Poitevin
Subtítulo emocional
Origem: França
O sabujo francês criado para perseguir lobos durante horas — tão leve e veloz que acabou conhecido como o “galgo entre os cães de caça”.
Uma história selecionada para uma função.
O sabujo francês criado para perseguir lobos durante horas — tão leve e veloz que acabou conhecido como o “galgo entre os cães de caça”.
Existe algo estranho quando observamos um Poitevin pela primeira vez.
Ele é claramente um sabujo.
Orelhas caídas.
Nariz enorme.
Pelagem tricolor.
Mas então olhamos para o restante do corpo.
Pernas compridas.
Pescoço fino.
Peito profundo.
Abdômen recolhido.
Estrutura seca.
Quase nenhuma massa desperdiçada.
Parece que alguém pegou a capacidade olfativa de um grande cão de matilha e instalou dentro de uma estrutura desenhada para correr.
Foi mais ou menos isso que séculos de seleção fizeram.
O Poitevin nasceu na França como um grande cão de caça em matilha. A FCI o mantém até hoje no Grupo 6, entre os grandes cães correntes, com prova de trabalho obrigatória. A Sociedade de Vènerie francesa resume sua aparência oficial em três ideias que praticamente contam toda a história da raça: força, elegância e leveza. FCI
Ele não foi criado para dar uma arrancada curta.
Foi criado para encontrar uma pista...
seguir...
correr...
perder...
reencontrar...
e continuar.
Durante horas.
História e origem
A história do Poitevin começa numa época em que possuir uma grande matilha de cães era quase uma tecnologia militar aplicada à caça.
Final do século XVII.
França.
Região do Haut-Poitou.
O objetivo não era criar um cachorro bonito.
Era criar um cachorro capaz de acompanhar uma das caçadas mais exigentes da Europa:
a caça ao lobo.
Em 1692, o marquês François de Larrye começou a desenvolver cães de caça combinando diferentes linhagens de sabujos com sangue inglês. Fontes francesas associadas à Société Centrale Canine registram essa data como marco tradicional da formação do Poitevin. Doctissimo
O problema era brutal.
Um lobo não é apenas rápido.
Ele possui resistência.
Conhece o terreno.
Consegue percorrer distâncias enormes.
Muda de direção.
Cruza água.
Passa por bosques.
Desaparece entre cheiros de outros animais.
Portanto, o cão precisava combinar características que nem sempre aparecem juntas.
Faro.
Para encontrar e manter a pista.
Velocidade.
Para não perder terreno.
Resistência.
Para continuar quando a perseguição deixasse de ser uma corrida e virasse uma maratona.
Voz.
Para comunicar ao restante da matilha e aos caçadores onde a perseguição estava acontecendo.
Capacidade social.
Porque ninguém estava fazendo aquilo sozinho.
O Poitevin nasceu dentro dessa equação.
A formação inicial é tradicionalmente associada à linhagem de Larrye e a outras antigas famílias de cães franceses do Poitou, incluindo tipos conhecidos como Céris e Montemboeuf, posteriormente desaparecidos. Diferentes reconstruções históricas também registram novas contribuições de cães ingleses ao longo do desenvolvimento da raça. Wikipédia
Então apareceu um problema que genética nenhuma resolve bem.
A política.
A Revolução Francesa destruiu muito mais do que instituições humanas.
Grandes matilhas pertencentes à aristocracia foram dispersadas.
Criadores desapareceram.
Propriedades mudaram de mãos.
Linhas inteiras de cães deixaram de ser mantidas.
O Poitevin esteve muito próximo de desaparecer. Wikipédia
A raça sobreviveu.
Mas ainda não havia terminado.
No século XIX, outro golpe atingiu as matilhas francesas.
Fontes históricas descrevem uma grave epidemia de raiva por volta de 1842, que teria destruído grande parte dos cães remanescentes e obrigado criadores a reconstruir novamente a população utilizando os poucos exemplares sobreviventes e novas contribuições de outras linhagens. Le Mag du Chien
É difícil exagerar o que isso significa geneticamente.
Imagine uma população inteira comprimida repetidamente por:
guerra,
revolução,
doença,
mudança de função.
Depois reconstruída.
Depois selecionada novamente.
A raça que chega ao presente não é simplesmente um pedaço congelado de 1692.
É resultado de sobrevivência e reconstrução.
Quando a caça sistemática ao lobo desapareceu de grande parte da França, o Poitevin encontrou novas funções.
A mesma combinação de:
nariz,
resistência,
velocidade,
trabalho em matilha
continuava extremamente útil para perseguir outros grandes animais, especialmente em tradições francesas de vénerie. Le magazine du chien de chasse
E talvez seja exatamente isso que salvou definitivamente a raça.
Ela perdeu o problema original.
Mas não perdeu a capacidade de resolver problemas semelhantes.
Ficha rápida completa
Aparência e características físicas
O padrão oficial não chama o Poitevin simplesmente de forte.
Nem simplesmente de elegante.
Ele tenta preservar simultaneamente:
força + elegância + leveza. Venerie
Esse equilíbrio é essencial.
Um cão muito pesado perderia velocidade.
Um cão excessivamente leve poderia perder resistência estrutural.
Um cão musculoso demais carregaria massa desnecessária durante horas.
Por isso o Poitevin apresenta uma construção que lembra vagamente um encontro entre:
sabujo,
Foxhound,
galgo.
A cabeça é longa, mas não exagerada.
Relativamente estreita.
O focinho acompanha essa linha alongada.
O nariz é forte, largo e proeminente — algo perfeitamente coerente num animal cuja profissão começa pelo olfato. O padrão internacional também descreve olhos grandes e expressão suave, além de orelhas finas, de comprimento moderado e inserção relativamente baixa. UKC Dogs
O pescoço é longo e seco.
Pouca pele solta.
Nada de enorme barbela pendendo como em alguns sabujos pesados.
Isso continua a lógica da leveza.
O peito é profundo.
Mais profundo do que largo.
Essa configuração oferece espaço para coração e pulmões sem transformar a parte frontal do cachorro numa massa excessivamente ampla. UKC Dogs
O dorso é firme e musculoso.
Os membros são altos.
Secos.
Retos.
Construídos para cobertura de terreno.
A cauda é relativamente fina e portada com leve curva.
Tudo parece ter sido reduzido ao necessário.
Depois vem a pelagem.
Curta.
Brilhante.
Praticamente sem elementos ornamentais.
As colorações tradicionais incluem combinações tricolores, com branco, preto e laranja. A apresentação clássica frequentemente possui uma sela ou grandes áreas negras sobre o dorso, acompanhadas por cabeça castanha e extensas áreas brancas. Doctissimo
Visualmente, é bonito.
Funcionalmente, é um corredor de longa distância equipado com um dos melhores sensores químicos que a seleção humana conseguiu conservar.
Tutor indicado
- possui experiência com sabujos;
- vive em ambiente rural ou dispõe de grande espaço seguro;
- consegue oferecer atividade física intensa;
- gosta de tracking e trabalho de faro;
- possui outros cães compatíveis;
- entende comportamento de matilha;
- aceita independência;
- tem cercamento realmente seguro;
- gosta de longas caminhadas e trilhas;
- pode integrar o cão diariamente à rotina;
- valoriza raças funcionais;
- consegue lidar com vocalização;
- entende e maneja forte instinto de perseguição;
- procura um cão de trabalho e não apenas de aparência.
Tutor não indicado
- mora em apartamento;
- possui rotina sedentária;
- trabalha muitas horas longe de casa;
- quer um cão silencioso;
- deseja obediência automática;
- não possui contenção física adequada;
- mantém pequenos animais acessíveis;
- procura um cachorro de baixa energia;
- quer deixá-lo sozinho por períodos prolongados;
- não gosta de caminhadas ou atividades externas;
- não possui experiência com cães independentes;
- procura um animal exclusivamente de companhia;
- não consegue oferecer convivência social suficiente;
- imagina que um grande quintal sozinho resolverá todas as necessidades.
Em resumo
O Poitevin nasceu para resolver um problema que praticamente desapareceu da Europa moderna.
Seguir lobos.
Não por alguns minutos.
Por quilômetros.
Durante horas.
O homem precisava de um cachorro que encontrasse uma pista invisível.
Problema.
Criou um nariz extraordinário.
Mas encontrar não bastava.
O lobo corria.
Novo problema.
O cachorro precisava de pernas.
Velocidade.
Leveza.
Mas velocidade curta também não bastava.
O animal podia continuar.
Novo problema.
Era necessária resistência.
Então surgiram:
peito profundo,
corpo seco,
músculos funcionais,
peso controlado.
E ainda havia outro problema.
O cachorro podia desaparecer quilômetros à frente no bosque.
Como saber onde estava?
Voz.
Agora coloque dezenas desses animais trabalhando juntos.
A matilha tornou-se quase uma rede distribuída de sensores.
Um cachorro encontra.
Outro confirma.
Outro avança.
As vozes mantêm humanos e cães conectados.
O Poitevin não é simplesmente um cão que corre.
É um sistema de perseguição construído antes de rádio, GPS ou rastreadores eletrônicos.
Depois o mundo mudou.
A caça ao lobo desapareceu.
A aristocracia que sustentava grandes matilhas foi destruída pela Revolução.
A própria população quase acabou.
Uma epidemia atingiu novamente as linhagens.
E ainda assim o Poitevin sobreviveu.
Porque sua solução era mais ampla que o problema original.
O lobo saiu da equação.
Mas continuavam existindo:
florestas,
pistas,
grandes distâncias,
caça,
matilhas.
O cachorro continuava funcionando.
Hoje, talvez esse seja também seu maior problema como animal doméstico.
Ele continua funcionando bem demais.
Ainda possui motor.
Ainda possui nariz.
Ainda possui voz.
Ainda possui necessidade de companhia.
Ainda possui vontade de percorrer terreno.
Colocá-lo numa rotina sedentária não transforma esse sistema num cão de sofá.
Apenas retira o trabalho.
E deixa toda a máquina ligada.
Por isso o Poitevin não é uma raça para todo mundo.
Provavelmente nem deveria ser.
Alguns cães foram selecionados para encaixar-se em nossas casas.
O Poitevin foi selecionado para desaparecer numa floresta atrás de uma pista...
e continuar correndo quando quase todo o resto da matilha humana já estaria pedindo um carro.
Avaliação editorial de compatibilidade
Fontes e links de verificação
- POITEVIN
- Poitevin - Race de chien - Doctissimo
- Poitevin (chien)
- Poitevin : caractère, éducation, santé, prix | Race de chien
- Les Chiens D’ordre - Le Magazine Du Chien De Chasse
- Races | Le Poitevin
- Breed Standards : Poitevin | United Kennel Club (UKC)
- Poitevin (dog breed)
- Six common causes of ear infections in pets
- Bloat: Gastric Dilatation and Volvulus in Dogs | VCA Animal Hospitals
- Otitis Externa in Animals - Ear Disorders - Merck Veterinary Manual
- Disorders of the Stomach and Intestines in Dogs - Dog Owners - Merck Veterinary Manual
Como essa raça tende a viver com pessoas.
Aqui precisamos tomar cuidado para não transformar um cachorro de matilha em Labrador francês.
O Poitevin pode ser gentil.
Pode ser afetuoso.
Pode conviver bem com pessoas.
Mas sua mente foi organizada durante séculos em torno de:
caça,
matilha,
movimento,
pista.
A fonte francesa elaborada em parceria com a Société Centrale Canine o descreve como:
infatigável,
corajoso,
gentil,
dotado de excelente faro
e muito ligado à convivência com a matilha ou com seu condutor. Doctissimo
Esse último ponto é fundamental.
Não estamos falando apenas de um cachorro sociável.
Estamos falando de uma raça para a qual estar acompanhada faz parte da arquitetura comportamental.
Durante gerações, Poitevins:
dormiram próximos de outros cães,
saíram juntos,
perseguiram juntos,
vocalizaram juntos,
voltaram juntos.
Por isso isolamento prolongado tende a combinar muito mal com a raça.
Outro traço inevitável é a independência funcional.
Quando um sabujo encontra uma pista, o humano não precisa dizer:
“cheire agora”.
O cachorro já está trabalhando.
A cada mudança de cheiro, precisa decidir.
A trilha continua?
Virou?
Foi interrompida?
Existe outra pista?
O nariz alimenta o cérebro continuamente.
Essa autonomia significa que o Poitevin pode compreender perfeitamente aquilo que queremos...
e ainda possuir prioridades próprias quando o ambiente liga seu modo de caça.
Convivência com crianças
As fontes francesas tradicionais descrevem o Poitevin como gentil e afetuoso com crianças. Doctissimo
Isso é positivo.
Mas não transforma automaticamente a raça em recomendação ideal para uma família comum com crianças pequenas.
Existe um problema físico.
Estamos falando de um cão que pode ultrapassar 70 cm de altura.
Com aproximadamente 30 kg.
Alto.
Rápido.
Atlético.
Um Poitevin brincando não precisa apresentar nenhuma agressividade para derrubar uma criança pequena.
Basta esquecer que ela pesa menos que ele.
Outro ponto é a rotina.
Uma família sedentária com crianças não satisfará automaticamente as necessidades desse cachorro apenas porque possui companhia humana.
O Poitevin precisa de movimento real.
Espaço.
Atividade.
Exploração.
Para crianças maiores, principalmente em ambiente rural ou numa família realmente ativa e experiente, pode existir uma convivência rica.
Mas o critério principal não deveria ser:
“gosta de crianças?”
Deveria ser:
“a família inteira consegue oferecer a vida que esse cachorro precisa?”
Convivência com outros animais
Com outros cães, o Poitevin provavelmente possui uma das bases funcionais mais fortes possíveis para boa sociabilidade.
Foi literalmente desenvolvido para trabalhar em matilha.
O isolamento individual não era a regra.
A cooperação era.
Isso não significa ausência de conflitos individuais.
Mas significa que tolerância à proximidade de outros cães sempre teve valor funcional enorme.
Por isso, quando bem socializado, tende a combinar muito melhor com convivência canina do que muitas raças historicamente selecionadas para trabalho solitário. Doctissimo
Agora troque “cachorro” por:
gato,
coelho,
galinha,
pequeno mamífero.
A conversa muda.
O Poitevin é um sabujo de caça.
O cérebro reage a:
cheiro,
movimento,
pista,
fuga.
Um gato criado junto desde cedo pode ser reconhecido como parte da família.
Isso é possível.
Mas não podemos transformar convivência individual bem-sucedida em:
“baixo instinto predatório”.
Não é.
Pequenos animais acessíveis exigem manejo.
E uma propriedade rural cheia de fauna provavelmente será interpretada como aquilo que historicamente sempre foi:
um ambiente cheio de informações interessantes.
Apartamento e espaço
Aqui não existe grande margem para romantização.
O Poitevin é uma escolha ruim para apartamento.
A fonte francesa produzida em parceria com a Société Centrale Canine é explícita: não é considerado adaptado à vida em apartamento e necessita de muito exercício. Doctissimo
O problema começa pelo tamanho.
Mas não termina nele.
Existe:
energia alta,
necessidade de deslocamento,
instinto de rastreamento,
vocalização,
forte necessidade social,
mentalidade de matilha.
Mesmo uma casa pequena pode ser inadequada.
Por outro lado, uma propriedade rural grande começa a fazer muito mais sentido.
Ainda assim:
ter terreno não substitui oferecer atividade.
Um cachorro pode possuir dez mil metros quadrados e continuar entediado quando conhece cada centímetro deles.
A diferença está em:
explorar,
acompanhar,
trabalhar,
farejar,
mover-se,
interagir.
E existe outro detalhe importante.
Sabujo + cheiro interessante + terreno sem contenção = cachorro muito longe.
O cercamento precisa ser sério.
O trabalho cotidiano que precisa caber na sua vida.
Finalmente uma parte simples.
O pelo é:
curto,
liso,
brilhante.
Não exige tosa.
Não forma grandes nós.
Não acumula quantidade absurda de sujeira.
Uma escovação semanal costuma ser mais do que suficiente para retirar pelos mortos e permitir inspeção de pele.
Mas existe outra área que merece muito mais atenção.
As orelhas.
São pendentes.
Relativamente fechadas.
Em cães com orelhas caídas, ventilação reduzida e retenção de umidade podem contribuir para problemas de ouvido. Fontes veterinárias destacam que o formato da orelha e o acúmulo de umidade podem facilitar otites em alguns cães. Vca
Portanto, observe:
vermelhidão,
odor,
secreção,
coceira,
sacudir repetidamente a cabeça.
Depois de água ou muita umidade:
seque adequadamente.
Sem introduzir objetos dentro do canal.
Cães que trabalham em campo precisam ainda de uma inspeção que cães urbanos frequentemente dispensam.
Depois de atividade:
verifique patas,
almofadas,
espaços entre dedos,
pele,
carrapatos,
espinhos,
pequenos cortes.
Um sabujo não costuma interromper a investigação para preencher formulário de acidente de trabalho.
Ele continua.
O tutor precisa olhar depois.
Exercícios e atividades
Esta é provavelmente uma das categorias em que o Poitevin merece nota máxima sem hesitação.
Não foi criado para passear.
Foi criado para percorrer terreno.
A documentação francesa o descreve como infatigável e capaz de adaptar-se a diferentes tipos de terreno. Doctissimo
Relatos históricos da raça chegam a mencionar perseguições extremamente longas, reflexo da reputação que o Poitevin adquiriu como um dos grandes atletas entre os sabujos franceses. Wikipedia
Não precisamos transformar essa tradição em exercício doméstico absurdo.
Um Poitevin moderno não precisa perseguir alguma coisa durante sete horas para ser saudável.
Mas a história revela a escala do motor que existe ali.
Boas atividades incluem:
- longas caminhadas;
- trilhas;
- tracking;
- mantrailing recreativo;
- nose work;
- busca de objetos;
- atividades em áreas rurais seguras;
- corrida controlada após condicionamento adequado;
- trabalho de faro em trilhas longas.
Faro provavelmente oferece uma das melhores ferramentas para enriquecimento.
Um cachorro que passou séculos lendo trilhas químicas no solo não deveria receber uma vida em que toda caminhada acontece com a cabeça obrigada a ficar levantada ao lado do joelho do tutor.
Cheirar é atividade.
Investigar é atividade.
Seguir uma trilha controlada é atividade.
O cérebro trabalha tanto quanto as pernas.
Alimentação
Alimentar um Poitevin não exige alguma fórmula secreta francesa.
Exige observar o cachorro que temos diante de nós.
Ele é grande.
Atlético.
Naturalmente seco.
A aparência correta não deveria ser:
gorda,
pesada,
arredondada.
O excesso de peso prejudica justamente aquilo que define a raça.
Movimento.
Resistência.
Articulações.
Capacidade respiratória.
O tutor precisa avaliar:
costelas,
cintura,
massa muscular,
peso,
atividade.
Um cachorro em temporada intensa de atividade terá necessidade energética bastante diferente de um companheiro menos ativo.
Adultos geralmente podem receber duas refeições medidas por dia.
Em cães de peito profundo, faz sentido discutir com o veterinário estratégias alimentares adequadas ao indivíduo, especialmente quando existe preocupação com GDV. Grandes refeições únicas e exercício intenso imediatamente após alimentação não são uma combinação desejável em cães predispostos. Vca
Água fresca deve estar sempre disponível.
Principalmente após:
trilha,
corrida,
atividade sob calor,
trabalho prolongado.
Mas hidratação precisa fazer parte da rotina, não surgir apenas quando o cachorro já está exausto.
Suplementos não devem ser utilizados automaticamente.
Um alimento completo pode já fornecer os nutrientes necessários.
O que muda a dieta deve ser:
idade,
atividade,
condição corporal,
doença,
orientação veterinária.
Não marketing.
Predisposição não é destino, mas precisa entrar na escolha.
O Poitevin é geralmente descrito pelas fontes francesas como um cão resistente e de boa rusticidade, com expectativa média em torno de 13 anos. Doctissimo
Mas existe um ponto importante:
há muito menos literatura veterinária específica da raça do que para Labrador, Golden Retriever, Pastor Alemão ou outras populações enormes.
Portanto, não devemos transformar a falta de estudos em:
“Poitevin não tem doença genética”.
Isso seria cientificamente errado.
Significa apenas que os dados específicos são limitados.
Dilatação-torção gástrica. O Poitevin é grande, alto, relativamente magro e possui tórax profundo. Essas características anatômicas justificam atenção ao risco de dilatação e vólvulo gástrico — GDV — mesmo sem afirmar que a raça esteja entre as mais estudadas especificamente para a condição. A literatura veterinária identifica cães grandes e de peito profundo como grupo de risco. Vca
Na GDV, o estômago dilata e pode girar.
É emergência real.
Sinais possíveis incluem:
tentativas repetidas de vomitar sem produzir conteúdo,
abdômen progressivamente distendido,
salivação intensa,
agitação,
dor,
fraqueza,
colapso.
Isso não é algo para:
“observar até amanhã”.
É atendimento veterinário imediato. Vca
Saúde ortopédica. Um cão grande e extremamente ativo deve ter quadris, joelhos, cotovelos e coluna acompanhados ao longo da vida, especialmente se pratica trabalho intenso.
Mesmo na ausência de uma síndrome ortopédica específica que defina a raça, criação responsável deveria evitar cães com:
claudicação,
movimentação irregular,
dor recorrente,
estrutura incapaz de sustentar atividade.
A função histórica do Poitevin exige boa biomecânica.
Ouvidos. Como já discutido, o formato pendente pode favorecer retenção de umidade e precisa ser acompanhado. Otite externa pode apresentar coceira, dor, odor, vermelhidão e secreção. Merck Veterinary Manual
Lesões de atividade. Num Poitevin realmente ativo, problemas cotidianos podem incluir:
cortes,
abrasões,
lesões de almofadas,
espinhos,
traumas musculares,
carrapatos.
Isso não é “doença da raça”.
É exposição ocupacional.
Diversidade genética. Existe ainda uma questão populacional importante.
O Poitevin não possui uma população internacional gigantesca.
Raças raras exigem que criadores considerem não apenas aparência e saúde individual, mas também parentesco entre reprodutores.
Uma raça pode ser aparentemente saudável e ainda perder diversidade lentamente quando os mesmos poucos machos são utilizados repetidamente.
Ao procurar um filhote, vale pedir ao criador informações sobre:
- longevidade de pais e avós;
- causas de morte;
- histórico de GDV na família;
- problemas ortopédicos;
- problemas cardíacos;
- saúde ocular;
- epilepsia ou alterações neurológicas;
- histórico de otites;
- parentesco do cruzamento;
- temperamento dos pais.
E existe uma pergunta ainda mais importante:
por que esse acasalamento foi escolhido?
Um criador sério deveria saber responder.
Inteligência sem rotina também produz problemas.
É perfeitamente possível treinar um Poitevin.
Mas tentar transformá-lo num cão de obediência automática é escolher o equipamento errado para o trabalho.
Ele foi selecionado para:
iniciativa,
persistência,
decisão independente,
atenção ao ambiente.
O treinamento funciona melhor quando essas características são utilizadas em vez de combatidas.
Sessões devem ser:
claras,
consistentes,
curtas,
recompensadoras.
E, sobretudo:
relevantes.
O chamado merece enorme atenção.
Treine desde filhote.
Primeiro dentro de casa.
Depois cercado.
Depois com guia longa.
Depois com cheiros e distrações graduais.
Mas mantenha uma expectativa realista.
Se um Poitevin encontra uma trilha extraordinária e decide segui-la, você não está competindo apenas contra “teimosia”.
Está competindo contra centenas de anos de seleção.
Portanto:
recall excelente + manejo excelente.
Não um ou outro.
Outros comandos extremamente úteis incluem:
- espera;
- “deixa”;
- “solta”;
- caminhar com guia;
- permanência;
- retorno ao condutor;
- relaxamento;
- manipulação veterinária;
- entrada e saída de veículos;
- controle de portões e cercas.
Também é importante habituá-lo desde cedo à vida doméstica caso esse seja o destino.
Um cão acostumado apenas ao ambiente de matilha e canil pode ter dificuldade com:
trânsito,
elevadores,
ambientes fechados,
sons urbanos,
solidão.
Socialização precisa respeitar a realidade na qual o cachorro viverá.
Conheça diferentes expressões da raça.

Pontos positivos
- possui experiência com sabujos;
- vive em ambiente rural ou dispõe de grande espaço seguro;
- consegue oferecer atividade física intensa;
- gosta de tracking e trabalho de faro;
- possui outros cães compatíveis;
- entende comportamento de matilha;
- aceita independência;
- tem cercamento realmente seguro;
- gosta de longas caminhadas e trilhas;
- pode integrar o cão diariamente à rotina;
- valoriza raças funcionais;
- consegue lidar com vocalização;
- entende e maneja forte instinto de perseguição;
- procura um cão de trabalho e não apenas de aparência.
Pontos de atenção
- mora em apartamento;
- possui rotina sedentária;
- trabalha muitas horas longe de casa;
- quer um cão silencioso;
- deseja obediência automática;
- não possui contenção física adequada;
- mantém pequenos animais acessíveis;
- procura um cachorro de baixa energia;
- quer deixá-lo sozinho por períodos prolongados;
- não gosta de caminhadas ou atividades externas;
- não possui experiência com cães independentes;
- procura um animal exclusivamente de companhia;
- não consegue oferecer convivência social suficiente;
- imagina que um grande quintal sozinho resolverá todas as necessidades.