre a chegada de alguém, mas muitos exemplares recebem visitantes com curiosidade e disposição para fazer amizade.
Seu temperamento esperado é tranquilo, afetuoso, nunca agressivo e nunca excessivamente tímido. FCI
O instinto de rastreamento é muito forte.
Durante os passeios, o cão pode permanecer completamente concentrado em:
- rastros de outros cães;
- alimentos;
- animais silvestres;
- pessoas;
- lixo;
- marcas no solo;
- cheiros trazidos pelo vento.
Quando encontra uma pista, pode puxar com uma força surpreendente.
Seu centro de gravidade baixo, peito pesado e grande ossatura tornam difícil deslocá-lo quando decide seguir determinada direção.
A raça também costuma demonstrar forte interesse por comida.
O Basset pode localizar alimentos deixados sobre mesas baixas, dentro de sacolas ou em lixeiras aparentemente protegidas.
A casa precisa impedir acesso a:
- medicamentos;
- chocolate;
- uvas e passas;
- produtos com xilitol;
- lixo;
- restos gordurosos;
- ossos cozidos;
- alimentos estragados.
O tédio e a solidão podem produzir:
- uivos;
- destruição;
- escavação;
- procura por comida;
- tentativas de fuga;
- inquietação;
- dificuldade para relaxar.
Apesar da fama de preguiçoso, o Basset precisa de atividade.
Não necessita de corridas intensas, mas precisa caminhar, farejar e utilizar a mente diariamente.
Convivência com crianças
O Basset Hound costuma conviver muito bem com crianças.
Seu temperamento geralmente é paciente, afetuoso e sociável. A raça tende a aceitar movimento doméstico e pode demonstrar grande tolerância quando foi socializada corretamente.
Entretanto, tolerância não deve ser confundida com obrigação de suportar qualquer interação.
O corpo pesado e comprido exige respeito.
Crianças nunca devem:
- sentar sobre o cão;
- montar em suas costas;
- puxar suas orelhas;
- apertar as dobras;
- deitar sobre seu corpo;
- incomodá-lo durante as refeições;
- retirar objetos diretamente da boca;
- acordá-lo bruscamente;
- entrar em seu local de descanso;
- impedir que se afaste.
As orelhas longas podem ser facilmente pisadas quando o Basset está deitado.
Puxões também provocam dor e podem produzir uma reação defensiva, mesmo em um cão normalmente gentil.
O Basset possui peso suficiente para derrubar uma criança pequena durante uma caminhada ou brincadeira.
Seu corpo baixo também pode atravessar o caminho de alguém sem ser percebido.
A supervisão adulta precisa ser ativa.
O cão deve aprender a:
- manter as patas no chão;
- esperar diante de portas;
- afastar-se durante refeições;
- soltar e trocar objetos;
- caminhar sem puxar;
- ir para uma cama;
- interromper brincadeiras;
- aceitar manipulação suave.
Crianças maiores podem participar de atividades de faro.
Podem esconder brinquedos ou pequenas porções da ração em locais seguros e permitir que o cão procure.
Essa interação utiliza sua principal habilidade e ajuda a construir uma relação baseada em cooperação.
A supervisão continua necessária porque o Basset pode proteger alimentos ou ficar excessivamente excitado diante de recompensas.
Compatibilidade com crianças pequenas: muito boa
Compatibilidade com crianças maiores e respeitosas: excelente
Convivência com outros animais
O Basset Hound possui forte instinto de matilha e costuma conviver bem com outros cães.
Muitos exemplares apreciam companhia canina e podem apresentar melhor adaptação quando não permanecem sozinhos durante longos períodos.
A convivência tende a funcionar especialmente bem quando:
- as apresentações são graduais;
- os cães possuem estilos compatíveis;
- alimentos são oferecidos separadamente;
- existem camas individuais;
- brinquedos de alto valor são controlados;
- ambos podem afastar-se.
A sociabilidade não elimina completamente disputas.
O Basset costuma ser motivado por comida e pode proteger recipientes, ossos ou objetos com cheiro atraente.
Durante as primeiras semanas, refeições e petiscos devem ser administrados em áreas separadas.
A convivência com gatos também pode funcionar.
Um gato conhecido desde filhote frequentemente é aceito como integrante da família.
O principal risco surge quando o felino corre. Movimento e cheiro podem ativar perseguição.
Um Basset que dorme ao lado do gato da casa pode reagir de maneira diferente diante de um animal desconhecido encontrado na rua.
Coelhos, hamsters, porquinhos-da-índia, aves e outros pequenos animais exigem maior cautela.
O Basset Hound foi desenvolvido para seguir lebres e pequenos mamíferos. Sua aparência tranquila não elimina o comportamento predatório.
Esses animais devem permanecer em recintos resistentes e inacessíveis.
O tutor nunca deve realizar um contato direto apenas para testar a reação.
Durante os passeios, cães pequenos, gatos, aves e animais silvestres podem despertar interesse.
A guia precisa permanecer conectada a um peitoral firme e bem ajustado.
Apartamento e espaço
O Basset Hound pode adaptar-se a apartamento.
Seu nível de energia doméstico costuma ser moderado, e muitos adultos descansam durante boa parte do dia depois de receberem passeios adequados.
Entretanto, a adaptação depende de alguns fatores importantes:
- vocalização;
- peso;
- escadas;
- dificuldade para ficar sozinho;
- necessidade de farejar;
- cuidados com a coluna;
- espaço para se movimentar.
O Basset não ocupa pouco espaço apenas porque é baixo.
Seu corpo é longo, pesado e pode bloquear passagens, deitar-se no centro dos cômodos ou ocupar grande parte de um sofá.
A cama precisa ser ampla, firme e acolchoada.
Pisos escorregadios devem receber tapetes ou passadeiras.
A tração insuficiente pode fazer com que as pernas se abram durante curvas e levantadas, aumentando o esforço sobre músculos e articulações.
Escadas representam um desafio.
Um adulto saudável pode aprender a utilizá-las com controle, mas subir e descer vários lances diariamente não é a situação ideal para um cão pesado, comprido e de pernas curtas.
Filhotes, idosos, obesos ou cães com dor podem precisar ser carregados ou utilizar rampas.
Como um adulto pode pesar mais de 30 quilos, o tutor precisa avaliar antecipadamente se conseguirá transportá-lo em uma emergência.
Em edifícios, o Basset deve aprender a:
- esperar antes da abertura da porta;
- entrar e sair do elevador sob controle;
- ignorar alimentos e cheiros nos corredores;
- caminhar sem arrastar o tutor;
- passar por outros animais;
- interromper latidos e uivos;
- permanecer sozinho gradualmente.
O isolamento prolongado pode produzir vocalizações intensas.
O treinamento para ficar sozinho deve começar com poucos segundos e evoluir lentamente.
Uma casa com quintal facilita a rotina, mas o terreno precisa ser completamente cercado.
Quando encontra um cheiro, o Basset pode:
- cavar;
- empurrar portões;
- seguir uma abertura;
- atravessar cercas danificadas;
- ignorar chamados;
- caminhar por grande distância.
O AKC recomenda áreas cercadas justamente porque a raça pode seguir uma pista sem perceber o perigo ao redor. American Kennel Club
O quintal não substitui caminhadas.
Depois de conhecer todos os cheiros do mesmo terreno, o cão precisa de novas experiências para permanecer mentalmente satisfeito.
O trabalho cotidiano que precisa caber na sua vida.
A pelagem do Basset Hound parece simples, mas a rotina de higiene envolve mais do que escovar os pelos.
Os fios são curtos, lisos e densos.
A queda pode ser moderada a alta, principalmente em períodos de troca.
Uma escovação duas ou três vezes por semana ajuda a:
- remover pelos soltos;
- distribuir a oleosidade;
- reduzir a quantidade sobre móveis;
- observar a pele;
- identificar caroços;
- habituar o cão ao toque.
Podem ser utilizados:
- luva de borracha;
- escova de cerdas;
- ferramenta apropriada para pelos curtos;
- pano macio.
Banhos devem ocorrer conforme a necessidade.
O Basset pode acumular odor devido à combinação de pele, saliva, orelhas e contato próximo com o solo.
O xampu precisa ser próprio para cães e completamente enxaguado.
A secagem deve incluir:
- axilas;
- pescoço;
- dobras;
- barriga;
- região entre as pernas;
- patas.
Umidade retida nas dobras pode favorecer irritação e dermatite.
O Royal Kennel Club monitora sinais de dermatite, perda de pelos e cicatrizes em regiões de pele dobrada, além de excesso de pele corporal. Royal Kennel Club
As orelhas exigem atenção constante.
Por serem longas, finas e pendentes, possuem menor ventilação e frequentemente entram em contato com:
- solo;
- comida;
- água;
- lama;
- saliva;
- vegetação.
O tutor deve verificar semanalmente:
- odor;
- secreção;
- vermelhidão;
- coceira;
- dor;
- espinhos;
- ferimentos.
Sacudir repetidamente a cabeça ou resistir ao toque pode indicar otite.
A limpeza precisa seguir orientação veterinária. Introduzir cotonetes profundamente pode empurrar resíduos ou causar trauma.
Os olhos também precisam ser observados.
A região abaixo das pálpebras pode acumular secreção e umidade.
A limpeza deve ser delicada, utilizando material apropriado e sem esfregar o globo ocular.
São sinais de alerta:
- secreção amarela ou verde;
- vermelhidão intensa;
- opacidade;
- dor;
- pálpebra virada;
- dificuldade para abrir o olho;
- mudança na visão.
A boca e as dobras dos lábios podem reter saliva e alimento.
Limpeza e secagem ajudam a reduzir odor e irritação.
A higiene dentária deve incluir escovação frequente com produto veterinário.
As unhas precisam ser mantidas curtas.
Unhas grandes alteram o apoio de pés que já sustentam muito peso e podem piorar dificuldades de mobilidade.
Os espaços entre os dedos devem ser verificados depois dos passeios.
A barriga e o peito ficam próximos do chão e podem sofrer:
- escoriações;
- picadas;
- contato com produtos químicos;
- queimaduras em piso quente;
- irritação por vegetação.
No verão, a temperatura do asfalto deve ser verificada antes da caminhada.
Exercícios e atividades
O Basset Hound necessita de exercício diário moderado.
Ele não foi desenvolvido para correr em alta velocidade. Sua especialidade é avançar continuamente durante longos períodos.
Caminhadas regulares ajudam a:
- controlar o peso;
- preservar musculatura;
- fortalecer o dorso;
- manter mobilidade;
- reduzir tédio;
- satisfazer o olfato;
- melhorar o comportamento doméstico.
Para muitos adultos saudáveis, aproximadamente uma hora de atividade distribuída ao longo do dia funciona como referência inicial.
A quantidade deve ser ajustada conforme:
- idade;
- condição física;
- peso;
- temperatura;
- presença de doenças;
- personalidade.
O passeio não precisa ser rápido.
Permitir que o cão fareje faz parte do exercício.
Uma caminhada lenta e rica em odores pode produzir maior satisfação mental do que percorrer a mesma distância com o focinho permanentemente afastado do solo.
Atividades adequadas incluem:
- caminhadas exploratórias;
- rastreamento;
- scent work;
- mantrailing;
- busca de objetos;
- procura de alimentos;
- trilhas moderadas;
- provas de campo;
- exercícios básicos de obediência;
- brincadeiras de faro.
O tutor pode esconder pequenas porções da refeição em:
- caixas;
- toalhas;
- tapetes de farejamento;
- cômodos;
- jardins seguros;
- brinquedos dispensadores.
A dificuldade deve aumentar gradualmente.
O Basset precisa encontrar a recompensa com facilidade nas primeiras tentativas para compreender a atividade.
A raça não é adequada a exercícios de impacto repetitivo.
Devem ser evitados:
- saltos elevados;
- corridas ao lado de bicicletas;
- subidas e descidas intensas;
- lançamentos que provoquem frenagens bruscas;
- brincadeiras sobre pisos lisos;
- atividades até a exaustão.
Filhotes precisam de movimento, mas não de esforço forçado.
Caminhadas curtas, exploração e brincadeiras controladas são mais adequadas durante o crescimento.
O AKC recomenda reduzir saltos de móveis e veículos, especialmente em filhotes, para diminuir sobrecarga sobre coluna e articulações. American Kennel Club
No calor brasileiro, os passeios precisam ocorrer cedo ou no final do dia.
O corpo fica muito próximo do asfalto, recebendo calor refletido. O peso elevado e o peito profundo também podem dificultar a dissipação térmica durante esforço.
O tutor deve observar:
- ofegação intensa;
- salivação excessiva;
- fraqueza;
- língua muito avermelhada;
- desorientação;
- dificuldade para continuar.
Esses sinais exigem interrupção imediata e avaliação veterinária quando não desaparecem rapidamente.
O exercício precisa ser equilibrado com descanso.
Um Basset saudável deve conseguir caminhar e também relaxar dentro de casa.
Alimentação
A alimentação do Basset Hound precisa ser rigorosamente controlada.
A raça costuma demonstrar grande interesse por comida e pode utilizar o olfato para localizar alimentos que outras pessoas nem perceberam.
Deixar ração disponível durante todo o dia dificulta o controle das calorias.
Adultos normalmente se beneficiam de duas refeições medidas.
A quantidade indicada pelo fabricante funciona apenas como referência inicial e deve ser ajustada conforme:
- peso;
- idade;
- castração;
- atividade;
- metabolismo;
- clima;
- condição corporal;
- presença de doenças.
Filhotes precisam de alimento apropriado para crescimento.
O objetivo é permitir desenvolvimento gradual, evitando excesso de peso sobre articulações e coluna ainda imaturas.
O crescimento não deve ser acelerado por porções exageradas ou suplementos de cálcio.
As costelas precisam ser percebidas com facilidade moderada.
Vista de cima, a cintura deve permanecer visível.
O peito profundo e a pele flexível podem esconder o ganho de gordura, por isso a avaliação tátil é indispensável.
Petiscos utilizados no treinamento precisam ser contabilizados.
Como o Basset responde bem a alimentos, pequenas recompensas oferecidas por várias pessoas podem somar grande quantidade de calorias.
Parte da própria ração pode ser reservada para:
- treinamento;
- jogos de faro;
- brinquedos dispensadores;
- tapetes de farejamento;
- trilhas de odor.
A casa precisa impedir acesso a:
- lixo;
- alimentos sobre mesas baixas;
- sacolas;
- ração de outros animais;
- medicamentos;
- chocolate;
- uvas e passas;
- produtos com xilitol;
- gordura;
- ossos cozidos.
A água deve permanecer limpa e disponível.
As orelhas podem cair dentro do recipiente, deixando o chão molhado e aumentando a umidade sobre a pele.
Tigelas adequadas podem ajudar, desde que não dificultem o acesso.
Depois de refeições muito grandes, exercícios intensos devem ser evitados.
Em cães com risco individual elevado de torção gástrica, o veterinário pode recomendar estratégias específicas.
Suplementos não devem ser administrados automaticamente.
Um alimento completo fornece os nutrientes necessários para a maioria dos cães saudáveis.
Mudanças na dieta precisam ocorrer gradualmente.
Vômitos, diarreia persistente, perda de peso, sede excessiva, falta de apetite ou distensão abdominal exigem avaliação veterinária.
Predisposição não é destino, mas precisa entrar na escolha.
O Basset Hound possui condições hereditárias e conformacionais que exigem seleção responsável, acompanhamento veterinário e controle rigoroso do peso.
As avaliações recomendadas atualmente pelo clube nacional norte-americano incluem exame oftalmológico e testes de DNA para MPS I, trombopatia, doença de Lafora e glaucoma primário de ângulo aberto. O Royal Kennel Club também recomenda exame ocular com gonioscopia, teste para Lafora, POAG-3 e avaliação dos cotovelos. American Kennel Club
Doença do disco intervertebral
O corpo comprido e as pernas curtas estão relacionados a alterações genéticas de desenvolvimento da cartilagem e dos membros.
Alguns Basset Hounds carregam uma variante do gene FGF4 associada a degeneração precoce dos discos intervertebrais e maior risco de doença do disco.
A presença da variante não significa que o cão inevitavelmente desenvolverá sintomas. O risco depende de fatores genéticos e ambientais, mas a doença merece atenção na raça. Basset Hound Club of America
Os sinais podem incluir:
- dor na coluna;
- costas arqueadas;
- dificuldade para levantar;
- resistência a caminhar;
- fraqueza nas pernas;
- arrastar as patas;
- perda de coordenação;
- paralisia;
- perda de controle urinário.
Fraqueza repentina ou incapacidade de caminhar representam emergência.
Para reduzir sobrecarga, o tutor deve:
- manter peso adequado;
- evitar saltos de móveis e veículos;
- reduzir corridas em escadas;
- utilizar rampas firmes;
- oferecer pisos antiderrapantes;
- preservar musculatura com exercício moderado.
Essas medidas reduzem riscos, mas não garantem prevenção completa.
Glaucoma
O glaucoma provoca danos progressivos ao nervo óptico e pode causar dor e perda de visão.
O Basset Hound pode apresentar diferentes formas da doença.
Existe teste genético para uma forma de glaucoma primário de ângulo aberto, mas o teste não identifica todos os tipos. A forma de ângulo fechado também é relevante e exige avaliação clínica, incluindo gonioscopia quando indicada. Basset Hound Club of America
Os sinais incluem:
- olho vermelho;
- pupila dilatada;
- dor;
- lacrimejamento;
- opacidade;
- aumento do globo ocular;
- perda visual;
- comportamento retraído.
Glaucoma agudo é uma emergência. O tratamento rápido pode ser decisivo para controlar a dor e tentar preservar a visão.
Alterações das pálpebras
Entrópio ocorre quando a pálpebra se vira para dentro, fazendo os pelos rasparem a córnea.
Ectrópio ocorre quando a pálpebra se afasta excessivamente do olho, expondo a conjuntiva.
A aparência facial do Basset não deve justificar pálpebras que provocam dor, irritação ou infecções.
O Royal Kennel Club inclui pálpebras viradas para dentro ou para fora entre os pontos que exigem atenção especial. Royal Kennel Club
Trombopatia do Basset Hound
A trombopatia é uma doença hereditária na qual as plaquetas não funcionam adequadamente.
O número de plaquetas pode parecer normal, mas elas apresentam dificuldade para aderir e formar o tampão necessário para interromper sangramentos.
Cães afetados podem apresentar:
- sangramento nasal;
- sangue na urina;
- sangramento durante troca dentária;
- hematomas;
- pontos vermelhos na pele;
- fezes escuras;
- hemorragia prolongada após cirurgia;
- anemia.
Existe teste genético capaz de identificar cães livres, portadores e afetados. Portadores normalmente não apresentam sintomas, mas precisam ser cruzados de forma planejada. Basset Hound Club of America
Antes de procedimentos cirúrgicos, qualquer histórico de sangramento deve ser informado ao veterinário.
Mucopolissacaridose tipo I
A MPS I é uma doença hereditária de armazenamento lisossômico.
Uma deficiência enzimática impede o processamento adequado de determinadas substâncias dentro das células. O material acumula-se e compromete diferentes tecidos.
Os sinais podem aparecer ainda nas primeiras semanas de vida e incluir:
- alterações no crânio;
- deformidades ósseas;
- opacidade ocular;
- atraso no desenvolvimento;
- dificuldade para caminhar;
- baixa expectativa de vida.
Existe teste específico para Basset Hounds. O teste precisa ser realizado nos reprodutores para impedir o nascimento de filhotes afetados. Basset Hound Club of America
Doença de Lafora
A doença de Lafora é uma forma hereditária e progressiva de epilepsia mioclônica.
Os sinais geralmente começam na vida adulta e podem incluir:
- movimentos involuntários rápidos;
- contrações da cabeça;
- estalos da mandíbula;
- sensibilidade a luzes piscantes;
- reação intensa a sons;
- perda de equilíbrio;
- convulsões;
- declínio neurológico.
A doença é progressiva e pode aparecer quando o cão já foi utilizado na reprodução.
Por isso, o teste genético possui grande importância. Cães portadores podem ser utilizados de forma responsável quando cruzados exclusivamente com animais livres, preservando diversidade sem produzir filhotes afetados. Basset Hound Club of America
Displasia de cotovelo
Alterações no desenvolvimento dos cotovelos podem provocar dor, inflamação e osteoartrite.
A grande quantidade de peso concentrada sobre membros curtos aumenta a importância de articulações funcionais.
Os sinais incluem:
- claudicação dianteira;
- rigidez;
- dificuldade para levantar;
- passos curtos;
- resistência ao exercício;
- piora após atividade.
O Royal Kennel Club inclui avaliação dos cotovelos entre as melhores práticas para reprodução. Royal Kennel Club
Displasia coxofemoral e luxação de patela
O AKC cita avaliação de quadris e patelas entre as preocupações consideradas por criadores responsáveis, embora esses exames não estejam na lista mínima atual do clube nacional norte-americano. American Kennel Club
A displasia do quadril pode causar dor, perda de musculatura e artrite.
A luxação de patela pode fazer o cão levantar uma das patas traseiras por alguns passos.
Qualquer alteração de marcha deve ser avaliada, especialmente em um cão pesado que pode compensar dor sem interromper completamente a atividade.
Otites
Orelhas longas e pendentes favorecem retenção de umidade e menor ventilação.
Otites podem ser causadas por:
- bactérias;
- leveduras;
- alergias;
- parasitas;
- corpos estranhos;
- excesso de umidade.
Mau cheiro, secreção, coceira e dor exigem avaliação veterinária.
Limpar o ouvido sem diagnóstico pode mascarar sinais ou agravar a irritação.
Dermatites de dobras
Pele sobreposta pode reter:
- saliva;
- suor;
- umidade;
- sujeira;
- secreções.
Isso favorece atrito, vermelhidão, odor e infecções.
A presença de dobras não deve ser valorizada quando compromete a saúde.
Manter as regiões limpas, secas e sem excesso de peso ajuda a reduzir problemas.
Dilatação e torção gástrica
O Basset possui peito profundo e pode desenvolver dilatação gástrica, com ou sem torção.
Os sinais de emergência incluem:
- tentativas improdutivas de vomitar;
- abdômen aumentado;
- salivação;
- inquietação;
- fraqueza;
- respiração difícil;
- colapso.
O atendimento precisa ser imediato.
A condição não pode ser tratada em casa. O AKC inclui o problema entre as preocupações de saúde da raça. American Kennel Club
Hipotireoidismo
O hipotireoidismo pode provocar:
- ganho de peso;
- cansaço;
- alterações de pele;
- queda de pelos;
- intolerância ao frio;
- infecções recorrentes.
Esses sinais podem ser confundidos com a fama de preguiça da raça.
Mudanças persistentes de energia e peso precisam ser investigadas por exames laboratoriais.
Obesidade
O excesso de peso é um dos maiores riscos evitáveis.
Cada quilo adicional aumenta a carga sobre:
- coluna;
- cotovelos;
- quadris;
- joelhos;
- patas;
- sistema cardiovascular.
A aparência robusta não deve impedir a avaliação da cintura.
As costelas precisam ser percebidas sob uma camada moderada de gordura.
O cão deve conseguir caminhar, levantar-se e respirar sem dificuldade.
Cuidados antes da compra
Ao procurar um criador, solicite documentação referente a:
- exame oftalmológico;
- gonioscopia;
- teste para glaucoma primário de ângulo aberto;
- teste para MPS I;
- teste para trombopatia;
- teste para doença de Lafora;
- avaliação dos cotovelos;
- avaliação dos quadris, quando disponível;
- avaliação das patelas;
- histórico de IVDD;
- histórico de torção gástrica;
- saúde das pálpebras;
- otites e dermatites recorrentes;
- longevidade dos ancestrais;
- causas de morte;
- temperamento;
- grau de parentesco.
Os testes reduzem riscos, mas não garantem um cão livre de qualquer problema.
A criação responsável precisa equilibrar saúde, diversidade genética, temperamento, movimentação e ausência de exageros conformacionais.
Inteligência sem rotina também produz problemas.
O treinamento do Basset Hound exige paciência, consistência e criatividade.
A raça aprende, mas nem sempre demonstra o comportamento assim que o tutor solicita.
Sua história selecionou concentração no cheiro e capacidade para tomar decisões independentemente.
O treinamento deve ser construído com:
- reforço positivo;
- alimentos em pequenas quantidades;
- sessões curtas;
- repetição moderada;
- ambientes progressivamente mais difíceis;
- recompensas funcionais;
- prevenção de erros.
A oportunidade de farejar pode funcionar como recompensa.
O tutor pode pedir alguns passos com a guia solta e depois liberar o cão para investigar uma área.
Assim, o próprio passeio fortalece o comportamento desejado.
Os primeiros ensinamentos precisam incluir:
- resposta ao nome;
- atenção voluntária;
- sentar;
- deitar;
- permanecer;
- caminhar sem puxar;
- esperar diante de portas;
- retornar quando chamado;
- soltar e trocar objetos;
- abandonar alimentos;
- ir para uma cama;
- aceitar manipulação;
- permitir cuidados com olhos e orelhas;
- permanecer sozinho gradualmente;
- utilizar focinheira de maneira positiva.
O retorno ao chamado precisa ser praticado durante toda a vida.
Uma progressão adequada inclui:
1. treinamento dentro de casa; 2. chamados entre cômodos; 3. prática em quintal cercado; 4. utilização de guia longa; 5. presença de cheiros moderados; 6. ambientes seguros com distrações maiores.
Mesmo um Basset treinado não deve ser solto próximo a ruas ou em áreas sem cerca.
Uma pista forte pode superar temporariamente a resposta ao tutor.
A caminhada sem puxar também merece prioridade.
O cão possui força considerável e centro de gravidade baixo.
Um peitoral bem ajustado distribui melhor a pressão, mas não substitui treinamento.
Puxões violentos, enforcadores e punições não eliminam a motivação olfativa.
O controle da porta deve começar cedo.
A regra pode ser simples: a porta somente se abre quando o cão espera.
Quando avança, a porta fecha calmamente. Quando permanece, recebe acesso.
O treinamento higiênico pode exigir paciência.
O Basset pode ser lento para generalizar a regra entre diferentes ambientes.
É importante:
- oferecer saídas frequentes;
- recompensar imediatamente;
- supervisionar;
- limpar acidentes sem punição;
- manter horários previsíveis.
A socialização deve incluir:
- pessoas de diferentes idades;
- crianças respeitosas;
- cães equilibrados;
- gatos protegidos;
- sons urbanos;
- veículos;
- superfícies variadas;
- elevadores;
- clínicas veterinárias;
- manipulação das patas;
- limpeza das orelhas;
- períodos curtos de separação.
A raça responde mal a confrontos.
O Basset pode permanecer imóvel, afastar-se ou resistir ainda mais quando pressionado.
Firmeza significa conservar regras previsíveis, não intimidar o cão.
Conheça diferentes expressões da raça.

Pontos positivos
- procura um cão afetuoso e sociável;
- possui crianças respeitosas;
- deseja um animal geralmente amigável com outros cães;
- aprecia caminhadas de ritmo moderado;
- gosta de atividades de faro;
- consegue controlar rigorosamente a alimentação;
- utiliza reforço positivo;
- aceita uma personalidade independente;
- consegue manter portas e portões seguros;
- oferece companhia durante boa parte do dia;
- aceita latidos e uivos ocasionais;
- possui paciência para o treinamento;
- consegue cuidar das orelhas, olhos e dobras;
- oferece pisos com boa aderência;
- reduz saltos e escadas;
- aprecia cães bem-humorados;
- consegue transportar ou ajudar um cão pesado em emergências;
- valoriza criação sem exageros físicos.
Pontos de atenção
- deseja um cão pequeno e leve para carregar;
- procura obediência automática;
- deixa o cão solto em locais sem cerca;
- não tolera latidos, uivos ou saliva;
- não consegue controlar o peso;
- passa longos períodos fora de casa;
- possui muitas escadas sem possibilidade de manejo;
- deseja um parceiro para corridas intensas;
- mantém coelhos ou pequenos animais soltos;
- não pretende cuidar das orelhas;
- utiliza punições físicas;
- deixa alimentos e lixo acessíveis;
- não aceita pelos sobre móveis;
- deseja um cão de guarda;
- não possui paciência para passeios com farejamento;
- procura uma raça sem riscos conformacionais;
- não consegue pagar por exames preventivos;
- escolhe o cão apenas pela aparência melancólica.