Mastiff Tibetano — Do-Khyi
O guardião do Himalaia que foi criado para decidir sozinho
Origem: Tibete (China)
Existe uma diferença enorme entre ensinar um cachorro a proteger uma propriedade e desenvolver, durante séculos, um cachorro cuja função era observar o mundo durante a noite e decidir sozinho o que representava perigo. O Mastiff Tibetano pertence ao segundo grupo.
Uma história selecionada para uma função.
Existe uma diferença enorme entre ensinar um cachorro a proteger uma propriedade e desenvolver, durante séculos, um cachorro cuja função era observar o mundo durante a noite e decidir sozinho o que representava perigo.
O Mastiff Tibetano pertence ao segundo grupo.
Ele nasceu em um território de altitude extrema, frio intenso, grandes distâncias e comunidades onde um guardião não podia esperar que alguém aparecesse para lhe dizer o que fazer. Pastores nômades precisavam proteger rebanhos. Mosteiros precisavam proteger seus limites. Aldeias precisavam de cães capazes de perceber a presença de estranhos antes que os humanos percebessem.
Isso moldou um animal extraordinariamente independente.
Grande, pesado, coberto por uma pelagem dupla que forma uma juba ao redor do pescoço, o Mastiff Tibetano produz uma das aparências mais imponentes do mundo canino.
Mas a característica mais importante está dentro da cabeça.
A FCI resume seu temperamento em quatro ideias: independência, proteção, autoridade natural e enorme lealdade à família e ao território. FCI
É exatamente por isso que ele fascina tanta gente.
E também por que não é um cachorro para qualquer pessoa.
História e origem
O Mastiff Tibetano não nasceu em um canil moderno.
Nasceu no Himalaia.
A FCI registra o Do-Khyi como uma antiga raça de trabalho ligada aos pastores nômades das regiões himalaicas e como tradicional guardião dos mosteiros tibetanos.
Sua função era fundamental.
Durante o deslocamento dos rebanhos, cães precisavam proteger animais e pessoas contra ameaças.
Ao redor de assentamentos e mosteiros, exerciam vigilância territorial.
Não havia cerca elétrica.
Não havia câmera.
Não havia aplicativo enviando notificação.
Havia o cachorro.
E frequentemente ele precisava trabalhar à noite, com enorme autonomia.
Do-Khyi
O nome tradicional Do-Khyi costuma ser associado ao cão mantido ou preso junto às entradas de residências, acampamentos e propriedades.
Não significa que todos os cães históricos fossem permanentemente acorrentados.
A ideia ajuda a entender sua função.
Era um cão colocado onde alguém precisava de uma fronteira viva.
Seu trabalho não exigia procurar ordens humanas constantemente.
Exigia avaliar.
Escutar.
Observar.
Decidir.
Essa herança explica grande parte do comportamento da raça atual.
# Um cachorro envolvido por mitos
Poucas raças acumularam tanta mitologia histórica.
A FCI menciona relatos associados a Aristóteles, no século IV a.C., e aos escritos atribuídos às viagens de Marco Polo, iniciadas no século XIII. Autores europeus posteriores também especularam que cães tibetanos poderiam estar relacionados às origens de diferentes grandes cães de montanha e mastiffs.
Mas é importante não transformar tradição em genética comprovada.
A ideia de que o Mastiff Tibetano seria literalmente o “pai de todos os mastiffs” é uma interpretação histórica antiga, não uma conclusão que possa ser tratada hoje como genealogia perfeitamente demonstrada.
O que pode ser afirmado com muito mais segurança é que populações de grandes cães guardiões existem há muito tempo nas regiões do Tibete e do Himalaia.
E o Do-Khyi representa uma dessas tradições caninas mais antigas e marcantes.
# Quando o Ocidente conheceu o gigante
A FCI registra um dos primeiros exemplares tibetanos conhecidos enviados ao Ocidente em 1847.
O cão foi enviado por Lord Hardinge, então governador-geral da Índia, para a rainha Vitória na Inglaterra.
Décadas depois, nos anos 1880, o futuro rei Edward VII, então príncipe de Gales, levou outros dois cães para a Inglaterra.
Em 1898, uma ninhada registrada nasceu no zoológico de Berlim.
Aqueles cães ainda não representavam necessariamente uma população ocidental numerosa ou geneticamente estabilizada.
Mas marcavam o início da presença internacional moderna da raça.
A FCI reconheceu definitivamente o Do-Khyi em 22 de agosto de 1961. Fédération Cynologique Internationale
Ficha rápida completa
Aparência e características físicas
O Mastiff Tibetano parece ter sido criado para que ninguém tenha dúvida de que alguma coisa importante está sendo protegida.
A FCI descreve um cão:
- poderoso;
- pesado;
- fortemente construído;
- de ossatura robusta;
- impressionante;
- resistente.
Apesar da massa, precisa conservar capacidade funcional para deslocar-se em terrenos variados. FCI
Não é simplesmente um cachorro coberto por pelo.
Existe uma estrutura de cão de montanha embaixo da juba.
# Crescimento extremamente lento
Aqui existe uma característica incomum.
O Mastiff Tibetano demora para amadurecer.
A FCI considera que fêmeas podem atingir sua melhor maturidade física apenas aos dois ou três anos.
Nos machos, isso pode acontecer somente a partir dos quatro anos. FCI
Isso significa que o tutor passa muito tempo convivendo com um cachorro fisicamente enorme cuja maturidade mental ainda está sendo construída.
Um adolescente de 50 quilos continua sendo adolescente.
Só que agora consegue alcançar praticamente qualquer coisa da casa.
# Cabeça
A cabeça é:
- larga;
- pesada;
- forte.
O crânio é grande e apenas discretamente arredondado.
O focinho é largo, profundo e termina de maneira relativamente quadrada.
O nariz deve ser largo e tão escuro quanto possível de acordo com a cor da pelagem.
Os olhos são médios, ovais e ligeiramente inclinados.
A FCI valoriza uma expressão de dignidade. FCI
É uma descrição bastante apropriada.
O Mastiff Tibetano frequentemente parece estar analisando o ambiente com uma seriedade que faz o restante da humanidade parecer um pouco infantil.
# Orelhas
As orelhas são:
- médias;
- triangulares;
- pendentes;
- colocadas relativamente altas;
- voltadas para a frente quando o cão está atento.
Ficam próximas à cabeça em repouso.
A pelagem ao redor da cabeça e do pescoço cria o efeito visual de uma juba.
Nos machos essa característica tende a ser ainda mais pronunciada. FCI
# Corpo
O corpo é ligeiramente mais comprido do que alto.
O dorso deve ser reto e musculoso.
O peito é profundo e moderadamente largo.
Os membros são fortes, com ossatura pesada.
Mas o cão ainda deve conseguir mover-se com eficiência.
A FCI descreve uma movimentação poderosa, leve e elástica, adequada ao deslocamento por diferentes tipos de terreno. FCI
Isso é importante.
Um cão desenvolvido nas montanhas não poderia sobreviver sendo apenas uma escultura enorme.
Precisava funcionar.
# Cauda
A cauda possui inserção alta.
Quando o cão está alerta ou se movimentando, normalmente é carregada alta e frouxamente enrolada sobre o dorso.
Também apresenta pelagem abundante.
Essa cauda, combinada à juba, ajuda a produzir a silhueta típica da raça.
# Pelagem
A pelagem é uma ferramenta climática.
Não apenas decoração.
O pelo externo é:
- espesso;
- relativamente áspero;
- reto;
- afastado do corpo.
O subpelo torna-se muito denso e lanoso em condições frias e pode ficar consideravelmente mais escasso durante períodos quentes.
Machos tendem a apresentar pelagem mais abundante que fêmeas. FCI
O pelo ao redor do pescoço e dos ombros forma a famosa juba.
# Cores
A FCI admite:
- preto intenso, com ou sem marcações castanhas;
- azul, com ou sem marcações castanhas;
- dourado, do fulvo intenso ao vermelho profundo;
- sable.
Pequena estrela branca no peito pode ser aceita, assim como marcas brancas mínimas nos pés.
As marcações castanhas podem surgir:
- acima dos olhos;
- nas partes inferiores das pernas;
- abaixo da cauda;
- no focinho. FCI
Cores como branco integral, creme, liver, lilás, tigrado ou particolor não fazem parte do padrão FCI. FCI
Tutor indicado
- possui experiência real com cães grandes e independentes;
- deseja um guardião territorial;
- mora em propriedade ampla e seguramente cercada;
- vive em clima frio ou moderado;
- consegue realizar socialização intensa desde filhote;
- aceita treinamento contínuo;
- aprecia cães independentes;
- não espera obediência robótica;
- deseja um cão profundamente ligado à própria família;
- consegue assumir custos de alimentação e saúde de uma raça gigante;
- aceita grande quantidade de pelos na troca sazonal;
- possui rotina estruturada e capacidade real de gerenciamento.
Tutor não indicado
- nunca teve cães;
- mora em apartamento pequeno;
- vive em clima muito quente sem estrutura adequada;
- deseja um cão extremamente sociável com desconhecidos;
- recebe grande número de visitantes sem possibilidade de manejo;
- não quer investir em socialização;
- deseja recall perfeito e liberdade sem guia;
- procura um cão fácil de treinar;
- não possui cercamento seguro;
- não tolera latidos de guarda;
- possui pouco tempo para treinamento;
- deseja um cachorro que aceite qualquer pessoa imediatamente.
Em resumo
O Mastiff Tibetano nasceu em um mundo onde alguém precisava permanecer acordado.
O pastor dormia.
O mosteiro silenciava.
A aldeia apagava suas luzes.
E do lado de fora existia um cão.
Grande.
Coberto por uma pelagem capaz de enfrentar o frio das montanhas.
Atento aos sons.
Desconfiado de estranhos.
E suficientemente independente para não precisar perguntar a ninguém se alguma coisa representava ameaça.
Esse trabalho produziu aquilo que encontramos hoje.
Um cachorro profundamente leal.
Inteligente.
Imponente.
Territorial.
E extraordinariamente autônomo.
A aparência leonina ajudou a transformar o Mastiff Tibetano em objeto de fascínio mundial.
Mas a juba talvez seja a parte menos importante da raça.
O verdadeiro Mastiff Tibetano está no comportamento.
No modo como observa.
Na maneira como decide.
Na diferença clara que faz entre família e desconhecidos.
E na segurança com que age como se a responsabilidade pelo território tivesse sido entregue diretamente a ele.
Não é um cão criado para obedecer antes de pensar.
Foi criado para pensar quando ninguém estava disponível para dar uma ordem.
Essa característica já salvou rebanhos e protegeu propriedades durante séculos.
Dentro da casa errada, pode transformar-se em um enorme problema.
Dentro da casa certa, com espaço, experiência, socialização e responsabilidade, ela explica por que o antigo guardião do Himalaia continua sendo uma das presenças mais impressionantes de toda a cinofilia.
Avaliação editorial de compatibilidade
Fontes e links de verificação
- FCI Standard No
- DO-KHYI
- Tibetan Mastiff Dog Breed Information
- Is the Tibetan Mastiff a Good Fit for Your Lifestyle
- Tibetan Mastiff Dog Breed Health and Care | PetMD
- Working Group Health Testing Requirements – American Kennel Club
- FEDERATION CYNOLOGIQUE INTERNATIONALE (AISBL)
- Conheça mais sobre sua raça canina favorita com os padrões da CBKC/FCI.
Como essa raça tende a viver com pessoas.
Aqui está o ponto decisivo.
O Mastiff Tibetano não foi desenvolvido para aguardar constantemente instruções humanas.
A FCI utiliza palavras extremamente significativas:
independente. protetor. leal à família e ao território. FCI
O AKC acrescenta que a raça tende a ser:
- vigilante;
- reservada;
- territorial;
- calma dentro de casa;
- profundamente dedicada à família. American Kennel Club
Isso não é o perfil de um Golden Retriever gigantesco com juba.
# Independência levada a sério
Existem raças inteligentes que adoram realizar comandos apenas porque o tutor pediu.
O Mastiff Tibetano não é necessariamente uma delas.
O AKC relata uma característica famosa da raça: alguns exemplares executam exercícios perfeitamente durante uma aula de treinamento e depois chegam em casa e simplesmente concluem que não existe motivo para repetir aquilo. American Kennel Club
Ele entendeu.
Só não considera que obedecer automaticamente seja parte obrigatória do contrato.
Isso é resultado lógico de sua história.
Um guardião trabalhando sozinho não poderia depender de autorização para cada decisão.
# Guarda territorial
A raça possui forte tendência a controlar território.
Isso pode envolver:
- portões;
- cercas;
- quintais;
- corredores;
- entradas;
- visitantes.
É precisamente por isso que socialização precoce é indispensável.
O cachorro precisa aprender que diferentes situações são normais antes de crescer acreditando que qualquer novidade exige intervenção.
Um Mastiff Tibetano adulto não deveria ser colocado pela primeira vez diante de dezenas de experiências básicas que poderiam ter sido apresentadas durante a infância.
# Atividade noturna
Existe outra característica interessante ligada à função histórica.
Muitos cães guardiões tornam-se particularmente atentos durante o período noturno.
No Mastiff Tibetano isso pode resultar em maior vigilância e vocalização quando o ambiente fica silencioso.
Em uma propriedade rural, latir durante a madrugada para avisar que alguma coisa está se aproximando pode ser útil.
Num condomínio às três da manhã, a recepção crítica do público tende a ser diferente.
Convivência com crianças
O Mastiff Tibetano pode ser profundamente ligado às crianças da própria família.
Mas isso não significa que seja a escolha automática para casas com crianças pequenas.
O AKC considera a raça mais adequada a famílias experientes e tende a apontar crianças maiores como contexto mais previsível. American Kennel Club
Existem duas razões.
A primeira é física.
Estamos falando de um cão grande e poderoso.
A segunda é comportamental.
Brincadeiras infantis podem envolver:
- gritos;
- corridas;
- amigos entrando no quintal;
- empurrões;
- perseguições;
- crianças fingindo lutar.
Um guardião altamente territorial pode interpretar uma situação humana de maneira diferente daquela pretendida.
Supervisão adulta é indispensável.
Convivência com crianças pequenas: exige grande cautela.
Convivência com crianças maiores, respeitosas e em família experiente: pode ser boa.
Convivência com outros animais
A convivência com outros cães pode variar bastante.
O Mastiff Tibetano possui forte personalidade e pode ser territorial, principalmente diante de cães desconhecidos.
Socialização desde cedo melhora muito as probabilidades de uma convivência equilibrada.
O AKC destaca que territorialidade pode aparecer tanto em relação a pessoas desconhecidas quanto a outros cães. American Kennel Club
Com animais pertencentes à própria casa, especialmente quando apresentados desde cedo, a adaptação pode ser muito melhor.
# Gatos
A convivência com gatos é possível.
Principalmente quando o cão aprende desde filhote que aquele animal faz parte do grupo familiar.
Mas isso não significa ausência completa de comportamento predatório ou perseguição em todos os indivíduos.
Apresentações controladas continuam necessárias.
# Pequenos animais
Com pequenos animais, cautela é maior.
A grande diferença física por si só aumenta o risco.
Mesmo comportamento sem intenção agressiva pode ser perigoso para:
- coelhos;
- roedores;
- aves;
- pequenos cães.
Portanto, separação física segura pode ser necessária dependendo da casa e do indivíduo.
Apartamento e espaço
Este é um dos casos em que “teoricamente possível” e “boa escolha” são coisas diferentes.
PetMD afirma de maneira bastante direta que um Mastiff Tibetano vivendo em um apartamento quente tende a se adaptar muito pior do que um exemplar mantido em propriedade ampla, cercada e de clima mais frio. PetMD
A dificuldade não é apenas tamanho.
É território.
O Mastiff Tibetano gosta de observar seu ambiente.
Precisa de espaço, limites claros e segurança.
Além disso, pode vocalizar bastante quando percebe ruídos e movimentação.
Em apartamentos, isso pode se transformar em problema sério.
Adaptação a apartamento: baixa.
# Cerca segura
Uma propriedade adequada precisa de cercamento confiável.
O Mastiff Tibetano não deveria patrulhar livremente áreas sem limites físicos adequados.
Também não é uma raça conhecida por recall infalível.
O AKC recomenda que não seja mantido solto fora de áreas controladas, justamente porque sua independência pode prevalecer sobre um comando de retorno. American Kennel Club
Uma cerca não serve apenas para impedir que o cachorro saia.
Serve para impedir que ele decida sozinho aumentar seu território.
O trabalho cotidiano que precisa caber na sua vida.
Durante boa parte do ano, os cuidados são relativamente administráveis para a quantidade de pelo apresentada.
O AKC considera que escovação semanal costuma ser suficiente em períodos normais. American Kennel Club
Mas então chega a troca de subpelo.
E a situação muda completamente.
# A explosão anual de pelo
Uma ou duas vezes por ano, especialmente ao final do período frio, muitos Mastiffs Tibetanos praticamente desmontam o próprio casaco.
PetMD descreve uma queda sazonal intensa do subpelo. PetMD
Nesse período, escovação precisa ser muito mais frequente.
Um ancinho de subpelo e ferramentas adequadas ajudam a remover material morto antes que ele:
- forme nós;
- se acumule;
- retenha umidade;
- termine distribuído pela casa inteira.
Quem acha que “queda de pelos” significa alguns fios no sofá ainda não conheceu a tecnologia de produção de lã do Himalaia.
# Banho
Banhos podem ocorrer conforme necessidade.
PetMD alerta que a pelagem espessa deve ser completamente seca depois do banho, porque umidade retida próxima à pele pode favorecer problemas dermatológicos. PetMD
Isso é especialmente importante no subpelo.
A superfície pode parecer seca enquanto a camada interna continua úmida.
# Olhos
A região ocular precisa ser observada.
PetMD destaca ocorrência de alterações palpebrais como:
- entrópio, quando a pálpebra se volta para dentro;
- ectrópio, quando se projeta excessivamente para fora.
Essas alterações podem produzir irritação, secreção, infecções e lesões da córnea. PetMD
Olho vermelho, secreção persistente ou sinais de dor justificam avaliação veterinária.
# Ouvidos
Como as orelhas são pendentes, inspeção regular é recomendada.
Procure:
- vermelhidão;
- odor;
- secreção;
- coceira;
- excesso de umidade.
Após banho ou contato com água, a secagem cuidadosa ajuda a reduzir problemas. PetMD
# Dentes e unhas
Escovação dentária continua importante mesmo em uma raça gigante.
Unhas também devem permanecer corretamente aparadas.
Em um cachorro pesado, unhas excessivamente longas podem alterar apoio e distribuição de carga.
Quanto maior a massa, menor deveria ser nossa tolerância com detalhes estruturais ignorados.
Exercícios e atividades
Apesar da aparência de enorme atleta de montanha, o Mastiff Tibetano não exige exercícios intensos durante horas.
PetMD observa que a raça possui força e agilidade, mas não é particularmente adequada para atividades prolongadas de endurance, como acompanhar corridas longas. PetMD
Uma rotina saudável pode incluir:
- caminhadas;
- patrulha controlada pelo quintal;
- exploração;
- atividades de faro;
- exercícios mentais;
- treinamento;
- passeios em ambientes tranquilos.
O objetivo não é exaurir o cachorro.
É oferecer atividade suficiente para corpo e cérebro.
# Calor
Aqui existe uma preocupação séria.
A raça possui uma pelagem construída para ambientes frios.
PetMD alerta que Mastiffs Tibetanos não lidam particularmente bem com calor e exige atenção a sinais de hipertermia em temperaturas elevadas. PetMD
Em regiões quentes:
- exercícios devem ocorrer nos horários mais frescos;
- sombra é essencial;
- água deve permanecer disponível;
- ambientes internos climatizados podem ser importantes.
Tosar radicalmente o pelo não é solução automática.
A pelagem dupla possui funções de proteção e termorregulação.
Alimentação
Alimentar uma raça gigante exige controle.
Não simplesmente quantidade.
O crescimento precisa acontecer de forma gradual e saudável.
Excesso calórico durante o desenvolvimento pode favorecer crescimento corporal rápido demais em relação à maturação estrutural.
A alimentação deve ser adequada a:
- idade;
- peso;
- condição corporal;
- nível de atividade;
- fase de crescimento.
Para filhotes gigantes, a escolha de dieta apropriada merece orientação profissional.
# Peso corporal
A enorme quantidade de pelagem pode esconder a verdadeira condição corporal.
Por isso o tutor precisa usar as mãos.
Costelas devem poder ser palpadas sob uma cobertura corporal adequada.
A cintura precisa existir.
Um Mastiff Tibetano gordo pode continuar parecendo apenas “muito peludo”.
Até alguém perceber que existem cinco ou dez quilos extras escondidos embaixo da juba.
E as articulações percebem isso muito antes.
# Apetite
PetMD observa uma característica interessante: alguns Mastiffs Tibetanos não são especialmente motivados por comida e podem ocasionalmente ignorar refeições quando não estão com fome. PetMD
Isso também explica por que recompensas alimentares nem sempre produzem a mesma eficiência no treinamento que produzem em outras raças.
O cachorro não apenas possui opinião.
Às vezes nem o biscoito consegue negociar com ela.
Predisposição não é destino, mas precisa entrar na escolha.
O Mastiff Tibetano possui expectativa de vida relativamente boa para uma raça gigante, frequentemente situada em torno de 10 a 12 anos. PetMD
Mesmo assim, existem condições importantes que criadores e tutores precisam acompanhar.
O clube nacional reconhecido pelo AKC recomenda oficialmente avaliações de:
- quadris;
- cotovelos;
- olhos;
- tireoide. American Kennel Club
# Displasia coxofemoral
A displasia do quadril ocorre quando a articulação não se desenvolve ou funciona corretamente.
Em uma raça grande, isso pode produzir impacto significativo.
Sintomas podem incluir:
- dificuldade para levantar;
- redução de atividade;
- claudicação;
- dor;
- relutância para subir degraus.
PetMD destaca peso corporal e ritmo de crescimento entre fatores que podem influenciar a manifestação clínica em cães predispostos. PetMD
Por isso seleção genética e controle de peso trabalham juntos.
# Displasia de cotovelo
O cotovelo também merece atenção.
Alterações de desenvolvimento podem provocar dor e claudicação dos membros anteriores.
O AKC inclui avaliação de cotovelos entre os exames recomendados pelo clube da raça. American Kennel Club
Novamente, o tamanho amplifica as consequências.
Um problema ortopédico precisa sustentar dezenas de quilos a cada passo.
# Hipotireoidismo
PetMD inclui hipotireoidismo entre as condições observadas na raça.
A tireoide passa a produzir níveis insuficientes de hormônios, alterando o metabolismo.
Sinais possíveis incluem:
- letargia;
- ganho de peso;
- alterações de pele;
- alterações na pelagem;
- redução de disposição. PetMD
O AKC também lista avaliação de tireoide entre os testes recomendados para reprodutores. American Kennel Club
# Entrópio e ectrópio
As alterações de pálpebra descritas anteriormente também entram na discussão de saúde hereditária.
Entrópio pode fazer pelos e cílios entrarem em contato constante com a córnea.
Ectrópio pode deixar a superfície ocular excessivamente exposta.
Ambos merecem tratamento quando clinicamente relevantes. PetMD
# Exames oftalmológicos
Não basta observar se o cachorro “parece enxergar bem”.
O AKC recomenda avaliação periódica realizada por oftalmologista veterinário em cães destinados à reprodução. American Kennel Club
A lógica é detectar alterações antes de reproduzir indivíduos portadores de problemas importantes.
Avaliações importantes antes da compra
Ao conversar com um criador, pergunte especificamente por documentação de:
- avaliação de quadril;
- avaliação de cotovelo;
- exame oftalmológico;
- avaliação de tireoide. American Kennel Club
Também pergunte:
- idade dos pais;
- longevidade dos avós;
- problemas ortopédicos na linhagem;
- histórico ocular;
- histórico de tireoide;
- temperamento dos parentes.
Para uma raça guardiã, saúde não é apenas articulação e laboratório.
Temperamento também precisa ser selecionado.
Inteligência sem rotina também produz problemas.
O Mastiff Tibetano não é difícil de treinar porque seja pouco inteligente.
É difícil justamente porque pensa.
O AKC o classifica como altamente inteligente, porém independente, obstinado e pouco interessado em repetir exercícios que já considera compreendidos. American Kennel Club
Isso exige um treinamento diferente.
Sessões devem ser:
- curtas;
- consistentes;
- significativas;
- variadas;
- respeitosas.
Métodos baseados em intimidação são especialmente inadequados em um cão tão grande, territorial e autônomo.
# Obediência não pode ser opcional
Mesmo com independência natural, existem comportamentos que precisam ser construídos.
Principalmente:
- caminhar na guia;
- esperar em portas;
- permitir manipulação;
- aceitar visitas sob controle;
- entrar no carro;
- aceitar atendimento veterinário;
- soltar objetos;
- permanecer;
- controlar impulso territorial;
- responder ao tutor em situações de excitação.
Não é razoável possuir um cão de dezenas de quilos e depender exclusivamente da força física para controlá-lo.
Treinamento é infraestrutura.
# Socialização
Poucas raças exigem socialização tão cuidadosa.
O filhote deve experimentar positivamente:
- diferentes pessoas;
- crianças;
- homens e mulheres;
- cães equilibrados;
- veículos;
- veterinários;
- visitantes;
- ruas;
- superfícies;
- ruídos;
- equipamentos;
- manipulação física.
Socialização não significa ensinar o cachorro a amar todos os desconhecidos.
Isso nem combina necessariamente com a natureza da raça.
Significa ensinar:
“Isso existe e não precisa ser tratado como ameaça.”
Conheça diferentes expressões da raça.

Pontos positivos
- possui experiência real com cães grandes e independentes;
- deseja um guardião territorial;
- mora em propriedade ampla e seguramente cercada;
- vive em clima frio ou moderado;
- consegue realizar socialização intensa desde filhote;
- aceita treinamento contínuo;
- aprecia cães independentes;
- não espera obediência robótica;
- deseja um cão profundamente ligado à própria família;
- consegue assumir custos de alimentação e saúde de uma raça gigante;
- aceita grande quantidade de pelos na troca sazonal;
- possui rotina estruturada e capacidade real de gerenciamento.
Pontos de atenção
- nunca teve cães;
- mora em apartamento pequeno;
- vive em clima muito quente sem estrutura adequada;
- deseja um cão extremamente sociável com desconhecidos;
- recebe grande número de visitantes sem possibilidade de manejo;
- não quer investir em socialização;
- deseja recall perfeito e liberdade sem guia;
- procura um cão fácil de treinar;
- não possui cercamento seguro;
- não tolera latidos de guarda;
- possui pouco tempo para treinamento;
- deseja um cachorro que aceite qualquer pessoa imediatamente.