Berner Sennenhund
O gigante suíço que nasceu para trabalhar e decidiu viver perto da família
Origem: Suíça
Ele possui quase tudo que poderia tornar um cão intimidador. É grande, pesado, musculoso e coberto por uma pelagem escura que aumenta ainda mais sua presença. Quando um Berner Sennenhund adulto aparece, dificilmente passa despercebido. Então ele se aproxima.
Uma história selecionada para uma função.
Ele possui quase tudo que poderia tornar um cão intimidador.
É grande, pesado, musculoso e coberto por uma pelagem escura que aumenta ainda mais sua presença. Quando um Berner Sennenhund adulto aparece, dificilmente passa despercebido.
Então ele se aproxima.
Em vez de exibir a postura desconfiada de um guardião severo, geralmente apresenta uma expressão tranquila, um movimento de cauda amistoso e aquela disposição característica de quem gostaria apenas de participar do que a família estiver fazendo.
Essa aparência gentil não surgiu por acaso.
O Berner Sennenhund foi desenvolvido nas propriedades rurais da região de Berna, na Suíça, para trabalhar ao lado do agricultor. Guardava a fazenda, acompanhava o gado e puxava pequenas carroças carregadas com produtos agrícolas. Precisava ser forte, mas controlável; atento, mas não agressivo; independente o suficiente para trabalhar, mas ligado às pessoas o bastante para permanecer próximo delas.
O resultado foi um cão de contrastes.
Ele possui força para puxar cargas, mas costuma ser delicado com crianças. Tem tamanho de guardião, mas frequentemente prefere receber carinho. Pode enfrentar neve e terrenos difíceis, mas não lida bem com isolamento emocional.
O Berner Sennenhund é conhecido pela aparência.
Entretanto, é sua forma de se relacionar com as pessoas que explica por que tantos tutores se apaixonam pela raça — mesmo conhecendo uma de suas verdades mais difíceis: sua expectativa de vida costuma ser menor do que aquela que um cão com tamanho coração mereceria.
História e origem
O Berner Sennenhund nasceu nas áreas agrícolas ao redor do cantão de Berna, na Suíça.
Antes de se tornar uma raça conhecida mundialmente, ele era um cão rural. Não havia sido criado para permanecer parado em exposições nem para executar uma única função altamente especializada. Sua utilidade vinha justamente da capacidade de ajudar em diferentes tarefas dentro da propriedade. :contentReference[oaicite:2]{index=2}
Ele poderia alertar sobre a chegada de desconhecidos, acompanhar o agricultor, ajudar na movimentação de bovinos e puxar pequenas carroças. Um animal destinado a esse trabalho precisava reunir estrutura forte, temperamento estável e disposição para cooperar com a família que vivia na fazenda. :contentReference[oaicite:3]{index=3}
O Boiadeiro Bernês não era, porém, um pastor de grandes rebanhos no mesmo sentido de raças desenvolvidas para conduzir centenas de ovelhas por enormes extensões.
Muitas propriedades suíças possuíam apenas alguns bovinos. O cão acompanhava esses animais até áreas de pastagem, ajudava no deslocamento e permanecia atento à propriedade. Seu papel histórico era o de um companheiro rural versátil, não o de um especialista em pastoreio de longa distância. :contentReference[oaicite:4]{index=4}
O antigo Dürrbächler
Originalmente, esses cães eram chamados Dürrbächler.
O nome fazia referência à pequena localidade de Dürrbach e a uma hospedaria próxima de Riggisberg, onde cães rurais de pelagem longa e tricolor eram encontrados com frequência. :contentReference[oaicite:5]{index=5}
No início do século XX, criadores suíços começaram a organizar a preservação da raça.
Exemplares foram apresentados em exposições nos anos de 1902, 1904 e 1907. Ainda em 1907, criadores da região de Burgdorf fundaram o Schweizerischer Dürrbach-Klub, estabeleceram características desejadas e iniciaram um trabalho mais sistemático de seleção. :contentReference[oaicite:6]{index=6}
Em uma exposição realizada em Burgdorf, em 1910, agricultores levaram 107 cães do tipo Dürrbächler.
A quantidade demonstrava que aqueles cães ainda estavam presentes nas propriedades rurais e ajudou a consolidar o interesse pela raça. A partir desse período, o nome foi alterado para Berner Sennenhund, seguindo a nomenclatura utilizada para os demais boiadeiros suíços. :contentReference[oaicite:7]{index=7}
O termo alemão Sennenhund está relacionado aos cães que acompanhavam trabalhadores e produtores rurais das regiões alpinas e pré-alpinas.
O Berner é um dos quatro cães montanheses e boiadeiros suíços tradicionais:
- Berner Sennenhund;
- Grosser Schweizer Sennenhund;
- Appenzeller Sennenhund;
- Entlebucher Sennenhund.
Entre eles, o Berner é imediatamente reconhecido pela pelagem longa. :contentReference[oaicite:8]{index=8}
Das fazendas para as famílias
A industrialização e a mecanização do transporte reduziram a necessidade de cães puxando carroças nas propriedades.
Em vez de desaparecer, o Berner Sennenhund encontrou novas funções. Sua aparência marcante e seu temperamento cooperativo favoreceram sua transformação em cão de companhia, exposição, terapia, obediência e diferentes atividades esportivas. :contentReference[oaicite:9]{index=9}
O American Kennel Club reconheceu oficialmente a raça em 1937. Ao longo do século XX, o Boiadeiro Bernês tornou-se conhecido em diversos países, afastando-se geograficamente das fazendas suíças sem perder completamente sua natureza de trabalhador próximo da família. :contentReference[oaicite:10]{index=10}
Ele não foi criado para trabalhar longe do ser humano.
Foi criado para estar ao lado dele.
Essa diferença continua sendo essencial para compreender seu comportamento moderno.
Ficha rápida completa
Aparência e características físicas
O Berner Sennenhund é um cão grande, forte e de estrutura sólida.
Apesar do volume corporal, não deve parecer excessivamente pesado, lento ou desproporcional. O padrão da FCI descreve um cão de trabalho forte e ágil, com construção harmoniosa e membros robustos. :contentReference[oaicite:11]{index=11}
O corpo é ligeiramente mais comprido do que alto.
A proporção estabelecida pela FCI entre a altura na cernelha e o comprimento corporal é de aproximadamente 9 para 10. Isso cria uma aparência compacta, sem que o cão se torne quadrado ou excessivamente alongado. :contentReference[oaicite:12]{index=12}
Os machos apresentam altura entre 64 e 70 centímetros, com faixa ideal de 66 a 68 centímetros.
As fêmeas medem entre 58 e 66 centímetros, sendo considerada ideal a faixa de 60 a 63 centímetros. :contentReference[oaicite:13]{index=13}
Cabeça e expressão
A cabeça é forte, mas proporcional ao corpo.
Não deve apresentar aspecto exageradamente pesado. O focinho possui comprimento médio, a trufa é preta e os lábios devem permanecer ajustados. :contentReference[oaicite:14]{index=14}
Os olhos são:
- castanho-escuros;
- amendoados;
- bem ajustados;
- de expressão atenta e gentil.
A raça não deve apresentar um olhar excessivamente duro, medroso ou apático. Sua expressão é parte importante da impressão de estabilidade e afabilidade esperada. :contentReference[oaicite:15]{index=15}
As orelhas são triangulares, de tamanho médio, implantadas altas e mantidas caídas junto à cabeça quando o cão está em repouso.
Quando algo desperta sua atenção, a base das orelhas pode se elevar, acentuando sua expressão vigilante.
Corpo e movimento
O peito é largo e profundo, alcançando aproximadamente a altura dos cotovelos.
O dorso deve permanecer firme e nivelado, e a região lombar deve ser forte. Os membros possuem ossatura sólida, necessária para sustentar o corpo e realizar trabalhos de tração. :contentReference[oaicite:16]{index=16}
O movimento correto precisa ser livre, equilibrado e capaz de cobrir terreno sem esforço aparente.
Embora a aparência possa sugerir um cão lento, o Berner historicamente precisava trabalhar durante o dia, acompanhar a rotina da propriedade e movimentar cargas. A raça deve conservar agilidade compatível com sua estrutura. :contentReference[oaicite:17]{index=17}
Pelagem
A pelagem é longa, brilhante e pode ser lisa ou discretamente ondulada.
Existe um subpelo denso, responsável por boa parte da proteção contra o frio. Essa combinação torna o Berner especialmente confortável em temperaturas baixas, mas exige atenção redobrada em regiões quentes. :contentReference[oaicite:18]{index=18}
A cor básica é um preto intenso.
Sobre ele aparecem marcações castanho-avermelhadas:
- acima dos olhos;
- nas faces;
- nas laterais do peito;
- nas pernas;
- sob a cauda.
As marcações brancas normalmente incluem:
- faixa ou desenho simétrico na cabeça;
- branco no focinho;
- área branca no peito;
- partes brancas nos pés;
- eventualmente, uma pequena ponta branca na cauda.
A simetria e a distribuição das marcações contribuem para a aparência clássica da raça, embora a saúde e o temperamento devam ser muito mais importantes do que pequenas variações estéticas. :contentReference[oaicite:19]{index=19}
Cauda
A cauda é longa, bem coberta por pelos e alcança pelo menos a articulação do jarrete.
Em repouso, permanece baixa. Durante o movimento, pode ser elevada, mas não deve ficar enrolada sobre o dorso. :contentReference[oaicite:20]{index=20}
Tutor indicado
- procura um cão grande e gentil;
- deseja forte vínculo familiar;
- possui tempo para convivência;
- gosta de caminhadas moderadas;
- aceita escovar frequentemente;
- mora em região de clima ameno ou consegue controlar a temperatura;
- deseja utilizar treinamento positivo;
- possui espaço adequado;
- pode arcar com custos veterinários elevados;
- valoriza temperamento afetuoso;
- deseja um cão geralmente paciente com crianças;
- aceita investigar cuidadosamente a saúde dos criadores.
Tutor não indicado
- mora em local extremamente quente sem climatização;
- não tolera pelos pela casa;
- deseja um cão de manutenção barata;
- passa longos períodos fora;
- procura uma raça de vida geralmente longa;
- não possui espaço para um cão grande;
- deseja um parceiro para corridas intensas sob calor;
- não pretende investir em exames veterinários;
- quer manter o cão permanentemente no quintal;
- procura um cão de guarda agressivo;
- não consegue controlar o peso do animal;
- prefere um companheiro emocionalmente independente.
Em resumo
O Berner Sennenhund é um grande cão de trabalho suíço criado nas propriedades rurais da região de Berna.
Guardava a fazenda, acompanhava bovinos e puxava carroças. Essas funções exigiam força, equilíbrio e disposição para colaborar com as pessoas.
Hoje, ele é conhecido principalmente como cão de família.
Seu temperamento costuma ser gentil, afetuoso e relativamente tranquilo. Pode conviver muito bem com crianças e outros animais, desde que receba socialização e educação.
Não é um cão sedentário, mas também não apresenta a intensidade constante de muitos pastores. Caminhadas moderadas, atividades mentais e participação na rotina geralmente atendem melhor às suas necessidades do que exercícios extremos.
A pelagem exige escovação frequente e produz bastante pelo.
O calor é um desafio importante, especialmente no Brasil.
Sua saúde requer atenção ainda maior. Câncer, doenças ortopédicas, alterações neurológicas, problemas cardíacos e torção gástrica fazem parte das preocupações acompanhadas por clubes especializados.
Escolher um criador responsável não é detalhe.
É uma das decisões mais importantes de todo o processo.
O Berner Sennenhund não oferece a promessa de uma convivência simples ou necessariamente longa.
Oferece outra coisa.
A possibilidade de dividir a vida com um gigante gentil que foi criado para puxar cargas, guardar propriedades e ajudar agricultores — mas que, depois de terminar o trabalho, sempre preferiu descansar perto das pessoas que considerava sua família.
Avaliação editorial de compatibilidade
Como essa raça tende a viver com pessoas.
A FCI descreve o Berner Sennenhund como autoconfiante, atento, vigilante, corajoso nas situações cotidianas, afetuoso com a família, tranquilo diante de desconhecidos e disposto a obedecer. :contentReference[oaicite:21]{index=21}
Essa combinação produz um cão geralmente gentil, mas não completamente desligado do ambiente.
O Berner observa.
Pode alertar sobre a chegada de alguém, acompanhar uma movimentação diferente e posicionar-se perto da família. Entretanto, não se espera que seja agressivo, excessivamente desconfiado ou explosivo.
Seu passado foi o de um cão de fazenda vigilante, não o de um cão criado para atacar indiscriminadamente. :contentReference[oaicite:22]{index=22}
A raça costuma desenvolver um vínculo muito forte com as pessoas da casa.
Muitos exemplares procuram permanecer no mesmo cômodo que o tutor, encostam o corpo nas pernas das pessoas e demonstram interesse constante pela rotina familiar.
Esse comportamento pode ser encantador.
Também significa que o Berner tende a sofrer quando é mantido isolado ou deixado sozinho durante períodos muito longos. O AKC destaca que comportamentos indesejados podem surgir quando o cão é regularmente privado da companhia familiar. :contentReference[oaicite:23]{index=23}
Um gigante sensível
O tamanho pode sugerir resistência emocional.
Na prática, o Berner costuma ser sensível à forma como é tratado.
Métodos duros, gritos e correções agressivas podem reduzir sua confiança e prejudicar a disposição para cooperar. A raça normalmente responde melhor a orientação calma, reforço positivo e regras consistentes. :contentReference[oaicite:24]{index=24}
Isso não significa permitir todos os comportamentos.
Um filhote que salta, puxa a guia ou rouba objetos pode parecer apenas engraçado. Quando o mesmo comportamento é executado por um cão adulto de mais de 40 quilos, a situação muda completamente.
Educação precoce é essencial.
Maturidade lenta
Como acontece com vários cães grandes, o Berner pode levar tempo para alcançar maturidade física e emocional.
Durante a juventude, pode apresentar bastante energia, movimentos desajeitados e pouca consciência do próprio tamanho. Um adolescente da raça pode correr pela casa como se ainda pesasse dez quilos, embora seu corpo já esteja próximo do tamanho adulto. :contentReference[oaicite:25]{index=25}
Quando recebe atividade adequada, treinamento e participação familiar, tende a se tornar um cão relativamente tranquilo dentro de casa.
Convivência com crianças
O Berner Sennenhund possui forte reputação como cão familiar.
Seu temperamento geralmente gentil, paciente e afetuoso pode favorecer uma excelente convivência com crianças. Muitos exemplares demonstram cuidado natural ao se aproximar dos membros mais jovens da casa. :contentReference[oaicite:26]{index=26}
Entretanto, nenhum cão deve ser considerado automaticamente seguro apenas por pertencer a determinada raça.
O Berner é grande e pesado. Mesmo um animal tranquilo pode derrubar uma criança pequena ao se virar, correr ou tentar oferecer uma pata.
Filhotes e adolescentes podem ser especialmente desajeitados.
A convivência funciona melhor quando:
- todas as interações são supervisionadas;
- o cão aprende a não saltar;
- as crianças não montam sobre ele;
- ninguém puxa pelos, orelhas ou cauda;
- alimentação e descanso são respeitados;
- brincadeiras excessivamente agitadas são evitadas;
- o cão possui um local tranquilo para se afastar.
O tutor também deve ensinar a criança a reconhecer quando o animal deseja descansar.
Um cão paciente continua sendo um ser vivo, não um brinquedo de grandes dimensões.
Compatibilidade com crianças pequenas: muito boa, com supervisão
Compatibilidade com crianças maiores e respeitosas: excelente
Convivência com outros animais
O Berner Sennenhund costuma apresentar boa capacidade de convivência com outros cães.
Seu temperamento geralmente sociável e pouco confrontador favorece a vida em casas com mais de um animal, especialmente quando a socialização começa cedo. :contentReference[oaicite:27]{index=27}
Isso não elimina diferenças individuais.
Alguns exemplares podem demonstrar insegurança, proteção de recursos ou dificuldade com cães desconhecidos. Apresentações graduais continuam sendo a opção mais segura.
A convivência com gatos também pode funcionar muito bem.
Quando o Berner cresce ao lado deles, frequentemente aprende a respeitar seus limites. Seu instinto de perseguição tende a ser menos intenso do que o de muitas raças de caça, mas movimentos rápidos ainda podem despertar curiosidade e brincadeiras.
Por causa do tamanho, qualquer interação com animais pequenos precisa ser supervisionada.
Mesmo uma pata colocada de maneira amistosa pode machucar um gato, coelho ou cão de porte muito reduzido.
A convivência com aves, roedores e outros animais frágeis deve incluir separações físicas seguras quando não houver acompanhamento.
Apartamento e espaço
O Berner Sennenhund pode viver em apartamento, mas a adaptação depende de fatores que vão muito além da metragem.
Um exemplar adulto costuma ser relativamente tranquilo dentro de casa quando recebe exercícios, atenção e oportunidades para sair. Entretanto, seu tamanho ocupa espaço real.
Cama, potes, área de circulação, equipamentos de escovação e transporte precisam ser planejados para um cão grande.
O Royal Kennel Club considera mais apropriada uma casa ampla com jardim grande, embora reconheça que a raça pode viver tanto em áreas urbanas quanto rurais. :contentReference[oaicite:28]{index=28}
O quintal facilita a rotina, mas não substitui caminhadas.
Um Berner deixado sozinho do lado de fora pode continuar frustrado e emocionalmente isolado. Sua história está ligada ao trabalho próximo do agricultor, e não à vida distante da família. :contentReference[oaicite:29]{index=29}
Em apartamento, o tutor deve trabalhar:
- caminhada sem puxar;
- comportamento em elevadores;
- calma em corredores;
- recepção controlada de visitas;
- permanência sozinho;
- controle de latidos;
- capacidade de descansar;
- tolerância a ruídos.
O calor brasileiro
O clima é uma questão decisiva.
A pelagem dupla e densa foi desenvolvida para condições frias. Por inferência, regiões muito quentes representam um desafio maior para a raça, especialmente durante exercícios e nos horários de maior temperatura. :contentReference[oaicite:30]{index=30}
No Brasil, a rotina deve incluir:
- passeios no início da manhã ou à noite;
- acesso permanente a água;
- sombra;
- ambiente ventilado;
- piso fresco;
- redução de atividades em dias quentes;
- atenção a respiração excessiva, fraqueza e desorientação.
Ar-condicionado pode deixar de ser luxo e se tornar parte importante do manejo em determinadas regiões.
Adaptação a apartamento: possível, desde que haja espaço, rotina externa e controle térmico.
O trabalho cotidiano que precisa caber na sua vida.
A pelagem do Berner Sennenhund exige manutenção constante.
Embora não forme nós com a mesma facilidade de algumas raças de pelo muito fino, o volume, o subpelo e a queda sazonal tornam necessária uma rotina regular de escovação.
O Royal Kennel Club recomenda escovação mais de uma vez por semana e confirma que a raça apresenta queda de pelos. :contentReference[oaicite:35]{index=35}
Uma rotina adequada inclui:
- escovação duas ou três vezes por semana;
- escovação mais frequente durante as mudas;
- penteado das áreas atrás das orelhas;
- inspeção das axilas e virilhas;
- limpeza das orelhas;
- corte das unhas;
- higiene dental;
- banho conforme a necessidade.
Durante as trocas de subpelo, a quantidade de pelos removida pode ser impressionante.
É o momento em que o tutor descobre que adquiriu um cão e, aparentemente, material suficiente para montar outro.
A raça deve ser tosada?
A raspagem completa não é recomendada como solução comum para o calor ou para a queda de pelos.
O subpelo e a cobertura externa formam um sistema de proteção da pele. A tosa muito curta pode alterar o crescimento e não elimina o problema térmico que resulta do tamanho, da pelagem e das condições ambientais.
A melhor estratégia envolve manejo do ambiente, controle dos horários de passeio, escovação e orientação veterinária.
Orelhas, unhas e dentes
As orelhas caídas devem ser verificadas regularmente.
Odor, vermelhidão, secreção ou coceira podem indicar inflamação ou infecção.
As unhas precisam ser mantidas curtas. Em um cão pesado, unhas longas podem modificar o apoio das patas e aumentar o desconforto durante a movimentação.
A higiene dental deve começar cedo. Escovação com produto veterinário ajuda a reduzir acúmulo de placa e facilita a aceitação da manipulação oral.
Exercícios e atividades
O Berner Sennenhund possui energia moderada.
Não é tão acelerado quanto muitos cães pastores, mas também não deve ser tratado como um animal sedentário. Caminhadas e atividades regulares ajudam a preservar musculatura, controlar o peso e oferecer estimulação mental.
O Royal Kennel Club utiliza como referência até uma hora diária de exercício para um adulto, embora as necessidades individuais variem conforme idade, saúde, clima e condicionamento. :contentReference[oaicite:31]{index=31}
Boas atividades incluem:
- caminhadas moderadas;
- trilhas em clima fresco;
- brincadeiras de busca;
- exercícios de faro;
- obediência;
- rally;
- rastreamento;
- natação supervisionada;
- tração esportiva;
- transporte de pequenas carroças adequadas;
- atividades terapêuticas e sociais.
A tração possui conexão direta com a história da raça.
Clubes especializados ainda promovem provas em que cães puxam carroças de maneira controlada, preservando uma função tradicional sem reproduzir condições de trabalho inadequadas. :contentReference[oaicite:32]{index=32}
Cuidados durante o crescimento
Filhotes de porte grande precisam de atividade, mas não de esforço excessivo.
Corridas forçadas, saltos repetitivos, longas escadarias e exercícios intensos podem sobrecarregar articulações ainda em formação. Atividades livres, caminhadas curtas, exploração e treinamento são alternativas mais adequadas durante o crescimento.
A evolução deve ser gradual e acompanhada pelo veterinário, especialmente quando houver qualquer sinal de dor ou alteração na marcha.
Exercício no calor
Em dias quentes, a intensidade precisa ser reduzida.
O Berner pode caminhar por bastante tempo em clima frio, mas sua pelagem torna a dissipação de calor mais difícil. O tutor deve evitar exercícios intensos sob sol forte e nunca interpretar resistência como prova de que o animal está confortável. :contentReference[oaicite:33]{index=33}
Alimentação
O Berner Sennenhund precisa de alimentação completa e equilibrada, compatível com idade, peso, atividade e condição de saúde.
Filhotes devem receber alimento formulado para crescimento de cães de grande porte.
O objetivo não é acelerar o crescimento.
Excesso de calorias e ganho de peso rápido aumentam a carga sobre quadris, cotovelos e demais articulações ainda em formação.
A quantidade precisa considerar:
- idade;
- peso;
- condição corporal;
- nível de atividade;
- castração;
- saúde;
- clima;
- quantidade de petiscos.
As recomendações da embalagem são um ponto inicial, não uma ordem imutável.
A WSAVA orienta que a avaliação nutricional considere histórico alimentar, condição corporal, massa muscular, doenças existentes e mudanças de peso. :contentReference[oaicite:48]{index=48}
A cintura deve ser perceptível quando o cão é observado de cima.
As costelas precisam ser palpáveis sob uma camada moderada de gordura, sem permanecer excessivamente expostas.
Manter o Berner magro e bem condicionado reduz a carga mecânica sobre as articulações, embora não elimine doenças hereditárias.
Refeições e risco gástrico
A porção diária pode ser dividida em duas ou três refeições.
Oferecer todo o alimento de uma só vez aumenta o volume no estômago. Também é prudente evitar exercício intenso imediatamente antes ou depois de grandes refeições.
O tutor deve conversar com o veterinário sobre estratégias de redução de risco e sobre a possibilidade de gastropexia preventiva em situações específicas.
Petiscos
O Berner normalmente responde bem a recompensas alimentares.
Isso facilita o treinamento, mas também pode produzir ganho de peso silencioso. Cada pequeno pedaço oferecido durante as sessões entra na ingestão calórica diária.
Parte da própria ração pode ser reservada para o treinamento.
Dietas caseiras
Dietas preparadas em casa precisam ser formuladas por médico-veterinário especializado em nutrição.
Misturar carne, arroz e vegetais não garante equilíbrio adequado de:
- cálcio;
- fósforo;
- aminoácidos;
- vitaminas;
- minerais;
- ácidos graxos.
Esse cuidado é especialmente importante durante o crescimento de um cão grande.
Água limpa deve permanecer disponível continuamente, principalmente em dias quentes.
Predisposição não é destino, mas precisa entrar na escolha.
A saúde é um dos assuntos mais importantes para qualquer pessoa que considere viver com um Berner Sennenhund.
A raça apresenta expectativa de vida relativamente curta. O Bernese Mountain Dog Club of America utiliza como referência uma média de aproximadamente sete a oito anos, enquanto outras fontes apresentam uma faixa de sete a dez anos. :contentReference[oaicite:36]{index=36}
Isso não significa que todo cão morrerá jovem.
Existem exemplares que ultrapassam dez anos. Entretanto, o futuro tutor precisa compreender que cânceres e outras doenças graves possuem impacto significativo na população.
Câncer
O câncer é uma das maiores preocupações da raça.
Em um levantamento de saúde realizado pelo clube americano em 2005, 67% dos cães falecidos haviam morrido em consequência de alguma forma de câncer. Esse dado pertence a um estudo histórico específico e não deve ser interpretado como garantia individual, mas demonstra a dimensão do problema acompanhado pela comunidade da raça. :contentReference[oaicite:37]{index=37}
Entre as neoplasias de maior preocupação está o sarcoma histiocítico.
O BMDCA informa que a doença possui componente hereditário e mantém programas de pesquisa, bancos de material biológico e testes de risco para ajudar criadores e cientistas a compreender melhor sua ocorrência. :contentReference[oaicite:38]{index=38}
O teste de risco não prevê com certeza absoluta se um cão desenvolverá a doença.
Ele oferece informação adicional para decisões de criação e avaliação familiar.
Possíveis sinais que precisam de investigação veterinária incluem:
- perda de peso sem explicação;
- apatia;
- redução do apetite;
- aumento abdominal;
- dificuldade respiratória;
- claudicação persistente;
- massas;
- alterações neurológicas;
- febre recorrente.
Esses sinais podem ocorrer em diversas doenças. O diagnóstico depende de avaliação veterinária.
Displasia coxofemoral
A displasia do quadril ocorre quando a articulação apresenta desenvolvimento ou estabilidade inadequados.
Pode causar dor, dificuldade para levantar, alteração na marcha, resistência ao exercício e artrose. Alguns cães apresentam alterações radiográficas sem sintomas evidentes, enquanto outros sentem desconforto mesmo com alterações aparentemente moderadas. :contentReference[oaicite:39]{index=39}
Avaliações radiográficas dos reprodutores ajudam a reduzir o risco, mas não oferecem garantia absoluta para todos os filhotes.
Displasia de cotovelo
A displasia de cotovelo reúne diferentes alterações capazes de causar inflamação, claudicação e desgaste articular.
Os sinais podem aparecer ainda durante o crescimento. A confirmação normalmente depende de exame veterinário e avaliação por imagem. :contentReference[oaicite:40]{index=40}
Mielopatia degenerativa
A mielopatia degenerativa é uma doença neurológica progressiva que pode causar perda de coordenação e paralisia dos membros posteriores em cães mais velhos.
Duas variantes genéticas são acompanhadas especificamente na raça. Os testes ajudam na seleção dos reprodutores, mas precisam ser interpretados no contexto do histórico familiar e da penetrância da doença. :contentReference[oaicite:41]{index=41}
Doença de von Willebrand
A doença de von Willebrand é uma alteração hereditária da coagulação.
O tipo encontrado no Berner possui teste genético disponível. O clube da raça recomenda atenção ao estado de coagulação, principalmente antes de procedimentos cirúrgicos. :contentReference[oaicite:42]{index=42}
Problemas cardíacos
A estenose subaórtica está entre as alterações cardíacas acompanhadas.
Ela reduz a passagem de sangue na saída do coração e pode permanecer silenciosa durante algum tempo. Em casos graves, pode provocar fraqueza, desmaio ou morte súbita. :contentReference[oaicite:43]{index=43}
Avaliações cardíacas dos reprodutores fazem parte do conjunto mínimo de exames recomendado pelo BMDCA.
Problemas oculares
Catarata, alterações das pálpebras e atrofia progressiva da retina estão entre as condições descritas na raça.
Exames com oftalmologista veterinário ajudam a identificar alterações capazes de comprometer o conforto ou a visão. :contentReference[oaicite:44]{index=44}
Dilatação e torção gástrica
Como cão grande e de peito profundo, o Berner pode apresentar dilatação gástrica com ou sem torção.
A condição surge rapidamente e representa uma emergência. O estômago se distende e pode girar, comprometendo a circulação sanguínea.
Sinais de alerta incluem:
- tentativas improdutivas de vomitar;
- salivação;
- inquietação;
- abdômen aumentado;
- dor;
- fraqueza;
- colapso.
O atendimento deve ser imediato. Minutos podem fazer diferença. :contentReference[oaicite:45]{index=45}
Exames recomendados
O Bernese Mountain Dog Club of America recomenda como conjunto mínimo:
- avaliação dos quadris;
- avaliação dos cotovelos;
- exame oftalmológico;
- exame cardíaco;
- testes para mielopatia degenerativa;
- pelo menos um teste adicional entre doença de von Willebrand, tireoide ou risco de sarcoma histiocítico.
O clube também defende a divulgação aberta dos resultados de saúde dos reprodutores e de seus parentes próximos. :contentReference[oaicite:46]{index=46}
Antes de adquirir um filhote, o futuro tutor deve solicitar:
- resultados dos exames dos pais;
- histórico de longevidade;
- causas de morte dos ancestrais;
- registros de irmãos e descendentes;
- informações sobre câncer;
- pedigree verificável;
- contrato;
- acompanhamento do criador.
Um número CHIC indica que os exames exigidos foram realizados e divulgados, não que todos os resultados sejam perfeitos ou que o cão jamais desenvolverá uma doença. :contentReference[oaicite:47]{index=47}
Inteligência sem rotina também produz problemas.
O Berner Sennenhund é inteligente e normalmente deseja agradar.
Essas características podem tornar o treinamento mais acessível do que seria esperado em um cão de seu tamanho. O AKC descreve a raça como treinável, afetuosa e emocionalmente sensível. :contentReference[oaicite:34]{index=34}
Os melhores resultados costumam surgir com:
- reforço positivo;
- sessões curtas;
- recompensas alimentares;
- brincadeiras;
- elogios;
- repetição sem monotonia;
- regras consistentes;
- progressão gradual.
O tutor não precisa gritar para ser levado a sério.
Precisa ser previsível.
Educação desde o primeiro dia
O treinamento deve começar quando o cão ainda é pequeno o suficiente para ser fisicamente controlado.
Habilidades prioritárias incluem:
- responder ao nome;
- vir quando chamado;
- caminhar sem puxar;
- não saltar;
- esperar antes de atravessar portas;
- soltar objetos;
- aceitar manipulação;
- permanecer em um local definido;
- ficar sozinho por períodos graduais;
- entrar no veículo;
- aceitar escovação e corte de unhas.
A socialização também precisa começar cedo.
O filhote deve conhecer, de forma segura:
- adultos;
- crianças;
- cães equilibrados;
- gatos;
- veículos;
- sons domésticos;
- ruas;
- clínicas veterinárias;
- superfícies diferentes;
- pessoas com roupas e aparências variadas.
Socialização não significa obrigar o filhote a interagir com todos.
O objetivo é ensiná-lo a observar situações novas sem medo excessivo ou reatividade.
Treinamento para cuidados veterinários
Um Berner adulto pode ultrapassar 45 quilos.
Ensinar desde cedo a aceitar toque nas patas, orelhas, boca, cauda e corpo facilita consultas, exames, escovação e tratamentos futuros.
Essa preparação se torna especialmente importante em uma raça que pode exigir acompanhamento ortopédico, cardíaco e oncológico ao longo da vida.
Conheça diferentes expressões da raça.

Pontos positivos
- procura um cão grande e gentil;
- deseja forte vínculo familiar;
- possui tempo para convivência;
- gosta de caminhadas moderadas;
- aceita escovar frequentemente;
- mora em região de clima ameno ou consegue controlar a temperatura;
- deseja utilizar treinamento positivo;
- possui espaço adequado;
- pode arcar com custos veterinários elevados;
- valoriza temperamento afetuoso;
- deseja um cão geralmente paciente com crianças;
- aceita investigar cuidadosamente a saúde dos criadores.
Pontos de atenção
- mora em local extremamente quente sem climatização;
- não tolera pelos pela casa;
- deseja um cão de manutenção barata;
- passa longos períodos fora;
- procura uma raça de vida geralmente longa;
- não possui espaço para um cão grande;
- deseja um parceiro para corridas intensas sob calor;
- não pretende investir em exames veterinários;
- quer manter o cão permanentemente no quintal;
- procura um cão de guarda agressivo;
- não consegue controlar o peso do animal;
- prefere um companheiro emocionalmente independente.