Border Terrier
O pequeno caçador que precisava correr com cavalos e desaparecer debaixo da terra
Origem: Grã-Bretanha, na região fronteiriça entre Inglaterra e Escócia
Ele não possui a aparência esculpida de alguns terriers de exposição. A pelagem parece permanentemente desalinhada, as cores misturam tons de terra e a cabeça arredondada lembra, segundo o próprio padrão oficial, a de uma lontra. Nada nele parece ter sido criado para chamar atenção dentro de um salão.
Uma história selecionada para uma função.
Ele não possui a aparência esculpida de alguns terriers de exposição.
A pelagem parece permanentemente desalinhada, as cores misturam tons de terra e a cabeça arredondada lembra, segundo o próprio padrão oficial, a de uma lontra. Nada nele parece ter sido criado para chamar atenção dentro de um salão.
Essa simplicidade é exatamente o que revela sua história.
O Border Terrier foi desenvolvido nas terras montanhosas próximas à fronteira entre Inglaterra e Escócia. Precisava acompanhar cavalos e matilhas durante longos deslocamentos e, quando a raposa se escondia, entrar em espaços estreitos para obrigá-la a sair.
Era necessário reunir características aparentemente incompatíveis.
O cão precisava ter pernas suficientes para correr durante horas, mas peito estreito o bastante para atravessar uma toca. Precisava conviver com outros cães sem provocar conflitos constantes, mas conservar coragem para enfrentar um animal acuado debaixo da terra.
O resultado foi um terrier pequeno, resistente, afetuoso e surpreendentemente adaptável.
Dentro de casa, pode ser companheiro, alegre e muito ligado à família. Do lado de fora, continua sendo um explorador que segue odores, cava, atravessa pequenas aberturas e pode esquecer completamente que existe um tutor quando algum animal corre diante dele.
O Border Terrier parece simples porque sua aparência nunca precisou fingir grandeza.
Sua função exigia algo mais importante:
ser pequeno o suficiente para desaparecer no solo e forte o bastante para voltar.
História e origem
O Border Terrier surgiu nas regiões montanhosas do norte da Inglaterra e do sul da Escócia.
A paisagem era composta por vales, colinas, terrenos pedregosos, vegetação densa, frio, chuva e grandes propriedades nas quais a criação de ovelhas representava parte importante da economia.
Raposas podiam atacar cordeiros e outros animais jovens. Quando uma delas era perseguida por uma matilha, frequentemente procurava abrigo em buracos, fendas rochosas ou tocas subterrâneas onde os cães maiores não conseguiam entrar.
O pequeno terrier tinha de continuar o trabalho.
Para cumprir essa função, precisava:
- correr junto dos cavalos e cães de caça;
- atravessar terrenos irregulares;
- suportar frio e chuva;
- entrar em passagens estreitas;
- seguir odores no subsolo;
- pressionar a raposa a abandonar a toca;
- manter coragem em espaços escuros;
- conviver com a matilha;
- retornar ao condutor depois do trabalho.
O padrão da FCI preserva dois desses requisitos em frases extremamente curtas: o Border deve ser essencialmente trabalhador e fisicamente capaz de seguir um cavalo. FCI
Os terriers da fronteira
Antes da existência da raça oficialmente registrada, diferentes terriers trabalhavam nos vales da região.
Alguns eram conhecidos pelo local onde viviam ou pela matilha que acompanhavam.
Entre os nomes históricos aparecem:
- Coquetdale Terrier;
- Reedwater Terrier;
- Ullswater Terrier;
- pequenos terriers das regiões de Northumberland e das fronteiras escocesas.
O Royal Kennel Club registra que o nome Border Terrier se tornou amplamente utilizado por volta de 1880, associado à atuação desses cães junto aos Border Foxhounds. Antes disso, Coquetdale Terrier e Reedwater Terrier eram denominações locais frequentes. Royal Kennel Club
A história inicial não permite estabelecer uma árvore genealógica perfeitamente documentada.
Os terriers eram criados por agricultores, caçadores, tratadores de matilhas e famílias rurais. O desempenho importava mais do que a manutenção de registros formais.
A proximidade geográfica também favoreceu relações ancestrais com outras raças do norte britânico, principalmente:
- Bedlington Terrier;
- Dandie Dinmont Terrier;
- antigos terriers de trabalho atualmente desaparecidos.
O clube britânico da raça relata que esses cães compartilhavam a mesma região e que características semelhantes podiam surgir entre as populações. Ainda assim, o Border preservou um tipo visualmente simples e muito próximo do trabalhador original. Clube do Border Terrier Midlands
Um corpo construído entre dois mundos
A função produziu uma anatomia específica.
O Border não poderia ser baixo demais.
Terriers de pernas muito curtas teriam dificuldade para acompanhar cavalos e matilhas durante quilômetros em terrenos montanhosos.
Também não poderia ser largo demais.
Depois de correr, ainda precisava entrar em uma toca.
Por isso, selecionou-se um cão com:
- pernas relativamente longas para o porte;
- corpo estreito;
- peito profundo, mas não arredondado;
- costelas prolongadas para trás;
- musculatura resistente;
- patas pequenas com almofadas grossas;
- pelagem impermeável e áspera;
- pele relativamente espessa.
O padrão determina que um Border correto deve poder ser envolvido pelas duas mãos logo atrás dos ombros. Esse procedimento, conhecido como spanning, verifica se o tórax continua estreito o suficiente para a função subterrânea. FCI
A seleção não pretendia produzir o menor cão possível.
Pretendia criar o menor corpo capaz de acompanhar a caçada inteira e ainda trabalhar sob a terra.
Coragem sem conflito permanente
Um terrier de toca precisava ser corajoso.
Ao mesmo tempo, o Border costumava viajar e trabalhar junto de outros cães. Um indivíduo que provocasse brigas dentro da matilha poderia comprometer todo o grupo antes mesmo de alcançar a área de caça.
Essa necessidade ajudou a produzir um terrier geralmente mais sociável com cães do que algumas outras raças do grupo.
Isso não significa ausência de:
- territorialidade;
- seletividade;
- proteção de recursos;
- conflitos entre indivíduos;
- impulso predatório.
Significa apenas que a capacidade de trabalhar junto da matilha possuía valor prático.
A expressão tradicional inglesa gameness, usada no padrão, refere-se à disposição para persistir diante de dificuldade e não a agressividade indiscriminada. FCI
A família Robson e os Dodd
No final do século XIX, famílias ligadas às matilhas da região tiveram grande influência na consolidação do tipo.
Jacob Robson, E. L. Dodd e Simon Dodd aparecem repetidamente nos registros históricos ligados aos Border Foxhounds e aos terriers que acompanhavam as caçadas.
A partir de 1879, Robson e integrantes da família Dodd assumiram funções de liderança junto à matilha. A reputação dos cães utilizados nesse trabalho cresceu, e a denominação Border Terrier tornou-se cada vez mais comum. Clube do Border Terrier Midlands
A criação continuava orientada pela função.
O cão ideal precisava demonstrar:
- mandíbula forte;
- cabeça moderadamente larga;
- pelagem resistente;
- peito estreito;
- pernas funcionais;
- pés capazes de atravessar terrenos difíceis;
- disposição para entrar na terra;
- resistência para acompanhar a caçada.
Essas características permanecem reconhecíveis no padrão moderno.
A entrada nas exposições
Terriers desse tipo já apareciam em pequenas exposições rurais durante o século XIX.
A entrada no sistema oficial, entretanto, gerou resistência.
Parte dos trabalhadores temia que o reconhecimento transformasse o Border em um cão selecionado apenas pela aparência, repetindo o que acreditavam ter acontecido com outras raças de terrier.
A preocupação era direta:
um cão poderia ganhar exposições e, ao mesmo tempo, tornar-se largo, pesado, exageradamente preparado ou incapaz de entrar em uma toca.
O primeiro Border registrado pelo Kennel Club na categoria destinada a variedades ainda não reconhecidas foi Mosstrooper, em 1913. Uma tentativa de reconhecimento em 1914 não teve sucesso. A raça foi finalmente aceita em 1920, mesmo ano em que foi fundado o Border Terrier Club. Clube do Border Terrier Midlands
O padrão permaneceu deliberadamente funcional.
Não existe uma lista extensa de detalhes cosméticos. Em vez disso, ele insiste que o Border deve:
- parecer trabalhador;
- acompanhar um cavalo;
- possuir corpo estreito;
- mover-se com resistência;
- manter pelagem áspera;
- conservar saúde e capacidade funcional.
A versão atual do Royal Kennel Club continua afirmando que desvios devem ser avaliados de acordo com o impacto sobre o trabalho, a saúde e o bem-estar. Royal Kennel Club
Expansão internacional
O Border Terrier começou a aparecer em outros países durante o início do século XX.
O primeiro exemplar registrado nos Estados Unidos entrou no livro do American Kennel Club em 1930. A partir daí, a raça expandiu-se lentamente, preservando uma comunidade fortemente ligada a atividades de trabalho e desempenho. Border Terrier Club of America
Atualmente, Borders participam de:
- earthdog;
- barn hunt;
- agility;
- obediência;
- rally;
- rastreamento;
- nosework;
- caminhadas;
- caça controlada onde legalmente permitida;
- exposições;
- atividades terapêuticas.
A capacidade de adaptar-se à cidade ajudou na popularidade.
O Royal Kennel Club considera a raça adequada tanto ao campo quanto a ambientes urbanos e até apartamentos, desde que suas necessidades sejam atendidas. Royal Kennel Club
A mudança de endereço, porém, não removeu o caçador.
O Border moderno pode nunca encontrar uma raposa dentro de uma toca.
Ainda assim, um buraco sob a cerca, um rato no jardim ou um gato correndo podem despertar exatamente a mente que manteve a raça viva durante séculos.
Ficha rápida completa
Aparência e características físicas
O Border Terrier é pequeno, estreito, atlético e desprovido de exageros.
Sua aparência não deve sugerir um cão ornamental cuidadosamente esculpido.
O conjunto precisa transmitir resistência, agilidade e capacidade para trabalhar durante longos períodos.
A FCI descreve o corpo como:
- profundo;
- estreito;
- razoavelmente comprido;
- sustentado por pernas retas;
- sem ossatura pesada;
- acompanhado por posteriores ágeis.
A estrutura deve permitir que o cão siga um cavalo e ainda atravesse espaços subterrâneos. FCI
Altura e peso
A FCI não estabelece altura oficial.
O perfil do American Kennel Club indica aproximadamente 30 a 38 centímetros, enquanto o padrão internacional concentra-se no peso e na capacidade funcional do tórax. American Kennel Club
Os pesos oficiais são:
- machos: 5,9 a 7,1 kg;
- fêmeas: 5,1 a 6,4 kg.
O Royal Kennel Club apresenta valores arredondados de 6 a 7 quilos para machos e 5 a 6,5 quilos para fêmeas. FCI
Na prática, existem Borders de companhia acima desses números.
Um peso maior não significa automaticamente obesidade, mas o padrão funcional não deve ser ignorado. Um cão pesado demais pode perder justamente a capacidade de atravessar espaços estreitos e acompanhar atividade prolongada.
A condição corporal adequada apresenta:
- costelas palpáveis;
- cintura visível;
- musculatura firme;
- abdômen discretamente recolhido;
- facilidade para correr e saltar;
- ausência de gordura excessiva sobre o tórax.
A cabeça de lontra
A característica visual mais famosa é a cabeça descrita como semelhante à de uma lontra.
Isso não significa que o cão deva literalmente reproduzir a anatomia do animal aquático.
A comparação procura transmitir um conjunto:
- crânio moderadamente largo;
- focinho curto e forte;
- contornos arredondados;
- olhos escuros;
- expressão atenta;
- ausência de cabeça estreita ou pontuda.
O focinho precisa acomodar mandíbulas capazes de trabalhar.
Não deve ser tão curto a ponto de comprometer respiração, dentição ou capacidade de segurar objetos. FCI
O nariz preto é preferido, mas a FCI tolera pigmentação fígado ou cor de carne sem considerar isso uma falta grave.
Os olhos são escuros e possuem expressão penetrante.
Não devem ficar excessivamente salientes, pequenos ou sem vida.
As orelhas são:
- pequenas;
- em formato de V;
- moderadamente espessas;
- caídas para a frente;
- próximas das bochechas.
Essa posição protege parcialmente o canal auditivo durante o trabalho em vegetação e solo. FCI
Boca e dentes
O padrão prefere mordedura em tesoura.
Os incisivos superiores cobrem os inferiores de maneira próxima e são implantados perpendicularmente às mandíbulas.
A mordedura em pinça é aceita.
Prognatismo inferior ou superior importante é considerado extremamente indesejável porque pode comprometer a função da mandíbula. FCI
Dentes quebrados podem ocorrer em terriers que trabalham, mas a criação doméstica precisa valorizar:
- alinhamento;
- saúde periodontal;
- ausência de dor;
- capacidade de mastigar;
- mandíbula simétrica.
Corpo estreito e o spanning
O peito é profundo, mas não excessivamente largo ou arredondado.
As costelas prolongam-se para trás, oferecendo capacidade respiratória, mas sem formar um barril.
A região lombar é forte.
Atrás dos ombros, o tórax deve ser estreito o suficiente para ser envolvido pelas duas mãos de uma pessoa adulta. FCI
O spanning não é um concurso para encontrar o cão com peito mínimo.
O objetivo é verificar a relação entre:
- largura;
- profundidade;
- flexibilidade;
- substância;
- capacidade de entrar em tocas.
Um tórax excessivamente estreito pode indicar falta de espaço ou substância. Um peito muito largo compromete a função original.
Pernas e movimentação
As pernas dianteiras são retas e não possuem ossatura pesada.
Os posteriores são descritos como racy, expressão que transmite leveza, agilidade e capacidade atlética.
Os pés são pequenos e apresentam almofadas espessas, adequadas a terrenos pedregosos e longos deslocamentos. FCI
A movimentação precisa ser resistente e eficiente.
O cão não deve:
- arrastar os pés;
- demonstrar rigidez;
- cruzar exageradamente os membros;
- saltitar por instabilidade;
- movimentar-se com dor;
- perder equilíbrio.
O padrão não procura passos espetaculares.
Procura solidez suficiente para acompanhar cavalos.
Cauda
A cauda é moderadamente curta, grossa na base e afina progressivamente.
Sua inserção é alta e o cão costuma carregá-la com alegria, mas nunca enrolada sobre o dorso. FCI
Tradicionalmente, a cauda firme também podia ajudar um caçador a retirar o cão de uma passagem estreita em uma emergência.
Isso não significa que deva ser puxada durante a vida cotidiana.
Pele e pelagem
A pele deve ser espessa.
A cobertura externa é:
- curta;
- dura;
- áspera;
- densa;
- relativamente aderente.
Abaixo existe subpelo fechado, que fornece isolamento contra frio e umidade. FCI
A textura correta não é sedosa nem macia como a de um cão de colo.
Também não deve ser artificialmente volumosa.
Quando o pelo externo amadurece, pode ser retirado por hand stripping, permitindo o crescimento de uma nova camada áspera.
O uso contínuo de máquina tende a:
- amaciar a textura;
- clarear a cor;
- reduzir a resistência à água;
- produzir aparência mais fofa.
Para cães de companhia, a máquina pode ser uma escolha prática, mas modifica a cobertura tradicional.
Cores
A FCI reconhece quatro grupos principais:
- vermelho;
- trigo;
- grisalho e castanho;
- azul e castanho.
“Azul” não significa azul vivo. É uma combinação de pelos escuros que produz aparência azul-acinzentada.
O grisalho, ou grizzle, mistura fios de diferentes tonalidades e pode variar consideravelmente entre os indivíduos.
O Royal Kennel Club relaciona diversas descrições comerciais dentro dessas combinações, mas o padrão central continua limitado às quatro categorias tradicionais. FCI
Pequenas áreas brancas no peito podem aparecer historicamente, mas grandes manchas, cores exóticas ou padrões não reconhecidos não devem ser valorizados acima da saúde e do temperamento.
Tutor indicado
- procura um cão pequeno, resistente e ativo;
- vive em apartamento, mas oferece passeios;
- gosta de trilhas e ambientes naturais;
- deseja praticar faro ou earthdog;
- aceita um terrier com personalidade própria;
- utiliza reforço positivo;
- consegue manter cercas e portões seguros;
- procura um cão geralmente sociável;
- possui crianças respeitosas;
- consegue oferecer aproximadamente uma hora de atividade diária;
- aceita queda moderada do subpelo;
- pode realizar ou pagar pelo hand stripping;
- gosta de cães brincalhões;
- oferece companhia durante boa parte do dia;
- consegue controlar o peso;
- aceita utilizar guia em locais de risco;
- investiga exames e histórico familiar;
- deseja um companheiro pequeno sem fragilidade extrema.
Tutor não indicado
- mantém coelhos, hamsters ou aves soltos;
- deseja um cão sem instinto de caça;
- deixa portas e portões abertos;
- pretende confiar totalmente no retorno ao chamado;
- não aceita escavação;
- possui cercas frágeis;
- passa longas horas fora;
- oferece apenas passeios muito curtos;
- deseja um cão completamente obediente;
- utiliza punições físicas;
- não aceita pelos e manutenção sazonal;
- procura um cão de guarda;
- deseja soltá-lo perto de ruas;
- não possui paciência para socialização;
- mantém gatos desconhecidos entrando no quintal;
- não pretende cuidar dos dentes;
- escolhe a raça apenas pelo pequeno tamanho;
- espera um cão de colo sedentário.
Em resumo
O Border Terrier foi construído ao redor de uma exigência difícil.
Precisava ser pequeno e estreito o suficiente para entrar na terra, mas resistente e alto sobre as pernas o bastante para acompanhar cavalos e matilhas por terrenos montanhosos.
Sua aparência nasceu dessa função.
A cabeça semelhante à de uma lontra protege uma mandíbula curta e forte. O corpo profundo e estreito atravessa passagens apertadas. A pelagem áspera suporta frio e chuva. As patas pequenas e resistentes percorrem pedras e campos.
Dentro de casa, esse trabalhador pode transformar-se em um companheiro afetuoso, divertido e muito ligado à família.
É mais sociável com outros cães do que muitos imaginam de um terrier e consegue viver em apartamentos quando recebe exercícios e companhia.
Entretanto, a adaptação urbana não elimina o caçador.
O Border cava, segue odores, atravessa cercas e pode abandonar qualquer tentativa de obediência quando uma presa aparece.
A segurança depende de guias, cercas firmes e treinamento iniciado cedo.
Sua pelagem libera poucos fios externos, mas possui subpelo e pode precisar de hand stripping. Os dentes exigem cuidado constante. SLEM, CECS, coração, olhos, patelas e histórico familiar precisam ser investigados antes da reprodução.
O Border não é um cão decorativo de aparência rústica.
É um caçador funcional que aprendeu a dormir no sofá.
Talvez seja justamente essa combinação que explique sua popularidade.
Ele pode passar a manhã deitado próximo da família, caminhar durante horas à tarde e terminar o dia investigando um pequeno buraco como se toda a história de seus ancestrais ainda estivesse escondida lá dentro.
Avaliação editorial de compatibilidade
Fontes e links de verificação
- FCI Standard No
- Border Terrier | Breeds A to Z | The Kennel Club
- History of the Border Terrier - The Midland Border Terrier Club
- Border Terrier | Breed Standards | The Kennel Club
- The Border Terrier in America
- Border Terrier Dog Breed Information
- Border Terrier Dog Breed Information
- Health When Buying a Border Terrier Puppy - Border Terrier Health
- AKC Breeder Spotlight: Peter Holson of McHill’s Border Terriers – American Kennel Club
- Border Terriers under primary veterinary care in England: demography and disorders | Companion Animal Health and Genetics | Springer Nature Link
- Border Terrier Health - Border Terrier Health
Como essa raça tende a viver com pessoas.
O Border Terrier combina afeto doméstico com instinto de caça.
É geralmente alegre, sociável e próximo da família.
Também é independente, persistente e capaz de ignorar comandos quando algum odor ou movimento ativa seu interesse.
Essa aparente contradição resulta diretamente da função.
O terrier precisava cooperar com pessoas e cães durante a caçada, mas, depois de entrar em uma toca, trabalhava sem ajuda imediata.
O Border moderno conserva as duas capacidades:
- parceria;
- decisão própria.
Afetuoso, mas não passivo
Dentro de casa, muitos exemplares procuram contato e gostam de permanecer próximos.
Podem:
- acompanhar moradores;
- dormir encostados;
- procurar colo;
- participar das atividades;
- receber visitas com entusiasmo;
- brincar até idade avançada.
O American Kennel Club descreve Borders como alegres, afetuosos e adaptáveis tanto ao campo quanto à cidade. American Kennel Club
A aparência amistosa não deve fazer a família esquecer que se trata de um trabalhador.
Sem atividade, podem aparecer:
- escavação;
- destruição;
- latidos;
- tentativas de fuga;
- perseguição;
- roubo de objetos;
- inquietação;
- ganho de peso.
O nariz assume o controle
O Border foi selecionado para localizar animais.
Durante um passeio, pode captar um odor e mudar imediatamente de direção.
Nesse momento, o retorno ao chamado pode perder valor diante da possibilidade de perseguir:
- coelhos;
- esquilos;
- gatos;
- ratos;
- aves;
- ouriços;
- raposas.
O grupo de saúde dos clubes britânicos alerta que Borders podem desligar-se dos comandos quando distraídos e relaciona acidentes e mortes traumáticas à independência e ao impulso de perseguição. Border Terrier Health
O tutor precisa compreender que treinamento reduz riscos, mas não apaga a genética.
Em áreas abertas próximas a trânsito, animais ou propriedades rurais, a guia continua sendo a opção mais segura.
Escavação e fuga
Entrar na terra era parte do trabalho.
Cavar não representa necessariamente tédio, embora a falta de atividade possa aumentar o comportamento.
O Border pode cavar para:
- procurar odores;
- perseguir pequenos animais;
- criar passagem sob a cerca;
- encontrar local fresco;
- investigar raízes;
- liberar energia.
A cerca precisa chegar suficientemente próxima do solo e não pode possuir pequenas falhas.
O grupo de saúde britânico descreve alguns Borders como verdadeiros especialistas em atravessar os menores buracos de cercas e sebes. Border Terrier Health
Portões devem possuir:
- travas;
- ausência de vãos;
- fechamento automático quando possível;
- revisão frequente.
Relação com outros cães
A raça foi desenvolvida para acompanhar matilhas e, por isso, muitos exemplares convivem bem com outros cães.
Entretanto, socialização continua necessária.
Sem experiências adequadas, alguns podem tornar-se:
- seletivos;
- territoriais;
- competitivos;
- reativos;
- protetores de recursos.
A convivência tende a funcionar melhor quando existem:
- apresentações graduais;
- regras consistentes;
- alimentação separada;
- interrupção de brincadeiras intensas;
- possibilidade de descanso.
Sociabilidade com desconhecidos
O Border típico costuma ser amistoso ou interessado.
Não foi criado como cão de guarda de propriedades.
Pode alertar diante de visitantes, mas geralmente aceita rapidamente pessoas apresentadas pela família.
Timidez extrema e agressividade são desqualificantes pelo padrão da FCI. FCI
A socialização deve permitir que o cão conheça:
- pessoas de diferentes idades;
- roupas;
- vozes;
- ambientes;
- veículos;
- clínicas;
- áreas urbanas;
- outros animais.
O objetivo não é obrigá-lo a interagir com todos, mas desenvolver estabilidade.
Inteligência terrier
O Border aprende rapidamente, principalmente quando a recompensa é clara.
Contudo, pode questionar exercícios repetitivos e escolher aquilo que considera mais interessante.
Treinamento eficiente utiliza:
- alimentos;
- brinquedos;
- faro;
- oportunidade de explorar;
- sessões curtas;
- variedade;
- limites consistentes.
A inteligência não aparece apenas na obediência.
Também aparece ao encontrar:
- o ponto fraco da cerca;
- o móvel que permite alcançar uma janela;
- o momento em que ninguém observa a porta;
- a pessoa que costuma oferecer comida.
Convivência com crianças
O Border Terrier costuma possuir bom potencial de convivência com crianças.
É resistente para o pequeno porte, brincalhão e geralmente menos frágil do que muitas raças de companhia.
Pode participar de:
- caminhadas;
- brincadeiras de busca;
- jogos de faro;
- treinamento;
- atividades familiares.
O AKC descreve a raça como um possível companheiro infantil alegre e ativo. American Kennel Club
Entretanto, o termo “bom com crianças” não elimina supervisão.
O Border continua sendo um terrier com:
- boca forte;
- excitação;
- impulso de perseguição;
- proteção de recursos possível;
- necessidade de descanso.
Crianças precisam aprender a:
- não puxar a pelagem;
- não montar sobre o cão;
- não incomodar durante o sono;
- não retirar alimento;
- não tirar brinquedos diretamente da boca;
- não perseguir quando ele tenta afastar-se;
- não abrir portões;
- não estimular mordidas nas mãos;
- não aproximar o rosto do focinho.
O cão precisa aprender a:
- controlar a boca;
- soltar objetos;
- esperar diante de portas;
- ir para uma cama;
- interromper brincadeiras;
- não saltar;
- afastar-se sob comando.
Crianças pequenas podem despertar perseguição quando correm ou gritam.
O Border normalmente não apresenta o comportamento de pastoreio de um Collie, mas movimentos rápidos podem ativar brincadeira e caça.
A supervisão precisa impedir que o cão agarre:
- roupas;
- cadarços;
- brinquedos;
- mãos;
- tornozelos.
Crianças maiores podem participar do treinamento e de atividades de faro.
A relação tende a ser muito boa quando existem regras de ambos os lados.
Compatibilidade com crianças pequenas: boa, com supervisão
Compatibilidade com crianças maiores e respeitosas: excelente
Convivência com outros animais
A convivência com outros animais precisa ser separada em categorias.
Um Border pode ser excelente com cães e perigoso para um hamster.
A sociabilidade com uma espécie não elimina o instinto diante de outra.
Outros cães
Muitos Borders convivem muito bem com cães.
A história junto das matilhas favoreceu tolerância e comunicação social.
Apresentações devem ocorrer gradualmente, especialmente entre adultos.
No início, é prudente controlar:
- refeições;
- ossos;
- brinquedos de alto valor;
- camas;
- atenção do tutor;
- períodos sem supervisão.
O estilo de brincadeira pode ser físico e persistente.
O tutor deve observar se os animais:
- fazem pausas;
- alternam perseguições;
- respeitam afastamentos;
- conseguem encerrar;
- mantêm corpos relaxados.
Gatos
A convivência com gatos pode funcionar quando começa durante a infância.
O gato da família pode ser incorporado ao grupo social.
Entretanto, um gato desconhecido correndo no jardim pode ser percebido como presa.
O grupo britânico de saúde alerta que mesmo Borders criados com gatos podem perseguir e ferir felinos estranhos. Border Terrier Health
O gato precisa possuir:
- áreas elevadas;
- rotas de fuga;
- alimentação protegida;
- caixa sanitária inacessível;
- locais exclusivos.
O cão deve aprender a desviar a atenção e abandonar perseguições.
Coelhos, roedores e aves
A compatibilidade é muito baixa.
O Border foi criado para localizar, perseguir e confrontar pequenos animais.
Hamsters, ratos domésticos, porquinhos-da-índia, coelhos e aves podem despertar comportamento predatório imediato.
O grupo de saúde dos clubes britânicos afirma de maneira direta que esses animais podem ser mortos pelo Border e que recintos e propriedades precisam permanecer totalmente seguros. Border Terrier Health
Não se deve realizar um contato direto apenas para observar a reação.
Uma única tentativa pode ser fatal para o animal menor.
Animais rurais
Galinhas, patos e pequenos mamíferos precisam de recintos protegidos.
Mesmo quando o Border ignora os animais na presença do tutor, pode reagir de maneira diferente quando permanece sozinho.
Cercas precisam impedir:
- escavação;
- passagem por vãos;
- acesso por baixo de portões;
- abertura de telas frágeis.
Apartamento e espaço
O Border Terrier pode adaptar-se muito bem a apartamentos.
O Royal Kennel Club classifica a raça como apropriada a apartamentos e tanto à cidade quanto ao campo. Também utiliza até uma hora diária de exercício como referência geral. Royal Kennel Club
Essa adaptação depende da rotina.
Um Border pequeno não ocupa muito espaço físico, mas pode produzir grandes problemas quando suas necessidades são ignoradas.
Os principais desafios são:
- energia;
- latidos de alerta;
- dificuldade de ficar sozinho;
- perseguição;
- escavação;
- fuga;
- convivência com cães e gatos nos corredores.
O cão precisa aprender a:
- esperar antes de sair;
- entrar no elevador com calma;
- passar por pessoas;
- ignorar animais;
- caminhar sem puxar;
- retornar ao apartamento;
- descansar apesar dos ruídos.
Janelas podem aumentar a vigilância.
Se passa horas observando pessoas e animais, o Border pode desenvolver:
- latidos;
- corridas;
- frustração;
- agressividade na barreira;
- dificuldade para dormir.
Cortinas, películas ou mudança da posição dos móveis podem reduzir o acesso visual.
A residência precisa possuir:
- telas seguras;
- portas bem vedadas;
- ausência de pequenos vãos;
- lixeiras protegidas;
- objetos perigosos fora do alcance;
- cama própria;
- brinquedos de ocupação.
Uma casa com quintal facilita a rotina, mas a cerca deve ser preparada para um terrier.
A inspeção precisa considerar não apenas a altura, mas a base.
O Border pode passar por uma abertura surpreendentemente estreita ou cavar sob a estrutura. Border Terrier Health
O quintal não substitui caminhadas e exploração.
Depois de conhecer todos os odores do terreno, o cão continuará precisando de novidades e interação.
O trabalho cotidiano que precisa caber na sua vida.
A pelagem parece simples, mas possui um método específico de manutenção.
O Border apresenta:
- subpelo macio e fechado;
- cobertura externa curta, dura e áspera.
A camada externa não cai continuamente da mesma forma que pelos macios. Quando amadurece, pode permanecer presa até ser retirada manualmente.
O subpelo passa por trocas e produz parte da queda observada dentro de casa. FCI
Escovação
Fora das trocas, uma ou duas escovações semanais costumam ser suficientes.
Durante períodos de maior queda, a frequência pode aumentar.
Podem ser utilizados:
- escova de cerdas;
- rasqueadeira delicada;
- pente;
- ferramenta apropriada ao subpelo.
A escovação ajuda a:
- retirar sujeira;
- remover fios mortos;
- examinar a pele;
- identificar carrapatos;
- reduzir pelos dentro da casa.
Hand stripping
O stripping remove manualmente os fios externos maduros.
Em cães com cobertura correta, esses pelos soltam-se com relativa facilidade quando chegam ao fim do ciclo.
O procedimento pode ser realizado:
- duas vezes por ano;
- em manutenção contínua;
- conforme o ciclo individual.
Um profissional experiente preserva:
- textura;
- cor;
- proteção contra clima;
- aparência natural.
O grupo britânico de saúde informa que alguns Borders precisam ser submetidos ao stripping aproximadamente duas vezes por ano. Border Terrier Health
Uso de máquina
A máquina corta o fio em vez de removê-lo pela raiz.
Com o tempo, a cobertura pode tornar-se:
- macia;
- opaca;
- clara;
- ondulada;
- menos resistente à água.
Para cães idosos, sensíveis ou mantidos apenas como companhia, o corte pode ser uma escolha prática.
O bem-estar vem antes da textura de exposição.
Banho
O Border não precisa de banhos muito frequentes quando a pele está saudável.
A cobertura áspera tende a liberar sujeira depois de seca.
Banhos podem ocorrer quando necessário, utilizando xampu próprio para cães.
O enxágue precisa ser completo, e o subpelo deve secar.
Orelhas, unhas e dentes
As orelhas caídas precisam ser verificadas semanalmente.
O tutor deve observar:
- odor;
- secreção;
- coceira;
- vermelhidão;
- dor.
As unhas precisam permanecer curtas.
As almofadas devem ser examinadas depois de terrenos ásperos.
A higiene dentária merece atenção especial. Um estudo veterinário inglês encontrou doença periodontal como o distúrbio mais frequentemente registrado na população avaliada de Border Terriers. Springer Nature Link
A escovação deve ser frequente, idealmente diária, utilizando creme veterinário.
Exercícios e atividades
O Border Terrier possui energia moderada a alta.
O Royal Kennel Club utiliza até uma hora diária como referência, mas indivíduos jovens e ativos frequentemente aproveitam períodos maiores, especialmente em trilhas, faro e esportes. Royal Kennel Club
Sua origem demonstra resistência superior ao que o tamanho sugere.
O cão precisava acompanhar cavalos e matilhas durante longos deslocamentos. FCI
Uma rotina equilibrada pode combinar:
- caminhadas;
- exploração com guia;
- faro;
- brincadeiras;
- treinamento;
- corrida em área cercada;
- descanso.
Atividades adequadas incluem:
- earthdog;
- barn hunt;
- nosework;
- mantrailing;
- agility;
- rally;
- obediência;
- busca de brinquedos;
- trilhas;
- canicross moderado;
- natação supervisionada.
O AKC destaca a versatilidade da raça em atividades como agility, faro, barn hunt, earthdog e até dock diving. American Kennel Club
Earthdog e barn hunt
O earthdog recria de maneira controlada a entrada em túneis e a localização de uma presa protegida.
O barn hunt utiliza estruturas com palha e odores para permitir busca segura.
Essas atividades aproveitam:
- faro;
- escavação;
- persistência;
- interesse por pequenos animais.
A presa real permanece protegida, e o cão trabalha dentro de regras.
Caminhadas
O Border pode ser excelente companheiro de caminhada.
Apesar do porte, possui resistência e patas funcionais.
A progressão precisa ser gradual.
O tutor deve observar:
- temperatura;
- terreno;
- condicionamento;
- almofadas;
- hidratação;
- recuperação.
Depois do passeio, patas e pele precisam ser inspecionadas em busca de espinhos, carrapatos e cortes.
Guia e retorno ao chamado
O retorno deve ser treinado, mas a guia continua necessária em áreas de risco.
A raça pode ignorar comandos quando um animal dispara seu instinto. Border Terrier Health
Guias longas oferecem liberdade controlada em campos e trilhas.
O peitoral precisa ser bem ajustado e impedir fugas para trás.
Filhotes
Filhotes não devem realizar:
- corridas forçadas;
- longas distâncias;
- saltos repetitivos;
- exercício ao lado de bicicletas;
- atividades até a exaustão;
- impacto intenso sobre articulações.
São mais adequados:
- passeios curtos;
- exploração;
- socialização;
- faro;
- brincadeiras livres;
- treinamento breve.
Calor
O Border é resistente ao clima, mas não é imune ao calor.
No Brasil, atividades intensas precisam ocorrer cedo ou no final do dia.
Sinais de superaquecimento incluem:
- ofegação extrema;
- fraqueza;
- saliva espessa;
- desorientação;
- vômitos;
- perda de coordenação.
O cão precisa de sombra, água e interrupção imediata da atividade.
Alimentação
A alimentação do Border Terrier deve sustentar um cão pequeno, musculoso e ativo.
A quantidade precisa considerar:
- peso;
- idade;
- castração;
- atividade;
- metabolismo;
- saúde;
- condição corporal.
Adultos normalmente podem receber duas refeições diárias.
Filhotes podem precisar de três ou mais porções menores, conforme idade e orientação veterinária.
O Border tende a apreciar alimentos e pode ganhar peso quando a família oferece petiscos sem controle.
A condição correta inclui:
- costelas palpáveis;
- cintura;
- peito estreito;
- musculatura;
- disposição.
O cão não deve adquirir formato cilíndrico.
O excesso de gordura compromete a função original e aumenta riscos ortopédicos e metabólicos.
Petiscos e treinamento
Parte da própria refeição pode ser utilizada durante:
- retorno ao chamado;
- treino de portas;
- faro;
- manipulação;
- stripping;
- exercícios de calma.
Os petiscos precisam ser pequenos.
Várias pessoas oferecendo alimentos ao longo do dia podem duplicar a ingestão sem perceber.
Alimentação e atividade
Cães que praticam trilhas, agility ou atividades de trabalho podem precisar de mais energia.
O aumento deve acompanhar o gasto real.
Um Border doméstico não deve receber alimento de atleta apenas porque sua raça possui origem de trabalho.
Água
Água limpa deve permanecer disponível.
Durante caminhadas longas, o tutor precisa transportar água e oferecer pausas.
Problemas digestivos
Vômitos, diarreia, dor abdominal, icterícia ou perda de apetite persistente exigem avaliação, principalmente diante da preocupação da raça com doenças gastrointestinais e da vesícula.
Dietas especiais não devem ser iniciadas apenas por suspeita.
O tratamento depende do diagnóstico.
Suplementos
Vitaminas, cálcio, produtos articulares e suplementos naturais não devem ser oferecidos automaticamente.
Dietas caseiras precisam ser formuladas por médico-veterinário especializado em nutrição.
Predisposição não é destino, mas precisa entrar na escolha.
O Border Terrier é geralmente considerado uma raça robusta e relativamente longeva.
Um estudo VetCompass realizado com cães atendidos em clínicas inglesas encontrou mediana de longevidade de 12,7 anos. O mesmo trabalho identificou doença periodontal e excesso de peso entre os problemas mais registrados. Springer Nature Link
Robustez não significa ausência de riscos.
Nos Estados Unidos, o clube nacional recomenda para reprodutores:
- avaliação das patelas;
- avaliação dos quadris;
- exame cardíaco;
- avaliação oftalmológica;
- teste genético para SLEM.
Os exames e resultados devem ser publicados em bancos abertos sempre que possível.
No Reino Unido, o teste genético para SLEM permanece a recomendação formal central. A avaliação de quadris foi retirada temporariamente do padrão britânico de saúde enquanto sua relevância clínica para uma raça pequena e sem conformação exagerada continua sendo analisada. Royal Kennel Club
Leucoencefalomielopatia espongiforme — SLEM
A SLEM também é conhecida como Shaking Puppy Syndrome ou síndrome do filhote tremedor.
É uma doença neurológica hereditária grave.
Os sinais normalmente aparecem quando os filhotes começam a ficar em pé e caminhar.
Podem incluir:
- tremores;
- dificuldade para sustentar o corpo;
- perda de coordenação;
- movimentos anormais;
- comprometimento progressivo.
O grupo britânico relata que a manifestação costuma começar entre duas e três semanas, embora existam casos mais tardios. Um teste de DNA foi desenvolvido em 2017 e permite identificar o estado genético dos reprodutores. Border Terrier Health
A condição possui herança recessiva.
Os cães podem ser classificados como:
- livres;
- portadores;
- afetados.
Portadores geralmente não desenvolvem a doença, mas transmitem a variante.
Um portador pode ser cruzado com um cão livre sem produzir filhotes geneticamente afetados. Dois portadores não devem ser acasalados, pois existe risco de descendentes afetados. Border Terrier Health
Eliminar automaticamente todos os portadores pode reduzir diversidade.
O objetivo é utilizar o teste para planejar acasalamentos seguros.
Síndrome de cãibras epileptoides caninas — CECS
A CECS é frequentemente chamada de Spike’s Disease.
Atualmente, também é descrita como uma forma de discinesia paroxística.
Durante os episódios, o cão pode apresentar:
- contrações;
- rigidez;
- postura anormal;
- movimentos involuntários;
- desconforto abdominal aparente;
- dificuldade temporária para caminhar.
Uma característica relatada é que muitos cães permanecem conscientes durante o episódio e parecem completamente normais entre as crises. Border Terrier Health
O diagnóstico não é simples.
Crises epilépticas, dor gastrointestinal, alterações metabólicas e outras doenças neurológicas podem produzir sinais semelhantes.
Filmar o episódio ajuda o veterinário, mas não substitui avaliação clínica.
Ainda não existe um teste genético amplamente utilizado que elimine todo o risco de CECS. Cães afetados ou fortemente suspeitos não devem ser utilizados na reprodução segundo a orientação do grupo britânico. Border Terrier Health
Epilepsia e convulsões
O estudo VetCompass registrou crises e epilepsia entre os diagnósticos encontrados na raça, embora em proporção muito menor do que problemas dentários ou obesidade. Springer Nature Link
Uma convulsão pode envolver:
- queda;
- rigidez;
- movimentos involuntários;
- salivação;
- perda de consciência;
- desorientação posterior.
Uma única crise não confirma epilepsia.
Intoxicações, alterações do fígado, glicose, eletrólitos e outras doenças também podem causar convulsões.
O histórico familiar precisa ser investigado antes da reprodução.
Mucocele da vesícula biliar
A mucocele ocorre quando material espesso se acumula dentro da vesícula biliar.
Pode comprometer o fluxo da bile e, em casos graves, levar a inflamação, ruptura e emergência abdominal.
O grupo de saúde dos clubes britânicos considera essa uma condição em investigação no Border Terrier e afirma que a raça pode estar mais representada entre os casos do que diversas outras. Border Terrier Health
Os sinais podem incluir:
- falta de apetite;
- vômitos;
- dor abdominal;
- cansaço;
- icterícia;
- febre;
- alteração dos exames hepáticos.
Esses sintomas não são específicos.
Ultrassonografia e exames laboratoriais são necessários para avaliação.
Displasia coxofemoral
A displasia ocorre quando o quadril não se desenvolve adequadamente.
Pode provocar:
- frouxidão;
- dor;
- osteoartrite;
- rigidez;
- redução dos saltos;
- claudicação.
O clube norte-americano recomenda avaliação dos quadris.
A recomendação britânica atual é mais cautelosa: o hip scoring foi retirado do padrão formal enquanto o valor clínico do exame em cães pequenos e sem exagero estrutural continua sendo estudado. Border Terrier Health
Essas posições não são necessariamente incompatíveis.
Um criador pode continuar avaliando quadris, principalmente quando existe histórico familiar ou intenção esportiva, mesmo que o exame não seja obrigatório em todos os sistemas.
Luxação de patela
A patela pode deslocar-se do sulco normal do joelho.
O cão pode:
- levantar uma perna;
- caminhar aos saltos;
- demonstrar dor;
- evitar pulos;
- desenvolver artrite.
A avaliação das patelas integra as recomendações norte-americanas.
Casos leves podem ser acompanhados. Casos graves podem exigir cirurgia.
Controle de peso e redução de saltos repetitivos diminuem sobrecarga, mas não corrigem deformidades anatômicas.
Doença de Legg-Calvé-Perthes
Essa doença compromete o suprimento sanguíneo da cabeça do fêmur, levando à morte e remodelação do osso.
Costuma surgir em cães jovens e pode provocar:
- claudicação;
- dor;
- perda de musculatura;
- resistência a apoiar a perna;
- artrite.
O grupo britânico considera a condição rara, mas investiga a possibilidade de subnotificação na raça. A maioria dos casos aparece antes de um ano de idade. Border Terrier Health
Coração
O Border Terrier Club of America recomenda exame cardiológico realizado por especialista, com auscultação obrigatória e ecocardiograma recomendado.
O clube chama atenção especial para sopros em filhotes e para possíveis defeitos do septo ventricular.
Os sinais de doença cardíaca podem incluir:
- cansaço;
- tosse;
- desmaios;
- respiração acelerada;
- intolerância ao exercício;
- fraqueza.
Sopros podem desaparecer ou persistir, dependendo da causa.
Filhotes com alterações precisam de investigação apropriada antes da venda ou reprodução.
Olhos
O clube norte-americano recomenda exame oftalmológico anual, pelo menos até aproximadamente oito anos nos reprodutores e cães envolvidos em atividades.
Podem ser investigadas:
- cataratas;
- alterações da retina;
- problemas das pálpebras;
- doenças da córnea;
- inflamações.
O tutor deve procurar atendimento diante de:
- opacidade;
- dor;
- olho fechado;
- vermelhidão;
- secreção;
- perda visual.
Pele, alergias e orelhas
Problemas dermatológicos e otites aparecem entre as preocupações relatadas por levantamentos britânicos da raça. Border Terrier Health
Os sinais podem incluir:
- coceira;
- lambedura;
- vermelhidão;
- falhas no pelo;
- mau cheiro;
- infecções de ouvido;
- irritação entre os dedos.
As causas podem envolver alergias, parasitas, infecções ou umidade.
Trocar alimentos repetidamente sem investigação não identifica necessariamente a causa.
Doença periodontal
No estudo VetCompass, doença periodontal foi registrada em 17,63% dos cães avaliados e apareceu como o problema mais comum da raça no conjunto analisado. Springer Nature Link
Os sinais incluem:
- mau hálito;
- tártaro;
- gengivas vermelhas;
- sangramento;
- dor;
- dentes soltos;
- dificuldade para mastigar.
Escovação frequente e avaliações veterinárias são fundamentais.
Obesidade
O mesmo estudo registrou sobrepeso ou obesidade em aproximadamente 7% dos Borders avaliados. Springer Nature Link
O pequeno porte faz com que algumas centenas de gramas produzam impacto relevante.
O excesso de gordura aumenta a carga sobre:
- joelhos;
- quadris;
- coluna;
- coração.
Também reduz resistência e tolerância ao calor.
Traumas e acidentes
O grupo britânico identificou trauma entre as causas importantes de morte e relaciona parte dos acidentes à tendência de perseguir e ignorar comandos diante de distrações. Border Terrier Health
Prevenção inclui:
- guia perto de ruas;
- cercas seguras;
- identificação;
- microchip;
- treino de portas;
- retorno ao chamado;
- controle diante de animais.
Cuidados antes da compra
Ao procurar um criador, solicite documentação referente a:
- teste genético SLEM;
- avaliação das patelas;
- quadris, quando realizada;
- exame oftalmológico;
- avaliação cardíaca;
- histórico de CECS;
- epilepsia;
- mucocele da vesícula;
- Legg-Calvé-Perthes;
- alergias;
- longevidade;
- causas de morte;
- temperamento;
- capacidade de conviver com cães.
Um número CHIC confirma que os exames exigidos foram realizados e publicados, mas não garante resultados normais. Cada documento precisa ser conferido individualmente.
Inteligência sem rotina também produz problemas.
O Border Terrier é inteligente, mas mantém independência.
Aprende rapidamente quando o exercício possui valor e pode ignorar repetições que considera pouco interessantes.
O treinamento funciona melhor com:
- reforço positivo;
- alimentos;
- brinquedos;
- faro;
- sessões curtas;
- variedade;
- regras consistentes.
Métodos agressivos podem produzir:
- confronto;
- medo;
- fuga;
- resistência;
- comportamento defensivo.
Firmeza significa impedir que ações inadequadas produzam recompensa.
Comportamentos prioritários
O filhote precisa aprender:
- resposta ao nome;
- atenção voluntária;
- sentar;
- deitar;
- permanecer;
- retorno ao chamado;
- caminhar sem puxar;
- esperar diante de portas;
- soltar objetos;
- abandonar alimentos;
- ir para uma cama;
- aceitar manipulação;
- permanecer sozinho;
- utilizar caixa de transporte;
- aceitar focinheira.
Retorno ao chamado
O retorno precisa ser construído progressivamente:
1. dentro de casa; 2. quintal cercado; 3. guia longa; 4. ambientes com poucos estímulos; 5. presença distante de animais; 6. locais naturais controlados.
A recompensa precisa competir com o ambiente.
Alimentos comuns podem ser insuficientes diante de um coelho.
Mesmo com excelente treinamento, o tutor não deve confiar completamente no retorno próximo a trânsito ou animais.
Portas e portões
O controle de portas é uma habilidade de segurança.
O cão deve aprender a:
- parar antes da abertura;
- olhar para o tutor;
- esperar;
- atravessar sob autorização;
- retornar quando chamado.
Uma única fuga pode levar o Border a quilômetros de distância seguindo odores.
Escavação
Proibir toda escavação pode ser pouco realista.
Uma alternativa é oferecer uma área específica com:
- terra;
- areia;
- brinquedos enterrados;
- odores;
- recompensas.
O cão aprende onde o comportamento é permitido.
Cavar junto à cerca precisa ser imediatamente interrompido e fisicamente impedido.
Treinamento higiênico e solidão
A raça costuma aprender a higiene com relativa facilidade quando existe rotina.
O filhote deve ser levado ao local correto:
- ao acordar;
- depois de comer;
- depois de brincar;
- antes de dormir;
- em intervalos adequados.
A independência deve ser ensinada por ausências curtas.
O Border gosta de companhia e pode sofrer quando permanece sozinho durante jornadas prolongadas. Border Terrier Health
Conheça diferentes expressões da raça.

Pontos positivos
- procura um cão pequeno, resistente e ativo;
- vive em apartamento, mas oferece passeios;
- gosta de trilhas e ambientes naturais;
- deseja praticar faro ou earthdog;
- aceita um terrier com personalidade própria;
- utiliza reforço positivo;
- consegue manter cercas e portões seguros;
- procura um cão geralmente sociável;
- possui crianças respeitosas;
- consegue oferecer aproximadamente uma hora de atividade diária;
- aceita queda moderada do subpelo;
- pode realizar ou pagar pelo hand stripping;
- gosta de cães brincalhões;
- oferece companhia durante boa parte do dia;
- consegue controlar o peso;
- aceita utilizar guia em locais de risco;
- investiga exames e histórico familiar;
- deseja um companheiro pequeno sem fragilidade extrema.
Pontos de atenção
- mantém coelhos, hamsters ou aves soltos;
- deseja um cão sem instinto de caça;
- deixa portas e portões abertos;
- pretende confiar totalmente no retorno ao chamado;
- não aceita escavação;
- possui cercas frágeis;
- passa longas horas fora;
- oferece apenas passeios muito curtos;
- deseja um cão completamente obediente;
- utiliza punições físicas;
- não aceita pelos e manutenção sazonal;
- procura um cão de guarda;
- deseja soltá-lo perto de ruas;
- não possui paciência para socialização;
- mantém gatos desconhecidos entrando no quintal;
- não pretende cuidar dos dentes;
- escolhe a raça apenas pelo pequeno tamanho;
- espera um cão de colo sedentário.