Mastim Napolitano — Mastino Napoletano
O guardião italiano que transformou a própria aparência em arma
Origem: Itália
Poucos cães conseguem produzir uma reação tão imediata quanto o Mastim Napolitano. Ele não precisa rosnar. Não precisa correr. Às vezes nem precisa levantar. Uma cabeça enorme, pele solta formando grandes rugas, lábios pesados, barbela dupla, ossatura colossal e uma expressão que parece ter saído de uma escultura romana já fazem boa parte do trabalho.
Uma história selecionada para uma função.
Poucos cães conseguem produzir uma reação tão imediata quanto o Mastim Napolitano.
Ele não precisa rosnar.
Não precisa correr.
Às vezes nem precisa levantar.
Uma cabeça enorme, pele solta formando grandes rugas, lábios pesados, barbela dupla, ossatura colossal e uma expressão que parece ter saído de uma escultura romana já fazem boa parte do trabalho.
E isso não aconteceu por acaso.
Durante séculos, no sul da Itália, cães desse tipo foram mantidos para proteger propriedades, fazendas e pessoas. A aparência intimidante tinha valor funcional: um invasor deveria reconsiderar a decisão antes que o cachorro precisasse fazer qualquer coisa.
O padrão atual da FCI ainda define o Mastino Napoletano como cão de proteção e guarda e pede um temperamento firme, leal, vigilante, inteligente, nobre e majestoso — mas explicitamente não agressivo sem razão. FCI
Essa distinção é fundamental.
O verdadeiro Mastim Napolitano não é importante porque parece perigoso.
É importante porque foi selecionado para saber quando não precisa sê-lo.
História e origem
A história do Mastim Napolitano mistura duas coisas que precisam ser separadas com cuidado:
tradição antiga e reconstrução moderna.
A FCI apresenta a raça como descendente dos grandes mastiffs romanos descritos pelo escritor agrícola Lucius Junius Moderatus Columella, no século I d.C., em sua obra De re rustica. O padrão também relaciona esses cães às legiões romanas e registra sua permanência secular no campo ao redor do Vesúvio e na região de Nápoles. FCI
Mas existe uma diferença entre dizer que cães molossoides gigantes existiam no mundo romano e afirmar que podemos seguir uma linha genealógica perfeitamente documentada durante dois mil anos.
Não podemos.
O próprio AKC, em sua reconstrução histórica, é mais cauteloso: a conexão com os antigos cães de guerra romanos é plausível e profundamente associada à tradição da raça, mas a genealogia exata através dos séculos não é demonstrável da mesma maneira que um pedigree moderno. American Kennel Club
O que sabemos com muito mais segurança é que grandes cães molossoides sobreviveram durante séculos no sul da Itália.
Especialmente ao redor de Nápoles e do Vesúvio.
Ali eles tinham trabalho.
# O cachorro que guardava sem precisar patrulhar quilômetros
O Mastino não foi desenvolvido como cão de perseguição.
Sua lógica era outra.
Fazendas.
Propriedades.
Pátios.
Entradas.
Residências.
Rebanhos localizados.
Ele precisava permanecer próximo daquilo que deveria proteger.
Isso permitiu uma especialização muito diferente de um cão corredor.
O corpo podia ser enorme.
A movimentação podia ser relativamente lenta.
A cabeça podia ser maciça.
O importante era uma combinação de:
- presença física;
- coragem;
- vigilância;
- estabilidade;
- capacidade de reação curta e poderosa.
O AKC descreve o Mastim Napolitano histórico como guardião de propriedades italianas cuja própria aparência frequentemente bastava para afastar pessoas com intenções ruins. American Kennel Club
Era, em certo sentido, segurança passiva.
Antes que houvesse confronto, havia intimidação.
# A Segunda Guerra quase levou o Mastino junto
A Itália atravessou enorme destruição durante a Segunda Guerra Mundial.
E manter um cachorro gigantesco em períodos de escassez não é uma prioridade simples.
A população de cães do tipo Mastino havia se tornado pequena e bastante irregular.
A raça moderna poderia ter desaparecido.
Então aconteceu um momento decisivo.
Em 1946, uma exposição canina foi realizada no Castel dell'Ovo, histórica fortaleza localizada na baía de Nápoles.
Entre os cães apresentados estavam oito grandes molossoides locais conhecidos como cani da presa.
A maioria não impressionou particularmente os juízes.
Mas impressionou um homem.
Piero Scanziani.
Jornalista, escritor e cinófilo suíço-italiano.
Ele viu naquele conjunto rústico algo que acreditava representar o antigo molosso italiano.
Especialmente em um cão azul chamado Guaglione. American Kennel Club
Scanziani comprou Guaglione.
E decidiu reconstruir a raça.
# Guaglione: quando um cachorro virou padrão
Guaglione tornou-se extraordinariamente importante.
Foi um dos primeiros Mastinos registrados.
Tornou-se campeão italiano.
E serviu como referência para o desenvolvimento do primeiro padrão moderno.
Scanziani chegou a utilizar instalações do zoológico de Roma em seu programa de criação. American Kennel Club
O objetivo não era simplesmente multiplicar cães grandes.
Era recuperar e consolidar um tipo:
- cabeça poderosa;
- estrutura extremamente robusta;
- pele solta;
- comportamento de guarda;
- aparência intimidadora.
O Mastim Napolitano moderno começa, em grande medida, nesse período pós-guerra.
A FCI registra que a raça foi re-selecionada a partir de 1947 graças ao trabalho dedicado de criadores e aficionados. FCI
O reconhecimento definitivo da raça pela FCI ocorreu em 8 de março de 1956. FCI
# Mario Querci e a arquitetura das rugas
Depois de Scanziani, outro nome tornou-se especialmente importante:
Mario Querci.
Querci vinha da indústria têxtil.
E essa informação parece quase irrelevante até olharmos para um Mastino.
Ele entendia como tecidos dobram.
Como material cai.
Como superfícies formam pregas.
E utilizou essa percepção na seleção dos cães.
Seu programa ajudou a consolidar as características faciais modernas, principalmente as grandes dobras que descem da região ocular e do focinho. American Kennel Club
Mas aqui começaria também um problema.
Quando uma característica se torna identidade visual de uma raça, existe uma tentação:
produzir cada vez mais dela.
Mais cabeça.
Mais pele.
Mais rugas.
Mais volume.
Mais exagero.
E eventualmente aquilo que deveria distinguir a raça começa a prejudicá-la.
Por isso o padrão FCI atual introduz uma frase extremamente importante:
a pele pode ser abundante, mas nunca a ponto de interferir na saúde e no bem-estar do cão. FCI
Essa frase deveria ser considerada central na criação moderna.
Mastim Napolitano precisa ter rugas.
Não precisa ser prisioneiro delas.
Ficha rápida completa
Aparência e características físicas
Não existe outro cachorro exatamente igual.
O Mastim Napolitano é grande, pesado, maciço e retangular.
Seu comprimento corporal deve superar a altura na cernelha em aproximadamente 15%. FCI
A impressão geral é de volume.
Mas não deveria ser de obesidade.
O volume vem de:
- ossatura;
- musculatura;
- largura do tórax;
- cabeça;
- pele;
- estrutura corporal.
Um Mastino correto parece pesado porque foi construído pesado.
Não porque alguém simplesmente o alimentou até perder a cintura.
# Cabeça
Se existe uma raça em que a cabeça domina visualmente o cachorro, é esta.
A cabeça é:
- curta;
- maciça;
- larga;
- profundamente marcada por pele solta.
O crânio é especialmente largo na região dos arcos zigomáticos.
A relação entre crânio e focinho é aproximadamente 2:1. FCI
O focinho é muito largo e profundo.
Visto de frente, aproxima-se de uma forma quadrada.
Os lábios superiores são grossos e carnudos, formando um grande “V” invertido quando observados frontalmente. FCI
O resultado é aquela expressão característica de animal ancestral, pesado e quase escultórico.
# Rugas
Aqui está a marca registrada.
A pele é:
- espessa;
- abundante;
- solta.
Principalmente na cabeça.
O padrão descreve múltiplas pregas e rugas, incluindo uma característica que desce do canto externo do olho em direção ao ângulo da boca. FCI
Também existe uma grande barbela dupla no pescoço.
Mas a FCI atual estabelece limites claros.
Pregas não devem:
- interferir nos olhos;
- prejudicar movimentação;
- causar sofrimento;
- comprometer bem-estar.
As próprias pálpebras não devem ser afetadas pela pele de maneira que o funcionamento ocular seja prejudicado. FCI
Isso é especialmente importante para o LoveCanis.
“Mais enrugado” não significa automaticamente “melhor Mastino”.
Saúde continua acima da caricatura.
# Olhos
Os olhos são bastante separados.
Possuem formato aproximadamente arredondado, mas não devem ser salientes nem excessivamente profundos.
A cor geralmente acompanha a pigmentação da pelagem, normalmente um pouco mais escura. FCI
Devido à abundância de pele facial, a região ocular merece atenção especial durante toda a vida.
Pálpebras deformadas ou constantemente expostas não deveriam ser tratadas como charme racial.
São problemas.
# Orelhas
As orelhas são relativamente pequenas para o tamanho do cachorro.
São:
- triangulares;
- inseridas acima dos arcos zigomáticos;
- planas;
- próximas às bochechas.
O padrão FCI atual determina orelhas naturais. FCI
# Corpo
O tórax é enorme.
Costelas longas e bem arqueadas.
Dorso largo.
Região lombar poderosa.
Musculatura forte.
Membros dianteiros precisam apresentar ossatura proporcional à enorme massa corporal. FCI
Isso parece óbvio.
Mas em raças gigantes, estrutura não é simplesmente um item de exposição.
É engenharia.
As pernas precisam carregar dezenas de quilos em cada passo.
Por anos.
Uma seleção que valoriza apenas cabeça e pele e ignora sistema locomotor produz um monumento que não consegue funcionar.
# Movimento
O movimento do Mastim Napolitano é tão peculiar que o padrão FCI dedica uma descrição especial.
Na caminhada, deve lembrar um felino, comparado aos passos de um leão.
Também pode apresentar certa semelhança com o deslocamento de um urso.
O trote possui forte impulso traseiro.
O galope é relativamente raro.
As movimentações mais comuns são caminhada e trote. FCI
Isso explica a sensação visual.
Um Mastino não parece correr como um Dobermann.
Ele parece deslocar massa.
# Cauda
A cauda é grossa na base e afina progressivamente.
Alcança aproximadamente o jarrete.
Em repouso, fica baixa e levemente curvada como sabre.
Em movimento, pode elevar-se horizontalmente ou pouco acima da linha dorsal. FCI
# Pelagem
A pelagem é uma das partes mais simples da raça.
Curta.
Dura.
Densa.
Uniforme.
Sem franjas.
A FCI limita o comprimento a aproximadamente 1,5 cm. FCI
Isso significa pouca complexidade na escovação.
Não significa pouca manutenção total.
Porque o Mastino transferiu todo o trabalho que poderia dar na pelagem para:
pele, rugas, olhos e saliva.
# Cores
As cores preferidas pela FCI incluem:
- cinza;
- cinza-chumbo;
- preto;
- marrom;
- fulvo;
- fulvo intenso ou vermelho-cervo.
Todas podem aparecer tigradas.
Tons avelã, cinza-pombo e isabella são tolerados.
Pequena marca branca no peito ou nas pontas dos dedos pode ser aceita. FCI
O cinza-azulado tornou-se uma das aparências mais associadas popularmente à raça.
Mas não é a única.
Tutor indicado
- possui experiência com cães grandes e protetores;
- deseja um guardião naturalmente vigilante;
- procura um cão profundamente ligado à família;
- possui espaço adequado;
- aceita treinamento e socialização desde filhote;
- consegue controlar visitantes e situações novas;
- possui orçamento para uma raça gigante;
- aceita baba;
- consegue realizar higiene regular das rugas;
- prefere um cão de energia moderada ou baixa;
- entende que estabilidade vale mais do que agressividade;
- consegue transportar um cão de 50–70 kg em emergência.
Tutor não indicado
- procura seu primeiro cachorro;
- deseja uma raça simples e barata de manter;
- mora em espaço extremamente reduzido;
- recebe muitas pessoas sem possibilidade de controle;
- não pretende socializar intensamente;
- deseja um cão extremamente sociável com todos;
- não tolera baba;
- não quer limpar dobras de pele;
- busca parceiro para corridas longas;
- possui orçamento veterinário limitado;
- quer um cão fácil de transportar;
- considera agressividade uma qualidade desejável;
- procura longevidade típica de raças pequenas.
Em resumo
O Mastim Napolitano talvez seja uma das demonstrações mais extremas de como uma função pode moldar a aparência de um cachorro.
Seu trabalho era proteger.
E alguém percebeu uma vantagem:
se o cachorro parecesse assustador o suficiente, talvez nem precisasse lutar.
Então a seleção preservou um corpo enorme.
Uma cabeça colossal.
Uma expressão pesada.
Pele solta.
Rugas profundas.
Movimento lento.
Presença.
Durante séculos, cães desse tipo permaneceram no sul da Itália.
Depois quase desapareceram.
E, no pós-guerra, pessoas como Piero Scanziani encontraram entre aqueles cães rústicos de Nápoles uma raça que ainda não estava completamente perdida. Guaglione ajudou a transformá-la em padrão. Criadores posteriores consolidaram suas características. American Kennel Club
Hoje existe um novo desafio.
Salvar o Mastino não significa produzir cada vez mais rugas.
Significa preservar aquilo que realmente o tornou extraordinário.
Força.
Equilíbrio.
Lealdade.
Vigilância.
Estrutura funcional.
Saúde.
E aquela presença absolutamente inconfundível.
Porque o Mastim Napolitano correto não deveria parecer uma coleção de exageros.
Deveria parecer aquilo que sua história construiu:
um guardião que consegue assustar um invasor sem precisar sair do lugar — e depois voltar a dormir ao lado da família como se nada tivesse acontecido.
Avaliação editorial de compatibilidade
Fontes e links de verificação
- FCI Standard No
- FCI Standard No
- Neapolitan Mastiff | PetMD
- Neapolitan Mastiff History: Where the Breed Originated
- MASTINO NAPOLETANO
- Neapolitan Mastiff Dog Breed Information
- Meet the Largest Dog Breeds: What to Know About Giant Dogs
- Mastiff Breeds: Meet These Large, Beautiful, and Protective Dogs
- UNITED STATES NEAPOLITAN MASTIFF CLUB
- Working Group Health Testing Requirements – American Kennel Club
- FCI Standard No
- CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE CINOFILIA
Como essa raça tende a viver com pessoas.
A aparência diz:
“Não entre.”
O temperamento correto diz:
“Só haverá problema se houver motivo.”
A FCI descreve o Mastino como:
- firme;
- leal;
- não agressivo;
- vigilante;
- inteligente;
- nobre;
- majestoso. FCI
O AKC acrescenta uma combinação muito característica:
desconfiado com estranhos, mas doce, tranquilo e estável com aqueles que ama. American Kennel Club
Essa dualidade define o cão.
# Muito ligado à família
Mastinos tendem a construir vínculos muito fortes.
Muitos querem permanecer próximos do tutor grande parte do tempo.
Apesar da aparência independente e pesada, podem ser emocionalmente bastante ligados às pessoas.
Não é raro encontrar aquele cenário levemente absurdo:
um cachorro de 65 kg convencido de que deveria ficar encostado em você o tempo inteiro.
Espaço pessoal torna-se um conceito teórico.
# Reservado com desconhecidos
O Mastino não precisa amar todas as pessoas.
Nem deveria ser forçado a isso.
Sua função histórica favoreceu reserva.
O importante é diferenciar:
reserva controlada de agressividade descontrolada.
Um cão pode observar um visitante sem querer interagir.
Isso é completamente diferente de não poder receber ninguém em casa com segurança.
Socialização precoce é essencial justamente para que o Mastino aprenda quais situações são normais.
# Guarda
Poucas raças precisam ser “ensinadas a guardar” menos do que esta.
O instinto normalmente já está presente.
O trabalho do tutor é muito mais importante:
ensinar quando não guardar.
Campainha.
Vizinho.
Entregador.
Amigo.
Veterinário.
Pessoa entrando sob autorização.
Um cão gigantesco e protetor precisa compreender contexto.
Treinamento de guarda amador e estímulo deliberado à agressividade são escolhas especialmente ruins.
O cachorro já possui tamanho e presença suficientes.
Não precisa aprender paranoia.
Convivência com crianças
PetMD considera que Mastins Napolitanos podem formar vínculos fortes com famílias e conviver bem com crianças, mas o tamanho exige enorme cuidado. PetMD
Esse é o ponto principal.
Comportamentalmente, muitos são pacientes.
Fisicamente, continuam gigantes.
Uma criança pequena pode ser derrubada apenas quando o cachorro:
- vira;
- levanta;
- passa;
- balança a cauda;
- tenta encostar.
Supervisão é indispensável.
Existe ainda outro aspecto.
Crianças recebem amigos.
Correm.
Gritam.
Brincam de luta.
Um cão protetor precisa aprender que aquilo não significa necessariamente ameaça à criança da família.
Compatibilidade com crianças pequenas
Moderada, principalmente devido ao porte e à necessidade de manejo.
Compatibilidade com crianças maiores
Boa a muito boa quando existe socialização e respeito.
Convivência com outros animais
Aqui existe maior variabilidade.
PetMD alerta que alguns Mastins Napolitanos podem não conviver bem com outros animais, especialmente sem socialização precoce. PetMD
Com outros cães, sexo, personalidade e criação influenciam bastante.
Dois indivíduos grandes e territorialistas podem produzir conflitos difíceis de controlar fisicamente.
Com gatos, convivência é possível, principalmente quando começa desde filhote.
Mas a introdução deve ser gradual.
Animais muito pequenos sempre exigem cuidado adicional devido simplesmente à diferença de massa.
O Mastino não precisa ter alto instinto predatório para machucar um animal de 3 kg.
Pode bastar uma brincadeira.
Apartamento e espaço
Existe uma curiosidade aqui.
O Mastino não é particularmente hiperativo.
Então, do ponto de vista energético, pode permanecer longos períodos tranquilo dentro de casa.
Mas isso não significa que apartamentos pequenos sejam ideais.
Um Mastino exige:
- cama enorme;
- espaço de circulação;
- portas adequadas;
- piso não escorregadio;
- elevador compatível;
- veículo;
- possibilidade de separação segura de visitas;
- acesso fácil ao exterior.
E existe uma pergunta que todo tutor de raça gigante deveria responder antes da emergência:
Como você transportará seu cachorro se ele não conseguir andar?
Num cão de 60 ou 70 kg, isso muda tudo.
Por isso a adaptação ao apartamento pode ser possível em situações específicas, mas no sistema LoveCanis a nota permanece baixa.
A logística pesa mais do que a energia.
O trabalho cotidiano que precisa caber na sua vida.
A pelagem propriamente dita é simples.
Escovação semanal geralmente ajuda a remover:
- pelos soltos;
- poeira;
- sujeira;
- células mortas.
Nas épocas de maior troca, a frequência pode aumentar.
Banhos são realizados conforme necessidade.
Mas o verdadeiro trabalho começa depois.
# Rugas
As dobras faciais precisam de inspeção constante.
Elas podem reter:
- água;
- saliva;
- comida;
- sujeira;
- umidade.
Ambiente úmido e quente entre dobras favorece irritação cutânea e proliferação de micro-organismos.
A rotina correta envolve limpeza suave e, principalmente:
secagem.
Ruga molhada permanentemente não é estética.
É ambiente biológico.
PetMD destaca cuidados frequentes com a pele e necessidade de monitorar dermatites e infecções nas dobras. PetMD
# Olhos
Excesso de pele ao redor dos olhos pode favorecer problemas.
Entre eles:
- entrópio;
- ectrópio;
- irritação;
- secreção;
- inflamação.
O padrão FCI é explícito ao determinar que as pregas não devem interferir nos olhos. FCI
Olhos constantemente vermelhos ou irritados não são “característica da raça”.
São motivo para avaliação veterinária.
# Baba
Sim.
Muita gente procura saber.
Sim.
O Mastino pode babar bastante.
Lábios volumosos e pendentes facilitam acúmulo e lançamento de saliva.
Beber água pode produzir efeitos impressionantes.
Comer também.
Calor.
Excitação.
Ansiedade.
Tudo pode aumentar.
O futuro tutor deveria ser capaz de olhar para uma parede recém-pintada e aceitar filosoficamente que aquilo é temporário.
# Ouvidos, dentes e unhas
Orelhas precisam ser inspecionadas.
Dentes devem receber escovação frequente.
Unhas precisam permanecer curtas.
Esse último ponto merece particular atenção em um cão tão pesado.
Unhas compridas alteram a maneira como o pé encosta no solo.
Mudam a mecânica.
E aquela mecânica precisa carregar mais de meia centena de quilos.
Exercícios e atividades
O Mastim Napolitano não é corredor de longa distância.
Nem deveria ser.
Sua massa corporal torna exercícios de alto impacto pouco adequados.
Caminhadas moderadas e regulares costumam ser melhores.
Adultos saudáveis podem se beneficiar de:
- caminhadas;
- exploração;
- brincadeiras tranquilas;
- treinamento;
- atividades de faro;
- convivência no ambiente externo seguro.
O AKC destaca que cães gigantes possuem maturação lenta e que articulações jovens exigem cuidados especiais contra excesso de impacto. American Kennel Club
# Filhotes: cuidado com o gigante que ainda está sendo construído
Um filhote de Mastino cresce rápido.
Mas o fato de parecer grande não significa que o esqueleto esteja pronto.
Evite:
- saltos repetitivos;
- corridas forçadas;
- longas escadas;
- pisos extremamente escorregadios;
- sobrepeso;
- exercícios de resistência excessiva.
O problema dos cães gigantes é simples.
A carroceria cresce rapidamente.
A suspensão precisa acompanhar.
Alimentação
Alimentar um Mastino exige equilíbrio.
Especialmente durante o crescimento.
Filhotes de raças gigantes devem receber dieta apropriada para crescimento controlado de cães grandes ou gigantes.
A meta não é atingir o peso máximo o mais rápido possível.
É chegar à idade adulta com estrutura capaz de sustentar o próprio corpo.
Excesso calórico durante o crescimento aumenta carga sobre articulações ainda imaturas.
# Adultos
Adultos normalmente se beneficiam de refeições divididas.
Em vez de uma enorme refeição diária, duas ou mais porções podem facilitar manejo alimentar e ajudar em estratégias destinadas a reduzir alguns fatores associados à dilatação gástrica.
A quantidade deve depender de:
- peso;
- atividade;
- idade;
- condição corporal;
- alimento utilizado.
Não apenas do número impresso na embalagem.
# Condição corporal
A avaliação precisa ser feita com as mãos.
A pele solta dificulta a análise visual.
Costelas devem permanecer palpáveis sob cobertura adequada.
Obesidade pode se esconder relativamente bem em um cão volumoso e enrugado.
As articulações, infelizmente, não são enganadas pela aparência.
Predisposição não é destino, mas precisa entrar na escolha.
A saúde é uma das partes mais importantes da escolha de um Mastim Napolitano.
A expectativa de vida estimada por PetMD é de aproximadamente 7 a 9 anos. PetMD
Por isso, criação responsável precisa priorizar muito mais do que aparência extrema.
O United States Neapolitan Mastiff Club recomenda oficialmente avaliações de:
- quadris;
- cotovelos;
- coração;
- olhos. American Kennel Club
# Displasia coxofemoral
A enorme massa corporal aumenta a importância da articulação do quadril.
Displasia pode provocar:
- dor;
- claudicação;
- dificuldade para levantar;
- redução de atividade;
- osteoartrite.
Reprodutores devem passar por avaliação ortopédica apropriada. American Kennel Club
O controle de peso durante toda a vida é igualmente importante.
Genética constrói a articulação.
Peso decide quanta carga ela receberá todos os dias.
# Displasia de cotovelo
O mesmo princípio vale para cotovelos.
Cada membro anterior precisa absorver enorme quantidade de força.
Por isso o clube nacional americano também inclui avaliação oficial dos cotovelos entre seus exames recomendados. American Kennel Club
# Cardiomiopatia dilatada
PetMD destaca predisposição a doenças cardíacas, incluindo cardiomiopatia dilatada. PetMD
Nessa condição, o coração pode aumentar de tamanho e perder eficiência de bombeamento.
Possíveis sinais incluem:
- cansaço;
- tosse;
- intolerância ao exercício;
- respiração alterada;
- fraqueza;
- desmaios.
A avaliação cardíaca faz parte justamente dos exames recomendados pelo clube da raça. American Kennel Club
# Dilatação e torção gástrica — GDV
Como outros cães grandes e de tórax profundo, o Mastino apresenta risco de dilatação-vólvulo gástrica.
O estômago pode se distender com gás e, em alguns casos, girar sobre si mesmo.
Quando isso ocorre, a circulação sanguínea pode ser comprometida rapidamente.
Possíveis sinais:
- tentativas de vomitar sem produzir conteúdo;
- abdômen aumentado;
- inquietação;
- salivação excessiva;
- dor;
- fraqueza;
- colapso.
É uma emergência veterinária.
Não uma situação para esperar a clínica abrir no dia seguinte. PetMD
Tutoria veterinária pode incluir discussão sobre gastropexia preventiva em cães de alto risco.
# Problemas oculares
Além da questão estética das pálpebras, problemas como entrópio, ectrópio e outras alterações oculares podem ocorrer.
É justamente por isso que o clube nacional americano recomenda avaliação com oftalmologista veterinário. American Kennel Club
A FCI também exige que pele e rugas não comprometam o funcionamento dos olhos. FCI
# Problemas dermatológicos
A pele abundante produz microambientes.
Principalmente em regiões de dobra.
Quando umidade, calor e atrito se combinam, podem surgir:
- dermatites;
- infecções bacterianas;
- proliferação de leveduras;
- mau odor;
- irritação.
A prevenção depende de inspeção frequente.
Não existe boa criação de Mastino em que as rugas são admiradas, mas nunca examinadas.
# Obesidade
Um Mastino já possui massa suficiente.
Não precisa de gordura adicional para parecer impressionante.
O excesso de peso aumenta pressão sobre:
- quadris;
- cotovelos;
- coluna;
- coração;
- sistema respiratório.
E pode reduzir ainda mais mobilidade e longevidade.
O cachorro correto deve parecer poderoso.
Não inflado.
Avaliações importantes antes da compra
Antes de escolher um filhote, solicite documentação sobre:
- quadris;
- cotovelos;
- avaliação cardíaca;
- exame oftalmológico. American Kennel Club
Além dos exames, pergunte:
- quanto viveram os pais;
- quanto viveram os avós;
- quais foram as causas de morte;
- há cardiomiopatia na família?;
- houve GDV?;
- quais problemas de pele aparecem?;
- existem cirurgias de pálpebra frequentes?;
- os adultos respiram e caminham normalmente?;
- como é o temperamento dos parentes?
A pergunta mais importante talvez seja:
o criador está selecionando Mastinos funcionais ou está competindo para produzir o cachorro mais exagerado da fotografia?
O próprio padrão moderno dá a resposta correta.
Exageros não podem comprometer saúde e bem-estar. FCI
Inteligência sem rotina também produz problemas.
Treinamento não é opcional.
Num Mastino, é requisito de segurança.
Um cachorro pequeno que não sabe andar na guia é inconveniente.
Um Mastino adulto que não sabe andar na guia pode escolher para onde duas pessoas irão.
Prioridades incluem:
- caminhar sem puxar;
- sentar;
- esperar;
- permanecer;
- vir quando chamado;
- aceitar manipulação;
- entrar no carro;
- permanecer tranquilo diante de visitas;
- aceitar veterinários;
- liberar objetos;
- tolerar limpeza das rugas e olhos.
O AKC recomenda socialização e treinamento desde cedo justamente devido aos fortes instintos protetores da raça. American Kennel Club
Reforço positivo, clareza e consistência funcionam melhor do que confronto físico.
Disputar força com um Mastino adulto é a estratégia de quem perdeu a reunião de planejamento.
Conheça diferentes expressões da raça.

Pontos positivos
- possui experiência com cães grandes e protetores;
- deseja um guardião naturalmente vigilante;
- procura um cão profundamente ligado à família;
- possui espaço adequado;
- aceita treinamento e socialização desde filhote;
- consegue controlar visitantes e situações novas;
- possui orçamento para uma raça gigante;
- aceita baba;
- consegue realizar higiene regular das rugas;
- prefere um cão de energia moderada ou baixa;
- entende que estabilidade vale mais do que agressividade;
- consegue transportar um cão de 50–70 kg em emergência.
Pontos de atenção
- procura seu primeiro cachorro;
- deseja uma raça simples e barata de manter;
- mora em espaço extremamente reduzido;
- recebe muitas pessoas sem possibilidade de controle;
- não pretende socializar intensamente;
- deseja um cão extremamente sociável com todos;
- não tolera baba;
- não quer limpar dobras de pele;
- busca parceiro para corridas longas;
- possui orçamento veterinário limitado;
- quer um cão fácil de transportar;
- considera agressividade uma qualidade desejável;
- procura longevidade típica de raças pequenas.