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PERFIL COMPLETO DA RAÇA

Boiadeiro Bernês

O gigante tricolor que carregava a fazenda inteira nas costas

Origem: Suíça

Ele parece ter sido desenhado para uma fotografia diante da neve. A pelagem preta, branca e castanha forma uma composição quase perfeita. O peito largo transmite força, enquanto os olhos escuros e a expressão gentil fazem o Boiadeiro Bernês parecer um gigante incapaz de guardar qualquer ressentimento.

Cão adulto da raça Boiadeiro Bernês em pé sobre a grama, com corpo grande e robusto, pelagem longa preta, marcações castanho-avermelhadas e áreas brancas no focinho, peito e patas.
EnergiaModerada
PorteGrande
PelagemLonga
Expectativa de vidaAproximadamente 7 a 10 anos, com média atual próxima de 8 anos em bases especializadas
SOBRE A RAÇA

Uma história selecionada para uma função.

Ele parece ter sido desenhado para uma fotografia diante da neve.

A pelagem preta, branca e castanha forma uma composição quase perfeita. O peito largo transmite força, enquanto os olhos escuros e a expressão gentil fazem o Boiadeiro Bernês parecer um gigante incapaz de guardar qualquer ressentimento.

Mas aquela aparência não nasceu apenas para ser admirada.

Durante gerações, cães desse tipo trabalharam nas propriedades rurais do cantão de Berna, na Suíça. Conduziam bovinos, vigiavam fazendas e puxavam carroças carregadas com leite, queijo e outros produtos. Precisavam ter força para mover peso, estabilidade para conviver com animais e pessoas e inteligência suficiente para alternar trabalho e tranquilidade.

O Boiadeiro Bernês moderno preservou grande parte dessa combinação.

Pode ser afetuoso, paciente e profundamente ligado à família. Entretanto, continua sendo um cão grande, pesado, de crescimento lento e vulnerável ao calor. Também pertence a uma raça marcada por importantes desafios de saúde e por uma expectativa de vida infelizmente curta.

Conviver com um Bernês significa receber uma quantidade enorme de carinho.

Também significa aceitar que o tempo ao lado dele pode ser menor do que deveria.

História e origem

O Boiadeiro Bernês pertence à família dos quatro boiadeiros suíços.

O grupo também inclui:

  • Grande Boiadeiro Suíço;
  • Boiadeiro de Appenzell;
  • Boiadeiro de Entlebuch.

Entre eles, o Bernês é o único com pelagem longa.

Seus ancestrais viveram nas áreas pré-alpinas e nas regiões rurais do cantão de Berna, onde atuavam como cães de fazenda de múltiplas funções.

O padrão oficial registra três trabalhos principais:

  • vigiar propriedades;
  • puxar carroças;
  • conduzir bovinos.

Esses cães não eram especialistas em uma única tarefa. Precisavam adaptar-se às diferentes necessidades do agricultor, permanecendo próximos da família quando o trabalho terminava. FCI

A função de tração possuía grande importância.

Pequenos produtores utilizavam cães fortes para transportar leite, queijo, ferramentas e mercadorias em carroças leves. O animal precisava caminhar de maneira equilibrada, controlar o próprio impulso e permanecer tranquilo diante de pessoas, animais e movimento.

A condução de bovinos exigia outro conjunto de capacidades.

Um cão muito tímido não conseguiria influenciar animais centenas de quilos mais pesados. Um cão excessivamente agressivo poderia ferir o rebanho ou provocar pânico.

O trabalhador ideal precisava reunir:

  • coragem;
  • autocontrole;
  • força;
  • resistência;
  • inteligência;
  • estabilidade emocional;
  • ligação com o condutor.

A guarda da fazenda completava o conjunto.

O cão precisava perceber pessoas aproximando-se e comunicar alterações sem transformar a propriedade em um espaço permanentemente hostil.

Essas funções ajudam a explicar o temperamento esperado atualmente: atento, vigilante, seguro, afetuoso com a família e relativamente tranquilo diante de desconhecidos. FCI

Antes de receber o nome moderno, a raça era conhecida como Dürrbächler.

O nome derivava de Dürrbach, pequena localidade próxima de Riggisberg, no cantão de Berna, onde cães tricolores de pelo longo eram particularmente numerosos. A região possuía inclusive uma hospedaria ligada ao nome que se tornou associado ao tipo. FCI

No início do século XX, os cães começaram a aparecer em exposições suíças.

Exemplares foram apresentados em 1902, 1904 e 1907. Nesse último ano, criadores da região de Burgdorf fundaram o Schweizerischer Dürrbach-Klub, estabeleceram características da raça e começaram a organizar sua criação de maneira mais sistemática.

Em uma exposição realizada em Burgdorf em 1910, agricultores levaram 107 exemplares, demonstrando que a população rural ainda era considerável naquele período. FCI

A partir dessa organização, o nome Bernese Mountain Dog — ou Berner Sennenhund — passou a substituir gradualmente Dürrbächler.

A raça ganhou popularidade na Suíça, depois nas regiões vizinhas da Alemanha e posteriormente em outros países.

A beleza tricolor ajudou na expansão, mas também começou a modificar a maneira como o cão era selecionado.

Quando uma raça de trabalho entra no circuito de exposições, existe o risco de suas características visuais passarem a receber mais atenção do que:

  • saúde;
  • longevidade;
  • movimentação;
  • temperamento;
  • capacidade funcional.

No caso do Bernês, essa preocupação é especialmente importante porque a raça enfrenta expectativa de vida reduzida e incidência significativa de doenças graves.

Preservar a aparência sem melhorar saúde e longevidade seria conservar apenas a parte mais superficial de sua história.

A utilização moderna como cão familiar ganhou força porque o Bernês costuma combinar tamanho imponente com comportamento gentil.

O padrão da FCI descreve um cão:

  • autoconfiante;
  • atento;
  • vigilante;
  • destemido em situações cotidianas;
  • bem-humorado;
  • dedicado à família;
  • seguro e tranquilo diante de desconhecidos;
  • dócil.

Essa descrição não garante que todos os indivíduos serão iguais. Temperamento depende também de genética, socialização, criação e experiências. Entretanto, mostra que agressividade indiscriminada, medo excessivo e ansiedade não devem ser tratados como características normais da raça. FCI

Atualmente, o Boiadeiro Bernês pode participar de:

  • tração de carroças;
  • obediência;
  • rally;
  • busca e salvamento;
  • rastreamento;
  • trabalho terapêutico;
  • pastoreio recreativo;
  • caminhadas;
  • atividades familiares;
  • exposições.

A tração continua sendo uma das maneiras mais diretas de preservar sua função original.

O cão aprende a utilizar um arreio adequado, caminhar de maneira controlada e puxar equipamentos compatíveis com seu tamanho e condicionamento.

Esse trabalho não deve ser iniciado com filhotes nem improvisado com pesos excessivos.

A estrutura musculoesquelética precisa estar desenvolvida, e o treinamento deve começar com equipamentos leves, orientação profissional e avaliações ortopédicas.

O Boiadeiro Bernês deixou de ser indispensável para o transporte de leite pelas vilas suíças.

Mas continua carregando no corpo a memória de um cão que precisava estar preparado para ajudar em praticamente qualquer tarefa da fazenda.

Peso típicoAproximadamente 35 a 55 kg, conforme sexo, altura e estrutura
AlturaMachos: 64 a 70 cm; fêmeas: 58 a 66 cm
Função históricaGrupo 2 — Pinschers, Schnauzers, Molossoides e Boiadeiros Suíços; Seção 3 — Boiadeiros Suíços
Confiança dos dadosAlta
Ficha rápida completa
Nome oficialBoiadeiro Bernês
ApelidosBernese Mountain Dog, Bernese, Berner Sennenhund, Berner, Dürrbächler, Boiadeiro de Berna
País de origemSuíça
Grupo FCIGrupo 2 — Pinschers, Schnauzers, Molossoides e Boiadeiros Suíços; Seção 3 — Boiadeiros Suíços
Função originalGuarda de fazendas, tração de carroças e condução de bovinos
Função atualCompanhia, tração esportiva, obediência, busca, terapia, rastreamento, pastoreio recreativo e atividades de trabalho
PorteGrande
AlturaMachos: 64 a 70 cm; fêmeas: 58 a 66 cm
PesoAproximadamente 35 a 55 kg, conforme sexo, altura e estrutura
Expectativa de vidaAproximadamente 7 a 10 anos, com média atual próxima de 8 anos em bases especializadas
PelagemLonga, brilhante, lisa ou ligeiramente ondulada, com cobertura densa
Cor no padrão FCITricolor: preto intenso, marcações castanho-avermelhadas e áreas brancas características
Nível de energiaModerado
Queda de pelosAlta, principalmente durante as trocas sazonais
Adaptação a apartamentoBaixa a moderada, dependendo do espaço, da temperatura, do acesso externo e da rotina
Experiência do tutorIniciante muito preparado ou tutor experiente com cães grandes

Aparência e características físicas

O Boiadeiro Bernês é um cão grande, forte e substancial.

Apesar do volume, não deve parecer lento, desajeitado ou excessivamente pesado.

A FCI descreve um trabalhador ágil, harmonioso e equilibrado, com membros robustos e corpo discretamente mais comprido do que alto.

A proporção ideal entre altura e comprimento é de aproximadamente 9 para 10. O cão deve parecer compacto, e não alongado. FCI

Os machos medem entre 64 e 70 centímetros, com faixa ideal de 66 a 68 centímetros.

As fêmeas medem entre 58 e 66 centímetros, com faixa ideal de 60 a 63 centímetros. FCI

A FCI não estabelece peso.

Na prática, adultos podem variar aproximadamente entre 35 e 55 quilos, de acordo com sexo, altura, estrutura, musculatura e linhagem.

O número na balança não deve ser utilizado isoladamente.

Um Bernês em boa condição apresenta:

  • costelas palpáveis;
  • cintura identificável;
  • musculatura;
  • facilidade para levantar;
  • movimentação livre;
  • ausência de acúmulo excessivo de gordura.

A pelagem longa pode esconder obesidade. Por isso, a avaliação com as mãos é indispensável.

A cabeça é forte, mas proporcional ao corpo.

Não deve parecer exageradamente pesada ou semelhante à cabeça de um mastim extremo.

O crânio é discretamente arredondado, com sulco frontal pouco marcado. A transição entre testa e focinho é definida, mas não abrupta.

O focinho possui comprimento médio, é forte e apresenta linha nasal reta.

O nariz é sempre preto.

Os lábios são ajustados e pigmentados, reduzindo a tendência a salivação excessiva encontrada em molossoides de pele muito solta. FCI

As mandíbulas são fortes.

A mordedura preferida é em tesoura, embora o padrão também aceite mordedura em pinça.

Os olhos são castanho-escuros, amendoados e protegidos por pálpebras bem ajustadas.

Não devem ficar excessivamente profundos nem salientes. Pálpebras frouxas são consideradas incorretas, e entrópio ou ectrópio desqualificam o cão no padrão da FCI. FCI

A expressão esperada é gentil, atenta e segura.

Olhos azuis não fazem parte do padrão.

As orelhas são médias, triangulares, inseridas altas e ligeiramente arredondadas nas extremidades.

Em repouso, permanecem próximas da cabeça. Quando o cão fica atento, a base posterior se eleva discretamente, enquanto a borda dianteira continua junto ao crânio. FCI

O pescoço é forte, musculoso e de comprimento médio.

O peito é amplo e profundo, alcançando os cotovelos. A parte frontal do tórax é desenvolvida, e as costelas formam uma seção oval relativamente larga.

O dorso deve permanecer:

  • firme;
  • reto;
  • nivelado.

A região lombar é larga e forte, enquanto a garupa apresenta arredondamento suave. FCI

As pernas possuem ossatura forte.

Os membros dianteiros são retos, paralelos e relativamente afastados.

Os ombros são longos, musculosos e inclinados, permitindo alcance durante a movimentação.

Os pés são curtos, arredondados e compactos, com dedos unidos e arqueados.

Os membros traseiros devem permanecer retos e paralelos quando vistos por trás.

As coxas são longas, largas e musculosas. Os joelhos apresentam angulação evidente, e os jarretes são fortes.

A movimentação precisa ser equilibrada e cobrir terreno.

O cão deve alcançar bem à frente com as pernas anteriores e produzir impulso com os membros traseiros, mantendo os membros alinhados durante o trote. FCI

Um Bernês que se movimenta com rigidez, dor ou instabilidade não deve ser considerado típico apenas porque possui cabeça bonita e marcações simétricas.

A funcionalidade vem antes da decoração.

A cauda é longa e muito peluda.

Alcança pelo menos os jarretes e permanece pendente quando o cão está parado.

Durante o movimento, pode ser conduzida na linha do dorso ou discretamente acima, mas não deve enrolar-se sobre as costas. FCI

A pelagem é longa, brilhante, lisa ou ligeiramente ondulada.

Ondas suaves são permitidas. Cachos bem definidos não correspondem ao padrão.

A cor é obrigatoriamente tricolor.

A base precisa ser preta intensa.

As marcações castanho-avermelhadas aparecem:

  • nas bochechas;
  • acima dos olhos;
  • nas quatro pernas;
  • no peito.

As áreas brancas características incluem:

  • uma faixa simétrica sobre a cabeça;
  • branco ao redor do focinho;
  • marcação contínua na garganta e no peito.

Pés brancos e ponta branca na cauda são desejáveis, mas não obrigatórios. Pequena mancha branca na nuca e pequena área branca próxima à região anal podem ser toleradas dentro dos limites definidos pelo padrão.

A simetria das marcações contribui para a expressão visual, mas saúde e temperamento precisam sempre receber prioridade.

Um filhote com desenho de cabeça perfeitamente centralizado não é automaticamente melhor do que um irmão com marcação discreta e histórico de saúde mais favorável.

A FCI desqualifica cães com cor principal diferente do preto ou pelagem que não seja tricolor. FCI

Tutor indicado

  • procura um cão muito afetuoso;
  • possui espaço para um animal grande;
  • vive em ambiente fresco ou climatizado;
  • deseja um companheiro familiar;
  • possui crianças respeitosas;
  • gosta de caminhadas moderadas;
  • aprecia atividades de tração e faro;
  • consegue escovar o cão várias vezes por semana;
  • aceita grande quantidade de pelos;
  • utiliza treinamento positivo;
  • consegue controlar rigorosamente o peso;
  • dispõe de recursos para cuidados veterinários;
  • aceita investigar profundamente a linhagem;
  • oferece participação na vida familiar;
  • consegue transportar um cão pesado em emergências;
  • possui pisos com boa aderência;
  • entende que a raça amadurece lentamente;
  • aceita o risco de uma expectativa de vida curta.

Tutor não indicado

  • vive em ambiente muito quente sem climatização;
  • deseja um cão de baixa queda de pelos;
  • possui espaço interno muito reduzido;
  • passa longos períodos fora de casa;
  • procura um parceiro para corridas intensas;
  • não consegue controlar a alimentação;
  • não pretende realizar exames preventivos;
  • não possui orçamento para tratamentos complexos;
  • não consegue transportar um cão de mais de 40 quilos;
  • possui muitas escadas;
  • não aceita escovação frequente;
  • deseja um cão de guarda agressivo;
  • utiliza punições físicas;
  • procura uma raça de grande longevidade;
  • escolhe apenas pela beleza tricolor;
  • não pretende investigar câncer e longevidade na linhagem;
  • deixa o cão permanentemente no quintal;
  • não está emocionalmente preparado para os riscos de saúde da raça.

Em resumo

O Boiadeiro Bernês nasceu em um ambiente no qual um cão precisava realizar quase tudo.

Vigiava a propriedade, conduzia bovinos e puxava carroças.

Quando o trabalho terminava, permanecia próximo das pessoas.

Essa combinação produziu um animal forte sem precisar ser agressivo, vigilante sem viver permanentemente em confronto e grande sem perder a capacidade de conviver de maneira delicada com a família.

Sua beleza ajudou a torná-lo conhecido no mundo inteiro.

O preto intenso, as marcações castanhas e o branco simétrico criam uma das aparências mais reconhecíveis entre todas as raças.

Entretanto, a beleza não pode esconder o problema central.

O Boiadeiro Bernês possui expectativa de vida curta e risco elevado de doenças graves, principalmente cânceres, além de alterações ortopédicas, neurológicas e cardíacas.

Escolher um filhote exige muito mais do que observar uma fotografia.

É necessário investigar:

  • pais;
  • irmãos;
  • avós;
  • longevidade;
  • causas de morte;
  • testes;
  • diversidade;
  • transparência do criador.

Dentro de casa, o Bernês costuma ser um companheiro extraordinário.

É paciente, carinhoso e capaz de construir uma ligação profunda com a família. Pode conviver muito bem com crianças e outros animais, desde que sua força e seu tamanho sejam respeitados.

Precisa de escovação, pisos seguros, controle de peso e proteção absoluta contra o calor.

Não é uma raça barata, prática ou longeva.

Mas oferece algo difícil de explicar para quem nunca conviveu com um.

O Boiadeiro Bernês parece carregar uma calma enorme dentro de um corpo ainda maior.

E talvez seja justamente por isso que sua vida curta pareça tão injusta.

Ele foi criado para puxar carroças.

Hoje, frequentemente termina carregando o coração inteiro da família.

Avaliação editorial de compatibilidade
Apego ao tutor5/5
Adaptação a apartamento2/5
Nível de energia3/5
Necessidade de exercícios3/5
Inteligência4/5
Facilidade de treinamento4/5
Tolerância à solidão2/5
Convivência com crianças pequenas5/5
Convivência com crianças maiores5/5
Convivência com outros cães5/5
Convivência com gatos4/5
Convivência com pequenos animais3/5
Sociabilidade com desconhecidos4/5
Instinto de alerta4/5
Tendência a latir3/5
Queda de pelos5/5
Exigência de cuidados com a pelagem4/5
Tolerância ao calor1/5
Adequação para tutores iniciantes3/5
Custo geral de manutenção5/5
Fontes e links de verificação
PERSONALIDADE

Como essa raça tende a viver com pessoas.

O Boiadeiro Bernês é conhecido por seu comportamento afetuoso, equilibrado e ligado à família.

Muitos exemplares procuram acompanhar os moradores, permanecer próximos e participar da rotina.

Podem deitar-se aos pés das pessoas, seguir o tutor pelos cômodos e utilizar o corpo para pedir contato.

Apesar do tamanho, alguns parecem convencidos de que ainda cabem no colo.

A ligação com pessoas tem origem prática.

O cão trabalhava próximo dos agricultores e precisava viver dentro da dinâmica da fazenda. Não era um guardião completamente independente mantido distante do convívio humano.

O padrão descreve dedicação à família, docilidade e comportamento tranquilo diante de desconhecidos. FCI

Isso não significa que todo Bernês seja expansivo com qualquer pessoa.

Alguns observam antes de se aproximar. Outros podem ser mais reservados.

O comportamento adequado permite que o cão:

  • permaneça calmo;
  • avalie a situação;
  • aceite a orientação do tutor;
  • aproxime-se voluntariamente;
  • afaste-se quando desejar.

Timidez intensa, pânico ou agressividade não devem ser normalizados como instinto de guarda.

O Boiadeiro Bernês costuma amadurecer lentamente.

O corpo cresce com rapidez, mas a maturidade emocional pode demorar.

Um adolescente com 40 quilos ainda pode apresentar:

  • impulsividade;
  • saltos;
  • mordidas de brincadeira;
  • dificuldade para controlar o corpo;
  • distração;
  • entusiasmo excessivo;
  • comportamento infantil.

A família precisa continuar treinando mesmo depois que o cão parece fisicamente adulto.

O peso aumenta antes de o autocontrole estar completo.

A energia costuma ser moderada.

O Bernês não apresenta normalmente a intensidade constante de muitos cães policiais ou pastores de alta velocidade.

Entretanto, também não deve ser tratado como um animal sedentário.

Pode gostar de:

  • caminhadas;
  • neve e clima frio;
  • trilhas moderadas;
  • brincadeiras;
  • atividades de tração;
  • faro;
  • obediência;
  • tarefas junto da família.

O Royal Kennel Club utiliza até uma hora diária de exercício como referência e classifica a raça como adequada principalmente a uma casa grande, com manutenção da pelagem mais de uma vez por semana. Royal Kennel Club

A necessidade exata varia conforme idade, saúde e temperatura.

Um adulto jovem e saudável pode aproveitar uma rotina maior. Um cão idoso ou com alterações ortopédicas pode necessitar de sessões menores e fisioterapia.

O Bernês tende a responder bem ao treinamento positivo.

Pode ser sensível à voz e à reação emocional do tutor.

Punições severas podem produzir:

  • medo;
  • retraimento;
  • perda de confiança;
  • lentidão;
  • resistência;
  • comportamento defensivo.

A raça costuma cooperar melhor quando compreende o exercício e recebe recompensas claras.

A motivação pode incluir:

  • alimentos;
  • elogios;
  • contato;
  • brinquedos;
  • acesso a uma caminhada;
  • participação em tarefas.

O instinto de guarda geralmente é moderado.

O cão pode alertar sobre pessoas, veículos ou sons incomuns, mas não deve permanecer em estado contínuo de confronto.

Seu tamanho já produz forte efeito visual. Não existe necessidade de estimular agressividade.

Um Bernês bem equilibrado pode receber visitantes, permanecer em uma cama e observar a situação sem bloquear a casa.

A solidão pode ser difícil.

A forte ligação familiar faz com que muitos cães sofram quando permanecem isolados durante longos períodos.

O problema pode aparecer como:

  • vocalização;
  • destruição;
  • inquietação;
  • escavação;
  • tentativas de fuga;
  • perda de apetite;
  • dificuldade para relaxar.

O filhote precisa aprender independência de maneira gradual.

Isso inclui:

  • permanecer em uma cama distante;
  • aceitar barreiras;
  • descansar em outro cômodo;
  • ficar sozinho por períodos curtos;
  • receber atividades seguras durante ausências.

Um segundo cão pode oferecer companhia, mas não substitui treinamento nem presença humana.

Convivência com crianças

O Boiadeiro Bernês costuma apresentar excelente potencial de convivência com crianças.

Seu temperamento geralmente paciente, afetuoso e relativamente tranquilo pode transformar o cão em um companheiro familiar muito envolvido.

Entretanto, o tamanho altera completamente a avaliação de segurança.

Um Bernês adulto pode pesar mais de 50 quilos.

Mesmo sem qualquer agressividade, pode derrubar uma criança ao:

  • virar o corpo;
  • correr;
  • saltar;
  • encostar;
  • puxar a guia;
  • disputar um brinquedo.

A supervisão é indispensável.

Crianças precisam aprender a:

  • não montar sobre o cão;
  • não puxar a pelagem;
  • não abraçar contra a vontade;
  • não deitar sobre seu corpo;
  • não incomodar durante o sono;
  • não tocar enquanto ele come;
  • não retirar objetos diretamente da boca;
  • não entrar em sua cama;
  • não abrir portas ou portões;
  • não conduzi-lo sozinhas.

O cão precisa possuir um local protegido para descanso.

Quando ele se afasta, a interação deve terminar.

O Bernês também precisa aprender a:

  • manter as quatro patas no chão;
  • controlar o corpo;
  • esperar diante de portas;
  • caminhar sem puxar;
  • soltar objetos;
  • ir para uma cama;
  • permanecer tranquilo durante refeições;
  • interromper brincadeiras.

Crianças maiores podem participar de atividades estruturadas:

  • esconder brinquedos;
  • praticar comandos simples;
  • auxiliar na escovação sob supervisão;
  • caminhar junto de um adulto;
  • preparar jogos de faro;
  • ajudar em tarefas de tração leve, quando o cão estiver preparado.

A responsabilidade principal continua sendo do adulto.

A reputação de “gigante gentil” não elimina limites individuais, dor, medo ou possibilidade de acidentes.

Compatibilidade com crianças pequenas: muito boa, com supervisão rigorosa

Compatibilidade com crianças maiores e respeitosas: excelente

Convivência com outros animais

O Boiadeiro Bernês costuma apresentar boa convivência com outros cães.

Sua função histórica exigia presença próxima de animais de fazenda e capacidade para circular sem provocar conflitos desnecessários.

Muitos exemplares são sociáveis, tolerantes e interessados em companhia.

A convivência, porém, depende de:

  • genética;
  • socialização;
  • sexo;
  • idade;
  • experiências;
  • administração dos recursos.

As apresentações devem ocorrer gradualmente.

Caminhadas paralelas em ambiente neutro ajudam a reduzir tensão.

Dentro da residência, é prudente separar inicialmente:

  • refeições;
  • ossos;
  • brinquedos de alto valor;
  • camas;
  • períodos sem supervisão.

O tamanho precisa ser considerado durante brincadeiras.

Mesmo um Bernês gentil pode machucar um cão pequeno por colisão, queda ou uso do corpo.

A convivência com gatos costuma ser possível, especialmente quando começa cedo.

O cão pode aceitar o felino como integrante da família e compartilhar ambientes de maneira tranquila.

O gato precisa possuir:

  • locais elevados;
  • rotas de fuga;
  • alimentação protegida;
  • caixa sanitária inacessível;
  • espaços de descanso.

O Bernês não costuma apresentar o mesmo impulso predatório de terriers ou alguns sabujos, mas diferenças individuais existem.

Um gato correndo pode despertar perseguição em um cão jovem.

Animais de produção também podem ser aceitos, mas instinto e habilidade não são a mesma coisa.

O cão precisa ser introduzido a bovinos, ovelhas, aves e cavalos com:

  • guia;
  • distância;
  • supervisão;
  • treinamento.

Seu tamanho pode assustar ou ferir animais menores mesmo sem intenção.

Roedores e aves domésticas devem permanecer em recintos seguros.

Apartamento e espaço

O Boiadeiro Bernês pode viver em apartamento apenas quando existe uma combinação muito favorável de espaço, climatização, acesso externo e rotina.

O problema não é exclusivamente energia.

É um cão grande, comprido, pesado e coberto por uma pelagem volumosa.

Dentro de uma residência pequena, precisa de espaço para:

  • deitar sem bloquear passagens;
  • virar o corpo;
  • levantar com segurança;
  • secar depois de banhos;
  • receber escovação;
  • afastar-se de estímulos;
  • permanecer em pisos frescos.

O Royal Kennel Club considera uma casa grande e jardim amplo mais adequados à raça. Royal Kennel Club

Pisos escorregadios merecem atenção.

Um cão pesado pode abrir as pernas durante curvas ou ao tentar levantar.

Tapetes e passadeiras ajudam a oferecer tração e reduzem esforço sobre:

  • quadris;
  • cotovelos;
  • joelhos;
  • coluna.

Escadas também precisam ser administradas.

Um adulto saudável pode utilizá-las, mas subir e descer muitos lances diariamente aumenta o esforço articular.

Filhotes, idosos, obesos ou cães com dor podem precisar de alternativas.

Transportar um Bernês em uma emergência é difícil.

A família deve planejar antecipadamente:

  • acesso ao elevador;
  • veículo adequado;
  • rampas;
  • ajuda física;
  • atendimento veterinário próximo.

O calor representa o maior desafio habitacional no Brasil.

A pelagem longa e escura, o grande volume corporal e a origem em clima frio reduzem sua tolerância a temperaturas elevadas.

Uma casa adequada precisa oferecer:

  • sombra;
  • ventilação;
  • água;
  • pisos frescos;
  • climatização quando necessário;
  • impossibilidade de exposição prolongada ao sol.

Varandas fechadas, garagens quentes e quintais sem sombra podem tornar-se perigosos.

O Bernês não deve ser mantido permanentemente do lado de fora.

Além do calor, a raça precisa de convivência e participação familiar.

Um quintal facilita a rotina, mas não substitui:

  • caminhadas;
  • treinamento;
  • companhia;
  • estímulo mental.
CUIDADOS

O trabalho cotidiano que precisa caber na sua vida.

A pelagem do Boiadeiro Bernês é longa, densa e sujeita a queda significativa.

A escovação deve ocorrer pelo menos duas ou três vezes por semana.

Durante trocas sazonais, pode ser necessária diariamente. O Royal Kennel Club recomenda manutenção mais de uma vez por semana e confirma que a raça solta pelos. Royal Kennel Club

As áreas mais propensas a nós incluem:

  • atrás das orelhas;
  • pescoço;
  • axilas;
  • peito;
  • barriga;
  • parte traseira das pernas;
  • cauda;
  • regiões sob coleira e peitoral.

Podem ser utilizados:

  • escova de pinos;
  • rasqueadeira apropriada;
  • pente metálico;
  • ancinho para subpelo.

A escovação precisa alcançar a base dos fios.

Passar a ferramenta apenas sobre a superfície pode deixar nós compactos próximos da pele.

A raça não precisa de tosa estética integral.

Podem ser aparados discretamente:

  • pelos entre as almofadas;
  • fios que acumulam sujeira;
  • áreas recomendadas por veterinário.

Raspar todo o corpo pode alterar o crescimento, aumentar exposição ao sol e não elimina o risco de hipertermia.

Banhos devem ocorrer conforme a necessidade.

O principal desafio é secar completamente o subpelo.

Umidade retida pode favorecer:

  • odor;
  • dermatite;
  • proliferação bacteriana;
  • fungos;
  • nós.

As orelhas pendentes precisam ser verificadas semanalmente.

O tutor deve observar:

  • mau cheiro;
  • secreção;
  • coceira;
  • dor;
  • vermelhidão;
  • movimentos repetidos da cabeça.

Depois de banho ou chuva, precisam ser secas.

Os olhos devem permanecer limpos e sem vermelhidão.

Secreção persistente, dor, opacidade ou pálpebras viradas para dentro ou para fora exigem avaliação.

As unhas precisam permanecer curtas.

Unhas grandes alteram o apoio e aumentam esforço sobre articulações.

As patas devem ser inspecionadas depois de trilhas para localizar:

  • sementes;
  • espinhos;
  • pedras;
  • cortes;
  • unhas quebradas;
  • irritações.

A higiene dentária deve incluir escovação frequente com produto veterinário.

Exercícios e atividades

O Boiadeiro Bernês precisa de exercício regular, mas não de atividade explosiva constante.

Uma rotina aproximada de uma hora diária, dividida em passeios e brincadeiras, funciona como ponto de partida para muitos adultos saudáveis. Royal Kennel Club

A intensidade precisa considerar:

  • idade;
  • peso;
  • quadris;
  • cotovelos;
  • coração;
  • temperatura;
  • condicionamento.

Atividades adequadas incluem:

  • caminhadas;
  • trilhas moderadas;
  • rastreamento;
  • nosework;
  • obediência;
  • rally;
  • natação supervisionada;
  • tração;
  • busca de objetos;
  • pastoreio recreativo.

A tração combina diretamente com a função histórica.

Entretanto, o cão não deve puxar peso antes de completar o desenvolvimento e passar por avaliação ortopédica.

O treinamento começa com:

1. adaptação ao arreio; 2. contato com equipamento leve; 3. movimentação sem carga; 4. pequenos trajetos; 5. aumento gradual.

O peso precisa ser proporcional à saúde, ao terreno e ao condicionamento.

Atividades de faro ajudam a cansar a mente sem exigir impacto intenso.

O tutor pode esconder:

  • brinquedos;
  • objetos pessoais;
  • alimentos;
  • pessoas;
  • odores específicos.

Filhotes não devem realizar:

  • corridas forçadas;
  • longas distâncias;
  • saltos repetitivos;
  • tração;
  • exercício ao lado de bicicletas;
  • mudanças bruscas em pisos lisos;
  • atividades até a exaustão.

O crescimento de um cão grande é prolongado.

A aparência corporal pode sugerir força antes que articulações e cartilagens estejam preparadas.

Durante a juventude, são preferíveis:

  • passeios curtos;
  • exploração;
  • socialização;
  • brincadeiras livres;
  • treinamento básico;
  • faro;
  • exercícios de coordenação.

No calor, os passeios devem ocorrer muito cedo ou depois que a temperatura cair.

A temperatura do piso precisa ser verificada.

Sinais de superaquecimento incluem:

  • ofegação extrema;
  • saliva espessa;
  • língua muito avermelhada;
  • fraqueza;
  • desorientação;
  • vômitos;
  • perda de coordenação;
  • colapso.

O cão precisa ser levado para local fresco e receber atendimento veterinário quando não se recupera rapidamente.

Raspar a pelagem não deve ser tratado como solução automática para o calor.

A cobertura oferece alguma proteção contra radiação solar e precisa ser manejada por escovação, remoção do subpelo morto, ambiente fresco e horários adequados.

Alimentação

A alimentação do Boiadeiro Bernês precisa acompanhar seu crescimento lento e seu grande tamanho.

Filhotes devem receber alimento completo formulado para crescimento de cães grandes.

O objetivo não é fazer o filhote crescer o mais rápido possível.

Crescimento acelerado e excesso de peso podem aumentar a sobrecarga sobre articulações ainda imaturas.

A dieta precisa oferecer equilíbrio adequado entre:

  • energia;
  • proteínas;
  • cálcio;
  • fósforo;
  • vitaminas;
  • minerais.

Suplementos de cálcio não devem ser oferecidos a um filhote que já recebe alimento completo, salvo recomendação veterinária.

Adultos normalmente podem receber duas refeições diárias.

A quantidade precisa considerar:

  • peso;
  • idade;
  • castração;
  • atividade;
  • metabolismo;
  • temperatura;
  • condição corporal;
  • doenças.

O cão deve manter cintura identificável e costelas palpáveis.

A família não deve interpretar corpo arredondado como aparência típica.

Petiscos utilizados no treinamento precisam ser contabilizados.

Parte da própria refeição pode ser utilizada em:

  • obediência;
  • brinquedos dispensadores;
  • jogos de faro;
  • treinamento veterinário;
  • retorno ao chamado.

O Boiadeiro Bernês pode engolir a comida rapidamente.

Recipientes de alimentação lenta podem ajudar alguns cães, desde que não provoquem frustração excessiva.

Exercício intenso deve ser evitado imediatamente antes e depois de refeições grandes.

A água precisa permanecer disponível.

No calor, a hidratação é essencial, mas não substitui ambiente fresco e controle da atividade.

Dietas caseiras precisam ser formuladas por médico-veterinário especializado em nutrição.

Misturar carne, arroz, vegetais e suplementos sem cálculo pode causar desequilíbrios, especialmente durante o crescimento.

SAÚDE

Predisposição não é destino, mas precisa entrar na escolha.

A saúde é o ponto mais delicado da raça.

A Berner-Garde Foundation, organização dedicada à coleta de dados e à pesquisa sobre o Boiadeiro Bernês, informa expectativa de vida atual próxima de oito anos e relaciona essa longevidade reduzida principalmente ao câncer e a outras doenças presentes na população. Bernergarde

Isso não significa que todos os cães morrerão jovens.

Alguns ultrapassam dez ou doze anos.

Entretanto, famílias precisam compreender que a raça apresenta risco real de doenças graves e custos veterinários elevados.

O Bernese Mountain Dog Club of America recomenda como exames centrais para reprodutores:

  • avaliação dos quadris;
  • avaliação dos cotovelos;
  • exame oftalmológico;
  • avaliação cardíaca;
  • testes genéticos para duas variantes relacionadas à mielopatia degenerativa.

Avaliação da tireoide, teste para doença de von Willebrand e teste de risco para sarcoma histiocítico aparecem como exames adicionais.

Câncer e sarcoma histiocítico

O câncer representa uma das maiores preocupações da raça.

O sarcoma histiocítico é uma doença maligna relacionada a células do sistema imunológico chamadas histiócitos.

Pode surgir de maneira localizada ou disseminar-se por múltiplos órgãos.

O Boiadeiro Bernês apresenta risco aumentado para essa doença, e centros veterinários e pesquisas genéticas dedicam atenção especial à raça. Consultor Veterinário Cornell

Os sinais variam conforme os órgãos afetados e podem incluir:

  • perda de peso;
  • falta de apetite;
  • cansaço;
  • dificuldade respiratória;
  • claudicação;
  • massas;
  • aumento abdominal;
  • alterações neurológicas;
  • anemia.

Não existe um único sintoma capaz de confirmar a doença.

Mudanças persistentes precisam ser investigadas.

O teste de risco genético disponível para sarcoma histiocítico não funciona como diagnóstico e não garante que um cão classificado como baixo risco jamais desenvolverá câncer.

Ele pode ajudar em decisões de reprodução quando utilizado junto com:

  • histórico familiar;
  • longevidade;
  • causas de morte;
  • diversidade genética;
  • dados de irmãos e descendentes.

Selecionar apenas por um marcador isolado pode reduzir diversidade sem eliminar completamente a doença.

Displasia coxofemoral

A displasia ocorre quando a articulação do quadril não se desenvolve adequadamente.

Pode provocar:

  • frouxidão;
  • dor;
  • osteoartrite;
  • dificuldade para levantar;
  • perda de musculatura;
  • redução de atividade;
  • claudicação.

O exame radiográfico dos reprodutores é recomendado tanto por organizações norte-americanas quanto britânicas.

O resultado normal dos pais reduz riscos, mas não garante quadris perfeitos nos descendentes.

Crescimento rápido, obesidade e exercício inadequado também influenciam a manifestação clínica.

Displasia de cotovelo

A displasia dos cotovelos pode comprometer gravemente um cão pesado.

Os sinais incluem:

  • claudicação dianteira;
  • passos curtos;
  • rigidez;
  • resistência a caminhadas;
  • dificuldade para levantar;
  • piora depois do exercício.

A avaliação radiográfica dos cotovelos integra as recomendações oficiais de criação.

Mielopatia degenerativa

A mielopatia degenerativa é uma doença neurológica progressiva que afeta a medula espinhal.

Os sinais podem incluir:

  • fraqueza traseira;
  • perda de coordenação;
  • arrastar as unhas;
  • dificuldade para levantar;
  • progressão para incapacidade de caminhar.

Na raça, são consideradas duas variantes genéticas relacionadas ao gene SOD1, incluindo uma variante encontrada especificamente na população do Boiadeiro Bernês.

O clube norte-americano recomenda testar ambas.

O resultado genético indica risco, não diagnóstico inevitável.

Alguns cães geneticamente classificados como de risco podem nunca desenvolver sintomas.

Portadores não devem ser excluídos indiscriminadamente, especialmente em uma raça que precisa preservar diversidade.

O objetivo é planejar acasalamentos sem produzir filhotes com combinações de risco elevado.

Doença de von Willebrand

A doença de von Willebrand tipo 1 afeta a coagulação.

Cães afetados podem apresentar:

  • sangramento prolongado;
  • sangramento nasal;
  • hematomas;
  • hemorragia após cirurgia;
  • sangramento gengival.

O teste genético aparece como avaliação opcional nas recomendações norte-americanas.

Um cão portador não necessariamente apresenta sangramento grave, mas o resultado precisa ser considerado antes de reprodução e procedimentos cirúrgicos.

Doenças cardíacas

Avaliação realizada por cardiologista veterinário integra os exames recomendados.

Podem ocorrer alterações congênitas ou adquiridas que inicialmente não produzem sinais claros.

O tutor deve procurar avaliação diante de:

  • cansaço incomum;
  • desmaios;
  • tosse;
  • respiração acelerada;
  • intolerância ao exercício;
  • fraqueza.

Um exame normal realizado quando o cão é jovem não garante ausência de doença tardia.

Reprodutores podem precisar de avaliações repetidas ao longo da vida.

Doenças oculares

O exame realizado por oftalmologista veterinário faz parte das recomendações do clube norte-americano.

O Boiadeiro Bernês pode apresentar diferentes alterações dos olhos e das pálpebras.

O padrão desqualifica entrópio, ectrópio e olhos azuis.

O tutor deve observar:

  • vermelhidão;
  • dor;
  • secreção;
  • opacidade;
  • alterações visuais;
  • pálpebras viradas;
  • dificuldade para abrir o olho.

Dilatação e torção gástrica

O Bernês possui peito profundo e pode desenvolver dilatação gástrica, com ou sem torção.

Os sinais incluem:

  • tentativa improdutiva de vomitar;
  • abdômen aumentado;
  • salivação intensa;
  • inquietação;
  • fraqueza;
  • gengivas pálidas;
  • colapso.

É uma emergência.

O cão precisa ser levado imediatamente a um hospital veterinário.

Famílias com histórico na linhagem podem discutir gastropexia preventiva com o veterinário, principalmente quando o animal realizará outra cirurgia abdominal.

Doença renal

Alterações renais também aparecem nos registros de saúde da raça.

Os sinais podem incluir:

  • aumento da sede;
  • aumento ou redução da urina;
  • perda de peso;
  • falta de apetite;
  • vômitos;
  • cansaço.

Exames periódicos de sangue e urina tornam-se especialmente importantes à medida que o cão envelhece.

Ruptura do ligamento cruzado e outras lesões ortopédicas

O peso elevado aumenta a força aplicada sobre os joelhos.

Uma ruptura do ligamento cruzado pode produzir:

  • claudicação repentina;
  • dificuldade para apoiar a perna;
  • dor;
  • perda muscular;
  • instabilidade.

Obesidade, pisos escorregadios e atividade intensa sem condicionamento aumentam o risco de lesões.

Obesidade

O excesso de peso é especialmente prejudicial no Boiadeiro Bernês.

Cada quilo adicional aumenta a carga sobre:

  • quadris;
  • cotovelos;
  • joelhos;
  • coluna;
  • coração;
  • sistema respiratório.

Também reduz a tolerância ao calor.

A pelagem pode esconder o ganho de gordura. O tutor precisa pesar o cão e avaliar suas costelas regularmente.

Diversidade genética

A Berner-Garde alerta que endogamia excessiva pode estar associada a redução da longevidade, fertilidade, tamanho das ninhadas e diversidade, além de maior incidência de câncer e doenças imunológicas. Bernergarde

Criadores responsáveis devem analisar:

  • coeficiente de endogamia;
  • longevidade dos ancestrais;
  • causas de morte;
  • número de descendentes dos reprodutores;
  • saúde dos irmãos;
  • fertilidade;
  • ocorrência de câncer;
  • resultados ortopédicos.

Um cão premiado não deve produzir número ilimitado de ninhadas apenas porque possui aparência desejada.

Cuidados antes da compra

Ao procurar um criador, solicite documentação referente a:

  • quadris;
  • cotovelos;
  • olhos;
  • coração;
  • SOD1A;
  • SOD1B;
  • tireoide;
  • doença de von Willebrand;
  • histórico de sarcoma histiocítico;
  • outros cânceres;
  • doenças renais;
  • torção gástrica;
  • longevidade;
  • causas de morte;
  • coeficiente de endogamia.

É recomendável consultar bancos de dados públicos, como o Berner-Garde, e verificar informações de pais, irmãos, avós e descendentes.

Nenhum teste garante saúde perfeita.

A qualidade da criação depende da combinação entre exames, transparência, diversidade, temperamento e histórico real de longevidade.

TREINAMENTO

Inteligência sem rotina também produz problemas.

O Boiadeiro Bernês costuma ser cooperativo, sensível e disposto a agradar.

O treinamento precisa começar cedo, antes que o filhote alcance força suficiente para arrastar uma pessoa.

Os comportamentos prioritários incluem:

  • resposta ao nome;
  • atenção voluntária;
  • sentar;
  • deitar;
  • permanecer;
  • esperar diante de portas;
  • caminhar sem puxar;
  • retornar quando chamado;
  • soltar e trocar objetos;
  • ir para uma cama;
  • aceitar manipulação;
  • entrar em veículos;
  • utilizar rampas;
  • permanecer sozinho gradualmente;
  • aceitar focinheira de maneira positiva.

O treinamento com reforço positivo tende a produzir melhores resultados.

A raça pode responder mal a:

  • gritos;
  • intimidação;
  • correções físicas;
  • pressão contínua;
  • exercícios repetitivos.

O Bernês não costuma precisar de conflito para compreender limites.

Firmeza significa manter regras claras e previsíveis.

A caminhada sem puxar é essencial.

Um adolescente descontrolado pode aplicar força suficiente para derrubar um adulto.

O treino deve recompensar:

  • proximidade;
  • guia frouxa;
  • contato visual;
  • mudanças de direção;
  • parada;
  • retorno ao tutor.

O controle das portas também merece prioridade.

O cão precisa aprender que não atravessa automaticamente quando uma passagem se abre.

Esse comportamento protege contra:

  • fugas;
  • colisões;
  • atropelamentos;
  • derrubada de pessoas;
  • avanços sobre visitantes.

A socialização deve apresentar o filhote a:

  • pessoas;
  • crianças;
  • cães equilibrados;
  • gatos;
  • veículos;
  • superfícies;
  • clínicas veterinárias;
  • escovas;
  • secadores;
  • elevadores;
  • ruídos;
  • períodos curtos de separação.

Socializar não significa permitir que qualquer pessoa abrace ou manipule o cão.

O objetivo é desenvolver segurança e capacidade de recuperação.

A preparação veterinária possui enorme importância.

Um cão de 45 quilos que não aceita toque, contenção ou exame torna qualquer atendimento mais difícil.

O filhote deve ser recompensado enquanto aprende a permitir:

  • inspeção dos olhos;
  • abertura da boca;
  • toque nas patas;
  • exame das orelhas;
  • palpação abdominal;
  • permanência deitado;
  • coleta simulada de sangue;
  • uso de focinheira.
GALERIA

Conheça diferentes expressões da raça.

Pontos positivos

  • procura um cão muito afetuoso;
  • possui espaço para um animal grande;
  • vive em ambiente fresco ou climatizado;
  • deseja um companheiro familiar;
  • possui crianças respeitosas;
  • gosta de caminhadas moderadas;
  • aprecia atividades de tração e faro;
  • consegue escovar o cão várias vezes por semana;
  • aceita grande quantidade de pelos;
  • utiliza treinamento positivo;
  • consegue controlar rigorosamente o peso;
  • dispõe de recursos para cuidados veterinários;
  • aceita investigar profundamente a linhagem;
  • oferece participação na vida familiar;
  • consegue transportar um cão pesado em emergências;
  • possui pisos com boa aderência;
  • entende que a raça amadurece lentamente;
  • aceita o risco de uma expectativa de vida curta.

Pontos de atenção

  • vive em ambiente muito quente sem climatização;
  • deseja um cão de baixa queda de pelos;
  • possui espaço interno muito reduzido;
  • passa longos períodos fora de casa;
  • procura um parceiro para corridas intensas;
  • não consegue controlar a alimentação;
  • não pretende realizar exames preventivos;
  • não possui orçamento para tratamentos complexos;
  • não consegue transportar um cão de mais de 40 quilos;
  • possui muitas escadas;
  • não aceita escovação frequente;
  • deseja um cão de guarda agressivo;
  • utiliza punições físicas;
  • procura uma raça de grande longevidade;
  • escolhe apenas pela beleza tricolor;
  • não pretende investigar câncer e longevidade na linhagem;
  • deixa o cão permanentemente no quintal;
  • não está emocionalmente preparado para os riscos de saúde da raça.