Mastiff
O gigante que descobriu que força de verdade não precisa ser demonstrada o tempo todo
Origem: Grã-Bretanha
É difícil ignorar um Mastiff. Um macho adulto pode ultrapassar facilmente os 70 kg, alguns chegam muito além disso, e a cabeça parece ter sido projetada por alguém que considerava sutileza um desperdício de material. Peito largo. Ossatura colossal. Músculos pesados. Máscara negra. Passos lentos e poderosos. Tudo nele comunica força.
Uma história selecionada para uma função.
É difícil ignorar um Mastiff.
Um macho adulto pode ultrapassar facilmente os 70 kg, alguns chegam muito além disso, e a cabeça parece ter sido projetada por alguém que considerava sutileza um desperdício de material.
Peito largo. Ossatura colossal. Músculos pesados. Máscara negra. Passos lentos e poderosos.
Tudo nele comunica força.
E então acontece algo curioso.
Em vez de procurar confusão, um Mastiff bem equilibrado geralmente prefere deitar perto da família, observar silenciosamente o ambiente e economizar aquela quantidade absurda de potência para uma situação em que ela realmente seja necessária.
É justamente esse contraste que define a raça.
O padrão da FCI descreve o Mastiff como uma combinação de grandeza e coragem, mas também como um cão calmo e afetuoso com seus donos, capaz de guardar e normalmente indiferente a estranhos. FCI
Não é simplesmente um cachorro enorme.
É um dos exemplos mais impressionantes de como séculos de seleção podem produzir um animal cuja maior virtude não é usar sua força.
É saber que a possui.
História e origem
A história do Mastiff é tão antiga que existe uma armadilha logo no começo.
É comum encontrar afirmações de que qualquer grande cão molossoide representado em esculturas assírias, babilônicas ou egípcias seria ancestral direto do Mastiff moderno.
A realidade é mais complicada.
Cães grandes, pesados e utilizados para proteção existiram em várias regiões da Antiguidade. Mas isso não significa que todos formavam uma única linhagem que posteriormente se transformou no Mastiff britânico.
Pesquisas modernas e a própria historiografia da raça favorecem uma interpretação mais cuidadosa: o Mastiff moderno é essencialmente uma raça britânica, ainda que pertença a uma família morfológica muito antiga de cães grandes de guarda. American Kennel Club
Quando Roma encontrou os cães da Britânia
A FCI registra que, quando os romanos invadiram a Britânia, encontraram cães do tipo mastiff já existentes no território.
Os animais impressionaram pela força e coragem.
Segundo a tradição histórica registrada no padrão, alguns teriam sido levados para Roma e utilizados nas arenas. FCI
O AKC também menciona relatos associados à campanha de Júlio César na Britânia em 55 a.C., descrevendo cães britânicos de grande porte. American Kennel Club
É importante separar duas coisas.
Existiam grandes cães britânicos naquele período.
Mas o Mastiff atual é resultado de muitos séculos adicionais de seleção.
O cão que encontramos hoje não saiu congelado da Idade do Ferro.
# O cachorro que protegia propriedade
Durante grande parte de sua história britânica, a utilidade central do Mastiff foi a guarda.
Terras.
Casas.
Propriedades.
Pessoas.
Em uma época sem câmeras, sensores, iluminação automática ou empresas de segurança, um animal de 70 ou 80 quilos dormindo próximo à propriedade apresentava uma vantagem tecnológica bastante evidente.
A própria FCI ainda registra sua utilização oficial como cão de guarda e segurança. FCI
Mas havia algo particular na seleção do Mastiff.
Ele não precisava necessariamente ser frenético.
O valor estava na combinação entre:
- tamanho;
- coragem;
- estabilidade;
- presença;
- lealdade;
- capacidade de reagir quando necessário.
Um cachorro desse tamanho não precisava gastar energia convencendo ninguém de que era grande.
A pessoa olhando para ele fazia essa parte sozinha.
# Agincourt e a cadela que guardou um cavaleiro
Uma das histórias mais famosas ligadas à raça vem da Batalha de Agincourt, em 1415.
Segundo a tradição, o cavaleiro inglês Sir Piers Legh ficou gravemente ferido.
Uma cadela Mastiff teria permanecido ao lado dele, protegendo-o no campo de batalha.
Legh morreu posteriormente, mas a cadela teria retornado à propriedade da família em Lyme Hall, onde sua descendência contribuiu para uma linhagem histórica de Mastiffs. American Kennel Club
Como ocorre frequentemente em histórias medievais, alguns detalhes pertencem mais à tradição do que à documentação moderna perfeitamente verificável.
Mas a importância da história é outra.
Ela mostra como o Mastiff já estava culturalmente associado, há séculos, a duas ideias:
proteção e lealdade.
# Um passado que também possui partes desconfortáveis
Como inúmeras raças antigas de grande força, o Mastiff também foi utilizado em práticas que hoje seriam consideradas cruéis.
Cães desse tipo participaram de confrontos contra outros animais e foram utilizados historicamente em arenas e espetáculos.
O AKC registra usos envolvendo touros, ursos e outros animais, além das antigas arenas romanas. American Kennel Club
Essas práticas pertencem à história.
Não definem o temperamento desejado atualmente.
Muito pelo contrário.
O padrão moderno considera agressividade excessiva motivo de desqualificação e valoriza um Mastiff equilibrado, calmo e confiável. FCI
# Quase desapareceu
Ser gigantesco possui um inconveniente bastante objetivo.
É caro alimentar um gigante.
Durante períodos de guerra e escassez, isso se torna um problema enorme.
Depois da Segunda Guerra Mundial, a população britânica de Mastiffs caiu a níveis perigosamente baixos.
A própria FCI registra que a raça quase desapareceu da Grã-Bretanha e precisou receber exemplares importados para reconstruir sua população. FCI
O AKC detalha que cães provenientes da América do Norte tiveram papel relevante nessa recuperação: criadores americanos e canadenses possuíam descendentes de linhagens originalmente exportadas pelos britânicos e puderam devolver material genético ao país de origem. American Kennel Club
Existe algo quase circular nisso.
A Grã-Bretanha exportou Mastiffs quando possuía muitos.
Décadas depois, precisou deles de volta para salvar a própria raça.
Ficha rápida completa
Aparência e características físicas
O Mastiff não deve simplesmente ser alto.
Precisa ser massivo.
Essa diferença explica a raça.
Um Dogue Alemão pode impressionar pela altura e elegância vertical.
O Mastiff impressiona porque parece ocupar espaço em todas as direções.
O padrão FCI descreve:
- corpo largo;
- profundo;
- longo;
- construção poderosa;
- pernas bem afastadas;
- musculatura definida;
- ossatura forte. FCI
O corpo é ligeiramente mais comprido do que alto.
A impressão geral deve ser de força organizada, não de obesidade.
# Cabeça
A cabeça é uma das assinaturas da raça.
Vista de diferentes ângulos, deve transmitir uma aparência aproximadamente quadrada.
O crânio é muito largo entre as orelhas.
O focinho é curto, largo e praticamente quadrado.
A relação descrita pela FCI entre o comprimento do focinho e o comprimento total da cabeça é aproximadamente 1:3. FCI
O nariz é:
- preto;
- largo;
- com narinas bem abertas.
Os lábios são ligeiramente pendentes.
Mas existe um ponto importante no padrão moderno:
excesso de rugas ou pele solta é indesejável.
Gigante não significa exagerado.
A FCI e o Royal Kennel Club enfatizam funcionalidade e saúde, não simplesmente a produção do cachorro mais deformado possível. FCI
# Olhos
Os olhos são de tamanho moderado e bastante separados.
A cor ideal é castanho-avelã, quanto mais escura melhor.
Pálpebras excessivamente frouxas são indesejáveis.
O padrão também exige ausência de problemas oculares evidentes. FCI
A expressão costuma ser uma das características mais interessantes da raça.
Existe uma certa solenidade natural.
O Mastiff frequentemente parece estar refletindo sobre alguma questão filosófica muito séria.
Provavelmente está pensando em comida.
# Orelhas
As orelhas são pequenas em relação à cabeça enorme.
São:
- finas;
- bastante separadas;
- inseridas na parte superior lateral do crânio;
- pendentes junto às bochechas quando o cão está relaxado. FCI
A coloração deve integrar a característica máscara escura da raça.
# Corpo
O peito é largo e profundo.
As costelas são bem arqueadas.
Dorso e região lombar precisam ser fortes e musculosos.
Os membros possuem ossatura realmente pesada.
Os pés são grandes, redondos e compactos.
Mas todo esse peso precisa continuar funcionando.
A FCI repete uma ideia essencial:
solidez absoluta é indispensável. FCI
Essa frase talvez seja ainda mais importante no Mastiff do que em cães menores.
Um pequeno defeito estrutural em um cachorro de 8 kg pode produzir um problema.
Em um cachorro de 90 kg, o mesmo problema precisa carregar outros 82.
# Cauda
A cauda possui inserção alta.
É larga na base e afina em direção à ponta.
Deve alcançar os jarretes ou pouco abaixo.
Quando o cão está relaxado, permanece caída.
Quando excitado, pode formar uma curva, mas sem enrolar sobre o dorso. FCI
# Pelagem
A manutenção da pelagem é simples.
O pelo é:
- curto;
- aderente;
- relativamente denso;
- um pouco mais áspero sobre pescoço e ombros. FCI
A facilidade de grooming, entretanto, não deve ser confundida com uma casa sem pelos.
O AKC classifica a queda como perceptível e observa que existem períodos sazonais de troca mais intensa. American Kennel Club
# Cores
O padrão FCI permite três bases:
- damasco;
- fulvo;
- tigrado.
Em todas elas devem existir pigmentação negra no:
- focinho;
- nariz;
- orelhas;
- contorno dos olhos.
A máscara escura é uma característica fundamental da expressão do Mastiff.
Excesso de branco no corpo, peito ou pés é considerado indesejável. FCI
Tutor indicado
- deseja um cão gigante de temperamento geralmente calmo;
- procura forte ligação com a família;
- gosta de cães de guarda equilibrados;
- possui espaço físico e estrutura adequada;
- consegue arcar com custos elevados de alimentação e saúde;
- aceita realizar socialização intensiva;
- pretende treinar desde filhote;
- prefere exercício moderado a atividade esportiva extrema;
- gosta de cães tranquilos dentro de casa;
- consegue lidar com baba e queda de pelos;
- compreende as responsabilidades de controlar fisicamente um animal gigantesco.
Tutor não indicado
- possui orçamento apertado;
- mora em ambiente extremamente pequeno e sem logística adequada;
- não consegue transportar um cão de 70–100 kg em emergência;
- deseja um parceiro para corridas longas;
- não pretende investir em treinamento;
- não consegue socializar adequadamente o filhote;
- quer um cachorro de vida muito longa;
- não tolera baba;
- deseja manutenção doméstica impecável;
- procura um cão leve e fácil de transportar;
- não está preparado para custos veterinários de uma raça gigante.
Em resumo
Talvez a característica mais impressionante do Mastiff não seja o tamanho.
É a contenção.
Seria fácil imaginar que um cachorro construído com tanta massa, força e história de guarda precisasse passar a vida tentando demonstrar poder.
O Mastiff ideal faz justamente o contrário.
Observa.
Espera.
Protege.
E permanece perto da família.
Sua história atravessou invasões romanas, propriedades medievais, batalhas, mudanças sociais, duas guerras mundiais e até um período em que a raça quase desapareceu da própria Grã-Bretanha. FCI
Sobreviveu.
Mas o Mastiff moderno exige algo proporcional ao seu tamanho:
responsabilidade.
Um cachorro desse porte precisa de criação cuidadosa.
Socialização.
Treinamento.
Nutrição correta.
Controle de peso.
Exames de saúde.
Planejamento financeiro.
Espaço.
E um tutor capaz de entender que possuir 80 ou 90 quilos de cão muda completamente as consequências de cada decisão.
Em troca, existe algo que explica por que pessoas continuam apaixonadas pela raça há tantos séculos.
Por trás daquela cabeça enorme, daquela máscara negra e daquele corpo capaz de intimidar alguém apenas ficando parado existe frequentemente um cachorro profundamente ligado às pessoas que considera suas.
Um gigante que poderia ocupar a casa inteira.
Mas geralmente só quer ocupar o lugar mais próximo da família.
Avaliação editorial de compatibilidade
Como essa raça tende a viver com pessoas.
Este talvez seja o capítulo mais importante.
Porque ninguém deveria escolher um Mastiff apenas porque “quer um cachorro gigante”.
A FCI resume seu temperamento de maneira extremamente eficiente:
grandeza e coragem, calma, afeição pelos donos e capacidade de guarda. FCI
O AKC acrescenta três características:
digno, bem-humorado e corajoso. American Kennel Club
# Ele não precisa provar nada
Muitos Mastiffs maduros apresentam uma tranquilidade impressionante.
Não precisam correr pela casa constantemente.
Não costumam possuir a energia frenética de vários cães de trabalho menores.
Observam.
Esperam.
Dormem.
Mudam de lugar.
Dormem novamente.
Mas calma não significa ausência de instinto protetor.
Quando algo realmente parece ameaçador, aquela enorme massa corporal pode mudar completamente de atitude.
Por isso socialização é indispensável.
Você não quer descobrir depois de adulto que um cachorro de 90 kg considera o carteiro uma ameaça existencial.
# Ligação com a família
Mastiffs tendem a criar vínculos muito fortes.
Podem ser surpreendentemente sensíveis.
Métodos de treinamento violentos ou excessivamente duros não combinam bem com o temperamento da raça.
O AKC recomenda treinamento gentil e destaca que Mastiffs podem ser inteligentes, dispostos a cooperar e, ao mesmo tempo, bastante obstinados. American Kennel Club
A imagem de um gigante bruto não descreve bem o animal.
Muitos são emocionalmente delicados.
Fisicamente são um caminhão.
Psicologicamente às vezes são um caminhão que ficou triste porque você falou mais alto.
Convivência com crianças
Um Mastiff equilibrado pode ser um excelente cão familiar.
A raça possui reputação histórica de paciência e tolerância.
Mas existe uma variável impossível de ignorar:
massa.
Uma criança pequena e um cão de 80 kg não precisam ter qualquer conflito para que aconteça um acidente.
O cachorro pode simplesmente:
- virar rápido demais;
- encostar;
- esbarrar;
- passar sobre um pé;
- movimentar a cauda;
- levantar-se de repente.
Supervisão é indispensável.
Compatibilidade comportamental com crianças: geralmente boa.
Compatibilidade física sem supervisão: nunca deve ser presumida.
Crianças também precisam aprender a respeitar:
- comida;
- descanso;
- brinquedos;
- espaço corporal;
- sinais de desconforto.
Nenhum cachorro deve ser transformado em brinquedo infantil.
Especialmente um que pesa aproximadamente o mesmo que um adulto.
Convivência com outros animais
Com socialização adequada, muitos Mastiffs convivem bem com outros cães.
Mas sexo, personalidade, criação e experiências anteriores influenciam bastante.
O tamanho cria novamente um componente adicional.
Mesmo uma brincadeira amigável entre um Mastiff e um cão de 5 kg precisa ser observada.
Não porque o gigante queira machucar o pequeno.
Porque a pata dele talvez pese quase tanto quanto o pequeno.
Com gatos, convivência também é possível, principalmente quando existe introdução precoce e controlada.
O Mastiff não possui o mesmo nível típico de impulso predatório de vários terriers ou galgos.
Ainda assim, indivíduos variam.
Apartamento e espaço
Aqui existe uma surpresa.
O Mastiff não precisa necessariamente de uma fazenda.
O AKC afirma que, apesar do tamanho, Mastiffs possuem exigência relativamente baixa de exercício e podem adaptar-se à vida em apartamentos quando suas necessidades físicas são atendidas. American Kennel Club
Mas precisamos separar duas coisas:
comportamento e logística.
Comportamentalmente, ele pode ser bastante tranquilo em ambientes internos.
Logisticamente, um Mastiff ocupa muito espaço.
Considere:
- tamanho da cama;
- largura dos corredores;
- elevador;
- escadas;
- espaço dentro do carro;
- capacidade de transportá-lo em emergência;
- resistência do piso;
- acesso a área externa;
- regras do condomínio.
Um cachorro de 90 kg deitado no meio de uma cozinha pequena não ocupa a cozinha.
Ele se torna a cozinha.
O trabalho cotidiano que precisa caber na sua vida.
Comparado ao tamanho do cachorro, o grooming é surpreendentemente fácil.
O AKC recomenda escovação rápida a cada poucos dias, aumentando a frequência durante períodos de maior queda. American Kennel Club
Uma escova apropriada para pelagem curta ajuda a remover:
- pelos mortos;
- poeira;
- sujeira;
- resíduos superficiais.
Banhos podem ser feitos conforme necessidade.
O maior desafio não é lavar o Mastiff.
É convencer aproximadamente 80 kg de opinião a entrar no local do banho.
Por isso acostumar o filhote cedo é uma excelente decisão.
# Rugas e face
A região facial deve ser observada regularmente.
Umidade e sujeira podem acumular-se ao redor:
- do focinho;
- dos lábios;
- das pequenas dobras faciais;
- dos olhos.
Limpeza suave e secagem ajudam a reduzir irritação.
Excesso de pele não deveria ser celebrado como “mais típico”.
O padrão atual explicitamente rejeita exageros que prejudiquem funcionalidade. The Royal Kennel Club
# Baba
Precisamos conversar sobre isso.
O Mastiff baba.
Não necessariamente 24 horas por dia em intensidade máxima.
Mas lábios grandes e pendentes produzem uma capacidade respeitável de transportar saliva.
Água.
Comida.
Calor.
Excitação.
Tudo pode aumentar o fenômeno.
O AKC recomenda que proprietários estejam preparados para limpar as famosas “slingers”. American Kennel Club
Quem exige paredes permanentemente impecáveis talvez precise considerar outro cachorro.
Ou desenvolver uma relação emocional madura com panos.
# Unhas, ouvidos e dentes
Unhas precisam permanecer curtas.
Quanto maior o cachorro, maior a força transmitida às articulações e aos pés.
Ouvidos devem ser inspecionados regularmente.
Higiene dental também continua importante.
O Mastiff possui uma boca suficientemente grande para parecer que manutenção dentária é irrelevante.
Não é.
Tártaro não respeita tonelagem.
Exercícios e atividades
O Mastiff precisa de exercício.
Mas não de exercício extremo.
Caminhadas diárias e atividade moderada costumam ser suficientes para adultos saudáveis.
O AKC cita caminhadas regulares e brincadeiras livres como adequadas à raça e alerta especialmente contra excesso de exercício em cães jovens em crescimento. American Kennel Club
Isso ocorre porque o crescimento de uma raça gigante é um empreendimento biológico enorme.
O esqueleto precisa passar de um filhote relativamente pequeno para um animal gigantesco em pouco tempo.
Durante esse processo, articulações e placas de crescimento precisam ser protegidas.
# Filhote não é um adulto em miniatura
Evite transformar um filhote de Mastiff em parceiro de corrida.
Saltos repetitivos.
Escadas excessivas.
Corridas longas.
Impactos intensos.
Treinamento esportivo pesado.
Tudo precisa ser adaptado à fase de desenvolvimento.
O AKC observa que Mastiffs podem levar aproximadamente três anos para atingir completa maturidade física e mental. American Kennel Club
É um período enorme.
Você compra um filhote.
Depois recebe um adolescente de 70 quilos.
Boa sorte.
Alimentação
Poucas fases são tão importantes nutricionalmente quanto o crescimento de um Mastiff.
Um filhote de raça gigante precisa crescer.
Mas precisa crescer de maneira controlada.
Acelerar crescimento através de excesso calórico não produz um cachorro melhor.
Produz mais carga sobre um esqueleto ainda em desenvolvimento.
O AKC enfatiza que nutrição correta durante o crescimento é crítica para raças gigantes e que desenvolvimento lento e constante é desejável. American Kennel Club
A dieta deve ser:
- completa;
- equilibrada;
- adequada para fase de vida;
- apropriada para crescimento de cães grandes/gigantes quando filhote;
- ajustada à condição corporal.
# Peso corporal
O Mastiff já possui massa suficiente quando magro.
Não existe benefício em adicionar gordura.
Excesso de peso aumenta carga sobre:
- quadris;
- cotovelos;
- joelhos;
- coluna;
- sistema cardiovascular.
A condição corporal deve ser monitorada regularmente.
Um cachorro de 90 kg não precisa virar um cachorro de 105 apenas porque “Mastiff tem que ser enorme”.
O próprio padrão FCI alerta que tamanho só é desejável quando acompanhado de qualidade e solidez. FCI
Predisposição não é destino, mas precisa entrar na escolha.
O Mastiff possui um desafio inevitável:
gigantismo cobra um preço biológico.
Sua expectativa de vida é significativamente menor do que a de muitas raças pequenas.
O AKC utiliza aproximadamente 6 a 10 anos como referência. American Kennel Club
Por isso, seleção genética responsável é particularmente importante.
# Displasia coxofemoral
Quadris precisam sustentar uma massa corporal enorme.
A displasia coxofemoral pode produzir:
- dor;
- dificuldade para levantar;
- redução de mobilidade;
- artrite;
- intolerância ao exercício.
O Mastiff Club of America e o AKC recomendam avaliação dos quadris de reprodutores. American Kennel Club
# Displasia de cotovelo
Os cotovelos também absorvem grande carga.
Alterações de desenvolvimento podem causar dor e degeneração progressiva da articulação.
Avaliação de cotovelos aparece igualmente entre os exames recomendados para reprodução. American Kennel Club
# Dilatação e torção gástrica — GDV
Este é um dos riscos mais urgentes associados a cães grandes e de peito profundo.
Na dilatação-vólvulo gástrica, o estômago distende e pode girar.
A condição pode comprometer circulação sanguínea e tornar-se fatal rapidamente.
O AKC destaca explicitamente o risco de bloat/GDV em Mastiffs e recomenda que tutores conheçam os sinais de emergência. American Kennel Club
Possíveis sinais incluem:
- tentativa de vomitar sem produzir conteúdo;
- abdômen distendido;
- inquietação intensa;
- salivação;
- dificuldade respiratória;
- fraqueza.
Suspeita de GDV é emergência veterinária.
# Doenças cardíacas
O enorme corpo depende de um sistema cardiovascular igualmente competente.
Avaliação cardíaca faz parte dos exames recomendados pelo clube nacional americano. American Kennel Club
Criadores responsáveis devem monitorar histórico familiar e realizar os testes adequados.
# Tireoidite autoimune
Avaliação de tireoide também aparece entre as recomendações do clube da raça.
Alterações tireoidianas podem produzir sinais como:
- letargia;
- ganho de peso;
- alterações de pele;
- mudanças na pelagem;
- intolerância ao frio.
Diagnóstico depende de avaliação veterinária e exames laboratoriais. American Kennel Club
Exames oftalmológicos são recomendados.
Entre as condições para as quais existem estratégias de rastreamento ou testes genéticos na raça estão determinadas formas de:
- atrofia progressiva da retina;
- retinopatia multifocal canina. American Kennel Club
Problemas oculares devem ser considerados dentro de programas de criação, não apenas depois que o cão começa a apresentar perda visual.
# Cistinúria
Existe teste genético relacionado à cistinúria, condição que pode favorecer formação de cálculos urinários.
O AKC lista o teste de DNA entre as avaliações recomendadas para reprodutores Mastiff. American Kennel Club
# Mielopatia degenerativa
Também existe teste genético para a variante comum associada à mielopatia degenerativa.
A doença envolve degeneração progressiva neurológica e pode provocar fraqueza nos membros posteriores.
O teste é uma ferramenta de manejo genético da população, não uma previsão perfeita do destino clínico de cada cão. American Kennel Club
# Câncer
O AKC e o clube da raça também chamam atenção para ocorrência de câncer em Mastiffs.
Não existe um único “teste contra câncer” capaz de resolver a questão.
Por isso histórico familiar e longevidade da linhagem são informações particularmente úteis. American Kennel Club
Pergunte:
- quanto viveram os pais;
- quanto viveram os avós;
- quais foram as causas de morte;
- quais doenças aparecem repetidamente.
Pedigree não serve apenas para mostrar campeões.
Serve para estudar famílias.
Avaliações importantes antes da compra
Entre os exames recomendados pelo clube nacional ligado ao AKC estão:
- avaliação de quadril;
- avaliação de cotovelo;
- patelas;
- exame cardíaco;
- exame oftalmológico;
- tireoide;
- teste para cistinúria;
- dPRA;
- mielopatia degenerativa;
- CMR1. American Kennel Club
Um criador responsável não deveria considerar perguntas sobre saúde uma ofensa.
Deveria esperá-las.
Inteligência sem rotina também produz problemas.
Treinamento no Mastiff não é opcional.
Um Chihuahua sem educação pode puxar a guia e ser inconveniente.
Um Mastiff sem educação pode arrastar uma pessoa adulta.
A física muda completamente a importância do comportamento.
Prioridades desde filhote devem incluir:
- caminhar com guia frouxa;
- vir quando chamado;
- sentar;
- esperar;
- permanecer;
- aceitar manipulação;
- permitir exames;
- entrar no carro;
- receber visitantes;
- ignorar estímulos;
- controlar impulsos.
# Socialização
Socialização precisa ser ampla e inteligente.
O filhote deve conhecer positivamente:
- pessoas diferentes;
- crianças;
- homens;
- mulheres;
- pessoas com chapéus;
- veículos;
- cães equilibrados;
- veterinários;
- ambientes urbanos;
- pisos diferentes;
- sons domésticos;
- visitas.
A meta não é fazer o Mastiff amar todo mundo.
A própria raça pode ser naturalmente indiferente a estranhos. FCI
A meta é ensinar:
“isso é normal; você não precisa resolver.”
Conheça diferentes expressões da raça.

Pontos positivos
- deseja um cão gigante de temperamento geralmente calmo;
- procura forte ligação com a família;
- gosta de cães de guarda equilibrados;
- possui espaço físico e estrutura adequada;
- consegue arcar com custos elevados de alimentação e saúde;
- aceita realizar socialização intensiva;
- pretende treinar desde filhote;
- prefere exercício moderado a atividade esportiva extrema;
- gosta de cães tranquilos dentro de casa;
- consegue lidar com baba e queda de pelos;
- compreende as responsabilidades de controlar fisicamente um animal gigantesco.
Pontos de atenção
- possui orçamento apertado;
- mora em ambiente extremamente pequeno e sem logística adequada;
- não consegue transportar um cão de 70–100 kg em emergência;
- deseja um parceiro para corridas longas;
- não pretende investir em treinamento;
- não consegue socializar adequadamente o filhote;
- quer um cachorro de vida muito longa;
- não tolera baba;
- deseja manutenção doméstica impecável;
- procura um cão leve e fácil de transportar;
- não está preparado para custos veterinários de uma raça gigante.