Polish Hound
Subtítulo emocional
Origem: Polônia
Um sabujo que não foi construído para ser o mais rápido da floresta — foi construído para continuar seguindo quando os outros já desistiram.
Uma história selecionada para uma função.
Um sabujo que não foi construído para ser o mais rápido da floresta — foi construído para continuar seguindo quando os outros já desistiram.
O Polish Hound parece exatamente aquilo que sua profissão exigiria.
Corpo forte.
Peito profundo.
Cabeça pesada.
Orelhas longas.
Pelagem densa.
E uma expressão tão calma que quase esconde o fato de que seu nariz pode transformar um passeio aparentemente normal numa investigação criminal de vários quilômetros.
Na Polônia ele é chamado de Ogar Polski.
Não nasceu para perseguir uma presa através da velocidade explosiva de um galgo.
Seu projeto é diferente.
A FCI descreve oficialmente um cão musculoso, relativamente pesado e construído para resistência, não velocidade. Durante a caça, trabalha sobre o rastro recente da presa e anuncia sua progressão através de uma vocalização poderosa — característica tão importante que a perseguição sonora do Ogar possui tradição própria dentro da caça polonesa. FCI
E sua história quase desapareceu junto com as fronteiras da Polônia depois da Segunda Guerra Mundial.
História e origem
Quando uma raça possui uma história longa, existe sempre a tentação de dizer:
“ela existe há mil anos”.
No caso do Ogar Polski, precisamos ser mais precisos.
O padrão oficial da FCI registra referências à caça com cães na Polônia já nas crônicas de Gallus Anonymus, no século XI.
No século XIV aparecem registros de cães do tipo ogar sendo criados especificamente para a caça real. FCI
Isso não significa que um cachorro do século XI fosse geneticamente idêntico ao Ogar Polski moderno.
Significa algo mais interessante:
a tradição que produziria a raça já existia.
E havia uma razão.
A Polônia possuía vastos territórios onde caçar significava atravessar:
florestas,
campos,
pântanos,
neve,
vegetação fechada.
O cachorro precisava localizar uma pista que o humano não conseguia perceber.
Depois precisava mantê-la.
Por muito tempo.
A velocidade absoluta era secundária.
O nariz e a resistência eram fundamentais.
O próprio nome ogar aparece em documentos poloneses do século XVI.
Em 1549, surge no Book on Rural Arts, de Piotr Krescentyn.
Em 1568, aparece novamente na obra de Mikołaj Rej.
E em 1618, Jan Ostroróg publicou Hunting with Ogar Hounds, obra que o padrão oficial da FCI considera uma espécie de primeiro guia cinológico polonês, contendo princípios de criação racional desses cães.
Isso é extraordinário.
Quatro séculos atrás, já existia literatura dedicada não apenas a usar esses cães...
mas a pensar como criá-los.
Em 1779 surge uma descrição mais detalhada do Ogar na obra de Krzysztof Kluk.
Durante o século XIX, cães desse tipo aparecem também em literatura, pinturas, brasões, selos e exposições. FCI
Então a política começa a interferir na genética.
Durante grande parte do século XIX, a Polônia sequer existia como Estado soberano independente.
As terras polonesas estavam divididas entre potências vizinhas.
Mesmo assim, linhagens de Ogars continuaram sendo mantidas, sobretudo em propriedades da nobreza nas regiões orientais.
A Polônia recuperou a independência em 1918.
Mas as grandes tradições de caça com sabujos já haviam diminuído.
Ainda assim, populações importantes persistiram em regiões orientais como:
Polesie,
Volínia,
Vilnius.
E então veio a Segunda Guerra Mundial.
Ao final do conflito, as fronteiras polonesas foram profundamente redesenhadas.
A Polônia perdeu seus antigos territórios orientais.
Junto com eles:
perdeu também justamente a região onde sobreviviam muitas das principais linhagens do Ogar.
O cachorro quase desapareceu do novo território nacional.
É aqui que entra um personagem central.
Coronel Piotr Kartawik.
Em 1959, Kartawik trouxe quatro Ogars de sua região natal, então incorporada ao território da atual Belarus.
A partir desses cães fundou o canil z Kresów — literalmente, algo como “das Terras Fronteiriças”.
Pense no tamanho do gargalo.
Uma tradição de séculos.
Uma guerra.
Fronteiras redesenhadas.
A população praticamente desaparece.
E então quatro cães atravessam novamente a fronteira.
O futuro da raça passa por eles.
Em 1964, o engenheiro Jerzy Dylewski elaborou um padrão moderno utilizando os cães de Kartawik como referência.
Poucos anos depois, a raça entrou formalmente no sistema internacional da FCI sob o número 52.
Existe ainda uma consequência histórica muito interessante.
A recuperação dos sabujos poloneses do pós-guerra não produziu apenas uma única população uniforme.
Diferentes tipos foram mantidos e selecionados.
Décadas depois, outro sabujo polonês — o Gończy Polski, ou Polish Hunting Dog — acabaria reconhecido como raça independente pela FCI. Hoje o Polish Hound e o Polish Hunting Dog aparecem oficialmente como duas das seis raças caninas nativas reconhecidas pela entidade cinófila polonesa. ZKwP
Ogar Polski e Gończy Polski não são nomes diferentes para o mesmo cachorro.
São raças distintas.
E isso será importante para a próxima ficha quando chegarmos a ela.
Ficha rápida completa
Aparência e características físicas
O Ogar Polski é um excelente exemplo de anatomia guiada pela resistência.
A primeira impressão é de solidez.
Não de rapidez.
O padrão oficial descreve um cão musculoso e relativamente pesado, cuja constituição deve sugerir capacidade de trabalhar por muito tempo.
O corpo é ligeiramente mais comprido do que alto.
A silhueta é retangular.
O dorso é:
longo,
largo,
musculoso.
O peito é profundo e relativamente amplo.
As costelas são longas e bem arqueadas. FCI
Essa caixa torácica possui função clara.
Um animal que acompanha rastros por horas precisa sustentar:
respiração,
circulação,
movimento contínuo.
O corpo não foi desenhado para uma arrancada de 300 metros.
Foi desenhado para continuar.
A cabeça é relativamente pesada e vista de perfil aproxima-se de um retângulo.
O focinho é comprido e profundo.
O nariz é:
grande,
largo,
escuro.
Para um sabujo, isso parece quase obrigatório.
O sentido dominante da raça começa ali. FCI
Os olhos são castanho-escuros e possuem uma expressão que o padrão define como gentil.
As orelhas são:
caídas,
implantadas relativamente baixas,
largas,
com pontas discretamente arredondadas. FCI
O pescoço é forte e musculoso.
Uma dobra de pele forma uma barbela visível.
A pele também pode produzir discretas rugas na testa. FCI
As pernas são fortes.
As patas são compactas, com dedos bem unidos e almofadas firmes.
Novamente:
terreno.
Um sabujo não trabalha num piso perfeitamente nivelado.
E talvez a característica mais reveladora apareça na descrição do movimento.
O padrão oficial especifica:
trote lento.
Na perseguição:
galope não muito rápido.
Quase nenhuma raça de caça admite isso tão claramente.
O objetivo não é vencer uma corrida.
É manter a pista.
A pelagem oferece outra pista sobre seu ambiente de origem.
Na cabeça, focinho, orelhas e pernas é curta.
No restante do corpo torna-se:
mais longa,
grossa,
dura.
Por baixo existe um subpelo denso e macio, importante para proteção térmica.
A cor clássica é muito marcante.
Um manto:
preto
ou
cinza-escuro
cobre boa parte do pescoço, dorso, lados do corpo e cauda.
O restante apresenta marcações castanhas que podem ir do amarelo-escuro ao mogno.
As orelhas são normalmente mais escuras.
Pequenas marcações brancas podem aparecer:
na cabeça,
peito,
patas,
ponta da cauda.
Visualmente, é uma roupa quase perfeita para floresta de outono.
Tutor indicado
- gosta de caminhadas longas;
- aprecia cães de faro;
- quer praticar tracking ou nose work;
- possui rotina ativa;
- aceita alguma independência;
- gosta de cães fortes, mas normalmente tranquilos dentro de casa;
- possui outros cães;
- quer um animal fortemente ligado à família;
- utiliza treinamento positivo;
- consegue oferecer exploração ambiental;
- possui ambiente seguro e bom controle de guia;
- aceita vocalização de alerta;
- procura uma raça rara e historicamente funcional;
- consegue investir em socialização desde cedo.
Tutor não indicado
- quer um cão extremamente obediente e automático;
- deseja deixar o cachorro solto em locais não cercados;
- mantém pequenos animais vulneráveis acessíveis;
- não tolera vocalização;
- passa muitas horas fora diariamente;
- procura uma raça de baixíssima necessidade de exercício;
- não gosta de caminhadas;
- não deseja trabalhar recall;
- espera que um grande quintal substitua interação;
- deseja um cachorro permanentemente indiferente aos cheiros;
- não consegue lidar fisicamente com um cão de até cerca de 30 kg;
- procura apenas aparência e não comportamento funcional.
Em resumo
O Ogar Polski conta uma história sobre persistência duas vezes.
A primeira está no cachorro.
Ele encontra uma pista.
Segue.
Ela enfraquece.
Continua.
O animal muda de direção.
Corrige.
A floresta fica difícil.
Continua.
Não precisa ser o mais rápido.
Precisa continuar tendo uma resposta para a pergunta:
“para onde ele foi?”
Foi exatamente essa capacidade que transformou o Ogar em parte da tradição de caça polonesa durante séculos.
Mas então a própria raça precisou demonstrar a mesma característica.
A Polônia perdeu independência.
O Ogar continuou.
A caça tradicional diminuiu.
Continuou.
Vieram guerras.
Continuou.
Depois da Segunda Guerra Mundial, o país perdeu justamente os territórios orientais onde sobreviviam muitas das linhagens.
Quase não havia mais Ogars dentro das novas fronteiras.
A pista parecia terminar ali.
Então Piotr Kartawik voltou com quatro cães.
A criação recomeçou.
Um padrão foi reconstruído.
A raça entrou novamente nos registros.
Hoje o Ogar Polski continua oficialmente reconhecido como uma das raças nacionais da Polônia. ZKwP
Talvez não exista metáfora melhor.
O Ogar foi criado para não abandonar uma pista quando ela parecia desaparecer.
E quando a própria história quase apagou sua raça...
alguém encontrou o rastro e continuou seguindo.
Avaliação editorial de compatibilidade
Fontes e links de verificação
- FCI Standard No
- OGAR POLSKI
- Związek Kynologiczny w Polsce
- Ogar Polski hodowla Poszły w Las - Wzorzec
- Ear Infections and Otitis Externa in Dogs - Dog Owners - Merck Veterinary Manual
- Ogar Polski - charakterystyka rasy (FCI 52) | Hodowca.pl
- Otitis Externa in Animals - Ear Disorders - Merck Veterinary Manual
- Bloat: Gastric Dilatation and Volvulus in Dogs | VCA Animal Hospitals
- Breed Standards : Polish Hound | United Kennel Club (UKC)
- Updated Information on Gastric Dilatation and Volvulus and Gastropexy in Dogs - PubMed
- GONCZY POLSKI
Como essa raça tende a viver com pessoas.
Talvez aqui esteja a maior surpresa.
Ogar Polski parece um cachorro de trabalho pesado.
E é.
Mas o próprio padrão da FCI também o define como excelente cão familiar, dedicado à casa e naturalmente desconfiado de desconhecidos. FCI
Dentro de casa, pode ser muito mais tranquilo do que sua profissão sugere.
Fontes polonesas da raça descrevem cães:
calmos,
equilibrados,
sociais,
fortemente ligados às pessoas,
geralmente gentis com outros cães. Ogar Polski
Mas existe uma ressalva enorme.
Ele é um sabujo.
Isso significa que existe um momento em que o cachorro familiar e tranquilo encontra determinada molécula suspensa no ar.
E o cérebro muda de prioridade.
Um rastro aparece.
O nariz assume o comando.
Seguir cheiro não é simplesmente um comportamento divertido do Ogar.
É sua profissão ancestral.
A FCI descreve a perseguição acompanhada de vocalização intensa.
Machos tendem a possuir voz mais grave.
Fêmeas, mais aguda.
O cachorro literalmente anuncia a pista enquanto trabalha. FCI
Isso permitia que o caçador soubesse:
onde a matilha estava,
se havia encontrado a presa,
como a perseguição evoluía.
Séculos antes de GPS, o latido era telemetria.
Hoje, naturalmente, isso também significa:
potencial para vocalização.
Especialmente diante de:
cheiros,
movimentos,
pessoas próximas da propriedade,
excitação.
Existe também independência.
Um sabujo que precisa resolver um rastro não pode pedir autorização a cada curva.
Ele decide.
Tenta.
Volta.
Corrige.
Essa autonomia pode parecer teimosia para tutores acostumados a cães muito orientados à obediência.
Não é falta de inteligência.
É outro tipo de inteligência.
Convivência com crianças
O Ogar Polski possui boa reputação como cão familiar.
O próprio padrão FCI o descreve explicitamente como excelente cão doméstico, e fontes especializadas polonesas destacam seu temperamento calmo e equilibrado. FCI
Com crianças, isso é uma base muito positiva.
Ele tende a ser:
paciente,
menos frenético dentro de casa,
fortemente vinculado à família.
Mas existe física.
Um adulto pode superar 30 kg.
Possui peito pesado.
Ombros fortes.
Pode derrubar uma criança pequena durante uma brincadeira sem qualquer intenção agressiva.
Portanto:
supervisão continua necessária.
Com crianças maiores, especialmente numa família ativa, pode ser excelente parceiro para:
caminhadas,
trilhas,
jogos de faro,
busca de objetos,
treinamento.
Outra vantagem é que ele não costuma apresentar o mesmo padrão de hiperatividade contínua de algumas raças de pastoreio extremamente intensas.
Pode trabalhar bastante...
e depois descansar.
Isso não transforma o Ogar em cachorro sedentário.
Transforma-o num cachorro cujo motor possui boa autonomia.
Convivência com outros animais
Com outros cães, a tendência é favorável.
Isso faz sentido historicamente.
Sabujos foram frequentemente selecionados para trabalhar em:
duplas,
grupos,
matilhas.
Um animal intolerante a qualquer outro cachorro seria um péssimo integrante da equipe.
Fontes especializadas da raça descrevem o Ogar como geralmente gentil e sociável com outros cães. Ogar Polski
Agora troque:
“outro cachorro”
por
“coelho”.
A resposta muda.
O currículo original inclui:
lebres,
raposas,
corços,
javalis,
aves aquáticas.
Portanto, pequenos animais podem ativar o sistema de perseguição.
A convivência com gatos pode funcionar principalmente quando construída desde cedo.
Um Ogar pode aprender:
“este gato faz parte da casa”.
Isso não significa automaticamente:
“todo gato correndo na rua é membro honorário da família”.
Coelhos, roedores e aves pequenas exigem cuidado ainda maior.
O problema não é agressividade social.
É instinto de caça.
Apartamento e espaço
Aqui existe uma resposta menos óbvia do que parece.
O Ogar Polski é grande.
Mas não necessariamente hiperativo dentro de casa.
Fontes polonesas da raça relatam que muitos adultos conseguem permanecer bastante tranquilos no ambiente doméstico depois de exercitados. Ogar Polski
Isso significa que apartamento é possível?
Sim.
Em algumas situações.
Mas não é a combinação mais simples.
Existem três desafios.
Primeiro:
tamanho.
Segundo:
necessidade de movimento.
Terceiro:
voz.
Um sabujo cujo trabalho histórico incluía vocalizar enquanto seguia a presa pode não ser o candidato ideal para um prédio com isolamento acústico inspirado em uma caixa de papelão.
A casa com quintal facilita.
Mas não resolve sozinha.
Ogar não precisa apenas de metros quadrados.
Precisa de:
cheiros novos,
exploração,
caminhada,
contato humano,
trabalho mental.
Deixar um sabujo sozinho num grande terreno apenas significa oferecer espaço para ele procurar alguma coisa interessante por conta própria.
E talvez encontrar.
O trabalho cotidiano que precisa caber na sua vida.
A manutenção estética é simples.
A manutenção funcional exige atenção.
O pelo do corpo é:
denso,
grosso,
relativamente duro.
Por baixo existe um subpelo macio e abundante.
Isso oferece boa proteção climática.
Mas também significa troca de pelos.
Escovação semanal costuma ser uma boa base.
Durante mudas sazonais, pode ser necessário aumentar a frequência.
Não existe necessidade de tosa estética.
O pelo deve permanecer funcional.
As orelhas são a região que merece maior atenção.
São:
longas,
pendentes,
pouco ventiladas.
O Merck Veterinary Manual lista justamente a conformação pendular das orelhas como um fator predisponente para otite externa em cães. Sinais incluem coceira, mau odor, vermelhidão, dor, secreção e sacudir a cabeça. Merck Veterinary Manual
Portanto:
observe regularmente.
Se houver alterações, não transforme a cozinha num laboratório de soluções caseiras.
Avaliação veterinária é o caminho correto.
Depois de caminhadas por vegetação, verifique também:
patas,
espaços entre dedos,
orelhas,
pele,
carrapatos,
espinhos.
Dentes devem receber higiene regular.
Unhas precisam permanecer curtas.
Exercícios e atividades
O nível de exercício do Ogar precisa ser interpretado corretamente.
Ele não é um cachorro criado para:
corridas explosivas incessantes,
agility extremo,
hiperatividade permanente.
Sua palavra é:
resistência.
O padrão oficial repete essa ideia ao definir seu corpo como projetado mais para resistência que para velocidade.
Isso faz dele excelente parceiro para:
- caminhadas longas;
- trilhas;
- tracking;
- mantrailing recreativo;
- nose work;
- busca de objetos;
- exploração ambiental;
- atividades de caça regulamentadas onde forem legais;
- caminhadas em terrenos naturais.
Jogos de faro são particularmente valiosos.
Esconder pequenos objetos ou alimentos e permitir que o cachorro os encontre utiliza exatamente o sistema que tornou a raça útil durante séculos.
Um passeio também não precisa ser corrida.
Deixar o cachorro parar e farejar pode ser parte da atividade.
Para o humano, ele está examinando um poste.
Para o Ogar, está lendo:
quem passou,
quando passou,
sexo,
direção,
possivelmente estado hormonal,
e sabe-se lá quantos dados adicionais que nosso nariz incompetente simplesmente perdeu.
Alimentação
O Ogar Polski não precisa parecer magro como um galgo.
Também não deve parecer pesado demais.
Sua estrutura natural é:
forte,
compacta,
musculosa.
O objetivo é preservar essa força sem transformá-la em excesso de gordura.
As costelas devem ser palpáveis.
A cintura precisa permanecer perceptível.
A musculatura deve estar presente.
A quantidade de alimento depende de:
idade,
peso,
atividade,
metabolismo,
condição corporal.
Um Ogar trabalhando ou realizando trilhas longas terá necessidades muito diferentes de um adulto doméstico moderadamente ativo.
Adultos normalmente podem receber duas refeições medidas por dia.
Isso também evita concentrar todo o consumo diário em uma única refeição enorme.
Como estamos diante de um cão grande e de peito profundo, qualquer preocupação individual com GDV, frequência das refeições ou eventual gastropexia preventiva deve ser discutida com o médico-veterinário, especialmente quando existe histórico familiar. Vca
Petiscos utilizados no treinamento entram no total calórico.
Principalmente nesta raça.
Um cachorro treinado por comida pode consumir uma quantidade surpreendente de calorias enquanto aparentemente está apenas sendo “um bom menino”.
Água fresca deve permanecer disponível.
Suplementos não precisam ser acrescentados automaticamente a uma alimentação completa.
Predisposição não é destino, mas precisa entrar na escolha.
O Ogar Polski é frequentemente descrito como uma raça relativamente robusta, mas não possui a mesma quantidade de estudos epidemiológicos disponíveis para raças numericamente gigantescas.
Isso significa que devemos evitar dois erros:
dizer que a raça é cheia de doenças sem evidência;
ou dizer que não possui predisposições simplesmente porque existem poucos dados.
Displasia coxofemoral. Fontes cinófilas polonesas atuais incluem avaliação de quadril entre os exames recomendados para a raça. Num cão relativamente grande e pesado, saúde ortopédica merece atenção, especialmente para indivíduos ativos ou reprodutores. Hodowca.pl
Claudicação recorrente, dificuldade para levantar, relutância em saltar ou redução inexplicada de atividade justificam avaliação veterinária.
Entropion e saúde ocular. Avaliação oftalmológica também aparece entre as recomendações atuais de acompanhamento da raça, com atenção especial a alterações palpebrais como entropion. Hodowca.pl
O padrão admite alguma frouxidão da pálpebra inferior em cães mais velhos, mas qualquer situação produzindo irritação, lacrimejamento excessivo ou contato de pelos com a córnea precisa ser avaliada. FCI
Otites. Como já discutido, orelhas pendentes podem aumentar predisposição anatômica à inflamação do canal externo. O Merck Veterinary Manual também destaca umidade excessiva, alergias, parasitas, corpos estranhos, bactérias e leveduras entre os fatores envolvidos. Merck Veterinary Manual
Dilatação e torção gástrica. O Ogar possui peito profundo e é um cão relativamente grande. Isso não permite afirmar que a raça tenha uma incidência específica elevada sem estudos próprios, mas a conformação justifica atenção ao risco geral de GDV. Cães grandes e de tórax profundo aparecem entre os grupos com maior predisposição. Vca
GDV é emergência.
Sinais como:
tentativas improdutivas de vomitar,
abdômen distendido,
salivação intensa,
agitação,
fraqueza,
colapso
exigem atendimento veterinário imediato. Vca
Diversidade genética. A própria história da raça mostra um gargalo populacional relevante após a Segunda Guerra Mundial, com reconstrução moderna baseada inicialmente num número muito reduzido de cães.
Isso torna importante que criadores considerem:
parentesco,
longevidade,
doenças familiares,
diversidade das linhagens,
temperamento.
Antes de adquirir um filhote, vale perguntar sobre:
- quadris;
- olhos e pálpebras;
- histórico de otites;
- casos familiares de GDV;
- doenças cardíacas;
- problemas neurológicos;
- longevidade;
- causas de morte dos cães mais velhos;
- parentesco entre os reprodutores.
O padrão FCI termina com uma regra excelente:
apenas cães funcional e clinicamente saudáveis, com conformação típica da raça, devem ser utilizados na reprodução. FCI
Parece óbvio.
Deveria ser.
Inteligência sem rotina também produz problemas.
O Ogar Polski é inteligente.
Mas treinamento precisa respeitar sua profissão.
Um sabujo independente dificilmente responde bem quando a única estratégia humana é repetir:
“vem”
cada vez mais alto.
O chamado deve ser construído.
Gradualmente.
Com recompensas excelentes.
Começando em ambiente controlado e aumentando as distrações.
Prioridades incluem:
- chamado;
- caminhar sem puxar;
- espera em portas;
- “deixa”;
- “solta”;
- permanência;
- controle de impulso;
- relaxamento;
- tolerância à manipulação;
- comportamento adequado diante de visitantes.
Reforço positivo tende a funcionar muito bem.
Principalmente:
comida,
brinquedos,
permissão para farejar,
acesso controlado ao ambiente.
Esse último item é subestimado.
Para um sabujo, poder seguir um cheiro pode ser uma recompensa melhor que um biscoito.
Use isso.
Exemplo:
o cachorro senta.
Você libera:
“pode cheirar”.
O próprio ambiente paga pelo comportamento.
Existe ainda uma regra que precisa ser gravada:
recall não substitui guia em ambiente inseguro.
Mesmo um Ogar muito bem treinado continua sendo um Ogar.
Se encontrar um rastro extremamente relevante, alguns segundos podem fazer uma diferença enorme.
Conheça diferentes expressões da raça.

Pontos positivos
- gosta de caminhadas longas;
- aprecia cães de faro;
- quer praticar tracking ou nose work;
- possui rotina ativa;
- aceita alguma independência;
- gosta de cães fortes, mas normalmente tranquilos dentro de casa;
- possui outros cães;
- quer um animal fortemente ligado à família;
- utiliza treinamento positivo;
- consegue oferecer exploração ambiental;
- possui ambiente seguro e bom controle de guia;
- aceita vocalização de alerta;
- procura uma raça rara e historicamente funcional;
- consegue investir em socialização desde cedo.
Pontos de atenção
- quer um cão extremamente obediente e automático;
- deseja deixar o cachorro solto em locais não cercados;
- mantém pequenos animais vulneráveis acessíveis;
- não tolera vocalização;
- passa muitas horas fora diariamente;
- procura uma raça de baixíssima necessidade de exercício;
- não gosta de caminhadas;
- não deseja trabalhar recall;
- espera que um grande quintal substitua interação;
- deseja um cachorro permanentemente indiferente aos cheiros;
- não consegue lidar fisicamente com um cão de até cerca de 30 kg;
- procura apenas aparência e não comportamento funcional.