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PERFIL COMPLETO DA RAÇA

Pekingese — Pequinês na nomenclatura brasileira da CBKC

Subtítulo emocional

Origem: China; patronato do padrão FCI: Grã-Bretanha

O pequeno cão imperial que passou séculos sendo tratado como realeza — e talvez nunca tenha sido informado de que o império acabou.

Cão adulto da raça Pekingese em pé sobre gramado, com corpo pequeno e compacto, pelagem longa formando uma juba ao redor do pescoço, face curta e expressão alerta.
EnergiaBaixa
PortePequeno
PelagemDupla
Expectativa de vidaCerca de 12 a 14 anos
SOBRE A RAÇA

Uma história selecionada para uma função.

O pequeno cão imperial que passou séculos sendo tratado como realeza — e talvez nunca tenha sido informado de que o império acabou.

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O Pekingese não foi criado para caçar.

Não foi feito para conduzir rebanhos.

Não precisava puxar trenós, encontrar aves, guardar gado ou entrar em tocas.

Sua função era algo que, durante grande parte da história humana, pouquíssimos animais poderiam exercer:

ser exclusivamente um companheiro.

Durante séculos, cães desse tipo viveram dentro da corte imperial chinesa, cercados por uma cultura na qual a imagem do leão possuía profundo valor simbólico. O resultado foi um pequeno cachorro construído deliberadamente para parecer maior, mais imponente e mais digno do que seus poucos quilos sugerem. American Kennel Club

O império desapareceu.

O comportamento não necessariamente recebeu o memorando.

História e origem

Existem raças antigas.

E existem raças cuja história parece começar num mundo completamente diferente do nosso.

O Pekingese pertence à segunda categoria.

Seus ancestrais estão associados à China imperial e à tradição dos pequenos “cães-leão”, criados para reproduzir simbolicamente a imagem dos leões ligados ao budismo. A antiguidade exata da raça moderna não pode ser reconstruída com precisão, mas registros históricos situam cães desse tipo na China há muitos séculos; o AKC menciona referências já durante a dinastia Tang. American Kennel Club

Existe inclusive uma lenda maravilhosa.

Um leão teria se apaixonado por uma pequena criatura semelhante a um macaco. Para poder viver com ela, pediu aos deuses que diminuíssem seu corpo, mas permitissem que conservasse o coração e a coragem de leão.

Nasceria assim o Pekingese.

Obviamente não é zoologia.

Mas é excelente publicidade medieval.

E ajuda a explicar aquilo que os criadores desejavam transmitir:

um cão minúsculo com aparência leonina e comportamento cheio de dignidade. American Kennel Club

Na corte imperial, o pequeno tamanho não era sinal de inferioridade.

Era exclusividade.

Alguns exemplares particularmente pequenos ficaram conhecidos como Sleeve Dogs, os “cães de manga”, em referência à tradição de transportá-los dentro das enormes mangas das vestimentas da elite. American Kennel Club

Durante séculos, esses cães estiveram intimamente associados à família imperial.

Não existia um mercado internacional moderno de filhotes.

Não havia anúncios.

Não havia criadores europeus importando livremente exemplares.

O Pekingese pertencia a uma esfera social fechada.

Então, em 1860, a história da raça colidiu brutalmente com a história política.

Durante a Segunda Guerra do Ópio, tropas britânicas e francesas chegaram ao complexo imperial de Yuanmingyuan, o chamado Antigo Palácio de Verão de Pequim.

O complexo foi saqueado e posteriormente incendiado.

Entre os bens e animais encontrados, soldados britânicos localizaram cinco pequenos cães Pekingese que sobreviveram à retirada da corte. Eles foram levados para a Grã-Bretanha. American Kennel Club

Um deles foi oferecido à rainha Vitória.

Recebeu um nome que hoje soa quase desconfortavelmente literal:

Looty — algo próximo de “saque”.

Os outros foram destinados a membros da aristocracia britânica e contribuíram para as primeiras linhagens ocidentais. American Kennel Club

Não é correto romantizar esse episódio.

A introdução da raça no Ocidente aconteceu dentro de um saque militar de enorme significado histórico e cultural.

É justamente isso que torna a história mais interessante.

O cachorro que havia passado séculos restrito à corte chinesa entrou na Europa não por comércio ou diplomacia normal, mas como consequência direta de uma guerra imperial.

Depois disso, mais exemplares chegaram à Grã-Bretanha.

Criadores passaram a estabelecer linhagens.

No fim do século XIX, o Pekingese começou a aparecer nas exposições britânicas.

Nos Estados Unidos, o AKC registrou a raça oficialmente em 1906, e o Pekingese Club of America foi incorporado em 1909. American Kennel Club

A FCI reconheceria definitivamente a raça em 1966. FCI

Existe, porém, uma transformação importante entre aqueles antigos cães chineses e parte dos Pekingeses modernos.

Seleção de exposição aumentou determinadas características:

pelagem mais abundante,

cabeça proporcionalmente grande,

pernas curtas,

face achatada.

E aqui a história encontra a medicina veterinária.

O próprio padrão FCI moderno passou a deixar claro que exageros prejudiciais não são desejáveis. O nariz não deve ser curto demais, as narinas precisam permanecer grandes e abertas, a ruga facial não pode obstruir nariz ou olhos, e qualquer dificuldade respiratória deve ser severamente penalizada. FCI

Ou seja:

preservar o Pekingese não significa exagerá-lo.

Significa preservar o cachorro sem destruir sua capacidade de ser cachorro.

Peso típicoFCI: ideal até 5 kg nos machos e 5,4 kg nas fêmeas
AlturaAproximadamente 15 a 23 cm como referência populacional
Função históricaGrupo 9 — Cães de Companhia; Seção 8 — Chin Japonês e Pequinês
Confiança dos dadosAlta
Ficha rápida completa
Nome oficialPekingese — Pequinês na nomenclatura brasileira da CBKC
ApelidosPeke, Pequinês, Lion Dog, Sleeve Dog
País de origemChina; patronato do padrão FCI: Grã-Bretanha
Grupo FCIGrupo 9 — Cães de Companhia; Seção 8 — Chin Japonês e Pequinês
Função originalCompanhia da corte imperial chinesa
Função atualCompanhia
PortePequeno
AlturaAproximadamente 15 a 23 cm como referência populacional
PesoFCI: ideal até 5 kg nos machos e 5,4 kg nas fêmeas
Expectativa de vidaCerca de 12 a 14 anos
PelagemDupla, moderadamente longa, reta, com subpelo espesso e macio
Cor no padrão FCITodas as cores e marcações são permitidas e de igual mérito, exceto albino e fígado
Nível de energiaBaixo a moderado
Queda de pelosModerada a alta, com períodos sazonais mais intensos
Adaptação a apartamentoExcelente
Experiência do tutorIniciante dedicado a intermediário, com atenção especial à respiração, olhos, calor e pelagem

Aparência e características físicas

O Pekingese é pequeno.

Mas deveria parecer surpreendentemente sólido.

O padrão FCI define um cão de aparência leonina, expressão alerta e inteligente, bem equilibrado e moderadamente robusto. A ideia é dignidade, não fragilidade. FCI

O padrão americano utiliza uma descrição particularmente interessante:

quando alguém pega um Pekingese no colo, ele deveria parecer mais pesado do que sua aparência sugere.

Existe musculatura e ossatura sob aquela enorme quantidade de pelo. Pekingese Club of America

A cabeça é relativamente grande em relação ao corpo.

É larga.

O crânio é amplo entre as orelhas.

Os olhos são escuros e brilhantes.

Mas existe uma mudança importante no pensamento moderno sobre conformação:

olhos excessivamente proeminentes não deveriam ser celebrados.

A FCI exige olhos claros, escuros e não excessivamente grandes, livres de problemas evidentes. FCI

O nariz também merece destaque.

Deve ser:

preto,

largo,

com narinas grandes e abertas.

O padrão chega a determinar que narinas pinçadas sejam severamente penalizadas. FCI

Essa frase deveria ser repetida com frequência.

Um Pekingese respirando mal não está demonstrando uma característica charmosa da raça.

Está demonstrando dificuldade respiratória.

O focinho permanece relativamente curto e largo.

As orelhas possuem formato semelhante a um coração e ficam próximas da cabeça, cobertas por longas franjas.

O pescoço é curto e espesso.

O corpo é relativamente curto, compacto e sólido.

Existe maior massa na parte frontal e uma traseira comparativamente mais leve.

Isso contribui para outra característica famosa:

o movimento rolante.

O Pekingese possui um andar peculiar em que a parte frontal pode balançar discretamente de um lado para outro.

Não deveria parecer instabilidade ou dificuldade locomotora.

O próprio padrão diferencia o movimento característico de alterações produzidas por fraqueza estrutural. FCI

A pelagem possui duas camadas.

A cobertura externa é relativamente áspera e reta.

O subpelo é espesso e mais macio.

Ao redor do pescoço forma-se uma espécie de juba ou capa, reforçando ainda mais a imagem de pequeno leão. FCI

Mas novamente existe um limite.

A FCI diz explicitamente que o cachorro não deve possuir pelagem excessiva e que o volume não pode prejudicar atividade nem esconder completamente a forma do corpo. FCI

Isso é quase um manifesto contra exageros de exposição.

O cachorro vem primeiro.

O penteado depois.

Quanto às cores, o padrão FCI é extraordinariamente liberal.

Praticamente todas as cores e marcações são permitidas e possuem igual mérito.

As exceções são:

albino

e

fígado. FCI

O AKC também reconhece ampla variedade de cores, incluindo branco, preto, preto e castanho, vermelho, creme, cinza, fulvo e diversas formas sable e brindle. American Kennel Club

Tutor indicado

  • mora em apartamento;
  • procura um cachorro pequeno;
  • prefere necessidades moderadas de exercício;
  • deseja forte vínculo afetivo;
  • gosta de cães independentes e cheios de personalidade;
  • possui rotina doméstica relativamente tranquila;
  • aceita cuidar regularmente da pelagem;
  • consegue realizar higiene facial, ocular e dentária;
  • possui boa climatização em regiões quentes;
  • gosta de cães atentos;
  • aceita algum latido de alerta;
  • possui crianças maiores e respeitosas;
  • procura um companheiro para vida predominantemente interna;
  • entende as particularidades das raças braquicefálicas.

Tutor não indicado

  • pratica exercícios intensos e quer o cachorro como parceiro;
  • vive em ambiente muito quente sem climatização;
  • não pretende cuidar da pelagem;
  • deseja um cão de manutenção mínima;
  • possui crianças pequenas que brincam de maneira brusca;
  • não quer realizar higiene dental regular;
  • procura um cão extremamente obediente;
  • passa muitas horas fora diariamente;
  • quer um cachorro para longas corridas;
  • considera ronco intenso ou dificuldade respiratória algo engraçado;
  • não possui disponibilidade financeira para eventuais cuidados respiratórios, oculares ou odontológicos;
  • prefere um cão fisicamente robusto para brincadeiras mais fortes.

Em resumo

Durante quase toda a história dos cães, existir tinha um preço.

O animal precisava fazer alguma coisa.

Caçar.

Guardar.

Puxar.

Pastorear.

Procurar.

Matar ratos.

Recuperar aves.

Então apareceu uma sociedade poderosa o suficiente para manter um cachorro cuja principal função era:

estar ali.

O Pekingese nasceu desse privilégio.

Era pequeno porque podia ser.

Era ornamental porque alguém podia pagar pelo ornamento.

Era companhia porque aquela corte não precisava justificar sua comida com trabalho.

Recebeu uma aparência de leão.

Viveu entre palácios.

Foi transportado em mangas.

Ganhou mitos.

Ganhou status.

Depois o próprio império começou a ruir.

Em 1860, cinco desses pequenos cães atravessaram violentamente a fronteira entre dois mundos durante o saque do Palácio de Verão.

A partir deles e de importações posteriores, o cachorro imperial virou raça internacional.

Hoje mora em apartamentos.

Dorme em sofás.

Vai ao veterinário.

Late para o entregador.

E, provavelmente, continua considerando tudo isso uma versão razoavelmente aceitável de uma corte imperial.

Mas sua história moderna deixou uma nova responsabilidade.

Ao tentar tornar o pequeno leão ainda mais impressionante, seres humanos exageraram características físicas que podem prejudicar:

respiração,

olhos,

movimento,

tolerância ao calor.

Agora a tarefa é inversa.

Não precisamos fazer o Pekingese parecer mais extremo.

Precisamos permitir que continue sendo Pekingese sem que sua aparência lhe cobre um preço biológico.

Talvez seja a ironia perfeita para uma raça criada pela realeza.

Durante séculos, seres humanos trabalharam para servir ao pequeno cão imperial.

Hoje existe uma última forma de servi-lo:

garantir que ele consiga respirar enquanto ocupa o trono.

Avaliação editorial de compatibilidade
Apego ao tutor5/5
Adaptação a apartamento5/5
Nível de energia2/5
Necessidade de exercícios2/5
Inteligência4/5
Facilidade de treinamento3/5
Tolerância à solidão2/5
Convivência com crianças pequenas2/5
Convivência com crianças maiores4/5
Convivência com outros cães3/5
Convivência com gatos4/5
Convivência com pequenos animais3/5
Sociabilidade com desconhecidos2/5
Instinto de alerta5/5
Tendência a latir4/5
Queda de pelos4/5
Exigência de cuidados com a pelagem5/5
Tolerância ao calor1/5
Adequação para tutores iniciantes3/5
Custo geral de manutenção4/5
Fontes e links de verificação
PERSONALIDADE

Como essa raça tende a viver com pessoas.

A FCI utiliza quatro palavras muito úteis:

destemido, leal, reservado e equilibrado.

Não deveria ser tímido.

Também não deveria ser agressivo. FCI

O Pekingese é um exemplo clássico de cão que pode ser extremamente afetuoso sem ser necessariamente submisso.

Forma vínculos fortes.

Às vezes particularmente fortes com uma pessoa específica.

Mas mantém enorme senso de individualidade.

O padrão do Pekingese Club of America descreve sua personalidade como uma mistura de dignidade, inteligência, autoestima e independência. Pekingese Club of America

Em termos menos diplomáticos:

ele tem opiniões.

E provavelmente considera várias delas superiores às suas.

Isso torna a convivência divertida quando o tutor entende a raça.

O Pekingese não foi criado durante séculos para responder instantaneamente às instruções de um pastor ou caçador.

Foi criado para viver perto das pessoas.

Sua função era companhia.

Isso produziu atenção ao ambiente humano e forte vínculo social, mas não necessariamente uma enorme vontade de obedecer por obedecer.

PetMD descreve cães geralmente confiantes, afetuosos e de personalidade forte. O treinamento funciona melhor quando é transformado em jogo e utiliza reforço positivo. PetMD

Existe também uma excelente capacidade de alerta.

O corpo é pequeno.

O latido pode não ser.

Pekingeses frequentemente avisam quando percebem:

movimento no corredor,

visitas,

barulhos,

alguém diante da porta,

uma folha aparentemente suspeita movendo-se numa quarta-feira.

Historicamente, pequenos cães imperiais também desempenhavam função de alerta dentro dos palácios. American Kennel Club

Sem socialização e treinamento, essa vigilância pode virar latido excessivo.

Com manejo adequado, transforma-se apenas numa característica da personalidade.

Convivência com crianças

O Pekingese pode conviver com crianças.

Mas não é a raça que eu colocaria automaticamente no topo da lista para uma casa com crianças pequenas e muito agitadas.

O problema não é simplesmente temperamento.

É uma combinação entre:

pequeno tamanho,

olhos vulneráveis,

estrutura corporal,

forte senso de limites

e pouca tolerância a brincadeiras físicas inadequadas.

O AKC observa especificamente que Pekingeses podem tolerar crianças, mas não são cães apropriados para brincadeiras bruscas. American Kennel Club

Uma criança que:

puxa pelos,

aperta,

abraça à força,

corre atrás,

interrompe o cachorro enquanto dorme

pode criar uma relação ruim.

Com crianças maiores, calmas e educadas para respeitar o animal, a situação muda bastante.

O Pekingese pode ser um excelente companheiro doméstico.

Não exige enormes quantidades de exercício.

Gosta de proximidade.

Pode participar da rotina familiar sem transformar a casa em pista de atletismo.

O ponto central é respeito.

Ele pode parecer um brinquedo imperial.

Não é brinquedo.

Convivência com outros animais

Pekingeses podem conviver bem com outros cães e gatos quando socializados adequadamente.

Não possuem uma história de seleção para caça intensa.

Isso reduz alguns dos desafios encontrados em terriers e determinados hounds.

Mas personalidade individual continua importando.

Alguns Pekingeses podem ser bastante autoconfiantes.

Talvez demais.

Um cachorro de cinco quilos pode perfeitamente formar uma opinião muito firme sobre um cachorro de quarenta.

A física continua discordando.

Por isso interações com cães muito maiores precisam ser supervisionadas, principalmente quando o outro animal brinca de maneira brusca.

Com gatos da família, a convivência costuma ter bom potencial.

Com pequenos animais, não existe a mesma predisposição histórica de um terrier caçador de ratos, mas nenhuma interação deveria depender apenas da ausência de histórico predatório.

Socialização e manejo continuam valendo.

Apartamento e espaço

Aqui o Pekingese funciona extraordinariamente bem.

Ele foi praticamente criado para ambientes internos milhares de anos antes de alguém inventar o condomínio vertical.

Seu porte reduzido e suas necessidades moderadas de exercício tornam a raça muito adequada a apartamentos. O AKC descreve o Pekingese como relativamente sedentário e satisfeito com níveis modestos de atividade. American Kennel Club

Mas pequeno não significa imóvel.

Ele ainda precisa:

caminhar,

farejar,

explorar,

brincar,

interagir.

O passeio é também enriquecimento mental.

O grande desafio do apartamento costuma ser outro:

vocalização.

Um cachorro alerta vivendo a poucos metros de corredores, elevadores e portas pode descobrir uma quantidade infinita de acontecimentos que considera dignos de comunicado.

Socialização e treinamento ajudam bastante.

Outro aspecto favorável é o tamanho.

O Pekingese:

viaja facilmente,

ocupa pouco espaço,

não exige enorme veículo,

é fácil de transportar em emergências.

Mas existe uma limitação ambiental fundamental:

calor.

Apartamento sem boa ventilação ou climatização em região muito quente pode ser muito mais problemático para a raça do que poucos metros quadrados.

No Brasil, isso merece peso real na decisão.

CUIDADOS

O trabalho cotidiano que precisa caber na sua vida.

A pelagem exige trabalho.

Não estamos falando de um cachorro Toy que precisa apenas de uma escovada ocasional.

O Pekingese possui pelagem dupla, longa e abundante.

O AKC recomenda pelo menos cerca de uma hora semanal de escovação para retirar pelos soltos e impedir formação de nós. PetMD também recomenda manutenção frequente e observa que muitos cães de pelagem longa passam periodicamente por grooming profissional. American Kennel Club

Áreas particularmente importantes incluem:

atrás das orelhas,

axilas,

pernas,

região do peito,

cauda.

Alguns tutores mantêm o cachorro em corte mais curto por praticidade.

Isso reduz trabalho, mas não elimina necessidade de cuidados.

Existe ainda uma área muito mais importante que o pelo:

o rosto.

As dobras faciais precisam permanecer limpas e secas.

Umidade e resíduos podem favorecer irritação, proliferação bacteriana e dermatite. PetMD

Os olhos precisam ser examinados diariamente.

O focinho curto deixa os globos oculares relativamente expostos a:

arranhões,

galhos,

pelos,

poeira,

traumas.

Se houver:

vermelhidão,

secreção,

dor,

olho fechado,

coceira,

procura veterinária rápida é importante. PetMD

Os dentes constituem outro ponto crítico.

Raças pequenas têm maior predisposição a doença periodontal, e PetMD recomenda escovação dentária diária no Pekingese. PetMD

E há ainda as unhas.

Por ser pouco pesado e relativamente sedentário, o cachorro pode não desgastá-las naturalmente em quantidade suficiente.

Devem ser cortadas regularmente.

É bastante manutenção para cinco quilos de cachorro.

A aristocracia tinha criados.

O tutor moderno ganhou a escova.

Exercícios e atividades

O Pekingese não precisa de exercício intenso.

Também não deveria realizá-lo.

Sua anatomia braquicefálica reduz eficiência respiratória e capacidade de dissipar calor, especialmente em indivíduos com vias aéreas comprometidas. PetMD

Caminhadas curtas ou moderadas em horários frescos costumam atender bem às necessidades de muitos adultos.

Dentro de casa, pode gostar de:

buscar pequenos brinquedos,

brincar,

resolver brinquedos interativos,

explorar pelo faro,

realizar sessões curtas de treinamento.

PetMD cita atividades como obediência, fetch, nose work e caminhadas de faro como boas opções. PetMD

Evite transformar exercício em teste de resistência.

Especialmente em dias quentes.

Sinais como:

respiração excessivamente ruidosa,

língua ou mucosas azuladas,

fraqueza,

incapacidade de recuperar o fôlego,

colapso

são sinais de emergência, não características “engraçadas” de uma raça de focinho curto.

O Pekingese pode praticar atividades.

A questão é respeitar o cachorro que existe.

Não a ideia de que todo cachorro precisa correr cinco quilômetros para ser saudável.

Alimentação

O Pekingese é pequeno e possui atividade relativamente moderada.

Isso significa que é extremamente fácil exagerar na comida.

O AKC destaca tendência de alguns indivíduos a ganhar peso, enquanto PetMD recomenda porções medidas e alimentação ajustada a metabolismo, idade e nível de atividade. American Kennel Club

Adultos geralmente podem receber a quantidade diária dividida em duas refeições.

Filhotes podem precisar de três ou mais refeições, especialmente quando muito jovens. PetMD

A condição corporal importa mais que uma quantidade fixa em gramas publicada na internet.

Dois cães de cinco quilos podem ter:

idades diferentes,

metabolismos diferentes,

níveis de atividade diferentes,

alimentos com densidades calóricas diferentes.

Por isso quantidade deve ser individualizada.

Petiscos de treinamento entram na conta.

É especialmente fácil esquecer isso num cão pequeno.

Um cubinho aparentemente insignificante de alimento humano pode representar uma proporção enorme das calorias diárias.

Peso adequado ajuda principalmente a proteger:

respiração,

articulações,

coração,

mobilidade.

Alguns Pekingeses também se beneficiam de recipientes e estratégias de alimentação que facilitem acesso ao alimento sem exigir posições desconfortáveis devido à anatomia facial.

Água limpa e fresca deve permanecer disponível.

Em dias quentes, hidratação é fundamental, mas não substitui ambiente fresco.

Um cachorro braquicefálico superaquecendo não pode ser “consertado” apenas colocando mais água no pote.

SAÚDE

Predisposição não é destino, mas precisa entrar na escolha.

Esta é a seção mais importante do Pekingese moderno.

Não porque todo exemplar seja doente.

Mas porque sua anatomia exige atenção especial.

O primeiro ponto é a Síndrome Obstrutiva das Vias Aéreas dos Braquicefálicos — BOAS.

O focinho muito curto pode estar associado a:

narinas estreitas,

palato mole alongado,

vias respiratórias reduzidas,

maior resistência ao fluxo de ar.

O resultado pode incluir:

respiração ruidosa,

ronco,

dificuldade de exercício,

engasgos,

intolerância ao calor,

maior risco anestésico

e, em casos graves, sofrimento respiratório. PetMD

Existe um detalhe extremamente importante:

respirar mal não faz parte do padrão correto.

A FCI declara que qualquer sinal de dificuldade respiratória deve ser severamente penalizado. Também exige nariz não excessivamente curto e narinas grandes e abertas. FCI

O Pekingese Club of America repete a mesma preocupação: selecionar cães com narinas amplas e abertas é fundamental. Pekingese Club of America

Em abril de 2026, o Pekingese passou também a figurar entre as raças elegíveis para avaliação oficial pelo Respiratory Function Grading Scheme — RFGS da OFA na América do Norte, uma ferramenta desenvolvida para avaliação funcional de BOAS. OFA

Isso é um avanço importante porque desloca a discussão de:

“ele tem uma cara bonita?”

para:

“ele consegue respirar?”

O segundo grande grupo de problemas envolve os olhos.

PetMD cita:

olho seco — ceratoconjuntivite seca,

atrofia progressiva da retina,

úlceras e traumas de córnea. PetMD

A ausência de um focinho longo significa também ausência de uma barreira física diante dos olhos.

Uma pequena colisão com vegetação ou objeto doméstico pode causar dano.

O Royal Kennel Club inclui avaliação oftalmológica entre suas práticas recomendadas para a raça. The Royal Kennel Club

Outro problema conhecido é a luxação de patela.

A rótula desloca-se do sulco normal.

O cão pode correr normalmente, levantar uma perna traseira durante alguns passos e depois voltar ao movimento habitual.

Casos graves podem produzir dor, artrite e necessidade de cirurgia. PetMD

A doença periodontal merece praticamente o mesmo nível de atenção preventiva.

Bocas pequenas acumulam dentes em espaço reduzido.

Placa e tártaro podem evoluir para:

gengivite,

infecção,

perda óssea,

dor,

extrações. PetMD

Escovar dentes não é luxo estético.

É medicina preventiva.

O calor constitui outro risco importante.

Cães dissipam grande parte do calor através da respiração.

Se a via aérea é encurtada ou obstruída, esse mecanismo perde eficiência.

Pekingeses são particularmente vulneráveis a superaquecimento, e tanto AKC quanto PetMD recomendam forte cautela em temperaturas elevadas. American Kennel Club

No Brasil, isso muda rotina.

Passeio ao meio-dia em janeiro não é sinal de tutor ativo.

Pode ser simplesmente uma decisão ruim.

Outra questão é peso corporal.

Obesidade piora:

respiração,

mobilidade,

tolerância ao calor,

carga articular.

Num cão braquicefálico, alguns quilos extras não são apenas questão estética.

Podem reduzir significativamente reserva respiratória. PetMD

Curiosamente, o AKC atualmente informa que o clube nacional americano não estabelece uma lista obrigatória de testes de saúde para a raça. Isso não significa ausência de riscos nem dispensa avaliação responsável. American Kennel Club

Antes de escolher um filhote, vale observar e perguntar sobre:

  • respiração dos pais em repouso e exercício;
  • largura das narinas;
  • histórico de BOAS e cirurgias respiratórias;
  • saúde ocular;
  • luxação de patela;
  • longevidade;
  • doença dentária;
  • capacidade de caminhar e se exercitar normalmente;
  • tolerância ao calor;
  • histórico anestésico quando relevante.

E existe uma regra particularmente simples.

Se alguém tenta convencer você de que um cão respirando muito mal é “normal da raça”:

procure outro criador.

TREINAMENTO

Inteligência sem rotina também produz problemas.

O Pekingese é inteligente.

O que ele nem sempre é:

interessado em demonstrar obediência automática.

PetMD e o AKC descrevem essa combinação entre inteligência e independência como característica típica. PetMD

O melhor treinamento costuma ser:

curto,

positivo,

consistente,

recompensador.

Gritos e confrontos tendem a produzir resistência.

Brincadeiras de treinamento funcionam melhor.

Também é importante evitar um erro bastante comum com cães pequenos:

substituir educação por colo.

O cachorro late?

Pegamos no colo.

Não quer andar?

Pegamos no colo.

Briga com outro cão?

Pegamos no colo.

Ignora comando?

Pegamos no colo.

Depois de alguns anos temos um cachorro que aprendeu perfeitamente que humanos resolvem qualquer situação transportando-o.

O Pekingese pode aprender:

  • chamado;
  • espera;
  • permanência;
  • caminhar com guia;
  • “deixa”;
  • “solta”;
  • controle de latido;
  • relaxamento;
  • aceitação de grooming;
  • manipulação veterinária.

Talvez um dos treinamentos mais importantes seja aceitar calmamente:

escova,

pente,

limpeza facial,

higiene dos olhos,

corte de unhas,

escovação dentária.

Isso fará parte da vida inteira.

Melhor ensinar cedo.

GALERIA

Conheça diferentes expressões da raça.

Pontos positivos

  • mora em apartamento;
  • procura um cachorro pequeno;
  • prefere necessidades moderadas de exercício;
  • deseja forte vínculo afetivo;
  • gosta de cães independentes e cheios de personalidade;
  • possui rotina doméstica relativamente tranquila;
  • aceita cuidar regularmente da pelagem;
  • consegue realizar higiene facial, ocular e dentária;
  • possui boa climatização em regiões quentes;
  • gosta de cães atentos;
  • aceita algum latido de alerta;
  • possui crianças maiores e respeitosas;
  • procura um companheiro para vida predominantemente interna;
  • entende as particularidades das raças braquicefálicas.

Pontos de atenção

  • pratica exercícios intensos e quer o cachorro como parceiro;
  • vive em ambiente muito quente sem climatização;
  • não pretende cuidar da pelagem;
  • deseja um cão de manutenção mínima;
  • possui crianças pequenas que brincam de maneira brusca;
  • não quer realizar higiene dental regular;
  • procura um cão extremamente obediente;
  • passa muitas horas fora diariamente;
  • quer um cachorro para longas corridas;
  • considera ronco intenso ou dificuldade respiratória algo engraçado;
  • não possui disponibilidade financeira para eventuais cuidados respiratórios, oculares ou odontológicos;
  • prefere um cão fisicamente robusto para brincadeiras mais fortes.