Posavac Hound
Subtítulo emocional
Origem: Croácia
O sabujo croata que transforma uma floresta inteira em um mapa invisível — e consegue seguir uma história que o nariz humano nem sabe que começou.
Uma história selecionada para uma função.
O sabujo croata que transforma uma floresta inteira em um mapa invisível — e consegue seguir uma história que o nariz humano nem sabe que começou.
Existe algo fundamentalmente diferente na maneira como um Posavac Hound percebe uma floresta.
Nós vemos:
árvores,
pedras,
terra,
arbustos.
Ele percebe outra camada.
Uma lebre passou ali.
Uma raposa atravessou mais adiante.
Um javali esteve naquela região.
O cheiro enfraqueceu.
Mudou de direção.
Cruzou com outro.
E o cachorro começa a reconstruir um acontecimento que já terminou.
Esse é o Posavac Hound, ou Posavski Gonič, sabujo originário da região do vale do rio Sava, na Croácia. A nomenclatura inglesa oficial da FCI utiliza Posavatz Hound, enquanto “Posavac Hound” se tornou uma forma internacional bastante difundida do nome. A FCI o classifica entre os sabujos médios e destaca sua enorme resistência na caça de lebre, raposa e javali, além de sua utilização como cão de rastro. FCI
E existe uma característica particularmente interessante.
Muitos sabujos são descritos como difíceis de treinar por causa de sua independência.
O padrão do Posavac diz justamente o contrário:
é fácil de treinar.
Dócil.
Muito dedicado ao dono.
Moderadamente vivo.
Não nervoso.
Não agressivo.
Mas quando encontra uma pista...
aí aparece o outro cachorro.
O trabalhador.
História e origem
Existe uma diferença importante entre dizer:
“esta raça é antiga”
e conseguir mostrar alguma coisa.
O Posavac possui um caso interessante porque seu padrão moderno cita representações históricas bastante específicas.
Numa capela próxima à vila de Beram, na Ístria, existe um afresco datado de 1474 no qual aparece um cão de cor trigo escuro e orelhas pendentes associado pelos historiadores da raça aos ancestrais do Posavac atual.
Depois surge outra representação no século XVI, na igreja de Nossa Senhora dos Anjos, em Veli Lošinj.
Em 1719, o bispo de Đakovo Petar Bakić descreveu cães desse tipo e registrou que sua criação já seria conhecida desde o século XIV.
Em 1854, Franjo Bertić voltou a descrevê-los. FCI
Isso não significa que possamos pegar aquele cachorro pintado no século XV e provar geneticamente que ele é o bisavô número 8.427 de um Posavac moderno.
Não podemos.
Mas existe continuidade histórica suficiente para mostrar que cães de tipo semelhante trabalhavam naquela região muito antes da cinofilia moderna.
E a região explica a raça.
Posavina.
A planície e o vale associados ao rio Sava.
Áreas de floresta.
Vegetação fechada.
Terrenos onde a caça pode desaparecer da visão em segundos.
Ali surge um problema.
O caçador vê uma lebre.
A lebre entra no mato.
Fim?
Para um humano:
quase.
Para um sabujo:
o trabalho acabou de começar.
A presa deixa uma trilha química.
Pelos.
Partículas de pele.
Secreções.
Cheiro corporal.
Material transferido para vegetação e solo.
O cachorro não precisa vê-la.
Precisa interpretar o rastro.
Então aparece um sistema extraordinário.
Nariz no chão.
Avança.
Perde.
Volta.
Cruza novamente.
Encontra.
Continua.
Essa é a verdadeira profissão do Posavac.
A FCI resume sua utilização como um sabujo de excelente resistência, especialmente adequado à caça de:
lebre,
raposa,
javali,
podendo também trabalhar como cão de rastro conduzido em guia. FCI
O antigo padrão internacional destacava ainda sua adequação às grandes florestas e à vegetação densa do vale do Sava. Kutya-tár
Portanto, a raça não precisava ser apenas rápida.
Velocidade é útil.
Mas uma perseguição olfativa possui um problema diferente.
A trilha pode durar muito tempo.
O cachorro precisa continuar funcionando.
Por isso:
resistência.
Pernas fortes.
Peito desenvolvido.
Patas resistentes.
Temperamento persistente.
E voz.
A voz do sabujo não é simplesmente barulho.
Historicamente era um sistema de comunicação.
O cachorro se distancia.
A vegetação impede visão.
O caçador ainda consegue ouvir.
A vocalização informa:
“estou aqui, encontrei a pista, a perseguição continua.”
O Croatian Kennel Club descreve o Posavac como um sabujo universal de voz clara e melodiosa. FCI
Antes de GPS...
o cachorro já transmitia telemetria.
A criação organizada aparece no século XX.
O antigo padrão da FCI registrava a apresentação da raça numa exposição em 1924 e as primeiras inscrições no livro genealógico croata em 1929. O reconhecimento internacional veio em 1955. Kutya-tár
A partir daí, aquilo que por séculos havia sido uma população funcional regional tornou-se também uma raça formalmente documentada.
Mas sua essência continuou ligada ao trabalho.
Isso importa.
Porque existem raças que hoje vivem quase exclusivamente como companhia.
O Posavac permanece muito mais próximo da lógica para a qual foi construído.
É um sabujo antes de ser uma peça histórica.
Ficha rápida completa
Aparência e características físicas
Não existe nada exagerado no Posavac.
E isso provavelmente é uma de suas maiores qualidades.
O corpo é:
forte,
médio,
retangular,
equilibrado.
O comprimento deve superar a altura.
O cachorro não deve parecer:
pesado,
baixo,
alongado demais,
nem excessivamente delicado. FCI
É simplesmente uma estrutura para trabalhar.
A cabeça é proporcional.
O crânio é ligeiramente mais comprido que o focinho.
O focinho é:
forte,
retangular,
cheio,
afunilando discretamente em direção ao nariz.
Não deve terminar exageradamente pontudo.
O nariz possui narinas abertas e pigmentação preta ou castanho-escura. FCI
Isso parece detalhe de exposição.
Não é.
Narinas abertas num cão de faro fazem sentido funcional.
Os olhos são:
ovais,
castanho-escuros,
inteligentes na expressão.
As pálpebras devem permanecer ajustadas e o padrão explicitamente rejeita sinais de entropion ou ectropion. FCI
As orelhas são:
pendentes,
triangulares,
de comprimento moderado,
arredondadas nas pontas,
implantadas aproximadamente na altura dos olhos.
Quando puxadas para frente, devem chegar aproximadamente à comissura labial. FCI
O pescoço é forte e musculoso.
O dorso:
firme,
nivelado,
musculoso.
O peito é profundo e relativamente largo, chegando ao cotovelo.
A garupa possui musculatura importante.
O conjunto inteiro transmite resistência.
As patas são particularmente reveladoras.
Formato oval.
Dedos fechados.
Almofadas fortes. FCI
Outra vez:
a anatomia conta a profissão.
O cachorro trabalha sobre:
terra,
pedras,
galhos,
vegetação,
longas distâncias.
Pés ruins encerrariam a jornada antes que o nariz terminasse o serviço.
O movimento deve ser harmonioso e produzir boa amplitude dianteira associada a forte propulsão traseira. FCI
E então aparece aquilo que torna a raça imediatamente reconhecível.
A cor.
O fundo varia em diferentes tonalidades de:
trigo avermelhado.
Sobre ele aparecem marcações brancas:
na cabeça,
pescoço,
peito,
abdômen,
parte inferior dos membros,
ponta da cauda.
O branco não deve ultrapassar aproximadamente um terço da superfície corporal e o padrão não permite castanho-chocolate como cor básica. FCI
A pelagem possui entre aproximadamente 2 e 3 cm na maior parte do corpo.
É:
áspera,
densa,
brilhante,
rente.
Pode ficar discretamente mais longa atrás dos membros, no abdômen e sob a cauda. FCI
Nenhum excesso.
Nenhuma ornamentação.
Tudo permanece prático.
Tutor indicado
- possui rotina ativa;
- gosta de trilhas;
- aprecia cães de faro;
- quer praticar tracking ou nose work;
- procura um cão de porte médio;
- gosta de treinamento;
- quer um cachorro muito ligado ao tutor;
- consegue oferecer bastante exploração ambiental;
- possui espaço seguro;
- aceita vocalização típica de sabujo;
- consegue trabalhar recall seriamente;
- gosta de cães funcionais;
- possui experiência com cães ativos;
- entende e maneja prey drive.
Tutor não indicado
- possui rotina sedentária;
- quer um cão quase silencioso;
- pretende deixar o cachorro solto em áreas abertas e inseguras;
- mantém coelhos ou pequenos animais vulneráveis acessíveis;
- não gosta de caminhadas;
- passa muitas horas fora diariamente;
- procura um cachorro de energia baixa;
- não pretende investir em treinamento;
- deseja um cão que ignore cheiros e fauna;
- espera que um quintal substitua exercício;
- mora em apartamento sem possibilidade de compensar com atividade externa;
- quer uma raça exclusivamente ornamental.
Em resumo
O Posavac Hound nasceu de uma limitação humana.
Nós vemos muito bem.
Até a floresta fechar.
A presa entra na vegetação.
Some.
Nossa principal ferramenta sensorial deixa de funcionar.
Então utilizamos outra espécie.
O cachorro.
Mas não qualquer cachorro.
Um especializado em informação química.
A lebre passa.
Deixa cheiro.
O Posavac encontra.
Problema resolvido?
Não.
A trilha segue quilômetros.
Então precisamos de resistência.
O corpo fica forte.
Problema:
a vegetação machuca.
Patas resistentes.
Problema:
o cachorro fica longe.
Como saber onde está?
Voz.
Problema:
precisa trabalhar sem ser agressivo e ainda cooperar com pessoas.
Selecione equilíbrio.
Problema:
precisa tomar decisões sozinho, mas continuar ligado ao condutor.
Selecione independência suficiente...
sem perder vínculo.
Séculos de pequenas decisões produziram um cachorro vermelho-trigo de orelhas caídas e aparência aparentemente simples.
Mas coloque esse cachorro numa trilha.
Agora fica claro o que existe ali.
Um sistema sensorial que detecta informação invisível.
Um cérebro que interpreta.
Um corpo que percorre distância.
Uma voz que transmite localização.
É quase uma plataforma de rastreamento biológica criada muito antes de qualquer tecnologia digital.
E talvez seja por isso que o Posavac permaneça tão interessante.
Hoje podemos colocar um GPS na coleira.
Podemos usar rádio.
Podemos mapear a floresta por satélite.
Mas existe uma parte do problema que a tecnologia ainda não tornou banal.
A trilha quase invisível deixada por um animal que já desapareceu.
Para nós:
não existe nada.
O Posavac baixa a cabeça...
respira...
e encontra uma história inteira escrita no chão.
Avaliação editorial de compatibilidade
Fontes e links de verificação
- POSAVSKI GONIC
- FCI Standard No
- FCI-Standard N° 154 / 10/04/2002 / GB
- Hrvatski kinološki savez
- Breed Standards : Posavaz Hound | United Kennel Club (UKC)
- Otitis Externa in Animals - Ear Disorders - Merck Veterinary Manual
- Case Report: Steroid-responsive immune-mediated thyroiditis in a young dog with multi-systemic pyogranulomatous inflammation - PubMed
- Copy number variations in AMY2B gene and amylase activity in Balkan dog breeds - PubMed
- Ear Infections and Otitis Externa in Dogs - Dog Owners - Merck Veterinary Manual
- Posavatz Hound: full breed guide, origin, temperament and care | Global Breeds
Como essa raça tende a viver com pessoas.
Esta é provavelmente a parte mais interessante da raça.
Porque existe um estereótipo sobre sabujos:
“são teimosos e difíceis”.
O Posavac não se encaixa perfeitamente nele.
O padrão oficial afirma explicitamente:
fácil de treinar.
Também o descreve como:
dócil,
nem nervoso nem agressivo,
moderadamente vivo,
muito dedicado ao tutor. FCI
O UKC reforça uma descrição semelhante:
bom temperamento,
dócil,
muito ligado ao dono,
mas extremamente entusiasmado durante a caça. UKC Dogs
Essa última combinação é fundamental.
Dentro da família:
afetivo.
No campo:
trabalhador.
Ele consegue viver nos dois mundos.
Mas isso não significa que o cérebro de caça desligue dentro de casa.
O Posavac continua observando.
Farejando.
Investigando.
Uma caminhada aparentemente simples pode mudar completamente quando encontra um odor interessante.
A cabeça baixa.
O ritmo muda.
O foco fecha.
Agora o cachorro está fazendo aquilo para que foi criado.
Essa transição pode surpreender tutores sem experiência com hounds.
Um comando que funciona perfeitamente numa sala silenciosa passa a competir com algo biologicamente muito mais poderoso.
Não significa que o cachorro:
esqueceu o treinamento.
Significa que a dificuldade do exercício mudou.
Existe ainda a voz.
“Melodiosa” é uma palavra bonita.
No campo:
é.
Na vizinhança:
depende do horário.
A vocalização faz parte do patrimônio da raça.
Portanto, alguém que deseja um cachorro quase absolutamente silencioso provavelmente deveria procurar outra direção.
Convivência com crianças
O temperamento oficialmente descrito como dócil, equilibrado e não agressivo oferece uma base favorável à vida familiar. FCI
Mas raça não substitui socialização.
Nem supervisão.
O Posavac possui porte médio e corpo forte.
Uma brincadeira intensa pode derrubar uma criança pequena sem qualquer intenção negativa.
Com crianças maiores, especialmente em famílias ativas, pode surgir uma excelente parceria.
Caminhadas.
Trilhas.
Jogos de faro.
Busca de objetos.
Treinamento.
Existe bastante atividade compartilhável.
A criança precisa aprender:
não incomodar durante refeições;
não puxar orelhas;
não perseguir o cachorro quando ele procura descanso;
não agarrar o animal à força;
respeitar sinais de desconforto.
E o cachorro precisa aprender:
autocontrole,
não saltar,
relaxar,
conviver com movimento e barulho doméstico.
Boa genética ajuda.
Boa educação completa o trabalho.
Convivência com outros animais
Com outros cães, existe uma vantagem histórica.
Sabujos frequentemente trabalham em proximidade com outros cães.
Sociabilidade funcional é útil.
Um cachorro que começa uma briga toda vez que encontra um companheiro seria um membro bastante inconveniente de uma equipe de caça.
Isso não significa que todo Posavac automaticamente adore qualquer cão.
Mas a convivência canina possui boa base quando existe socialização adequada.
Com gatos:
pode funcionar.
Principalmente quando a convivência começa cedo.
Agora chegamos aos animais pequenos.
Lebres.
Coelhos.
Raposas.
Aqui precisamos lembrar o currículo.
O Posavac foi selecionado explicitamente para localizar e perseguir caça pelo faro. FCI
Portanto, convivência com:
coelhos,
roedores,
aves,
pequenos animais vulneráveis
exige muito mais cuidado.
O problema não é agressividade social.
É comportamento predatório.
Um cachorro pode amar crianças, pessoas e outros cães...
e ainda reagir fortemente quando um pequeno animal dispara na direção oposta.
São sistemas comportamentais diferentes.
Apartamento e espaço
É médio.
Então cabe?
Fisicamente:
sim.
Comportamentalmente:
é outra conversa.
O principal problema é o conjunto:
energia alta,
resistência,
voz,
faro,
necessidade de exploração.
Um Posavac pode eventualmente adaptar-se à vida urbana com uma família excepcionalmente ativa.
Mas apartamento não representa sua situação ideal.
O cachorro foi criado para percorrer terreno.
Um passeio de dez minutos para necessidades fisiológicas não é exercício adequado.
Também existe o componente acústico.
Sabujos vocalizam.
Portas.
Cães.
Cheiros.
Movimento.
Excitação.
Sem treinamento, o Posavac pode transformar a acústica do prédio numa extensão moderna do vale do Sava.
Casa com quintal é mais fácil.
Mas aqui surge novamente a regra universal dos cães de trabalho:
quintal não substitui vida.
Depois de semanas, o quintal possui os mesmos cheiros.
O mesmo perímetro.
As mesmas árvores.
Um sabujo precisa de novidade.
A rua oferece informação.
A trilha oferece informação.
O parque oferece informação.
Para esse cachorro:
farejar não é perda de tempo.
É parte da experiência.
O trabalho cotidiano que precisa caber na sua vida.
Aqui o Posavac é simples.
Pelo curto.
Denso.
Rente.
Sem necessidade de tosa.
Uma escovação semanal normalmente ajuda a retirar:
pelos mortos,
poeira,
material acumulado,
além de permitir inspeção da pele.
Banhos podem ocorrer conforme necessidade.
A raça não exige rotina estética complexa.
Mas existe uma região que merece atenção.
Orelhas.
São pendentes e permanecem próximas à cabeça. FCI
O Merck Veterinary Manual inclui a conformação pendular das orelhas entre os fatores que podem predispor cães à otite externa. Umidade também aumenta esse risco. Merck Veterinary Manual
Observe:
mau odor,
vermelhidão,
secreção,
coceira,
dor,
sacudir repetidamente a cabeça.
Esses sinais não devem ser tratados como “normal de sabujo”.
Otite precisa de diagnóstico adequado porque:
alergias,
parasitas,
corpos estranhos,
bactérias,
leveduras
e outros fatores podem produzir sintomas semelhantes. Merck Veterinary Manual
Depois de trilhas, inspecione:
patas,
almofadas,
pele,
orelhas,
carrapatos,
sementes,
espinhos,
pequenos cortes.
Isso é especialmente importante num cão com alto impulso de trabalho.
Adrenalina pode permitir que continue correndo mesmo depois de uma pequena lesão.
Exercícios e atividades
A palavra oficial é:
stamina.
Resistência. FCI
Isso significa que o Posavac não foi construído apenas para uma arrancada curta.
Foi feito para continuar.
Um bom programa moderno pode incluir:
- caminhadas longas;
- trilhas;
- tracking;
- mantrailing recreativo;
- nose work;
- busca de objetos;
- atividades em terrenos variados;
- corrida gradual para adultos condicionados;
- exercícios de obediência;
- caça regulamentada onde legalmente permitida.
Existe uma armadilha comum.
Tentar cansar um cão de resistência apenas correndo.
No início:
funciona.
Depois de meses:
o cachorro condiciona.
Agora temos um animal ainda melhor em correr.
Por isso a atividade olfativa é tão importante.
Imagine uma trilha artificial de cheiro.
O cachorro precisa:
encontrar,
seguir,
interpretar,
corrigir,
descartar falsos caminhos,
retomar.
Isso utiliza:
nariz,
memória,
atenção,
tomada de decisão.
E pode produzir excelente desgaste mental.
Permitir farejar durante caminhadas também possui valor.
Não significa deixar o cachorro arrastar o tutor para qualquer lugar.
Significa reconhecer que explorar odor é atividade legítima.
Para nós, um arbusto.
Para o Posavac:
arquivo histórico.
Alimentação
O Posavac deve permanecer atlético.
O padrão não descreve um cão pesado.
Descreve:
força,
resistência,
movimento equilibrado. FCI
Portanto, a alimentação precisa sustentar:
massa muscular,
energia,
peso corporal adequado.
Não gordura excessiva.
A quantidade diária depende de:
idade,
peso,
nível de atividade,
metabolismo,
condição corporal.
Um cachorro realmente utilizado em caça ou longas trilhas pode gastar muito mais energia que um companheiro doméstico.
Adultos normalmente podem receber duas refeições medidas ao dia.
Filhotes precisam de dieta apropriada ao crescimento.
Petiscos utilizados em treinamento contam no total diário.
E com uma raça treinável isso pode acumular rapidamente.
Acompanhe:
costelas,
cintura,
massa muscular,
desempenho.
O peso corporal correto ajuda a preservar:
quadris,
joelhos,
resistência,
saúde cardiovascular.
Água fresca precisa estar permanentemente disponível, principalmente durante atividades prolongadas e sob clima quente.
Predisposição não é destino, mas precisa entrar na escolha.
Aqui precisamos ser particularmente rigorosos.
O Posavac é uma raça numericamente pequena fora de sua região de origem e não possui a enorme quantidade de estudos epidemiológicos disponíveis para raças mais populares.
Portanto:
não existe base suficiente para inventar uma longa lista de “doenças típicas do Posavac”.
O padrão FCI coloca grande ênfase em cães funcional e clinicamente saudáveis e rejeita alterações que comprometam trabalho e bem-estar. FCI
Ouvidos. É o ponto anatômico mais óbvio para monitoramento. A conformação pendente pode aumentar predisposição à otite externa, embora isso não signifique que todos os Posavacs desenvolverão o problema. Merck Veterinary Manual
Olhos e pálpebras. O padrão exige pálpebras bem ajustadas e sem sinais de entropion ou ectropion. Isso mostra a importância de preservar conformação ocular funcional durante a seleção. FCI
Ortopedia e capacidade funcional. O cão foi construído para longa atividade. Em qualquer programa sério de criação, faz sentido acompanhar:
quadris,
cotovelos,
joelhos,
movimentação,
histórico de claudicação,
longevidade funcional.
Não porque tenhamos evidência de uma epidemia ortopédica específica na raça.
Mas porque um sabujo que não consegue caminhar bem perdeu aquilo que o define.
Casos isolados não são predisposição racial. Em 2025 foi publicado um relato científico sobre um Posavac Hound jovem com tireoidite imunomediada grave e inflamação multissistêmica. É um caso veterinário interessante, mas um único cão não permite afirmar que hipotireoidismo imunomediado seja uma predisposição da raça. PubMed
Essa distinção é importante.
A internet frequentemente faz:
um caso → “doença da raça”.
Ciência não funciona assim.
Diversidade genética. Num cão relativamente raro, talvez este seja um dos temas mais importantes para criadores.
Um estudo recente envolvendo oito raças balcânicas incluiu Posavatz Hounds numa análise genética do número de cópias do gene AMY2B. O trabalho não investigava doenças hereditárias, mas demonstra que a raça já começa a aparecer em estudos populacionais regionais modernos. PubMed
Para um tutor procurando filhote, perguntas úteis incluem:
- qual a longevidade de pais e avós;
- existem problemas ortopédicos recorrentes;
- houve doenças oculares;
- existe histórico de epilepsia;
- aparecem doenças autoimunes;
- quais foram as causas de morte dos cães mais velhos;
- qual o grau de parentesco entre os reprodutores;
- os pais realmente trabalham e se movimentam normalmente;
- como é o temperamento dos adultos.
Numa raça funcional, o melhor criador não deveria conseguir falar apenas sobre aparência.
Deveria saber explicar:
por que aquele cruzamento melhora ou preserva a população.
Inteligência sem rotina também produz problemas.
Existe excelente potencial.
A própria FCI diz que a raça é fácil de treinar. FCI
Mas o treinamento deve respeitar sua natureza.
O principal ponto é:
recall.
Voltar quando chamado.
Isso precisa ser construído antes que o cachorro seja testado diante daquilo que mais quer seguir.
Progressão lógica:
casa.
Área cercada.
Guia longa.
Pouca distração.
Mais distração.
Ambientes naturais.
Cheiros fortes.
Não começamos com:
“vamos soltá-lo na floresta e descobrir”.
Um Posavac motivado possui:
faro,
resistência,
pernas.
Essa combinação permite ir muito longe.
Outras habilidades fundamentais:
- caminhar sem puxar;
- esperar em portas;
- permanecer;
- “deixa”;
- “solta”;
- interromper vocalização;
- relaxar dentro de casa;
- tolerar manipulação;
- retornar ao tutor durante exploração.
O treinamento baseado em recompensa combina muito bem com o perfil dócil da raça.
Comida funciona.
Brinquedo funciona.
Mas existe uma recompensa especialmente poderosa:
cheirar.
Exemplo.
O cachorro quer desesperadamente investigar determinada trilha.
Você pede contato visual.
Ele oferece.
“Vai.”
Agora o ambiente paga pelo comportamento correto.
Em vez de lutar contra o instinto...
utilizamos o instinto.
Conheça diferentes expressões da raça.

Pontos positivos
- possui rotina ativa;
- gosta de trilhas;
- aprecia cães de faro;
- quer praticar tracking ou nose work;
- procura um cão de porte médio;
- gosta de treinamento;
- quer um cachorro muito ligado ao tutor;
- consegue oferecer bastante exploração ambiental;
- possui espaço seguro;
- aceita vocalização típica de sabujo;
- consegue trabalhar recall seriamente;
- gosta de cães funcionais;
- possui experiência com cães ativos;
- entende e maneja prey drive.
Pontos de atenção
- possui rotina sedentária;
- quer um cão quase silencioso;
- pretende deixar o cachorro solto em áreas abertas e inseguras;
- mantém coelhos ou pequenos animais vulneráveis acessíveis;
- não gosta de caminhadas;
- passa muitas horas fora diariamente;
- procura um cachorro de energia baixa;
- não pretende investir em treinamento;
- deseja um cão que ignore cheiros e fauna;
- espera que um quintal substitua exercício;
- mora em apartamento sem possibilidade de compensar com atividade externa;
- quer uma raça exclusivamente ornamental.