Bichon Havanês
O pequeno companheiro cubano que atravessou o exílio sem perder a alegria
Origem: Cuba, com desenvolvimento ancestral na região do Mediterrâneo Ocidental
Ele caminha como se o chão tivesse molas. A pelagem longa acompanha cada movimento, a cauda forma uma pluma sobre o dorso e os olhos escuros observam as pessoas com a expectativa de quem acredita que alguma brincadeira está prestes a começar. O Bichon Havanês foi desenvolvido para viver perto dos seres humanos.
Uma história selecionada para uma função.
Ele caminha como se o chão tivesse molas.
A pelagem longa acompanha cada movimento, a cauda forma uma pluma sobre o dorso e os olhos escuros observam as pessoas com a expectativa de quem acredita que alguma brincadeira está prestes a começar.
O Bichon Havanês foi desenvolvido para viver perto dos seres humanos. Durante séculos, acompanhou famílias abastadas em Cuba, circulou por residências elegantes e tornou-se um dos símbolos caninos da ilha.
Depois, sua história quase terminou.
Transformações políticas extinguiram as antigas linhagens cubanas, e apenas alguns cães levados por famílias exiladas permitiram que a raça fosse reconstruída fora do país. O pequeno companheiro sobreviveu porque pessoas se recusaram a deixá-lo desaparecer.
Atualmente, o Havanês é alegre, sociável, inteligente e extremamente ligado à família. Adapta-se muito bem a apartamentos, aprende truques com facilidade e geralmente convive bem com crianças e outros animais.
Entretanto, sua aparência delicada não elimina responsabilidades.
A pelagem exige manutenção constante. A dependência emocional precisa ser equilibrada pelo ensino da independência. Joelhos, quadris, olhos e audição devem ser avaliados antes da reprodução.
O Bichon Havanês não foi criado para guardar rebanhos, perseguir presas ou enfrentar invasores.
Sua especialidade é permanecer ao lado das pessoas.
E poucas raças realizam esse trabalho com tanta dedicação.
História e origem
A história do Bichon Havanês começa antes de Cuba.
Segundo o padrão oficial da FCI, seus ancestrais vieram da região do Mediterrâneo Ocidental e desenvolveram-se ao longo das costas espanhola e italiana. Pequenos cães desse tipo teriam sido transportados precocemente para Cuba por capitães e navegadores italianos.
Esses animais pertenciam à antiga família dos bichons, composta por pequenos cães de companhia selecionados durante séculos ao redor do Mediterrâneo.
Essa família histórica também está relacionada a raças como:
- Bichon Frisé;
- Maltês;
- Bolonhês;
- Coton de Tuléar;
- Löwchen.
A proximidade ancestral não significa que essas raças sejam apenas variações de pelagem umas das outras.
Cada população desenvolveu características próprias conforme o ambiente, as preferências das famílias e os programas de criação realizados em diferentes países.
Ao chegar a Cuba, os pequenos cães europeus encontraram uma sociedade colonial marcada por comércio marítimo, plantações de açúcar e relações constantes com portos espanhóis e italianos.
Eles passaram a viver principalmente com famílias ricas de Havana e de outras regiões da ilha.
Alguns eram oferecidos como presentes a esposas e filhas de comerciantes e proprietários de terras. O pequeno porte, a pelagem sedosa e o comportamento sociável transformaram-nos em companheiros valorizados dentro das residências. A história preservada pelo AKC descreve uma população desenvolvida de maneira singular em Cuba, embora os detalhes exatos de sua travessia pelo Atlântico permaneçam parcialmente incertos. American Kennel Club
Durante essa fase, a raça recebeu diferentes nomes, entre eles:
- Blanquito de la Habana;
- Havana Silk Dog;
- Petit Chien Havane;
- Bichon Habanero;
- Bichon Havanais.
O Blanquito de la Habana, ou Pequeno Branco de Havana, teria sido uma forma antiga predominantemente branca. Com o passar do tempo, cruzamentos e seleção produziram cães com maior diversidade de cores.
Essa variedade cromática diferencia o Havanês de bichons tradicionalmente selecionados para pelagem exclusivamente branca.
O nome e a cor tabaco
Uma interpretação popular afirma que a raça teria recebido seu nome simplesmente por ter surgido em Havana.
O padrão da FCI apresenta uma história mais complexa.
Segundo o documento, a frequência de cães marrons ou cor de tabaco teria produzido a associação entre a raça, os charutos cubanos e a capital Havana. A própria FCI classifica como equivocada a ideia de que a denominação prove de maneira simples uma origem exclusiva na cidade. FCI
Isso não elimina a identidade cubana.
A FCI reconhece oficialmente Cuba como país de origem, enquanto descreve o Mediterrâneo Ocidental como região ancestral de desenvolvimento. A raça é considerada o cão nacional cubano e a única raça canina nativa do país reconhecida amplamente por grandes organizações internacionais. FCI
A distinção pode ser resumida assim:
- os ancestrais vieram do Mediterrâneo;
- o tipo moderno desenvolveu-se em Cuba;
- a raça tornou-se culturalmente ligada à sociedade cubana.
Vida entre famílias abastadas
O Havanês não foi criado para permanecer isolado em canis ou quintais.
Sua principal função era acompanhar pessoas.
Os cães circulavam dentro das residências, viajavam em carruagens, recebiam visitas e participavam da rotina das famílias.
Essa seleção favoreceu características como:
- sociabilidade;
- atenção ao comportamento humano;
- adaptação a ambientes internos;
- facilidade para aprender;
- tolerância à manipulação;
- disposição para brincar;
- necessidade de proximidade.
O cão que demonstrava medo excessivo, agressividade indiscriminada ou incapacidade de conviver provavelmente teria menos oportunidades de permanecer nesse ambiente.
O Havanês também podia atuar como pequeno cão de alarme.
Seu tamanho não permitia enfrentar fisicamente uma ameaça importante, mas sua atenção ajudava a anunciar a aproximação de pessoas, animais ou movimentos fora da rotina.
Essa capacidade permanece visível atualmente.
Muitos exemplares alertam diante da campainha ou de passos no corredor, mas tendem a receber visitantes com curiosidade depois que percebem a reação tranquila do tutor.
O artista cubano
A inteligência e a capacidade de interagir com pessoas fizeram com que alguns Havaneses participassem de apresentações e circos.
O cão podia aprender:
- caminhar sobre as pernas traseiras;
- girar;
- saltar;
- tocar objetos;
- responder a gestos;
- repetir pequenas sequências;
- interagir com o público.
A movimentação elástica e a disposição brincalhona aumentavam seu valor como artista.
Essa parte da história ajuda a explicar por que a raça moderna costuma demonstrar tanta facilidade para truques, rally, obediência e apresentações.
O Havanês não aprende apenas porque deseja receber comida.
Frequentemente aprende porque percebe que executar determinado comportamento cria interação e entusiasmo nas pessoas.
A ameaça de desaparecimento
A estabilidade da raça terminou com as grandes transformações políticas e sociais ocorridas em Cuba durante o século XX.
A Revolução Cubana alterou profundamente a vida das classes sociais que tradicionalmente mantinham os cães. Famílias deixaram o país, propriedades foram abandonadas e antigos programas de criação desapareceram.
A FCI afirma que os acontecimentos políticos levaram ao desaparecimento das velhas linhagens do Havanês em Cuba. Alguns cães foram levados para fora da ilha, e seus descendentes sobreviveram principalmente nos Estados Unidos.
A documentação histórica do AKC identifica famílias exiladas que conseguiram transportar seus cães para a Flórida e para a Costa Rica. Esses pequenos grupos tornaram-se essenciais para impedir a extinção completa da raça. American Kennel Club
A população sobrevivente era extremamente reduzida.
Isso criou dois desafios.
O primeiro era aumentar o número de cães.
O segundo era fazer isso sem perder:
- saúde;
- fertilidade;
- temperamento;
- movimentação;
- identidade da pelagem;
- diversidade genética.
Na década de 1970, criadores norte-americanos começaram a reunir os exemplares disponíveis e estruturar um programa de recuperação.
Dorothy Goodale teve participação importante nesse processo. Ela adquiriu cães descendentes das famílias cubanas exiladas e utilizou o padrão internacional existente como referência para reconstruir a raça. American Kennel Club
O Havanese Club of America foi fundado em 1979.
O American Kennel Club reconheceu plenamente a raça em 1996, incluindo-a no grupo Toy.
A partir dos Estados Unidos, descendentes retornaram à Europa e contribuíram para a expansão internacional.
A raça que quase desapareceu dentro de Cuba passou a ser criada em diferentes continentes.
Consequências da reconstrução
A recuperação a partir de poucos cães significa que a diversidade genética precisa continuar sendo considerada.
Quando uma população pequena cresce rapidamente, existe o risco de determinados reprodutores produzirem descendentes em excesso.
Isso pode espalhar:
- doenças recessivas;
- problemas ortopédicos;
- alterações oculares;
- surdez;
- temperamentos indesejáveis;
- características estruturais exageradas.
Um criador responsável não deve escolher reprodutores apenas pela cor, pela pelagem ou por títulos de exposição.
Precisa considerar:
- parentesco;
- longevidade;
- exames de saúde;
- fertilidade;
- temperamento;
- movimentação;
- saúde dos irmãos;
- número de descendentes já produzidos.
O Havanês moderno é resultado de uma recuperação extraordinária.
Entretanto, a sobrevivência da raça não deve ser utilizada como justificativa para reproduzir qualquer exemplar.
Preservar significa aumentar a população com responsabilidade, e não apenas produzir mais filhotes.
Funções atuais
Atualmente, o Bichon Havanês vive principalmente como companheiro.
Também pode participar de:
- terapia assistida por animais;
- obediência;
- rally;
- agility adaptado;
- apresentações de truques;
- faro recreativo;
- busca de objetos;
- exposições;
- pequenas caminhadas;
- atividades educativas.
Sua inteligência, sociabilidade e tamanho permitem acompanhá-lo em diferentes ambientes.
Entretanto, a facilidade de transporte não deve transformá-lo em um cão carregado permanentemente.
O Havanês precisa caminhar, explorar, aprender e utilizar o corpo.
Ele foi criado para acompanhar pessoas.
Não para ser tratado como objeto.
Ficha rápida completa
Aparência e características físicas
O Bichon Havanês é um cão pequeno, forte e ligeiramente mais comprido do que alto.
A proporção oficial entre comprimento corporal e altura é de aproximadamente quatro para três.
Isso significa que o Havanês não deve possuir construção perfeitamente quadrada. Também não pode ser excessivamente alongado, com dorso frágil ou pernas desproporcionalmente curtas. FCI
Sua aparência geral combina:
- corpo compacto;
- pernas relativamente curtas;
- pelagem longa;
- cauda elevada;
- movimentação elástica;
- expressão gentil.
A pelagem pode fazer o corpo parecer maior e mais pesado.
Debaixo dela, o cão deve permanecer:
- musculoso;
- funcional;
- equilibrado;
- sem obesidade;
- capaz de movimentar-se livremente.
A altura ideal varia entre 23 e 27 centímetros.
A FCI tolera exemplares entre 21 e 29 centímetros, mas cães fora desses limites são desqualificados no padrão internacional.
O peso não é determinado oficialmente.
Na prática, muitos adultos permanecem aproximadamente entre 4 e 7 quilos.
O peso adequado depende de:
- altura;
- sexo;
- ossatura;
- musculatura;
- condição corporal.
A pelagem pode esconder tanto obesidade quanto perda muscular.
O tutor precisa avaliar o cão com as mãos, procurando costelas palpáveis e cintura perceptível.
Cabeça
A cabeça possui comprimento médio.
A relação entre seu comprimento e o comprimento do tronco é de aproximadamente três para sete.
O crânio é largo, praticamente plano ou apenas discretamente arredondado. Quando observado de cima, apresenta formato arredondado na região posterior e quase reto nas outras direções. FCI
A transição entre crânio e focinho é moderadamente marcada.
Não deve ser:
- profunda;
- abrupta;
- inexistente;
- semelhante à de cães braquicefálicos.
O comprimento do focinho deve ser igual à distância entre o stop e a região posterior do crânio.
Essa proporção mantém uma cabeça funcional e impede que o rosto se torne excessivamente curto. CBKC
O focinho afina discretamente em direção ao nariz, mas nunca deve ser pontudo ou truncado.
O nariz pode ser preto ou marrom, conforme a pigmentação da pelagem.
As narinas precisam permanecer abertas e funcionais.
Os lábios são finos, secos e aderentes.
A mordedura correta é em tesoura. A ausência dos primeiros pré-molares e dos terceiros molares pode ser tolerada pelo padrão. FCI
Olhos
Os olhos são relativamente grandes, amendoados e castanhos, preferencialmente o mais escuros possível.
A expressão precisa ser gentil.
As bordas das pálpebras devem possuir pigmentação entre marrom-escura e preta, acompanhando a cor do cão. FCI
Olhos excessivamente salientes são considerados falta grave.
A criação não deve valorizar globos oculares projetados apenas porque produzem aparência infantil.
Olhos muito expostos ficam mais vulneráveis a:
- arranhões;
- ressecamento;
- contato com pelos;
- úlceras;
- traumas.
Entrópio, ectrópio e despigmentação importante das pálpebras são desqualificantes no padrão da FCI.
Orelhas
As orelhas possuem inserção relativamente alta.
Caem ao longo das bochechas e formam uma pequena dobra que as eleva discretamente.
As pontas são levemente arredondadas e cobertas por franjas longas.
Não devem permanecer abertas lateralmente como hélices nem completamente coladas às bochechas. FCI
Os pelos abundantes aumentam a necessidade de inspeção, pois podem esconder:
- nós;
- umidade;
- vermelhidão;
- secreção;
- pequenos corpos estranhos.
Corpo
O pescoço possui comprimento médio.
O dorso é reto, com pequena curvatura sobre a região lombar.
A garupa apresenta inclinação visível.
As costelas são bem arqueadas, e o abdômen possui recolhimento evidente.
O conjunto não deve parecer cilíndrico nem pesado.
Um Havanês saudável apresenta peito suficiente para acomodar coração e pulmões sem perder mobilidade.
As pernas dianteiras são retas, paralelas e sustentadas por boa ossatura.
A distância do chão até os cotovelos não deve superar a distância entre os cotovelos e a cernelha.
Os membros traseiros possuem angulação moderada.
Os pés são pequenos, discretamente alongados e com dedos unidos.
Pernas tortas, pés deformados ou estrutura incapaz de sustentar o corpo não devem ser interpretados como características aceitáveis apenas porque a raça é pequena.
Cauda
A cauda possui inserção alta.
Pode ser conduzida em forma de báculo ou, preferencialmente, enrolada sobre o dorso.
É coberta por longos pelos sedosos que formam uma pluma.
Uma cauda completamente reta e conduzida baixa é considerada falta grave.
O posicionamento precisa ser natural.
A cauda não deve ser mantida artificialmente sobre o dorso por penteados ou produtos.
Movimentação
A movimentação é uma das marcas da raça.
O padrão descreve um passo leve, vivo e elástico.
As pernas dianteiras avançam livremente e apontam para a frente, enquanto os membros traseiros produzem impulso em linha reta.
O Havanês não deve mover-se:
- arrastando os pés;
- saltitando por dor;
- cruzando excessivamente as pernas;
- com joelhos instáveis;
- com dorso rígido;
- sem impulso traseiro.
A impressão correta é de alegria e leveza.
A movimentação elástica não deve ser confundida com instabilidade causada por problemas ortopédicos.
Pelagem
A pelagem é longa, abundante e macia.
O subpelo é pouco desenvolvido e, em muitos cães, pode estar praticamente ausente.
A cobertura externa mede aproximadamente entre 12 e 18 centímetros no adulto e pode ser:
- lisa;
- ondulada;
- formada por mechas encaracoladas.
A textura nunca deve ser áspera.
Diferentemente do Bichon Frisé, o Havanês de exposição deve preservar uma aparência natural.
O padrão da FCI proíbe:
- modelagem geral com tesouras;
- uniformização artificial do comprimento;
- trimming corporal;
- escultura da silhueta.
São permitidos apenas pequenos ajustes:
- nos pelos dos pés;
- na testa, quando os fios impedem a visão;
- no focinho, de maneira discreta.
Mesmo nessas regiões, o padrão prefere que a pelagem permaneça em seu comprimento natural. FCI
Para cães de companhia, um corte mais curto pode ser utilizado por razões práticas.
Isso facilita:
- higiene;
- secagem;
- retirada de nós;
- vida em clima quente;
- rotina de famílias que não participam de exposições.
O corte precisa respeitar a pele e não deve ser realizado apenas para esconder falta de manutenção.
Cordões
Alguns Havaneses podem desenvolver cordões naturais quando os fios se unem em mechas.
Essa apresentação é aceita por alguns padrões e sistemas de exposição, desde que a pelagem permaneça limpa, saudável e funcional.
A formação de cordões exige conhecimento.
Não significa simplesmente abandonar a escovação.
Os agrupamentos precisam ser separados para impedir:
- placas compactas;
- tração sobre a pele;
- retenção de umidade;
- odor;
- dermatites;
- dificuldade de movimentação.
Cores
O Havanês apresenta uma variedade cromática incomum entre os bichons.
A FCI reconhece:
- branco puro, embora seja raro;
- diferentes tonalidades de fulvo;
- fulvo com leve sombreamento preto;
- preto;
- marrom-havana;
- tabaco;
- marrom-avermelhado;
- manchas e combinações dessas cores;
- marcações castanhas em diferentes tonalidades.
A cor pode mudar durante o crescimento.
Filhotes escuros podem clarear, enquanto determinados sombreamentos tornam-se mais evidentes com a maturidade.
Essa transformação precisa ser considerada antes de escolher um cão exclusivamente pela aparência da pelagem juvenil.
A cor nunca deve receber prioridade sobre:
- saúde;
- temperamento;
- movimentação;
- exames dos pais;
- diversidade genética.
Tutor indicado
- procura um cão pequeno e muito afetuoso;
- vive em apartamento;
- deseja baixa queda de pelos;
- trabalha em casa ou oferece presença frequente;
- possui crianças respeitosas;
- convive com outros cães;
- gosta de ensinar truques;
- utiliza reforço positivo;
- aceita escovação frequente;
- consegue pagar manutenção profissional;
- deseja um cão sociável;
- gosta de caminhadas leves;
- consegue ensinar independência;
- aceita cuidar de olhos, ouvidos e dentes;
- dispõe de recursos para exames preventivos;
- procura um companheiro adaptável;
- valoriza uma raça longeva;
- deseja uma relação muito próxima com o cão.
Tutor não indicado
- passa o dia inteiro fora de casa;
- procura um cão independente;
- não deseja escovar a pelagem;
- não consegue pagar tosas e banhos;
- pretende deixar o cão permanentemente no quintal;
- possui crianças pequenas sem supervisão;
- não aceita latidos de alerta;
- não possui paciência com treinamento higiênico;
- utiliza punições físicas;
- acredita que baixa queda elimina qualquer risco de alergia;
- deseja um cão de guarda;
- não pretende investigar audição, olhos, patelas e quadris;
- deixa o cão saltar constantemente de móveis altos;
- não consegue controlar a alimentação;
- procura um parceiro para exercícios intensos;
- deseja uma pelagem sem manutenção;
- escolhe exclusivamente pela cor;
- trata cães pequenos como brinquedos.
Em resumo
O Bichon Havanês nasceu do encontro entre pequenos cães mediterrâneos e a sociedade cubana.
Seus ancestrais atravessaram o Atlântico acompanhando navegadores e comerciantes. Em Cuba, transformaram-se em companheiros de famílias abastadas, artistas e pequenos cães de alarme.
A raça passou a carregar a identidade da ilha.
Depois, quase desapareceu junto com o mundo social que a havia criado.
As antigas linhagens cubanas foram perdidas, e poucos cães levados para o exílio permitiram que criadores reconstruíssem a população nos Estados Unidos.
O Havanês atual é descendente dessa sobrevivência.
Sua alegria não deve ser confundida com superficialidade.
Ele é inteligente, observador e extremamente atento às emoções humanas. Aprende truques com facilidade, adapta-se a ambientes urbanos e geralmente estabelece excelentes relações com crianças e outros animais.
Entretanto, deseja companhia quase constante.
O tutor precisa oferecer proximidade sem criar dependência absoluta.
A pelagem possui queda mínima, mas exige escovação, banho e secagem. A aparência natural valorizada pelo padrão não significa ausência de cuidados.
Audição, olhos, patelas e quadris precisam ser examinados antes da reprodução. Questões neurológicas, cardíacas e ortopédicas também merecem atenção conforme a linhagem.
O Bichon Havanês não ocupa muito espaço dentro de uma residência.
Em compensação, tenta ocupar quase todo o espaço emocional da família.
Ele segue, observa, brinca e participa.
Não parece satisfeito em simplesmente morar com as pessoas.
Precisa sentir que pertence ao centro da vida delas.
Talvez tenha sido exatamente essa capacidade que salvou a raça.
Quando tudo ao redor mudou, algumas famílias olharam para aqueles pequenos cães cubanos e decidiram que não poderiam partir sem levá-los.
Avaliação editorial de compatibilidade
Fontes e links de verificação
- Microsoft Word - Bichon Havanês_16-03-22.docx
- Havanese History: Bouncing Back from Exile – American Kennel Club
- FCI Standard No
- BICHON HAVANAIS
- Havanese | Breed Standards | The Kennel Club
- Microsoft Word - Havanese 32020
- Havanese | Breeds A to Z | The Kennel Club
- CM/SM screening scheme | Health | The Royal Kennel Club
- Breed-Specific DNA Testing Recommendations
- CHIC Program
Como essa raça tende a viver com pessoas.
O Bichon Havanês é alegre, afetuoso, sociável e extremamente atento às pessoas.
A FCI descreve-o como excepcionalmente inteligente, facilmente treinável como cão de alarme, amável, charmoso, brincalhão e um pouco palhaço. O padrão também destaca sua disposição para brincar com crianças. CBKC
A expressão “palhaço” não significa comportamento descontrolado.
Refere-se à capacidade de perceber aquilo que diverte as pessoas e repetir ações capazes de produzir reação.
Um Havanês pode descobrir que:
- inclinar a cabeça gera atenção;
- carregar um objeto provoca risadas;
- girar faz alguém oferecer um petisco;
- deitar sobre o teclado interrompe o trabalho;
- vocalizar faz a pessoa responder.
A inteligência social é uma das maiores características da raça.
Ele observa:
- expressões;
- gestos;
- rotinas;
- horários;
- mudanças de voz;
- pessoas que costumam ceder;
- comportamentos que geram recompensa.
Essa capacidade torna o treinamento eficiente, mas também permite que hábitos indesejáveis se estabeleçam rapidamente.
Apego intenso
O Havanês costuma desejar proximidade constante.
Pode:
- seguir o tutor pelos cômodos;
- deitar aos pés;
- observar o banho;
- acompanhar reuniões;
- dormir encostado;
- esperar diante de portas;
- tentar participar de todas as saídas.
Esse apego é coerente com sua história como cão de companhia.
Entretanto, proximidade não deve signific incapacidade de ficar sozinho.
Um filhote que passa todos os momentos no colo ou em contato direto pode desenvolver grande dificuldade quando a família precisa sair.
Os sinais de sofrimento de separação podem incluir:
- latidos;
- uivos;
- choramingos;
- destruição;
- eliminação inadequada;
- salivação;
- recusa de alimento;
- tentativas de fuga;
- inquietação intensa.
A tolerância à solidão precisa ser ensinada desde cedo.
O objetivo não é deixar o cão isolado durante muitas horas.
É permitir que consiga descansar com segurança quando ausências curtas e inevitáveis acontecem.
Sociabilidade
O comportamento típico é amistoso e expansivo.
Muitos Havaneses aproximam-se de desconhecidos com curiosidade depois de uma breve avaliação.
O Royal Kennel Club descreve a raça como viva, afetuosa, inteligente, amigável e extrovertida. Royal Kennel Club
Socialização adequada precisa incluir:
- pessoas de diferentes aparências;
- crianças respeitosas;
- cães tranquilos;
- ambientes urbanos;
- veículos;
- clínicas veterinárias;
- superfícies variadas;
- sons domésticos;
- períodos curtos de separação.
Socializar não significa obrigar o filhote a receber colo e carícias de todos.
O cão precisa aprender que pode observar sem ser manipulado.
Cão de alarme
O Havanês é atento e pode funcionar como cão de alerta.
Frequentemente anuncia:
- campainhas;
- passos no corredor;
- visitantes;
- cães;
- veículos;
- objetos fora do lugar.
Seu tamanho não o transforma em cão de proteção.
Depois que o tutor recebe a informação e controla a situação, o Havanês deve conseguir interromper o alerta.
Sem orientação, latidos podem tornar-se um hábito.
Isso acontece especialmente quando o cão passa longos períodos:
- diante de janelas;
- próximo à porta;
- ouvindo corredores;
- reagindo a outros cães;
- recebendo atenção após vocalizar.
O treinamento precisa ensinar:
1. um alerta breve; 2. retorno ao tutor; 3. deslocamento para uma cama; 4. recompensa pelo silêncio.
Gritar para que o cão pare normalmente aumenta a excitação.
Sensibilidade
O Havanês costuma responder mal a métodos agressivos.
Gritos, intimidação e punições físicas podem produzir:
- medo;
- retraimento;
- resistência;
- perda de confiança;
- eliminação escondida;
- comportamento defensivo;
- ansiedade.
Sua sensibilidade não significa ausência de limites.
O tutor precisa manter regras claras e consistentes.
A diferença está na maneira de ensiná-las.
Um cão pequeno continua precisando aprender:
- esperar;
- soltar;
- caminhar sem puxar;
- não morder durante brincadeiras;
- respeitar portas;
- descansar no chão;
- aceitar cuidados.
Energia e descanso
O Havanês possui energia moderada.
Pode apresentar períodos de grande entusiasmo, correndo pela casa e mudando de direção rapidamente.
Depois, costuma ser capaz de descansar perto da família.
A rotina ideal combina:
- caminhadas;
- brincadeiras;
- treinamento;
- faro;
- interação;
- períodos de calma.
O cão não deve ser estimulado continuamente.
Também precisa aprender a ficar em uma cama, mastigar um brinquedo e dormir enquanto a família realiza outras atividades.
Convivência com crianças
O Bichon Havanês costuma apresentar excelente potencial de convivência com crianças.
O padrão oficial destaca sua disposição brincalhona e sua afinidade com o público infantil. FCI
Seu comportamento alegre permite participação em:
- brincadeiras;
- pequenos exercícios;
- busca de brinquedos;
- truques;
- caminhadas familiares;
- atividades de faro.
Entretanto, o porte pequeno exige supervisão.
Um cão de aproximadamente cinco quilos pode sofrer lesões quando uma criança:
- deixa-o cair;
- pisa sobre ele;
- aperta seu corpo;
- puxa a pelagem;
- senta sobre ele;
- carrega de maneira incorreta;
- lança-o sobre móveis;
- fecha uma porta sem perceber sua presença.
A aparência de brinquedo não deve confundir a criança.
O Havanês sente dor, medo e desconforto como qualquer outro cão.
As crianças precisam aprender a:
- acariciar com delicadeza;
- não puxar os pelos;
- não tocar nos olhos;
- não levantar sem ajuda;
- não incomodar durante o sono;
- não retirar alimento;
- não invadir a cama;
- não perseguir quando ele tenta afastar-se;
- não abrir portas ou portões;
- não utilizar o cão como boneca.
O Havanês também precisa aprender a:
- manter as quatro patas no chão;
- não agarrar roupas;
- soltar brinquedos;
- ir para uma cama;
- afastar-se durante refeições;
- interromper a brincadeira;
- esperar diante de portas.
Crianças maiores podem participar ativamente do treinamento.
Podem ensinar:
- dar a pata;
- girar;
- tocar alvos;
- buscar objetos;
- guardar brinquedos;
- seguir pequenas sequências.
Essas atividades ajudam a criar uma relação baseada em comunicação, não apenas em contato físico.
A supervisão continua sendo responsabilidade de um adulto.
Compatibilidade com crianças pequenas: muito boa, com supervisão
Compatibilidade com crianças maiores e respeitosas: excelente
Convivência com outros animais
O Bichon Havanês costuma conviver muito bem com outros cães.
Seu temperamento sociável e sua história como companheiro favorecem interações amistosas.
Entretanto, cada indivíduo possui personalidade própria.
As apresentações devem ocorrer gradualmente, principalmente quando existe grande diferença de tamanho.
Um cão grande pode ferir o Havanês durante uma brincadeira sem demonstrar agressividade.
Uma pata, colisão ou queda pode provocar:
- luxações;
- fraturas;
- lesões nos olhos;
- traumas de coluna.
Os encontros iniciais devem permitir:
- distância;
- caminhada paralela;
- aproximação voluntária;
- pausas;
- separação segura.
Dentro de casa, cada animal deve possuir:
- cama;
- recipiente;
- brinquedos;
- local de descanso;
- acesso individual ao tutor.
Alimentos e objetos de alto valor precisam ser administrados até que o relacionamento esteja estabelecido.
Gatos
A convivência com gatos costuma ser boa, especialmente quando começa durante a infância.
O Havanês não foi desenvolvido como caçador especializado.
Muitos exemplares aceitam o gato como integrante da família e podem brincar ou dormir próximos.
O felino precisa possuir:
- áreas elevadas;
- rotas de fuga;
- alimentação protegida;
- caixa sanitária inacessível ao cão;
- locais onde possa descansar sozinho.
Um gato correndo pode despertar perseguição brincalhona.
Esse comportamento precisa ser interrompido quando provoca estresse.
Pequenos animais
A convivência com aves, hamsters, coelhos e roedores exige cautela.
Embora o impulso predatório costume ser moderado, qualquer cão pode reagir diante de um animal pequeno em movimento.
Os recintos precisam permanecer seguros e fora do alcance.
Não se deve realizar contato direto apenas para testar a reação.
Apartamento e espaço
O Bichon Havanês é extremamente adaptável à vida em apartamento.
Seu tamanho reduzido, a queda de pelos muito baixa e a necessidade moderada de exercício facilitam a convivência urbana.
A raça não precisa de um grande quintal para ser feliz.
Precisa de:
- presença humana;
- passeios;
- brincadeiras;
- treinamento;
- estímulo mental;
- segurança.
O apartamento apresenta desafios específicos.
Ruídos e latidos
Corredores, elevadores e apartamentos vizinhos produzem sons que podem ativar o cão de alarme.
O Havanês precisa aprender que:
- passos não representam invasão;
- portas vizinhas não exigem intervenção;
- o elevador pode abrir sem conflito;
- entregadores entram e saem;
- outros cães podem passar.
Barreiras visuais, camas afastadas da porta e treinamento de silêncio ajudam a reduzir a vigilância.
Segurança
Um cão pequeno pode atravessar vãos que parecem inofensivos.
A residência precisa verificar:
- telas;
- varandas;
- escadas;
- portões;
- espaço sob grades;
- portas de elevador;
- móveis reclináveis.
Também é necessário cuidado ao caminhar.
O Havanês pode permanecer muito próximo dos pés da pessoa e ser atingido ou pisado.
Pisos
Pisos lisos aumentam o risco de escorregões.
Tapetes e passadeiras ajudam a proteger:
- joelhos;
- quadris;
- coluna;
- dedos.
O cão precisa possuir uma cama confortável no chão.
Rampas podem facilitar o acesso a sofás, mas não devem ser tão inclinadas que se tornem perigosas.
Solidão
A principal dificuldade em apartamentos costuma ser a separação.
Um cão que late ou chora durante horas pode sofrer emocionalmente e causar conflitos com vizinhos.
A adaptação precisa começar antes que a família necessite deixá-lo sozinho.
Uma câmera pode ajudar a observar se ele:
- descansa;
- vocaliza;
- anda de um lado para outro;
- tenta escapar;
- recusa brinquedos;
- entra em pânico.
O tamanho do imóvel importa menos do que a organização da rotina.
Um Havanês em uma casa enorme, mas isolado durante todo o dia, pode viver pior do que outro em apartamento acompanhado e estimulado.
O trabalho cotidiano que precisa caber na sua vida.
A pelagem do Bichon Havanês possui queda muito baixa, mas exige manutenção elevada.
Os fios que se soltam frequentemente ficam presos dentro da própria cobertura.
Sem escovação, transformam-se em nós próximos da pele.
As áreas mais propensas a embaraçar incluem:
- atrás das orelhas;
- pescoço;
- axilas;
- peito;
- barriga;
- virilha;
- pernas;
- base da cauda;
- locais sob coleira e peitoral.
Um Havanês de pelagem longa pode precisar de escovação diária ou em dias alternados.
Cães mantidos com corte curto ainda precisam de revisão frequente.
Podem ser utilizados:
- escova de pinos;
- rasqueadeira delicada;
- pente metálico;
- desembaraçante veterinário.
O pente precisa alcançar a base da pelagem.
Uma cobertura lisa na superfície pode esconder placas compactas junto à pele.
Nós apertados podem:
- puxar a pele;
- provocar dor;
- esconder feridas;
- reter umidade;
- favorecer infecções;
- limitar movimento.
Banho
A frequência depende da rotina e do comprimento da pelagem.
O banho pode ocorrer aproximadamente a cada duas a quatro semanas em cães de cobertura longa, com ajustes conforme:
- sujeira;
- pele;
- atividade;
- recomendação veterinária;
- tipo de corte.
O xampu precisa ser próprio para cães.
O enxágue deve ser completo.
Resíduos favorecem coceira e irritação.
Secagem
A secagem é tão importante quanto o banho.
Deixar a pelagem longa secar naturalmente pode aumentar a formação de nós.
O processo pode incluir:
- retirada do excesso de água;
- toalha pressionada sem esfregar;
- secador em temperatura segura;
- escovação gradual;
- conferência da pele.
O ar não deve atingir diretamente os olhos ou ouvidos.
Corte
O padrão FCI de exposição exige pelagem natural e proíbe o trimming corporal.
Cães de companhia podem receber cortes mais curtos para facilitar o manejo.
O corte funcional não reduz a necessidade de:
- higiene;
- escovação;
- banho;
- inspeção da pele;
- proteção solar.
A raspagem extremamente curta pode expor a pele e não deve substituir uma rotina adequada.
Olhos
Os pelos da testa não devem impedir a visão.
Podem ser presos com acessórios seguros ou discretamente aparados dentro do permitido para conforto.
O tutor precisa observar:
- lacrimejamento;
- secreção;
- vermelhidão;
- opacidade;
- dor;
- pelos tocando a córnea.
A região pode ser limpa com gaze e produto recomendado pelo veterinário.
Substâncias clareadoras agressivas não devem ser utilizadas perto dos olhos.
Orelhas
As orelhas caídas e peludas podem reter umidade.
Devem ser examinadas semanalmente.
São sinais de alerta:
- odor;
- secreção;
- coceira;
- vermelhidão;
- dor;
- movimentos repetidos da cabeça.
A retirada de pelos do canal não deve ser feita indiscriminadamente.
Alguns cães beneficiam-se do procedimento; outros desenvolvem irritação.
A decisão deve considerar orientação veterinária.
Dentes
Cães pequenos apresentam risco de acúmulo de placa e doença periodontal.
A escovação deve começar cedo e ser realizada idealmente todos os dias ou com grande frequência.
Utilizam-se:
- escova pequena;
- creme veterinário;
- sessões curtas;
- reforço positivo.
Mau hálito intenso, gengivas vermelhas, sangramento, dentes soltos ou dor exigem avaliação.
Unhas e patas
As unhas precisam permanecer curtas.
Unhas compridas alteram o apoio e aumentam a pressão sobre dedos, joelhos e quadris.
Os pelos entre as almofadas podem ser aparados quando reduzem a aderência ou acumulam sujeira.
Exercícios e atividades
O Bichon Havanês possui necessidade moderada de exercício.
Para muitos adultos saudáveis, aproximadamente 30 a 60 minutos diários, divididos entre caminhadas, brincadeiras e treinamento, oferecem uma boa base.
Cães jovens e ativos podem aproveitar um pouco mais.
Idosos ou animais com problemas articulares precisam de atividades adaptadas.
Atividades adequadas incluem:
- caminhadas;
- brincadeiras de busca;
- truques;
- rally;
- obediência;
- agility de baixo impacto;
- nosework;
- procura de alimentos;
- pequenas trilhas;
- dança canina;
- visitas terapêuticas.
Truques
A raça costuma demonstrar grande entusiasmo por exercícios que envolvem interação.
Pode aprender:
- girar;
- andar para trás;
- tocar um alvo;
- passar entre as pernas;
- fechar uma gaveta leve;
- buscar objetos;
- guardar brinquedos;
- reconhecer nomes.
As sessões precisam ser curtas.
Cinco minutos bem planejados podem ser mais eficientes do que meia hora de repetição.
Faro
O nariz pode ser utilizado em:
- caixas;
- tapetes;
- toalhas;
- cômodos;
- brinquedos dispensadores;
- busca de pessoas.
O faro oferece estímulo mental sem sobrecarregar articulações.
Parte da refeição pode ser utilizada nessas atividades.
Agility e saltos
O Havanês é ágil e possui movimentação elástica.
Entretanto, saltos precisam ser proporcionais ao tamanho e à saúde.
Filhotes não devem realizar:
- saltos repetitivos;
- corridas forçadas;
- longas distâncias;
- curvas sobre pisos lisos;
- exercício ao lado de bicicletas;
- impacto intenso.
Problemas nos joelhos e quadris podem piorar quando o cão é submetido continuamente a movimentos inadequados.
Calor
Apesar da origem cubana, o Havanês não é imune ao calor.
A pelagem longa pode reduzir o contato direto do sol com a pele, mas também dificulta a dissipação térmica quando está compactada ou mal cuidada.
No clima brasileiro, os passeios devem ocorrer:
- cedo;
- no final do dia;
- em locais sombreados;
- com água disponível;
- longe de pisos quentes.
Sinais de superaquecimento incluem:
- ofegação intensa;
- fraqueza;
- salivação;
- desorientação;
- vômitos;
- dificuldade para continuar.
O exercício deve ser interrompido.
Alimentação
A alimentação do Bichon Havanês deve ser completa, equilibrada e cuidadosamente medida.
Por ser pequeno, algumas calorias extras representam uma porcentagem significativa da necessidade diária.
Adultos normalmente podem receber duas refeições por dia.
Filhotes podem precisar de três ou mais porções menores, conforme idade e orientação veterinária.
A quantidade precisa considerar:
- peso;
- idade;
- castração;
- atividade;
- metabolismo;
- condição corporal;
- saúde.
O cão precisa manter:
- costelas palpáveis;
- cintura perceptível;
- musculatura;
- energia estável.
A pelagem longa não deve ser utilizada como desculpa para deixar de avaliar o corpo.
Petiscos
Os petiscos precisam ser pequenos.
Durante o treinamento, um único produto pode ser dividido em diversos pedaços.
Parte da própria refeição pode ser reservada para:
- obediência;
- faro;
- treinamento higiênico;
- escovação;
- separação;
- retorno ao chamado.
Os extras devem representar apenas uma pequena parte da ingestão diária.
Seletividade alimentar
O Havanês pode aprender que recusar a alimentação comum leva a família a oferecer opções mais saborosas.
Isso pode criar um ciclo:
1. o cão espera; 2. a pessoa preocupa-se; 3. oferece outro alimento; 4. o cão aprende a recusar novamente.
A família precisa diferenciar seletividade comportamental de perda real de apetite.
Recusa persistente, perda de peso, vômitos ou diarreia exigem avaliação veterinária.
Água
A água deve permanecer limpa e disponível.
Pelos da face podem entrar no recipiente e permanecer molhados.
Tigelas rasas ou adaptadas podem reduzir a umidade constante na barba.
A região deve ser seca quando necessário.
Suplementos
Vitaminas, cálcio e suplementos articulares não devem ser oferecidos automaticamente.
Um alimento completo já fornece os nutrientes necessários para a maioria dos cães saudáveis.
Dietas caseiras precisam ser formuladas por médico-veterinário especializado em nutrição.
Misturar carne, arroz e legumes sem cálculo não garante equilíbrio de minerais, vitaminas e aminoácidos.
Predisposição não é destino, mas precisa entrar na escolha.
O Bichon Havanês é geralmente considerado longevo, mas possui condições hereditárias que justificam exames rigorosos antes da reprodução.
O Havanese Club of America exige quatro avaliações para que os reprodutores obtenham sua certificação de saúde atual:
- teste auditivo BAER;
- exame oftalmológico anual CAER;
- avaliação das patelas;
- avaliação dos quadris por OFA ou PennHIP.
O clube informa ainda que muitos criadores realizam adicionalmente exames cardíacos e outras avaliações ortopédicas. American Kennel Club
Surdez congênita
A surdez pode afetar um ou ambos os ouvidos.
Um cão surdo apenas de um lado pode adaptar-se tão bem que o problema passa despercebido em observações domésticas.
Pode responder quando o som vem de determinada direção e falhar quando está virado para o lado afetado.
O exame BAER registra a resposta elétrica das vias auditivas após a apresentação de estímulos sonoros.
Ele permite classificar cada ouvido separadamente.
O Havanese Club of America recomenda que o exame seja realizado uma vez nos reprodutores. American Kennel Club
São possíveis sinais de dificuldade auditiva:
- sono muito profundo;
- ausência de reação a sons;
- dificuldade para localizar ruídos;
- sustos quando alguém toca o cão;
- resposta inconsistente ao chamado.
Um cão surdo pode viver bem com treinamento adaptado.
Entretanto, a condição precisa ser conhecida antes da reprodução e considerada na segurança cotidiana.
Doenças oculares
O exame oftalmológico anual integra o programa de saúde da raça.
A necessidade de repetição existe porque algumas condições podem surgir depois que o cão já atingiu a idade adulta. American Kennel Club
Os olhos podem ser afetados por alterações como:
- cataratas;
- doenças da retina;
- problemas das pálpebras;
- distrofias de córnea;
- alterações do cristalino;
- inflamações.
O tutor deve procurar atendimento diante de:
- opacidade;
- vermelhidão;
- dor;
- secreção;
- sensibilidade à luz;
- perda visual;
- dificuldade em ambientes escuros.
O padrão também considera graves olhos muito salientes ou profundamente posicionados e desqualifica entrópio e ectrópio.
Um exame genético isolado não substitui a avaliação clínica realizada por oftalmologista veterinário.
Luxação de patela
A patela pode deslocar-se para fora do sulco normal do joelho.
Os sinais incluem:
- levantar uma perna traseira durante alguns passos;
- caminhar aos saltos;
- dor;
- resistência a saltar;
- redução da atividade;
- artrite.
A avaliação deve ser realizada a partir dos 12 meses nos reprodutores, segundo o programa de saúde do clube norte-americano. American Kennel Club
Casos leves podem ser apenas acompanhados.
Casos importantes podem exigir cirurgia.
O controle do peso, os pisos aderentes e a redução de saltos repetitivos ajudam a diminuir sobrecarga, mas não corrigem deformidades anatômicas.
Displasia coxofemoral
Apesar do porte pequeno, o Havanês pode apresentar displasia dos quadris.
A articulação pode desenvolver-se com frouxidão ou formato inadequado.
Isso favorece:
- dor;
- inflamação;
- osteoartrite;
- dificuldade para levantar;
- redução dos saltos;
- perda muscular;
- alteração da marcha.
O Havanese Club of America aceita avaliação permanente por OFA ou PennHIP para sua certificação de saúde. American Kennel Club
O resultado dos pais não garante que todos os filhotes terão quadris perfeitos.
Entretanto, reduz a reprodução sem informação ortopédica.
Cotovelos
O Royal Kennel Club inclui a avaliação dos cotovelos entre as práticas adicionais relevantes para a raça em seu padrão de saúde. Royal Kennel Club
Alterações podem provocar:
- claudicação dianteira;
- rigidez;
- dor;
- passos curtos;
- redução da atividade.
O exame pode ser especialmente útil em reprodutores, cães esportivos ou linhagens com histórico ortopédico.
Malformação semelhante a Chiari e siringomielia
O Royal Kennel Club inclui o Havanês entre as raças nas quais malformação semelhante a Chiari e siringomielia são conhecidas.
A condição pode ser avaliada por ressonância magnética do cérebro e da região superior da coluna. Royal Kennel Club
Os sinais podem incluir:
- dor no pescoço;
- sensibilidade ao toque;
- coçar o ar sem encostar no corpo;
- gritos;
- dificuldade para saltar;
- fraqueza;
- perda de coordenação;
- inquietação.
Nem todos os cães com alterações de imagem apresentam sintomas.
Também existem outras doenças capazes de provocar sinais semelhantes.
A avaliação precisa ser realizada por neurologista veterinário.
Esse exame não integra atualmente os quatro requisitos centrais do programa norte-americano, mas merece discussão em linhagens ou países nos quais existe monitoramento específico.
Problemas cardíacos
O exame cardíaco não está entre os quatro requisitos básicos do Havanese Club of America, mas o clube informa que muitos criadores o realizam adicionalmente. American Kennel Club
Os sinais de doença cardíaca podem incluir:
- tosse;
- desmaios;
- cansaço;
- respiração acelerada;
- fraqueza;
- intolerância ao exercício.
Sopros podem ser identificados durante consultas de rotina.
Dependendo do achado, o veterinário pode recomendar ecocardiograma.
Coluna e conformação dos membros
O padrão descreve o Havanês como um cão baixo sobre as pernas, mas isso não significa que deformidades extremas sejam desejáveis.
Testes genéticos relacionados à condrodistrofia e à predisposição para doença do disco intervertebral foram identificados na população da raça, embora a presença de uma variante não funcione como diagnóstico individual de doença. American Kennel Club
O tutor precisa observar:
- dor nas costas;
- relutância em saltar;
- postura arqueada;
- fraqueza;
- dificuldade para subir;
- perda de coordenação;
- arrastar as patas.
Dor súbita ou perda de movimento exige atendimento imediato.
Criadores devem priorizar membros funcionais, dorso forte e movimentação livre, evitando selecionar pernas progressivamente mais curtas apenas por aparência.
Doença periodontal
O tamanho reduzido da boca favorece proximidade entre os dentes e acúmulo de placa.
Sem escovação, podem surgir:
- tártaro;
- gengivite;
- mau hálito;
- retração gengival;
- dor;
- perda dentária.
A doença periodontal não é apenas estética.
Infecção e inflamação crônica comprometem o bem-estar e podem dificultar a alimentação.
Consultas odontológicas periódicas são importantes.
Pele e alergias
A pelagem longa pode esconder alterações da pele.
O tutor deve procurar:
- coceira;
- vermelhidão;
- falhas na cobertura;
- odor;
- feridas;
- descamação;
- lambedura das patas;
- otites recorrentes.
As causas podem envolver:
- alergias;
- pulgas;
- infecções;
- umidade;
- nós;
- produtos de higiene;
- doenças hormonais.
Trocar alimentos repetidamente sem investigação não identifica necessariamente a causa.
Dietas de eliminação precisam ser orientadas por veterinário.
Obesidade
A pelagem dificulta a percepção visual do ganho de peso.
O tutor deve acompanhar:
- costelas;
- cintura;
- peso;
- disposição;
- movimentação.
A obesidade aumenta a carga sobre:
- patelas;
- quadris;
- coluna;
- coração.
Também reduz a tolerância ao calor.
Cuidados antes da compra
Ao procurar um criador, solicite documentação referente a:
- BAER;
- exame oftalmológico anual;
- patelas;
- quadris;
- cotovelos, quando disponíveis;
- avaliação cardíaca;
- histórico de CM/SM;
- histórico de problemas de coluna;
- longevidade dos ancestrais;
- causas de morte;
- saúde dos irmãos;
- temperamento;
- grau de parentesco.
Um número CHIC confirma que os exames exigidos foram realizados e divulgados.
O número, por si só, não significa necessariamente que todos os resultados foram normais. A OFA esclarece que a certificação CHIC representa conclusão e publicação dos exames específicos da raça. OFA
O comprador precisa verificar cada resultado individualmente.
Inteligência sem rotina também produz problemas.
O Bichon Havanês é altamente treinável.
A inteligência, a atenção ao tutor e a motivação social permitem aprendizagem rápida.
O treinamento funciona melhor com:
- reforço positivo;
- alimentos pequenos;
- brinquedos;
- elogios;
- sessões curtas;
- variedade;
- consistência.
Os comportamentos prioritários incluem:
- resposta ao nome;
- atenção voluntária;
- sentar;
- deitar;
- permanecer;
- retornar quando chamado;
- caminhar sem puxar;
- esperar diante de portas;
- soltar objetos;
- ir para uma cama;
- aceitar manipulação;
- permanecer sozinho;
- utilizar caixa de transporte;
- tolerar banho e secagem;
- permitir cuidados dentários.
Treinamento higiênico
O treinamento para eliminar no local correto pode exigir disciplina.
Cães pequenos possuem bexiga menor e precisam de oportunidades mais frequentes, especialmente durante a infância.
O filhote deve ser levado ao local adequado:
- ao acordar;
- depois de comer;
- depois de beber;
- depois de brincar;
- antes de dormir;
- em intervalos regulares.
A recompensa precisa ocorrer imediatamente após o comportamento correto.
Punições depois de acidentes podem ensinar o filhote a esconder-se para urinar.
O local deve ser limpo com produto enzimático.
Tapetes higiênicos podem ser utilizados, mas a família precisa definir claramente se deseja:
- eliminação interna;
- eliminação externa;
- combinação planejada.
Mudar as regras constantemente aumenta a dificuldade.
Independência
O treinamento de separação precisa começar com segundos, não horas.
Uma progressão possível é:
1. o cão permanece na cama enquanto o tutor se afasta; 2. uma barreira separa os cômodos; 3. a pessoa desaparece por poucos segundos; 4. retorna enquanto o cão ainda está calmo; 5. o tempo aumenta gradualmente; 6. pequenas saídas passam a ocorrer.
O brinquedo oferecido durante a ausência precisa ser seguro.
Um cão incapaz de comer ou brincar quando fica sozinho pode estar acima de seu limite emocional.
Manipulação e pelagem
O filhote será escovado durante toda a vida.
Precisa aprender a aceitar:
- toque nas patas;
- separação dos pelos;
- pente;
- secador;
- limpeza dos olhos;
- inspeção das orelhas;
- corte de unhas;
- escovação dentária.
As sessões iniciais podem durar apenas alguns segundos.
A recompensa deve ocorrer antes que o cão tente fugir.
Esperar a pelagem formar nós para iniciar a educação torna o processo muito mais difícil.
Conheça diferentes expressões da raça.

Pontos positivos
- procura um cão pequeno e muito afetuoso;
- vive em apartamento;
- deseja baixa queda de pelos;
- trabalha em casa ou oferece presença frequente;
- possui crianças respeitosas;
- convive com outros cães;
- gosta de ensinar truques;
- utiliza reforço positivo;
- aceita escovação frequente;
- consegue pagar manutenção profissional;
- deseja um cão sociável;
- gosta de caminhadas leves;
- consegue ensinar independência;
- aceita cuidar de olhos, ouvidos e dentes;
- dispõe de recursos para exames preventivos;
- procura um companheiro adaptável;
- valoriza uma raça longeva;
- deseja uma relação muito próxima com o cão.
Pontos de atenção
- passa o dia inteiro fora de casa;
- procura um cão independente;
- não deseja escovar a pelagem;
- não consegue pagar tosas e banhos;
- pretende deixar o cão permanentemente no quintal;
- possui crianças pequenas sem supervisão;
- não aceita latidos de alerta;
- não possui paciência com treinamento higiênico;
- utiliza punições físicas;
- acredita que baixa queda elimina qualquer risco de alergia;
- deseja um cão de guarda;
- não pretende investigar audição, olhos, patelas e quadris;
- deixa o cão saltar constantemente de móveis altos;
- não consegue controlar a alimentação;
- procura um parceiro para exercícios intensos;
- deseja uma pelagem sem manutenção;
- escolhe exclusivamente pela cor;
- trata cães pequenos como brinquedos.