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PERFIL COMPLETO DA RAÇA

Maltese

Subtítulo emocional

Origem: Bacia do Mediterrâneo Central; patronato cinófilo da Itália

Antes de ser o pequeno cão branco dos apartamentos modernos, ele já circulava por portos mediterrâneos, salões romanos e pinturas renascentistas — carregando mais de dois mil anos de história num corpo de quatro quilos. O Maltese, conhecido em português como Maltês, é um dos cães de companhia mais antigos documentados no mundo mediterrâneo.

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EnergiaModerada
PortePequeno
PelagemDupla
Expectativa de vidaAproximadamente 12–15 anos
SOBRE A RAÇA

Uma história selecionada para uma função.

Antes de ser o pequeno cão branco dos apartamentos modernos, ele já circulava por portos mediterrâneos, salões romanos e pinturas renascentistas — carregando mais de dois mil anos de história num corpo de quatro quilos.

O Maltese, conhecido em português como Maltês, é um dos cães de companhia mais antigos documentados no mundo mediterrâneo. Pequeno, branco, extremamente ligado às pessoas e coberto por uma pelagem que pode chegar ao chão, hoje parece ter sido criado exclusivamente para viver no colo. A história oficial da FCI, porém, guarda uma surpresa: seus ancestrais também teriam vivido em portos e cidades marítimas, onde ajudavam a controlar ratos e camundongos em armazéns e porões de navios. FCI

A FCI o descreve como vivaz, afetuoso, muito calmo e muito inteligente. Isso resume bem a combinação que mantém a raça popular há séculos: o Maltese consegue ser pequeno sem ser apático, elegante sem ser frágil emocionalmente e intensamente companheiro sem perder uma personalidade surpreendentemente grande para seu tamanho. FCI

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História e origem

O nome Maltese parece resolver imediatamente a questão de origem.

Malta.

Fim da história.

Só que a própria FCI faz questão de dizer que não é tão simples.

Seu padrão oficial explica que o nome não significa necessariamente que a raça tenha surgido especificamente na ilha de Malta. A palavra estaria ligada à raiz semítica “màlat”, associada a porto ou refúgio, aparecendo em vários topônimos marítimos antigos do Mediterrâneo. Por isso, a FCI registra como origem oficial não Malta isoladamente, mas a Bacia do Mediterrâneo Central, sob patronato da Itália. FCI

A diferença é importante.

Estamos falando de uma região que, durante a Antiguidade, funcionava como uma enorme rede marítima.

Navios.

Portos.

Mercadores.

Armazéns.

Rotas entre Europa, norte da África e Oriente Próximo.

Pequenos cães podiam viajar junto com pessoas e mercadorias de maneira muito mais fácil que grandes animais de trabalho.

Segundo o padrão FCI, ancestrais do Maltese viviam justamente nesses ambientes portuários e marítimos, onde caçavam ratos e camundongos presentes em depósitos e porões de navios. FCI

Essa informação muda um pouco a imagem tradicional da raça.

O ancestral daquele pequeno cachorro branco sentado sobre uma almofada talvez também precisasse correr atrás de roedores entre sacos de grãos.

A documentação histórica torna-se muito mais clara na Antiguidade clássica.

A FCI menciona que, durante a época de Aristóteles, entre 384 e 322 a.C., aparece numa lista de cães um pequeno tipo chamado em latim de canes melitenses. Mais tarde, pequenos cães desse tipo tornaram-se conhecidos em Roma e especialmente valorizados como companheiros das mulheres aristocráticas. FCI

O AKC também destaca representações de pequenos cães associados ao tipo Maltese na arte grega dos séculos IV e V a.C., além da referência de Aristóteles a um cachorro de pequeno tamanho e proporções consideradas notáveis. A entidade, porém, reconhece que as origens mais remotas da raça permanecem cercadas por diferentes teorias. American Kennel Club

Essa cautela é necessária.

Um vaso grego antigo mostrando um pequeno cão branco não constitui um pedigree de 2.400 anos.

Mas demonstra que pequenos cães de companhia do tipo melitensis já faziam parte da cultura mediterrânea muito antes da cinofilia moderna.

Durante o Império Romano, esses cães ganharam uma função que mudaria praticamente toda a história da raça:

companhia.

Não transporte.

Não guerra.

Não pastoreio.

Não guarda de rebanhos.

Companhia humana.

O Maltese tornou-se associado a status, elegância e proximidade física com seus proprietários. Essa relação continuou nos séculos seguintes e aparece novamente de forma extremamente visível durante o Renascimento.

A FCI destaca que numerosos pintores renascentistas representaram pequenos cães do tipo Maltese ao lado de mulheres da aristocracia europeia. FCI

Não era apenas um cachorro presente no cenário.

Frequentemente fazia parte da construção simbólica da pintura.

Luxo.

Intimidade.

Refinamento.

Afeto.

O AKC registra que a raça atravessou sucessivas mudanças políticas e culturais europeias, permanecendo ligada às elites e posteriormente expandindo-se como cão de companhia para públicos muito mais amplos. O primeiro Maltese foi registrado pelo AKC em 1888. American Kennel Club

A FCI reconheceu definitivamente a raça em 13 de abril de 1955, mantendo-a atualmente sob o padrão nº 65, Grupo 9. FCI

Talvez a parte mais fascinante de sua história seja justamente esta:

o Maltese sobreviveu sem precisar transformar-se radicalmente numa ferramenta moderna.

Durante milhares de anos, uma de suas maiores funções permaneceu praticamente a mesma.

Ficar perto de pessoas.

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Peso típico3–4 kg
AlturaMachos: 21–25 cm; fêmeas: 20–23 cm
Função históricaGrupo 9 — Cães de companhia; Seção 1 — Bichons e raças relacionadas
Confiança dos dadosAlta
Ficha rápida completa
Nome oficialMaltese
ApelidosMaltês, Bichon Maltês, Maltese Dog
País de origemBacia do Mediterrâneo Central; patronato cinófilo da Itália
Grupo FCIGrupo 9 — Cães de companhia; Seção 1 — Bichons e raças relacionadas
Função originalCompanhia; ancestralmente também controle de roedores em áreas portuárias
Função atualCompanhia, cão familiar, obediência, truques e atividades recreativas
PortePequeno
AlturaMachos: 21–25 cm; fêmeas: 20–23 cm
Peso3–4 kg
Expectativa de vidaAproximadamente 12–15 anos
PelagemMuito longa, reta, sedosa, brilhante e sem subpelo
Cor no padrão FCIBranco puro; marfim-claro permitido; tons laranja muito pálidos tolerados, mas indesejáveis
Nível de energiaModerado
Queda de pelosMuito baixa
Adaptação a apartamentoExcelente
Experiência do tutorIniciante a intermediário, desde que aceite grooming e cuidados dentários frequentes

Aparência e características físicas

O Maltese é pequeno, mas o padrão FCI não descreve um cão corporalmente minúsculo ou extremamente compacto.

Na verdade, seu corpo é alongado.

O comprimento corporal deve superar a altura na cernelha em aproximadamente um terço. Essa proporção fica parcialmente escondida pela enorme quantidade de pelo e explica por que um Maltese em pelagem completa pode parecer quase quadrado quando observado rapidamente. FCI

A cabeça é relativamente larga.

O stop é nitidamente marcado.

A trufa deve ser absolutamente preta, volumosa e com narinas abertas.

Os lábios também possuem pigmentação preta, criando aquele contraste extremamente característico entre:

pelagem branca;

nariz negro;

contorno ocular escuro.

FCI

Os olhos são maiores do que se poderia esperar para a dimensão da cabeça, de tonalidade ocre escura e com expressão viva e atenta. O padrão determina pigmentação preta nas bordas das pálpebras e ausência de branco ocular visível quando o cão olha para frente. FCI

As orelhas são aproximadamente triangulares, de inserção alta e ficam pendentes próximas às laterais da cabeça.

A cauda possui inserção alinhada à garupa e forma uma grande curva sobre o dorso, com pelagem muito longa caindo para um dos lados. FCI

A movimentação deve ser extremamente característica.

A FCI descreve um trote:

uniforme;

livre;

rasante;

com passos curtos;

e muito rápidos.

Quando a pelagem está completa, essa movimentação pode produzir quase uma ilusão óptica: parece que o cão desliza sobre o chão enquanto o manto permanece relativamente estável. FCI

Mas nada define tanto o Maltese quanto a pelagem.

O padrão pede pelo:

denso;

brilhante;

lustroso;

muito longo;

pesado;

sedoso;

completamente reto.

Não deve apresentar ondas ou cachos. FCI

No tronco, o pelo ideal é mais comprido que a própria altura do cachorro e cai até o chão como uma capa.

E existe uma característica fundamental:

não há subpelo. FCI

Isso explica tanto a textura quanto a baixa queda.

A cor ideal é branco puro.

Um leve tom marfim é permitido.

Tons laranja muito claros podem ser tolerados, mas são considerados indesejáveis. Outras cores não fazem parte do padrão. FCI

O resultado é um cachorro cuja aparência depende enormemente de três contrastes:

branco intenso;

pigmentação preta;

movimento leve.

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Tutor indicado

  • mora em apartamento;
  • procura um cão pequeno;
  • deseja forte vínculo com o tutor;
  • prefere necessidade moderada de exercício;
  • gosta de cães inteligentes e treináveis;
  • deseja baixa queda de pelos;
  • trabalha em casa ou passa bastante tempo com o cão;
  • quer um companheiro para idosos ativos;
  • possui crianças maiores e cuidadosas;
  • aceita grooming frequente;
  • consegue manter higiene dental diária;
  • gosta de ensinar truques;
  • deseja um cachorro que viaje facilmente;
  • procura uma raça de companhia com enorme tradição histórica.

Tutor não indicado

  • deixa o cão sozinho por muitas horas todos os dias;
  • não quer escovar ou levar ao groomer;
  • não pretende cuidar dos dentes;
  • possui crianças muito pequenas e extremamente agitadas sem possibilidade de supervisão;
  • deseja um cão robusto para brincadeiras corporais intensas;
  • procura um verdadeiro cão de guarda;
  • não tolera latidos de alerta;
  • quer uma raça completamente independente;
  • pretende mantê-lo permanentemente no quintal;
  • acredita que cães pequenos não precisam de treinamento;
  • procura um animal sem custos periódicos de grooming;
  • escolheu a raça apenas porque “não solta pelo”.

Em resumo

O Maltese é um pequeno paradoxo histórico.

Hoje ele vive no sofá.

Mas seus ancestrais talvez corressem atrás de ratos em portos.

Hoje sua pelagem chega ao chão.

Mas sua história atravessa navios.

Hoje é símbolo de delicadeza.

Mas conseguiu sobreviver a mais de dois mil anos de mudanças políticas, culturais e sociais no Mediterrâneo e na Europa.

Aristóteles conheceu pequenos cães semelhantes.

Romanos os mantiveram como companheiros.

Artistas do Renascimento os colocaram ao lado da aristocracia.

A cinofilia moderna transformou essa tradição num padrão extremamente preciso:

3 a 4 kg.

Branco.

Sedoso.

Sem subpelo.

Inteligente.

Afetuoso.

FCI

É fácil olhar para um Maltese e enxergar apenas a superfície.

Um cachorro pequeno.

Branco.

Bonito.

Mas talvez a característica realmente extraordinária da raça seja outra.

Pouquíssimos cães conseguiram permanecer relevantes para seres humanos durante tanto tempo fazendo algo aparentemente tão simples:

companhia.

Nós mudamos de navios para aviões.

De Roma para apartamentos.

De pinturas a fotografias.

O trabalho dele permaneceu quase intacto.

Ficar perto.

Talvez seja por isso que, depois de tantos séculos, o Maltese ainda esteja exatamente onde sempre pareceu querer estar:

ao lado de alguém.

Avaliação editorial de compatibilidade
Apego ao tutor5/5
Adaptação a apartamento5/5
Nível de energia3/5
Necessidade de exercícios2/5
Inteligência5/5
Facilidade de treinamento4/5
Tolerância à solidão2/5
Convivência com crianças pequenas3/5
Convivência com crianças maiores5/5
Convivência com outros cães4/5
Convivência com gatos4/5
Convivência com pequenos animais3/5
Sociabilidade com desconhecidos4/5
Instinto de alerta4/5
Tendência a latir4/5
Queda de pelos1/5
Exigência de cuidados com a pelagem5/5
Tolerância ao calor4/5
Adequação para tutores iniciantes4/5
Custo geral de manutenção3/5
Fontes e links de verificação
PERSONALIDADE

Como essa raça tende a viver com pessoas.

A FCI usa quatro palavras particularmente úteis:

vivaz, afetuoso, muito calmo e muito inteligente. FCI

O Maltese não deveria ser um cachorro apático.

Também não deveria ser permanentemente nervoso.

Ele combina períodos de brincadeira e atividade com grande capacidade de permanecer próximo ao tutor sem exigir exercício físico intenso.

PetMD descreve a raça moderna como amistosa, carinhosa e profundamente ligada à família, podendo desenvolver dificuldade com períodos prolongados de solidão. PetMD

Esse vínculo é uma das maiores qualidades do Maltese.

E pode também virar um problema se ninguém ensinar independência gradualmente.

Um filhote carregado no colo o dia inteiro pode chegar à adolescência sem ter aprendido:

ficar sozinho;

dormir longe do tutor;

explorar por conta própria;

ou lidar com frustração.

Isso não é consequência inevitável da raça.

É manejo.

Outra característica frequentemente subestimada é vigilância.

Apesar do tamanho, muitos Maltese avisam rapidamente quando alguém se aproxima da casa. O AKC inclusive destaca que a raça pode funcionar muito bem como pequeno cão de alerta. American Kennel Club

Naturalmente, existe uma distância considerável entre:

avisar que alguém chegou

e

impedir fisicamente essa pessoa de entrar.

O Maltese cobre brilhantemente a primeira função.

A segunda talvez precise de um departamento de segurança um pouco maior.

Convivência com crianças

O Maltese pode ser extremamente afetuoso com crianças.

O maior risco, porém, não é necessariamente o cachorro machucar a criança.

É o contrário.

Com apenas 3–4 kg e ossatura pequena, uma queda, pisada, abraço forte ou brincadeira brusca pode provocar trauma.

PetMD recomenda especial cuidado com crianças pequenas e considera a raça particularmente adequada a famílias com crianças maiores, capazes de compreender como interagir delicadamente com um animal pequeno. PetMD

Isso não significa que uma família com criança pequena não possa ter Maltese.

Significa que precisa existir:

supervisão;

educação;

ambientes seguros;

controle de manuseio.

A criança deve aprender a não:

  • levantar o cachorro sem ajuda;
  • deixá-lo cair de sofá ou cama;
  • apertá-lo;
  • persegui-lo;
  • incomodá-lo durante refeições;
  • puxar a pelagem;
  • impedir que ele se afaste.

O tamanho que facilita a vida urbana também aumenta a responsabilidade de protegê-lo contra acidentes.

Convivência com outros animais

O Maltese geralmente consegue conviver muito bem com outros cães e gatos quando socializado adequadamente.

Seu histórico moderno é predominantemente de companhia, e não existe seleção recente para confronto ou predação intensa.

Mas existe uma curiosidade histórica que merece ser lembrada.

A própria FCI registra que seus ancestrais trabalhavam controlando ratos e camundongos em ambientes portuários. FCI

Isso não transforma o Maltese moderno num terrier.

Mas também não significa que todo indivíduo ficará completamente indiferente a um pequeno roedor correndo pelo chão.

Com:

hamsters;

ratos;

gerbilos;

aves pequenas;

outros animais frágeis,

supervisão continua apropriada.

Outro cuidado importante envolve cães grandes.

Um Maltese sociável pode perfeitamente acreditar que possui tamanho equivalente ao de um Labrador.

O Labrador talvez não tenha recebido essa informação.

Brincadeiras entre cães de massas corporais muito diferentes precisam ser monitoradas para evitar acidentes.

Apartamento e espaço

Aqui o Maltese está praticamente em seu habitat moderno ideal.

Seu tamanho é extremamente adequado a apartamentos.

A necessidade física de exercício é relativamente baixa.

Ele gosta de permanecer próximo às pessoas.

E não precisa de quintal para viver bem.

PetMD observa que a raça precisa de atividade diária, mas não de exercício vigoroso: pequenas caminhadas, brincadeiras dentro de casa e treinamento costumam atender muito bem muitos adultos. PetMD

O problema urbano mais comum provavelmente não será falta de espaço.

Será:

latido e solidão.

Um Maltese entediado ou deixado sozinho por longos períodos pode aumentar vocalização e desenvolver comportamentos relacionados à ansiedade. PetMD

Portanto, apartamentos funcionam muito bem quando existe:

rotina;

companhia;

enriquecimento;

treinamento;

e alguma atividade diária.

Um estúdio de 30 m² com boa rotina pode funcionar melhor que uma casa enorme onde o cachorro fica sozinho durante dez horas.

CUIDADOS

O trabalho cotidiano que precisa caber na sua vida.

Este é o ponto em que a aparência luxuosa envia a conta.

Um Maltese em pelagem longa exige bastante manutenção.

PetMD e AKC recomendam escovação e penteado diários para evitar nós e emaranhados. O pelo deve ser separado até a pele, especialmente em regiões de atrito. PetMD

As áreas mais problemáticas costumam incluir:

atrás das orelhas;

axilas;

peito;

virilha;

pernas;

região onde coleira ou peitoral encostam.

O padrão FCI descreve uma pelagem sem subpelo e totalmente reta. FCI

Isso reduz bastante a queda de pelos.

Mas não elimina grooming.

Na verdade, parte do pelo solto tende a permanecer preso na própria pelagem e precisa ser removida pelo pente.

Muitos tutores que não participam de exposições optam por manter o Maltese numa tosa curta de manutenção.

Isso não corresponde à apresentação tradicional de exposição, mas pode facilitar enormemente a rotina doméstica.

Mesmo curto, porém, o pelo continua precisando de escovação e banhos regulares.

Os olhos merecem atenção porque o branco torna manchas lacrimais muito visíveis. PetMD recomenda que secreção ou manchamento excessivo sejam avaliados por veterinário, pois podem indicar problemas além da estética. PetMD

E então chegamos ao item que talvez seja ainda mais importante que o pelo:

dentes.

O Maltese, como outras raças toy, possui risco elevado de doença periodontal. Escovação dental diária é recomendada por PetMD e AKC. PetMD

Se o futuro tutor dedica vinte minutos ao topete e zero segundos aos dentes, as prioridades estão invertidas.

Exercícios e atividades

Um Maltese possui energia.

Só não precisa gastá-la em escala industrial.

PetMD recomenda atividade diária, mas deixa claro que a raça não exige exercício vigoroso. Caminhadas pela vizinhança, brincadeiras em casa e aprendizado de truques são boas opções. PetMD

Atividades adequadas incluem:

  • pequenas caminhadas;
  • brincadeiras de busca;
  • treinamento de truques;
  • obediência;
  • agility adaptado ao porte;
  • brinquedos interativos;
  • atividades de faro;
  • pequenas sessões de treinamento várias vezes ao dia.

A regra mais importante é respeitar o tamanho.

Um cachorro de três quilos não deveria ser submetido ao mesmo impacto mecânico que um cão de trinta.

Saltos repetidos de camas e sofás altos também podem representar risco maior que uma caminhada longa no chão.

Para muitos Maltese, duas ou três pequenas sessões de atividade espalhadas pelo dia funcionam melhor que uma única sessão exaustiva.

Alimentação

Quatro quilos mudam completamente a escala.

Um petisco que parece pequeno para uma pessoa pode representar uma fração considerável das calorias diárias de um Maltese.

PetMD alerta para predisposição ao ganho de peso e recomenda controle de porções e manutenção de condição corporal adequada. PetMD

Adultos normalmente podem receber duas refeições medidas por dia.

Filhotes muito jovens exigem atenção maior.

Devido ao tamanho, podem apresentar maior risco de hipoglicemia, especialmente quando passam muitas horas sem comer. PetMD recomenda pequenas refeições três ou quatro vezes ao dia nos primeiros meses, com redução gradual da frequência conforme o filhote amadurece. PetMD

A comida deve ser adequada à idade e ao porte.

Não existe necessidade de dieta exótica.

O importante é:

nutrição completa;

quantidade correta;

regularidade;

peso saudável.

O tutor também precisa lembrar que petiscos utilizados durante treinamento entram na conta.

Num cachorro de 3 kg, quinze pequenas recompensas podem ser metabolicamente muito menos “pequenas” do que parecem.

SAÚDE

Predisposição não é destino, mas precisa entrar na escolha.

O Maltese costuma ser uma raça longeva e globalmente saudável, mas existem algumas condições suficientemente importantes para fazer parte de programas formais de triagem.

O clube nacional reconhecido pelo AKC recomenda três avaliações principais para reprodutores:

patelas;

exame cardíaco;

ácidos biliares séricos. American Kennel Club

A luxação patelar ocorre quando a patela sai de sua posição normal no joelho. Em casos leves, o cachorro pode ocasionalmente levantar uma perna durante alguns passos. Casos mais severos podem favorecer dor, artrite e outras lesões do joelho. PetMD

Por isso, avaliação de patelas antes da reprodução é importante.

Outro problema acompanhado é o ducto arterioso persistente — PDA.

Durante a vida fetal existe uma comunicação normal entre grandes vasos do coração que deveria fechar-se depois do nascimento. Quando ela permanece aberta, parte do fluxo sanguíneo segue um caminho anormal e pode sobrecarregar progressivamente o coração. PetMD

O exame cardíaco recomendado pelo clube procura justamente reduzir a reprodução de indivíduos com alterações relevantes. American Kennel Club

O terceiro eixo é particularmente importante no Maltese:

fígado.

O American Maltese Association recomenda teste de ácidos biliares em filhotes para ajudar a identificar problemas congênitos como shunt portossistêmico e alterações microvasculares hepáticas. AKC Images

Num shunt, parte do sangue desvia do fígado e deixa de passar adequadamente pelo sistema responsável por metabolizar nutrientes e remover substâncias do organismo. Filhotes afetados podem apresentar crescimento inadequado e sinais neurológicos, entre outros problemas. PetMD

A associação norte-americana também registra ocorrência de encefalites inflamatórias, especialmente GME e NME, na raça. Não existe atualmente um teste simples de triagem comparável ao exame de patela ou ao teste de ácidos biliares, por isso sinais neurológicos devem receber avaliação veterinária rápida. AKC Images

E existe um problema muito menos dramático, porém extremamente comum:

doença periodontal.

Bocas pequenas significam dentes muito próximos uns dos outros.

Placa.

Tártaro.

Inflamação gengival.

Perda dentária.

PetMD coloca o Maltese entre os cães com risco elevado de doença periodontal e recomenda escovação diária e acompanhamento odontológico veterinário. PetMD

O AKC também lista algumas variantes genéticas que já foram identificadas na raça, como glicogenose tipo Ia e fatores ligados a condrodisplasia/condrodistrofia, mas essas listas de testes disponíveis não significam que todas essas doenças tenham alta prevalência populacional. American Kennel Club

Por isso, ao escolher um criador, pergunte principalmente por aquilo que o clube da raça realmente recomenda:

patelas;

coração;

ácidos biliares.

E peça documentos.

“Os pais nunca ficaram doentes” não substitui exame.

TREINAMENTO

Inteligência sem rotina também produz problemas.

O Maltese é inteligente.

Isso é oficial, não apenas elogio de tutor apaixonado.

A própria FCI o classifica como muito inteligente, e PetMD observa que costuma aprender rapidamente quando o treinamento utiliza reforço positivo. FCI

Sessões curtas funcionam muito bem.

Elogios.

Petiscos pequenos.

Brinquedos.

Contato social.

Tudo pode servir como recompensa.

Existe, porém, uma armadilha comum em cães pequenos.

Comportamentos que seriam imediatamente corrigidos num cão grande às vezes são considerados engraçados porque o cachorro pesa três quilos.

Latir para visitas.

Rosnar quando alguém se aproxima.

Exigir colo.

Recusar-se a caminhar.

Ignorar comandos.

Num cão minúsculo, as consequências físicas são menores.

Mas o comportamento continua existindo.

O Maltese merece ser educado como cachorro.

Não tratado como objeto decorativo.

Algumas prioridades incluem:

recall;

andar na guia;

ficar sozinho gradualmente;

aceitar manipulação;

higiene dental;

escovação;

controle de latidos;

relaxamento;

socialização com pessoas e cães.

Quanto mais cedo grooming e manipulação corporal forem apresentados como experiências positivas, mais fácil será toda a vida do cachorro.

GALERIA

Conheça diferentes expressões da raça.

Pontos positivos

  • mora em apartamento;
  • procura um cão pequeno;
  • deseja forte vínculo com o tutor;
  • prefere necessidade moderada de exercício;
  • gosta de cães inteligentes e treináveis;
  • deseja baixa queda de pelos;
  • trabalha em casa ou passa bastante tempo com o cão;
  • quer um companheiro para idosos ativos;
  • possui crianças maiores e cuidadosas;
  • aceita grooming frequente;
  • consegue manter higiene dental diária;
  • gosta de ensinar truques;
  • deseja um cachorro que viaje facilmente;
  • procura uma raça de companhia com enorme tradição histórica.

Pontos de atenção

  • deixa o cão sozinho por muitas horas todos os dias;
  • não quer escovar ou levar ao groomer;
  • não pretende cuidar dos dentes;
  • possui crianças muito pequenas e extremamente agitadas sem possibilidade de supervisão;
  • deseja um cão robusto para brincadeiras corporais intensas;
  • procura um verdadeiro cão de guarda;
  • não tolera latidos de alerta;
  • quer uma raça completamente independente;
  • pretende mantê-lo permanentemente no quintal;
  • acredita que cães pequenos não precisam de treinamento;
  • procura um animal sem custos periódicos de grooming;
  • escolheu a raça apenas porque “não solta pelo”.